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Links de Quinta

Posted by on 17-abr-2014 in Blog, Links | 0 comments

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“O problema na sociedade não é as crianças não conhecerem ciência. O problema é os adultos não conhecerem ciência. Há 5 adultos para cada criança, eles detém o poder, eles escrevem a legislação”. Quando você tem adultos que são analfabetos científicos, você enfraquece as bases do que faz uma nação ser rica e forte.”

História muito engraçada sobre a tradução acima: eu estava cansada, sem óculos, sem atenção e muito louca. Daí ao invés de ler undermined eu li undetermined e fiz uma tradução muito louca (substitua enfraquece por indetermina rs). Daí o Rodrigo, me deu um toque e eu arrumei rs.

Como sexta-feira é feriado e eu estarei fora de casa, não vou publicar nenhum texto. Eu sei, vocês vão dizer “ah, mas poderia ter programado”. Sei disso, mas prefiro publicar meus textos quando vocês voltarem do feriado (e eu tb, né? rs).

Vamos então aos links de quinta-feira.

- Texto ótimo do Rodrigo, no Discurso Retórico. No texto, Rod fala sobre ciência x picaretagem. Como um artigo científico é escrito? Como ele é revisado? Quando ele é impactante? O texto é ótimo, deve ser lido pelos teoristas da conspiração (principalmente). Na real, deve ser lido por todos. Entender como um descoberta científica torna-se pública é importante para que não sejamos enganados por pseudocientistas e outras formas de desonestidade intelectual.

- Escrevi sobre a prova de filosofia que mencionou Valesca Popozuda em uma de suas questões. Notei muito classismo por parte de muitos críticos.

- Crônica do Beto sobre escolhas profissionais. Ele conta como tornou-se geógrafo. Eu adorei o texto. Como ele entrevistou com algumas pessoas antes de escrevê-lo (e eu fui uma das entrevistadas), vocês vão saber o que eu gostaria de ser quando crescer quando tinha uns 7-9 anos rs.

- Receitas deliciosas e super brasileiras no Atitude Terra. Esse purê de banana, servido com peixe, é uma delícia. Já fizemos lá em casa e ficou maravilhoso, recomendo!

- Texto da Camila no Uma Mãe das Arábias sobre a insegurança das mães. Nele, ela conta como descobriu que estava grávida, sobre o nascimento do bebê e sobre as inseguranças de todos os dias.

- Blog que comecei a ler recentemente: Pérolas da Estética. No blog, a Mari Negrão fala de todas os absurdos sobre tratamentos estéticos que ela já ouviu ou leu. Ela desmitifica todos esses absurdos, apresentando artigos e livros sobre o assunto. Nunca tinha visto um blog a respeito disso (já vi blogs que falam de tratamentos estéticos, mas não sob a abordagem científica, mostrando pesquisas). Bastante inovador e completo, recomendo.

- Texto do Vinícius sobre Previsão do Tempo. Muito bom :)

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Como funciona o Galinho do Tempo?

Posted by on 16-abr-2014 in Blog, Química, Tempo | 0 comments

Há algum tempo escrevi um post explicando o funcionando da Casinha do Tempo e também falei sobre a história desse popular souvenir de origem alemã. Hoje vamos falar de outro bibelô, que é de origem portuguesa. É o Galinho do Tempo.

Esse está vermelho indicando um dia úmido. O que eu tinha era igualzinho a este, antes do grave acidente (menciono adiante rs).

Esse está vermelho indicando um dia úmido. O que eu tinha era igualzinho a este, antes do grave acidente (menciono adiante rs).

Com certeza você já deve ter visto um galinho do tempo. É um galinho de plástico, coberto por uma camada de um material aveludado, que muda de cor dependendo da umidade. Se está seco, ele fica azulado e se esta úmido, ele fica avermelhado.  E dias chuvosos são dias bem úmidos, portanto a “escala” presente na base desse bibelô normalmente indica:

Vermelho: Tempo chuvoso, úmido

Azul: Tempo bom, seco.

O galinho do tempo não faz a previsão do tempo, como muita gente pensa equivocadamente. Ele apenas indica as condições do tempo presente, ou seja, as condições meteorológicas daquele instante. E como ele faz isso?

Essa camada aveludada que recobre o plástico possui uma solução aquosa de Cloreto de Cobalto II em sua superfície. Essa substância tem uma característica interessante: ela muda de cor quando entra em contato com a água. Em um ambiente completamente seco, essa substância fica com coloração azul. No entanto, quando essa substância entra em contato com a água, fica vermelho-rosada. Essa mudança de cor não é irreversível: se uma porção de Cloreto de Cobalto II estiver úmida e depois for seca (natural ou artificialmente), ela deixa de ficar avermelhada e passa a ficar azul.

Percebam portanto que essa substância é ideal para indicar a presença de umidade. Alguns equipamentos eletrônicos usam Sílica Gel para absorver a umidade presente na caixa do equipamento e evitar danos aos componentes eletrônicos. Vocês já devem ter visto dessa sílica gel em saquinho (até tá escrito “não coma” nesses saquinhos rs). Mas existe sílica gel vendida a granel. E por circunstâncias relacionadas ao meu trabalho, já tive que comprar dessa sílica gel a granel. Essa que vende a granel é embebida com Cloreto de Cobalto II para que quem está manuseando possa saber se a sílica gel está saturada ou não de umidade. Os ‘grãos’ de sílica gel ficam azulados  se ainda estão secos e avermelhados se já estão úmidos. Daí é possível reaproveitar essa sílica gel a granel: basta aquecê-la no forno ou em uma panela (juro!, fazemos isso o tempo todo em meu trabalho). Quando ela é aquecida, a cor modifica-se e fica bem claro para nós que está seca e pronta para ser colocada novamente junto ao equipamento eletrônico que ajuda a conservar.

A cor do Cloreto de Cobalto II varia de acordo com a umidade. Do lado esquerdo, está seco e azul. Do lado direito, está hidratado e avermelhado. Fonte: Wikimedia Commons

A cor do Cloreto de Cobalto II varia de acordo com a umidade. Do lado esquerdo, está seco e azul. Do lado direito, está hidratado e avermelhado. Fonte: Wikimedia Commons

 O Cloreto de Cobalto II é um sal que estabelece o seguinte equilíbrio químico:

[CoC4]2-(aq) + 6 H2O(ℓ)↔ [Co(H2O)6]2+(aq) + 4 C1-(aq)

De acordo com o pessoal do Brasil Escola (e eu tive que procurar uma ajudinha, pois não saco nada de química, já diz a canção) o íon [CoCl4]2-(aq)  apresenta cor azul, sendo que o seu número de coordenação (quantidade de ânions que cercam o cátion no arranjo cristalino) é 4. Já o íon [Co(H2O)6]2+ apresenta cor rosa e seu número de coordenação é igual a 6. Segundo o Princípio de Le Chatelier, esse equilíbrio pode ser deslocado para a direita, deixando o sal rosa ou para a esquerda, ficando com a cor azul.

Além da variação da umidade fazer com que a coloração dessa substância se altere, a variação de temperatura também é um importante fator.  De acordo com a química Jennifer Fogaça, que escreveu para o Brasil Escola:

Em dias quentes (temperatura alta) o equilíbrio da reação se desloca no sentido da reação que absorve calor (endotérmica), que, nesse caso, é a inversa. O galo fica, então, azul. Já em dias frios, a temperatura baixa faz com que o equilíbrio seja deslocado no sentido da reação que libera calor (exotérmica), que, no exemplo considerado aqui é a direta. Nesse caso, o galinho do tempo fica rosa..

Sendo assim, o galinho do tempo não prevê o tempo. Ele apenas registra as condições atuais e para isso utiliza um sal (Cloreto de Cobalto II) cuja coloração modifica-se com as variações de umidade e de temperatura.

Eu preciso de um novo galinho do tempo. O meu, presente de minha sogra, foi atacado por um gato assassino em 2009 e está em coma irreversível rs. No Museu de Meteorologia da EM-IAG-USP tem:

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E também tem Casinha do Tempo:

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Há muito tempo atrás (faz 2 anos, mas em Tempo de Internet significa 100 anos), eu sorteei uma casinha dessas aqui no blog. Depois descobri que sorteios de blogs não são ações ‘permitidas’ (para um sorteio ser válido ele precisa ser registrado, etc) e eu não realizei mais nenhuma ação do tipo. Tentei realizar um concurso cultural, que não deu muito certo. A verdade é que meu sonho é que esse bloguinho tivesse um patrocínio ou fosse parte de um portal grande. Daí eu teria estrutura e dinheiro para fazer várias coisas legais. Mas enfim, vou continuar fazendo coisas legais (leia, escrevendo rs), mesmo sem patrocínio.

 

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Eclipse da madrugada: poucos viram a Lua sangrenta

Posted by on 15-abr-2014 in Astronomia, Blog | 2 comments

Pouca gente viu o eclipse da madrugada porque… era madrugada. E a maioria das pessoas estão dormindo rs. Além disso, as condições meteorológicas em parte da Região Sul e Região Sudeste não possibilitaram visualização.

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Figura 1: Anatomia do Eclipse. Aqui vemos uma ilustração, sem escala, mostrando o alinhamento entre Sol, Terra e Lua. Fonte: NASA

O Sol, a Terra e a Lua ficaram alinhados, como na imagem acima. A sombra da Terra então cobre a Lua.Temos assim um Eclipse Lunar Total. Existem diversos tipos de eclipse, dependendo do arranjo Terra-Lua-Sol. O mais emocionante deles é o Eclipse Solar Total, que é quando a Lua se interpõe entre a Terra e o Sol. E como a Lua e o Sol tem mais ou menos o mesmo tamanho angular em nosso céu, o disco Lunar cobre o Disco Solar, deixando o dia completamente escuro por alguns instantes (e é assustador, como no filme Eclipse Mortal e só o Riddick pode nos salvar rs).  No Eclipse Solar Total, o alinhamento precisa ser perfeito e sua visualização é melhor em apenas certos pontos da Terra onde a sombra da Lua fica perfeitamente encaixada no disco solar. Essas localizações variam muito e nelas o eclipse total é visível. Em outras áreas, é visível apenas o Eclipse Parcial do Sol, em que apenas parte da sombra da Lua cobre o disco solar.

Eclipse Solar Total em 1999, visto na França.

Figura 2: Eclipse Solar Total em 1999, visto na França. Fonte: Wikimedia Commons

Para não misturar os  tipos de eclipse (o Solar e o Lunar, total ou parcial), vou falar apenas do Eclipse Lunar Total, pois foi o fenômeno que ocorreu na última madrugada. Em outra ocasião, escreverei um post mais completo sobre eclipses.

O eclipse da madrugada foi portanto visto apenas pelos moradores do Continente Americano. Quem ficou acordado de madrugada e teve a sorte de não ter uma madrugada encoberta por nuvens, pode ver o fenômeno.

Pouco antes do eclipse, a Lua ganhou uma tonalidade avermelhada. O nome desse fenômeno é Lua Sangrenta.

Eu já vi esse filme e o título original dele em inglês é The Burning Moon, se não me engano rs

Figura 3: Porque todo post tem uma zoeira rs. Eu já vi esse filme e o título original dele em inglês é The Burning Moon, se não me engano rs

Falando sério agora, a NASA (que tem uma página dedicada apenas a eclipses), tem um link dedicado apenas ao último eclipse. Eu não pude ver (eu estava super cansada e dormi e as nuvens não permitiriam mesmo). O ápice do eclipse ocorreu entre 7:07 am e 8:25 am no horário de Greenwich (ou seja, entre 4:07 e 5:25 no horário de Brasília), que foi quando a Lua esteve na umbra da Terra. Pouco antes e pouco depois desse horário, a Lua esteve na penumbra da Terra. Veja abaixo na Figura 4.

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Figura 4: Umbra e Penumbra e o momento em que o eclipse atingiu seu auge. Fonte: NASA/MrEclipse

É importante distinguir entre os termos umbra e penumbra. As duas palavras vem do Latim. Umbra significa sombra e penumbra (paene umbra) significa quase sombra. Esses termos são muito utilizados para descrever eclipses. Vamos imaginar um arranjo em que eu tenha duas lâmpadas (L1 e L2) e um anteparo. A região A está totalmente sombreada, enquanto as regiões B estão quase sombreadas (uma transição entre escuro e claro). A região A é umbra e as regiões B são penumbra:

Umbra e Penumbra

Figura 5: Essa imagem é da Wikimedia Commons. E preciso compartilhar com vocês dois palavrões que acabo de aprender: kernschattenraum significa umbra em alemão e halbschattenraum significa penumbra. Por que eles não usam os termos em latim como qualquer pessoa normal? Não sabemos.

Comparando a Figura 5 acima com as Figuras 3 e 4, acredito que as definições ficam bem claras. O que talvez ainda não ficou muito claro é o porque do nome Lua Sangrenta. Esse nome, que mais parece nome de filme de terror B ou de série de vampiros adolescentes, tem uma explicação nada sobrenatural.

Na Figura 3, vemos que a Terra deve estar entre o Sol e entre a Lua para ocorra o Eclipse Lunar Total. A luz solar passa pela atmosfera da Terra. A luz solar é então espalhada pelas moléculas e pelas partículas em suspensão na nossa atmosfera (os aerossóis). A luz é composta por diversos comprimentos de ondas, que formam o espetro eletromagnético. A parte da luz que possui comprimento de onda mais curto (azul, roxo…) é espalhada pelas moléculas que compõe o ar atmosférico e por partículas muito pequenas. Quando a luz passa por uma camada mais longa da atmosfera (como no pôr-do-sol), os comprimentos de onda maiores (laranja, vermelho…) acabam dominando e dessa forma a luz que nossos olhos percebem é correspondente à esses comprimentos de onda, portanto, vermelha. Quando essa luz vermelha atinge a Lua, a luz é refletida e consequentemente a vemos avermelhada.

Como eu disse, o efeito responsável por essa coloração avermelhada é o mesmo que causa o por-do-sol avermelhado. O nome desse processo de espalhamento da luz chama-se Espalhamento Mie. Também falei desses processos de espalhamento da luz quando discuti um episódio de Sliders em que o céu era roxo.

Ou seja, a Lua vermelha é um fenômeno interessante e tem relação com algo que vemos todos os dias no nosso planeta. Fiquei surpresa essa manhã quando assistia Globo News, numa reportagem que falava sobre o eclipse (veja aqui). Em um determinado momento da reportagem, o âncora disse:

“a explicação para isso (lua avermelhada) é que a Lua ficou posicionada entre a estrela Espiga (a mais brilhante da constelação de Virgem) e o planeta Marte”

o.O

Vocês podem me imaginar de cabelo em pé.

E o G.C. ainda diz: “Lua fica avermelhada e depois é totalmente encoberta pelo Sol”. Mas gente, nada a ver com o fenômeno do Eclipse! Da onde as pessoas tiram essas coisas?

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Figura 6:  GloboNews viajando na maionese

Então ele continua dizendo que o ecplise faz parte de uma série de quatro que ocorrerão até 2011 (o.O) e depois diz as datas desses fenômenos. Para saber quando ocorrerão eclipses e para saber se eles serão visíveis onde você mora, ignore o jornlista e consute o site da NASA.

É muito vergonhoso um canal como o Globo News dar essas informações erradas. O que aconteceu na verdade é que foi possível também ver a brilhante estrela Spica (ou espiga) e o planeta Marte ao mesmo tempo em que ocorria o eclipse. Com os movimentos de rotação e translação da Terra, a configuração do nosso céu se altera ao longo de 24h e ao longo do ano. Ou seja, ontem, além do eclipse, os observadores também puderam ver esses outros dois astros. Só que a cor avermelhada da Lua nada tem a ver com a presença deles. Não sei da onde o cara da Globo News tirou isso.

Quero dizer, acho que sei. Chamo isso de jornalismo da correria.  Em um desespero para dar notícia antes de todo mundo, não checam direito as informações. O que custava procurar um astrônomo para dar uma informação valiosa e importante para a população? O que custava usar o momento para divulgar ciência? Tenho a impressão que jogam a informação de qualquer jeito também porque acham que as pessoas não vão entender mesmo. Em geral, os meios de comunicação não respeitam o povo.

Figura 7: Lua Sangrenta. A coloração fica avermelhada/alaranjada devido ao Espalhamento Mie. Fonte: NASA

Figura 7: Lua Sangrenta. A coloração fica avermelhada/alaranjada devido ao Espalhamento Mie. Fonte: NASA

Como bem disse o Rodrigo, a picaretagem acontece no momento da divulgação, da popularização da ciência. Leiam mais aqui.

Ah, e além da Lua Sangrenta a Lua também pode ser Azul (que na verdade não é azul rs). Relembre no post sobre a Blue Moon.

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Resenha de Guerra dos Mundos – H.G. Wells

Posted by on 14-abr-2014 in Blog, Livros | 0 comments

Eu já devo ter mencionado em outras ocasiões que há livros que são leitura obrigatória para quem gosta de ficção científica, porque são clássicos. Quando você lê os clássicos, observa que muitas coisas retratadas neles serviram de inspiração para coisas contemporâneas. Julio Verne, por exemplo, é um autor de diversos clássicos da ficção científica. H. G Wells, é autor de tantos outros clássicos. Quem gosta de ficção científica ou quem começou a se interessar pelo assunto, na minha opinião deve alternar entre a leitura de um clássico e de algo contemporâneo. É muito provável que você note essas referências que me refiro. E as vezes vai observar referências sutis ou comparações que existem apenas na sua cabeça (e quando conta aos amigos, eles vão dizer que você está viajando rs). É absolutamente normal, acho.

Eu mencionei A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells quando falei do ótimo documentário Além da Guerra dos Mundos.  E para relacionar as duas coisas, preciso fazer a resenha do livro.

A história, bastante plausível por sinal, é de que H. G. Wells e seu irmão falavam sobre a impressão que os aborígenes australianos devem ter tido quando viram os ingleses pela primeira vez. Os irmãos ficaram imaginando que é bastante provável que os aborígenes tenham tido um misto de espanto e curiosidade. E então imaginaram que a humanidade teria a mesma sensação se seres de outro planeta aparecessem por aqui.  Essa conversa aconteceu no final do século XIX. Em 1898, H. G. Wells publicou “A Guerra dos Mundos”, romance que abalou a Inglaterra, assustando os leitores com a idéia de uma invasão marciana na então rica Inglaterra vitoriana.

H.G. Wells na frente de sua casa em 1907, na frente de sua casa em Sandgate, Inglaterra. Essa nem é a foto com melhor definição do escritor (ele morreu na década de 1940 e era de certo modo popular, há vários retratos dele). Gosto dessa foto porque ele está em frente a sua casa. E em "A Guerra dos Mundos", H.G. Wells se coloca como o personagem principal (e narrador). E a casa dele aparece na história, bem como sua esposa e seu irmão, Edgar.

H.G. Wells na frente de sua casa em 1907, na frente de sua casa em Sandgate, Inglaterra. Essa nem é a foto com melhor definição do escritor (ele morreu na década de 1940 e era de certo modo popular, há vários retratos dele). Gosto dessa foto porque ele está em frente a sua casa. E em “A Guerra dos Mundos”, H.G. Wells se coloca como o personagem principal (e narrador). E a casa dele aparece na história, bem como sua esposa e seu irmão.

Quando li a história da gênese de “A Guerra dos Mundos”, percebi que H.G. Wells talvez tivesse uma opinião a frente a da maioria das pessoas de seu tempo também com relação ao colonialismo. Em “A Guerra dos Mundos”, nem nenhum momento os marcianos são amiguinhos. Eles realmente já chegam quebrando tudo, querendo dominar o planeta. Eles alimentam-se de fluidos humanos, então acho que realmente não há amizade rs.

Em 1894, H.G. Wells separou-se de sua primeira mulher (que também era sua prima) e casou-se com uma ex-aluna. Como “A Guerra dos Mundos” foi escrita em 1898, é possível que a “esposa” retratada por ele na obra seja Jane, sua segunda mulher. Sim, deixe-me explicar: em “A Guerra dos Mundos”, Wells é um personagem narrador. Sua enorme casa em Woking, Inglaterra, também aparece no livro. Seu irmão, estudante em Londres, também aparece como personagem no livro.

Pelo que já li sobre Wells, ele parecia ser um cara a frente do seu tempo não apenas com relação às criticas sobre o colonialismo. Ele e sua segunda esposa tinham um relacionamento aberto. Wells tinha ideias socialistas, ele era um profundo crítico das abissais diferenças entre ricos e pobres, fato comum na Inglaterra Vitoriana (e comum ainda hoje em diversas partes do mundo e absurdamente evidente no Brasil). Sua crítica sobre classes sociais fica muito clara em “A Máquina do Tempo”, outro de seus clássicos. Ao longo de sua vida, Wells também fez duras críticas ao ideal de “raça pura”. Também lutou pelos direitos humanos  e protestou contra a pena de morte que seria imposta aos meninos de Scottsboro, caso emblemático da década de 1930 nos Estados Unidos.

Capa  da Primeira Edição de "A Guerra dos Mundos". Vocês já repararam que toda vez que leio um livro ahn, antigo, gosto de colocar a capa da primeira edição? Acho que sonho em ser uma espécie de Calvin Tower.

Capa da Primeira Edição de “A Guerra dos Mundos”. Vocês já repararam que toda vez que leio um livro ahn, antigo, gosto de colocar a capa da primeira edição? Acho que sonho em ser uma espécie de Calvin Tower.

O pensamento político de Wells fica bem claro em sua obra. E como disse anteriormente, em “A Guerra dos Mundos”, é possível perceber com clareza suas críticas ao colonialismo, críticas à religião e também ficou muito claro que pobres e ricos tornaram-se iguais em um momento de tragédia de grandes proporções, como uma invasão extraterrestre.

Na história, H. G. Wells, a convite de um amigo astrônomo, observa uma atividade incomum no planeta Marte. Aquilo deixa ele e seu amigos intrigados, mas em um primeiro momento não dão a devida importância. Então cilindros enormes, como gigantes latas de extrato de tomate, começam a aparecer em diversas localidades da Inglaterra. Quando essas latas se abrem, criaturas assustadoras saem de dentro delas. É um bicho estranho sem pernas (apenas com tentáculos) e uma ‘boca’ que mais parece um bico de ave. Essas criaturas controlam robôs enormes, que dizimam tudo que veem pela frente com um raio mortal.

Fato interessantíssimo: a ilustração acima é de uma edição belga de A Guerra dos Mundos, de 1906. O criador dessa ilustração é o brasileiro Henrique Alvim Correa. Ele morreu muito jovem, no início do século XX e se destacou na ilustração de trabalhos de ficção científica.

Fato interessantíssimo: a ilustração acima é de uma edição belga de A Guerra dos Mundos, de 1906. O criador dessa ilustração é o brasileiro Henrique Alvim Correa. Ele morreu muito jovem, no início do século XX e se destacou na ilustração de trabalhos de ficção científica.

Daí quem não conhece ficção científica (ou não conhece os clássicos), vai me dizer: tá, that’s not a big deal… robôs gigantes, seres de outros mundos, etc. Mas gente, H.G. Wells escreveu isso em 1898. Nem preciso dizer que o cara foi um visionário. E sobre a estrutura desses robôs tem um nome, dado pelos humanos no livro: Tripods.

Prazer, Tripods. Essa é outra ilustração de Henrique Alvim Correa, também para a edição belga de 1906. No canto inferior direito, é possível observar a assinatura do artista.

Prazer, Tripods. Essa é outra ilustração de Henrique Alvim Correa, também para a edição belga de 1906. No canto inferior direito, é possível observar a assinatura do artista.

 

Falando sério, vocês já não viram esses tripods por aí? Não, não estou falando na sua vizinhança (sei lá, né rs) e nem estou falando das várias adaptações para o cinema ou para a televisão de “A Guerra dos Mundos”. A ideia do robô gigante comandado por uma criatura (ou um ser humano) é algo que aparece de Changeman a Pacific Rim e evidentemente os tais AT-AT e AT-ST (ou Walkers)  de Star Wars  tem uma clara semelhança. E em Todo Mundo em Pânico 4 (Scary Movie 4), tradicional franquia – um pouco sem graça, ok – que costumava fazer a paródia de diversos filmes de terror e ficção científica, um iPod gigante (triPod rs) iria destruir a humanidade. Esse filme foi lançado em 2006 e um ano antes (ou no mesmo ano), a adaptação de Steven Spielberg de A Guerra dos Mundos foi lançada. E a propósito (sei que é só minha opinião), achei essa adaptação horrível. Os efeitos especiais são muito bons e a fotografia transmite ao público uma idéia clara de desolação e destruição. Mas, o personagem principal do filme é Tom Cruise e acho que nem um terapeuta entenderia porque não simpatizo com Tom Cruise. Há alguns meses assisti Oblivion e cheguei a conclusão que: seria um filme ótimo, se substituíssem Tom Cruise por Will Smith. That’s all.

Ainda sobre os tripods, eu consigo imaginá-los até nas criaturas que aprecem em O Nevoeiro. Quando vejo a espécie 8472 se deslocar, também consigo imaginar tripods. Enfim, até separei essas coisas em um parágrafo especial porque é claro que tudo isso é coisa da minha cabeça rs. Mas, já é a segunda vez que menciono essas duas coisas no mesmo post. Coincidência? Quem vai saber…

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Monstro d’O Nevoeiro

Espécie 8472, conforme classificação dos Borgs, em Star Trek Voyager.

Espécie 8472, conforme classificação dos Borgs, em Star Trek Voyager.

Bom, se eu for escrever todos os robôs tripulados que aparecem em todos os desenhos animados e filmes, que lembram ou não os tais tripods, vou escrever um livro com mais páginas que A Torre Negra. Vocês já perceberam o que quero dizer: A Guerra dos Mundos é referência em diversos outros trabalhos. Na ficção científica, robôs tripulados são extremamente comuns, mas quem foi o pioneiro nisso tudo foi H.G. Wells.

É preciso lembrar também que até o começo do século XX as pessoas tinham uma visão muito mais fantasiosa sobre o planeta Vermelho. Marte, assim como outros planetas do Sistema Solar e outras estrelas, é observado desde a Antiguidade. O ser humano usou os astros para se localizar e para marcar o seu calendário por milênios. Hoje a gente tem GPS e relógios atômicos e infelizmente observamos menos o céu. Mas por muitos anos, sua observação era essencial e claro, despertava a curiosidade das pessoas.

No começo do século XX, observações astronômicas através de telescópios já eram há alguns séculos muito comuns (Galileu desenvolveu sua luneta, que logo tornou-se bem popular, no comecinho século XVII). Em 1877, pouco antes de Wells ganhar notoriedade como escritor, o astrônomo Giovanni Schiaparelli observou Marte metodicamente por alguns anos e percebeu o que pareciam ser alguns sulcos na superfície daquele planeta. Schiaparelli era italiano e ele usou a palavra canalis, que significa ‘leitos de rios’ ou ‘sulcos’. Só que quando a palavra foi traduzida para o inglês, usaram o termo canal, que significa algo feito pelo homem (um canal para irrigação, por exemplo). Então por muito tempo, propagou-se a ideia que esses canais de Schiaparelli eram na verdade canais feitos por vida inteligente. Por muitos anos, isso despertou a imaginação das pessoas, que imaginavam a presença de vida inteligente no planeta vermelho. Outro livro clássico da ficção científica que também aborda vida em Marte é The Martian Chronicles (Crônicas Marcianas), escrito quase 50 anos depois de A Guerra dos Mundos. O livro, de autoria do norte-americano Ray Bradbury, mostra uma situação inversa: em um futuro criado pelo autor, que se passava no início do século XXI, os humanos chegariam em Marte. Lá observariam uma civilização avançada, composta por indivíduos baixinhos (segundo o autor, o ar rarefeito e a baixa pressão do ar teriam feito com que os marcianos tivessem essa estrutura física).  Esses indivíduos tinha uma sociedade bem desenvolvida, com sistemas de irrigação e com fabulosas construções.

Schiaparelli fez um mapa completo com os sulcos que observava. Ele deu nome para esses sulcos, criou um mapa bem completo. Fonte: Wikimedia Commons

Schiaparelli fez um mapa completo com os sulcos que observava. Ele deu nome para esses sulcos, criou um mapa bem completo, uma coisa meio Senhor dos Anéis, rs. Fonte: Wikimedia Commons

No livro de H.G. Wells, como disse anteriormente, os marcianos não eram nada bonzinhos. Chegaram matando e destruindo. E é claro, talvez muitos devam lembrar-se de Marte Ataca! (1996), filme hilário de Tim Burton. No filme, os marcianos também chegam destruindo tudo, com apenas um objetivo: transformar a Terra em um enorme parque de diversões. E quantas vezes nós não destruímos a natureza ou expulsamos diversas pessoas de suas casas com objetivos parecidos? Construção de estádios, de resorts, de clubes ‘exclusivos’, etc? E percebam que essa destruição sempre é feita para dar lugar a locais onde nem todo mundo poderá frequentar: apenas quem tem dinheiro. Várias pessoas foram ou estão sendo despejadas de suas casas  devido a obras relacionadas com a Copa do Mundo.  Esses filmes exagerados e até  engraçados nos possibilitam perceber um traço de nossa própria natureza gananciosa. Foi o que motivou H.G. Wells a escrever A Guerra dos Mundos. E quando Gene Roddenbery criou Star Trek, colocou nos diversos alienígenas traços exagerados da própria natureza humana. A ficção científica tem esse curioso caráter de projeção: os autores colocam em uma outra civilização ou em uma outra realidade (utópica ou distópica) da humanidade, nossos anseios, fraquezas e horrores.

Para finalizar esse post que a essa altura deve estar gigante, gostaria de lembrar do momento em que A Guerra dos Mundos virou história de rádio. Em 1938, através de uma transmissão de rádio de um programa de Orson Welles, a novela “A Guerra dos Mundos” foi adaptada para a realidade de Nova Jersey e foi narrada com intensa dramatização, o que acabou causando pânico jamais visto em solo americano. No dia 21 de fevereiro de 1949, uma transmissão de rádio em Quito, Equador, também causou pânico na população, que ateou fogo no prédio da rádio quando descobriu que era uma obra de ficção. Quinze funcionários da rádio morreram no incêndio. Veja mais sobre esses incidentes e sobre outros fatos curiosos relacionados com o planeta vermelho no documentário Além da Guerra dos Mundos, do The History Channel.

P.S.: Se você quer treinar o inglês,  recomendo essa ótima versão de “The war of the worlds”. As letras são grandes, é possível escrever anotações sobre as frases (quem está estudando inglês normalmente gosta de escrever a lápis, no próprio livro,  o significado das palavras novas que está aprendendo). Essa edição também conta com umas ilustrações bem bonitas. Esse link é da Livraria  Cultura e eu ganho uma pequena comissão por compra :). Mas, se você mora em São Paulo-SP e passa pelo metrô Consolação, há uma daquelas vending machines de livros e vi esse e outros clássicos da literatura em inglês por apenas uma garcinha (a.k.a, cinco reais). São edições completas, o que é muito bom para adultos que estão aprendendo o idioma.

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Links de sexta

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Itaquera em 1955. Foto publicada no perfil @spinfoco (obrigada por me mostrar, @fabiolamariana)

- Fanpage do blog O que você faria se Soubesse o que sei?

- Precisamos de uma lei de vacinação, texto do Rodrigo falando da importância da vacinação e da ignorância de alguns pais, que deixam de vacinar seus filhos. Não seria o caso de uma lei para obrigar os pais a vacinarem seus filhos?

- Um texto do  Alexandre Costa sobre desigualdade social e aumento nas emissões de CO2. Sim, as mudanças climáticas vão afetar os mais pobres. E sim, os emissores são grandes empresas. Destacando um momento chave do texto:

Nesse contexto, as mudanças climáticas precisam ser uma pauta central da esquerda. Ao contrário do discurso romantizado do “capitalismo verde” (contradição em termos), não estamos todos “numa mesma nave”, a não ser que tal nave nos seja uma analogia dramática com o Titanic, que efetivamente se espatifou num iceberg enquanto a orquestra tocava, mas que contava com primeira, segunda e terceira classe; no qual existiam portões que impediam os passageiros da terceira classe de terem contato com os outros e que foram devidamente cerrados, para impedir o acesso dos pobres aos botes salva-vidas. Mas tampouco é admissível a lógica recuada, a ilusão reacionária no produtivismo e desenvolvimentismo e a fé cega na tecnologia (como se esta, em si, não guardasse valor de classe) de grande parte da esquerda. Lamentavelmente ignorante da materialidade do mundo, incapaz de reconhecer a necessidade de salvaguardar as próprias condições de subsistência da ampla maioria da população mundial (que precisa de água, comida, energia e segurança contra eventos extremos), objetivamente abre campo para concessões à burguesia.

- As mulheres sofrem preconceito até em lojas de quadrinhos. Leiam esse texto da Sybylla pra entender. Somos acusadas até de sermos “fake nerd”. Não entendo as pessoas: primeiro nos rotulam. Daí depois querem tirar nossa credencial, nossa carteirinha do grupo…rs. Vai entender :).

- O que é tecnologia? Outro texto bem legal da Sybylla. Muitos alunos acham que tecnologia é um tablet ou um celular moderno. Na verdade, a definição é muito ampla. Roda ou uma alavanca podem ser considerados tecnologia. Leiam para entender. Ah sim, a Sybylla mencionou no twitter que muitos alunos copiam os textos do blog dela, na íntegra, para seus trabalhos escolares. Isso acontece aqui no Meteorópole também, rs. Usem o texto como inspiração, para responder as perguntas propostas pelo seu professor no roteiro do trabalho. Um dia vou escrever um post mais elaborado sobre como fazer trabalhos escolares. Copiar um texto na íntegra não é pesquisa e gostaria que mais professores esclarecessem os seus alunos com relação a esse ponto.

- Dica de documentário: Entre Rios, de Caio Braz. Já falei sobre esse documentário aqui no blog e falei novamente sobre ele no Atitude Terra.

- Você sabia que o ensino de conceitos de robótica pode ajudar a formar cientistas? Além disso, favorece o desenvolvimento lógico e proporciona aos alunos um contato com tecnologias avançadas, fazendo-os compreender como algumas máquinas e gadgets do dia a dia funcionam. O Alex, que dá aulas de robótica em um colégio da Grande São Paulo, escreveu um pouco sobre sua experiência. Fiquei feliz em ver algumas meninas no vídeo que ele postou. Adoro ver mulheres participando de atividades científicas ou “nerds” de um modo geral. Por um mundo livre de sexismo em atividades escolares, profissões, esportes, hobbies e na vida em geral! :)

- O Curioso caso da Ex-Criacionista. Texto publicado no Discurso Retórico para lembrar que é possível (e em muitos casos, muito saudável) mudar de opinião. Eu era criacionista e deixei de sê-lo. Leia mais sobre essa ‘página proibida’ rs da minha vida.

- Há aplicativos (muitos gratuitos) que são muito úteis para nos organizarmos, para ajudar em um hobby ou para diversão. A Barbrinha selecionou aplicativos que podem ajudar as mamães a organizarem suas rotinas. Confiram lá :)

- Texto que escrevi no Uma Mãe das Arábias sobre a cobrança das pessoas. Quem tem a minha faixa etária já deve ter ouvido todo tipo de cobrança sobre casamento e/ou filhos. Corram lá e dividam suas experiências. E no texto, também lembro a todas que não devemos dar ouvidos para essas coisas :).

- Minha prima Aline, que é professora, compartilhou esse joguinho educativo. Nele, o jogador precisa administrar o orçamento de uma cidade. Muito bom :)

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