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Lilapsofobia – que diacho é isso?

Posted by on 30-jul-2014 in Blog, Furacão, Saúde e Meteorologia, Tornado | 0 comments

Muita gente sofre com fobias, aqueles medos paralisantes que impedem o indivíduo de chegar perto ou até de pensar no objeto do medo.

Recentemente encontrei na Wikipedia uma Lista de Fobias. “Divirta-se” procurando sua fobia na lista. Eu tenho uma muito séria, muito paralisante mesmo: herpetofobia, que é o medo de répteis ou coisas que se arrastam. Bom, meu medo concentra-se em jacarés, cobras, lagartos e lagartixas. E lagartixas são bichinhos bem comuns na maior parte do país. E confesso que enquanto escrevo isso, olho para o chão e paredes preocupada com a provável proximidade de uma delas.

Eu sei que vocês vão dizer: “ah, mas é um bicho tão bonitinho” ou “ah, mas elas comem os insetos”. Eu não quero saber! Elas me assustam. Em uma conversa recente com amigos, tentei traçar a origem desse medo. O fato é que ouvi histórias demais na infância. Por exemplo:

- Uma senhora, mãe de um amigo de meu pai, contou que uma lagartixa caiu em seu cabelo enquanto dormia (só de escrever me dá pavor!).

- Minha professora da segunda série conta que uma vez uma lagartixa caiu no café de uma colega dela. O café ficou envenenado (ok, vocês vão dizer que isso é impossível) e ela foi parar no hospital.

- Eu dormia na parte de cima de um beliche e via as cidadãs passando PERTINHO DE MIM.

Enfim, essas histórias podem explicar esse medo.

Tornado ocorrido em 3 de maio de 1999, em Oklahoma. Foto de Daphne Zaras. Wikimedia Commons

Tornado ocorrido em 3 de maio de 1999, em Oklahoma. Foto de Daphne Zaras. Wikimedia Commons

Mas, vamos ao medo que é título desse post: lilapsofobia. É o medo de tornados e furacões. Aparentemente, as pessoas que sofrem de lilapsofobia sofreram alguma experiência bem negativa envolvendo essas tempestades severas: danos materiais, ferimentos, morte de entes queridos, etc. Em outros casos, a pessoa foi a única sobrevivente de uma tempestade em sua casa ou em sua vizinhança e então sente-se culpada por isso.

Acabo de lembrar de um episódio de Desperate Housewives em que um tornado atinge Wisteria Lane. Lynette e sua família sobrevivem e ela não chega a ter lipso

Acabo de lembrar de um episódio de Desperate Housewives em que um tornado atinge Wisteria Lane. Lynette e sua família sobrevivem e ela não chega a ter lilapsofobia, mas começa a ter vontade de ser religiosa. Ela quer entender porque a família foi poupada. 

Pessoas que passaram por esse tipo de experiência devastadora, além da lilapsofobia, podem sofrer de Transtorno do Estresse Pós-Traumático.

A lilapsofobia também pode ser aprendida: se seus familiares ou amigos tem essa fobia, ela pode ser “aprendida” por você. O que me faz voltar na herpetofobia: meus futuros filhos aprenderão isso? Ou vão querer ter uma iguana de estimação só para me atormentar?

Claro que é completamente normal verificar a previsão do tempo e os boletins de tempo severo. Aqui no Brasil não temos tanto essa cultura, mas em cidades norte-americanas onde tornados são comuns, toda a infra-estrutura da cidade é feita para que os moradores tenham acesso aos boletins e aos alertas. Só que a pessoa que sofre de lilapsofobia  fica checando os serviços de previsão do tempo de maneira exagerada. Chegam inclusive a deixarem de sair de casa se houver previsão de tempestade. Alguns chegam ao ponto de não quererem sair de casa até em dias ensolarados, questionando a previsão do tempo ou acreditando que uma tormenta pode surgir “do nada”. Fobias são incapacitantes.

E sim, minha herpetofobia é um pouco incapacitante. Uma vez fiquei paralisada na cozinha do trabalho depois de ver uma lagartixa dentro da cuba da pia. Deixei um pedaço delicioso de bolo cair no chão e senti um aperto horrível no peito.

Acho que o Nimbus não sofre de nenhuma fobia, ele curte meteorologia mesmo. Fonte: Maurício de Souza Produções

Acho que o Nimbus não sofre de nenhuma fobia, ele curte meteorologia mesmo. Fonte: Maurício de Souza Produções

Além da lilapsfobia, outra fobia relacionada com meteorologia e muito mais comum é a astrofobia, que é o medo irracional de trovões, relâmpagos e raios. Também pode ser incapacitante e também faz o sujeito ter obsessão pela verificação da previsão do tempo.

Fonte: Free Digital Photos

Fonte: Free Digital Photos

Outra fobia relacionada com Meteorologia que encontrei é a ombrofobia, que é o medo da chuva.

Se isso não é ombrofobia.... Fonte: Maurício de Souza Produções.

Se isso não é ombrofobia…. Fonte: Maurício de Souza Produções.

A aerofobia é o medo de ventos, engolir ar ou aspirar substâncias tóxicas. Há um nome mais direcionado ao medo de ventos: anemofobia.

A fengofobia é o medo do nascer do Sol ou medo da luz do dia. A heliofobia é um medo relacionado a este último: como o nome sugere, é o medo do Sol. Opositores dirão que sofro disso, só porque sou preocupada com fotoproteção.

Como eu indiquei antes, há uma lista de fobias. Para tratá-las, acredito o tratamento psicoterápico é a melhor forma. Meu medo de lagartixa está bem melhor. Acho que em alguns casos passa com o tempo.

***

Fontes

Leia mais sobre lilapsofobia e astrofobia.

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Palestra sobre o El Niño no Parque CienTec

Posted by on 29-jul-2014 in Blog, Educação, El Niño | 0 comments

No dia 16 de agosto o Parque CienTec contará com uma atração que vai interessar todos os amantes da Meteorologia. O Prof. Dr. Tércio Ambrizzi, docente do Departamento de Meteorologia do IAG-USP que falará sobre o tema:

O FENÔMENO EL NIÑO: PASSADO, PRESENTE E FUTURO

Data: 16-08-2014, às 15 h.

Local: Av. Miguel Stéfano, 4.200 (em frente ao Zoológico)

Oportunidade mais do que apropriada para conhecer mais sobre o El Niño (leia também esse guestpost do Rodrigo Bombardi). O evento é gratuito. E para conhecer outras atividades do Parque CienTec, basta conferir o site novo, que está ótimo.

Condições normais: sem El Niño. Fonte: UEMA/NOAA.

Condições normais: sem El Niño. Fonte: UEMA/NOAA.

Condições de El Niño.

Condições de El Niño.

Ah sim, descobri que é possível incorporar textos de fanpages do Facebook em postagens de blogs :). Adoro essa interação entre serviços. Abaixo, o texto de divulgação do evento publicado na fanpage da Estação Meteorológica do IAG-USP:

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Mega Artesanal e o empoderamento pelo artesanato

Posted by on 29-jul-2014 in Artes Plásticas, Blog, Hobbies, Lifestyle, Off topic, Opinião | 0 comments

Mamãe e eu

Mamãe e eu na fila de entrada da Mega Artesanal.

No último sábado fui com minha mãe na Mega Artesanal, evento anual daqui de São Paulo. Normalmente ocorre nos meses de junho ou julho e há diversos expositores: stands de fabricantes de material para artesanato, artesãos famosos (que tem canal no Youtube ou é apresentador de programa de TV), editoras de revistas de artesanato, venda de material para artesanato, venda de artesanato pronto, etc. É um evento muito gostoso e a maioria das participantes somos nós, mulheres =).

Ao longo do evento, há vários mini-cursos de cerca de 1h de duração. Como as filas eram enormes, consegui fazer apenas 3 cursos. O primeiro deles foi no stand da Döhler, em que a gente aprendia a customizar pano de copa com aplicação de tecido. Olha que gracinha esses tecidos xadrez:

10551065_10202527562369989_5723033696377823492_nO professor do curso era o Marcelo Darghan, muito famoso no meio do artesanato. Há mais de 20 anos fui em um curso dele com minha mãe. Era um curso sobre artesanato em feltro e lembro que minha mãe fez enfeites lindos de árvore de Natal :).

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Marcelo Darghan, durante a aula na Mega Artesanal 2014.

Marcelo Darghan é muito simpático e a aula foi uma farra. Cantei até música do Fábio Júnior rsrs. Claro que como baguncei do começo ao fim, não consegui terminar a toalhinha. Bom, vou acabar essa semana agora que finalmente aprendi a alinhavar (há até esse tutorial fantástico do WikiHow).

Fiz também uma aula de feltro oferecida pela Feltros Santa Fé.  Foi então que concluí que é uma atividade para a qual tenho potencial rs. A professora foi a Rosana Noriko, muito simpática e que explica com uma paciência sem igual. Fiz um porta-carregador de celular. Não consegui acabar durante a aula, mas levei pra casa e esse eu já terminei!

É, preciso cortar as linhas q estão sobrando...rs

É, preciso cortar as linhas q estão sobrando…rs

Fiz também uma aula de pintura em tecido no stand da Gato Preto. Eu não fotografei o cupcake que fiz (em estilo ‘pintura country’), porque ele ficou HORRÍVEL. Gente, mexer com tintas e desenhar é uma coisa que definitivamente não sei fazer.

O evento tem esse lado legal: por ter tantas atividades para fazer, você acaba eventualmente descobrindo do que gosta mais. Ou, se você já pratica um certo tipo de artesanato (no meu caso, eu bordo e faço tricô), você procura no mapa do evento as atividades relacionadas com o que gostaria de aprender mais e conhecer as novidades.

O evento é anual, mas a última vez que fui foi em 2009! Não fui nos anos anteriores porque minha mãe, companheira absoluta nesse tipo de atividade, costuma viajar na mesma época. Comparando a edição de 2009 com a de 2014, concluí que:

- O evento está bem mais cheio

- As marcas estão dando menos cursos e menos amostras grátis

- Apesar de terem menos cursos, eles estão durando mais tempo e a gente sai de lá com algo legal. Na edição de 2009, fiz umas caixas que ficaram feinhas, porque fiz muito ‘na pressa’. Dessa vez, a gente consegue aprender melhor.

- O evento está mais organizado: mais banheiros e mais opções para lanchar.

O grande destaque de 2014, na minha opinião, foi o scrapbook. O pessoal definitivamente está na ‘febre dos recortes’, hehehehe. É uma atividade barata, dá pra improvisar muita coisa com adesivos e coisinhas que a gente acha em papelaria (e não são tão caras). E com uma impressora em casa dá pra fazer bastante coisa bacana :). Eu vi muito material de scrapbook na feira e o stand da Tok e Crie estava concorridíssimo. Minha mãe conseguiu fazer um curso (rolava sorteio e eu não fui sorteada, fuén) e me deu uma caixinha linda que ela fez :).

Nos stands dos artesões, chamou muito minha atenção esse stand lindo:

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Não consegui anotar o nome do stand, mas essa pegada retrô é linda demais. Adorei a primeira foto e gostaria de fazer em casa, mas eu usaria caixotes de madeira no lugar desses de plástico!

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E essas cadeiras de crochê? Tem gente que acha exagerado, mas acho que pode ser uma boa ideia. Numa decoração rústica, numa casa de campo por exemplo, uma cadeira de madeira com o assento de crochê colorido (só o assento rs) pode ficar lindo! Bom, é questão de gosto e nem todo mundo curte crochê. Mas eu adoro, tenho vários tapetes de crochê em casa, roupas de crochê, cachecol de crochê e carro de crochê.

Crochet-Smart

A parte do carro é mentira (por enquanto… talvez rsrs). A imagem acima é de uma criação de Magda Sayed. Foi desenvolvido especialmente para o Festival de Arte, Il Lusso Essenziale, em Roma (leia mais aqui).

Quando eu já estava indo embora da Mega, vi uma senhora com um carrinho de feira com seus artesanatos e brindes. Ela estava andando com uma bengala. Fiquei pensando que mesmo sendo difícil para locomover-se, ela foi ao evento e certamente aproveitou bastante. Nos cursos, era muito comum ver mulheres ajudando mulheres, mulheres mais velhas ajudando as mais novas que não sabem costurar (eu) e mulheres se divertindo. Todas muito felizes, recebendo a atenção e o carinho de novas colegas, expositores e professores.

Peter Paiva, um dos artesãos mais famosos que participaram do evento, tinha um stand lindo chamado Sonholândia. Lá, ele vendia os produtos que fabrica (sabonetes, produtos para banho, hidratantes, etc) e tirava fotos com suas fãs. Nas fotos, as mulheres eram convidadas a colocarem uma coroa. A mensagem era:

- Seja a Rainha da sua vida!

Empoderador, não? O artesanato é isso: empoderador. Uma pessoa que está desanimada, acha que não sabe fazer nada e então descobre que pode criar. Descobre que pode ganhar dinheiro com isso, que pode presentear amigos e familiares, que pode ocupar sua vida com uma atividade gostosa e produtiva. Isso é muito lindo! O artesanato deixa as pessoas mais felizes e mais leves.

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Eu fazendo graça na frente do stand do Peter Paiva. <3. Isso é sabonete rsrs.

P.S.: Desculpem pelas fotos horríveis. Eu não tenho um bom celular e nem eu e nem mamãe levamos câmeras fotográficas.

 

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Apresentação para Escoteiros

Posted by on 28-jul-2014 in Clima, Nuvens, Profissão, Tempo, Tempo e Clima | 2 comments

Meu trabalho e um de meus hobbies (no caso, o Meteorópole) envolvem popularização da Ciência. Quando comecei a trabalhar, imaginei que eu iria trabalhar mais intensamente com dados meteorológicos e iria ficar focada apenas nesse tema. No entanto, fui me envolvendo com atividades de popularização e difusão e o blog acabou ajudando no trabalho, fazendo eu me interessar ainda mais pelo tema.

Fonte: Free Digital Photos

Fonte: Free Digital Photos

E quando trabalhamos nos comunicando, acabamos conhecendo pessoas e atividades incríveis. Semana passada conheci o Grupo de Escoteiros Primeiro de Brownsea. O grupo é incrível, com crianças e adolescentes muito empolgados e que demonstram muito interesse por Meteorologia e por outras áreas do conhecimento. Fiquei encantada ao ver crianças tão disciplinadas e interessadas =).

Em uma de suas atividades, eles precisavam aprender meteorologia para então construírem uma mini-estação meteorológica. Eu criei uma apresentação para eles, focando principalmente naquilo que eles precisavam aprender para a atividade. O conjunto de slides conta com os seguintes conteúdos:

- História da Meteorologia

- Formação de nuvens

- Tipos de Nuvens

- Diferença entre Tempo e Clima

Normalmente, quando compartilho meus slides, uso o SlideShare. Todas as apresentações que compartilho estão neste link. Incorporei a apresentação em questão no post para que os leitores possam vê-la sem saírem do Meteorópole:

Palestra para os Escoteiros from Samantha Martins
Na tag slides é possível ver todas as apresentações que já compartilhei por aqui. Meu objetivo não é que as pessoas copiem minhas apresentações e as usem deliberadamente. Na verdade, pretendo inspirar os professores a fazerem suas próprias apresentações e também para que aqueles que as assistiram possam usá-las como material de referência. E por favor, comuniquem erros =).
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Dúvida do Leitor: São Paulo era para ser um deserto?

Posted by on 26-jul-2014 in Blog, Desertos, Dúvida do Leitor | 0 comments

O leitor Ralph sempre manda umas perguntas muito pertinentes, que me inspiram a escrever posts bem interessantes (leia outras aqui e aqui).

Recentemente ele fez outra pergunta muito boa.

É verdade que todo lugar por onde passa o trópico de capricórnio tende a ser  deserto (deserto da Namíbia, deserto da Austrália) e que SP só não o é por causa da umidade que vem da floresta amazônia canalizada para o sul pelos Andes?

Sim, é verdade!

Mas não vamos acabar o post por aqui. Primeiro vou mostrar um mapa que ilustra o que o Ralph disse na pergunta:

Desertos do mundo. Reparem como há desertos nas regiões próximas do Trópico de Capricórnio e do Trópico de Câncer. Fonte: GROASIS.com

Desertos do mundo. Reparem como há desertos nas regiões próximas do Trópico de Capricórnio e do Trópico de Câncer. Fonte: GROASIS.com

Observando a figura acima, notamos que ao longo do Trópico de Capricórnio temos o Deserto do Atacama, o Deserto de Kalahari e o Deserto Australia. E se rebatermos a observação para Norte, olhando o Trópico de Câncer, notamos o Deserto Norte-Americano (super cenário do livro Desperation), o majestoso Deserto do Sahara e o Deserto da Península Arábica.

E por que isso acontece bem onde passam os trópicos? Isso tem a ver com a circulação global da atmosfera. Nesse post, em que falamos do significado do termo deserto, nós falamos sobre essa característica. Vou copiar um trecho:

As regiões próximas a linha do Equador, apesar de receberam mais radiação solar, não possuem desertos porque temos um forte movimento de convecção. Isso significa que o Sol aquece a superfície da Terra nesses locais  e consequentemente aquece o ar acima dela,  que sobe e forma nuvens (através da condensação do vapor d’água). Na faixa equatorial de nosso planeta é onde encontramos os maiores acumulados de precipitação.

Nos níveis mais altos da atmosfera, o ar que subiu formando as nuvens nas proximidades da linha do Equador movimenta-se em direção aos trópicos e desce nos subtrópicos, próximo dos trópicos de Capricórnio e Câncer. Esse ar então esfria-se na superfície, movimenta-se em direção ao Equador novamente. Isso fecha a Célula de Hadley (ou circulação de Hadley).

Esse ar que desce nos subtrópicos já é bem seco, porque perdeu toda a umidade lá no Equador (com a chuva que caiu).  No seu movimento de descida (movimento descendente), esse ar se aquece um pouco e fica ainda mais seco. O movimento descendente dificulta a formação de nuvens. Os chamados desertos quentes forma-se nessa região de ar descendente, que consistem nas proximidades dos Trópicos de Câncer (Hemisfério Norte) e Trópico de Capricórnio (Hemisfério Sul).

A célula de Hadley é o nome dado a um dos padrões de circulação global (em vermelho, na ilustração). O ar sobe na região do Equador terrestre, provocando convecção (Zona de Convergência Intertropical). Em níveis mais altos da troposfera, o ar desloca-se para os trópicos (próximo as linhas dos trópicos de Câncer e Capricórnio, ou seja, nos dois hemisférios). O ar desce sobre essas regiões e volta, em superfície, para o Equador. Fonte: The COMET Program

A célula de Hadley é o nome dado a um dos padrões de circulação global (em vermelho, na ilustração). O ar sobe na região do Equador terrestre, provocando convecção (Zona de Convergência Intertropical). Em níveis mais altos da troposfera, o ar desloca-se para os trópicos (próximo as linhas dos trópicos de Câncer e Capricórnio, ou seja, nos dois hemisférios). O ar desce sobre essas regiões e volta, em superfície, para o Equador. Fonte: The COMET Program

Uma grande quantidade de umidade vem da Região Amazônica e é canalizada pelos Andes chegando até o Paraguai, norte da Argentina, Região Sul, oeste da Região Sudeste e sul Região Centro-Oeste. Esse fenômeno chama-se Jato de Baixos Níveis (JBN) e é uma caracerística da circulação em diversas regiões do planeta, onde há uma grande fonte de umidade e a presença de cadeias de montanhas que canalizam o vento. Em 2004, eu ainda estava na graduação, e estudei o JBN em um trabalho de Iniciação Científica (IC). Veja a publicação aqui. Confesso para vocês que me arrependo muito de não ter continuado esse trabalho no mestrado.

Em meu trabalho de IC (muito preliminar, claro), concluí que:

A precipitação mostrou-se mais intensa e concentrada (quanto há JBN) corrente abaixo do JBN. Deste modo, o JBN parece favorecer a precipitação no norte da Argentina, Rio Grande do Sul e Uruguai, e desfavorecer esta no centro-oest e e sudeste do Brasil.

Claro que atualmente sabe-se mais sobre este fenômeno, já que novos artigos foram publicados. Inclusive o termo popularizado foi “Rios Voadores“. Houve até uma exposição no SESC sobre esses tais rios voadores.

O principal rio voador do Brasil nasce no oceano Atlântico, bomba de volume ao incorporar a evaporação da floresta Amazônica, bate nos Andes e escapa rumo ao sul do país. “O vapor d’água que faz esse trajeto é importantíssimo para as chuvas de quase todo o Brasil”, afirma o engenheiro agrônomo Enéas Salati, da Universidade de São Paulo (USP). Leia mais aqui.

Acredito que a umidade trazida pelo JBN é mais importante para o oeste da Região Sul, oeste e sul do Estado de São Paulo e no sul da Região Centro-Oeste. Na faixa mais a leste das Regiões Sudeste e Sul, a umidade vinda do oceano tem papel mais dominante, de modo que o próprio formato da América do Sul (que se afunila quando se dirige ao sul), favorece que a região seja abastecida por umidade (falei desse aspecto nesse post).

Sendo assim, são variados os aspectos que fazem com que São Paulo não seja uma região desértica. Acho que os principais foram abordados nesse post. Se alguém tiver alguma observação ou alguma dúvida, basta entrar em contato :).

 

 

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