"Meteorópole: meteorologia, ciências da terra, viagens, lifestyle, etc"

Seja bem-vindo!

“Viagem ao Centro da Terra”, de Julio Verne, completa 150 anos

Posted by on 25-nov-2014 in Blog, Geologia, Livros | 0 comments

Voyage au centre de la Terre foi lançado em 25 de novembro de 1964. Dessa forma, essa obra completa hoje 150 anos! Escrevi uma resenha nesse post.  Jules Verne (ou Julio Verne) é um de meus escritores favoritos. O considero um visionário, um dos pioneiros em ficção especulativa. Antes de Verne escrevia-se ficção científica, claro. Mas Verne conseguiu transformar ficção especulativa em sucesso literário. O cara já fazia sucesso quando era vivo, o que não era muito comum dentre seus contemporâneos.

Capa de uma edição em inglês de 1874. Jules Verne escreveu em 1864 e logo já virou sucesso. Verne já fazia sucesso quando era vivo. Fonte: Wikimedia Commons

Capa de uma edição em inglês de 1874. Jules Verne escreveu em 1864 e logo já virou sucesso. Verne já fazia sucesso quando era vivo. Fonte: Wikimedia Commons

Não é minha obra favorita de Verne, mas acho que abre uma discussão interessante: a humanidade nunca chegou perto de explorar o interior da Terra. Já chegamos à Lua e já demos a volta ao mundo, mas ainda não chegamos ao interior da Terra. Há planos ambiciosos para perfurar a crosta terrestre na maior profundidade possível.

A humanidade já fez várias incursões pela crosta terrestre, fazendo perfurações em diversos pontos. Destaco a missão do navio japonês Chikyū, que perfurou um buraco de 7740m de profundidade no leito oceânico. O feito ocorreu em 27 de Abril de 2012. Anos antes, a Deepwater Horizon (aquela plataforma de petróleo do Golfo do México que infelizmente explodiu) tinha atingido uma profundidade de vertical 10.062m. Em 1978, o navio US Glomar Challenger tinha perfurado 7.049m abaixo do nível do mar, na Fossa das Marianas.

Determinar quem perfurou mais no oceano é complicado, porque depende da profundidade do local onde ocorreu a perfuração. Além disso, reparei que muitas dessas perfurações foram feitas com o objetivo de extrair petróleo e talvez os dados sejam sigilosos (dinheiro, dinheiro).

Vamos falar de um buraco que foi feito  em terra firme: o Poço Superprofundo de Kola. A prospecção começou em 1970. Em 1989, atingiu a profundidade de 12.289m, sendo o maior poço de prospecção já escavado pela humanidade. Infelizmente o projeto foi interrompido em 2005, por falta de investimentos. Mesmo com o projeto abandonado, o poço de Kola continua sendo a maior profundidade já escavada em superfície.

Selo soviético de 1987, homenageando o poço de Kola.

Selo soviético de 1987, homenageando o poço de Kola.

 

Na imagem abaixo, de 2012 (Fonte:Wikimedia Commons) é possível observar o sítio onde as escavações do Poço de Kola ocorreram. A fotografia mostra a região completamente abandonada:

Кольская_сверхглубокая_скважина_(2012)

Graças a essas e outras missões científicas, o conhecimento sobre o interior da Terra atualmente é muito maior do que 150 anos atrás. Mas não tem problema, porque depois que Lidenbrock, Axel e Hans escalam o Monte Sneffels (na Islândia) e finalmente chegam a cratera desse vulcão, tudo vira fantasia da mente de Verne. A ponto de no interior da Terra eles encontrarem gigantes, mares e floresta de cogumelos:

Ilustração original da contracapa de Voyage au centre de la Terre

Ilustração original da contracapa de Voyage au centre de la Terre

Isso mesmo! Ah sim, e tem luz! Uma luz gerada por descargas elétricas, porque no interior da Terra também tem: tempestades!

Por isso não considero Voyage au centre de la Terre uma obra de ficção científica. Para mim é fantasia! E isso torna a obra menos importante? Claro que não ;). Por isso, comemore o aniversário da obra  colocando-a na sua lista de livros para ler.

Read More

NASA: um ano na vida do CO2 da Terra

Posted by on 25-nov-2014 in A Atmosfera, Blog, Imagens de Satélite, Mudanças Climáticas | 0 comments

O vídeo acima é narrado por Bill Butman, um dos cientistas do clima no NASA’s Goddard Space Flight Center. O que vemos é uma simulação dos níveis de CO2 na atmosfera da Terra a longo de um ano. Um ano de dados, “comprimido” em alguns minutos.

O CO2 é o gás de efeito estufa mais importante, porque é o que nós liberamos em maior quantidade em nossas atividades (transporte, agricultura, queimadas, indústrias, geração de energia, etc). Metade do C02 emitido pela queima de combustíveis fósseis fica retido na atmosfera, enquanto a outra metade é absorvida pelas plantas e reservatórios no oceano. Ah sim, e os oceanos estão ficando cada vez mais ácidos por isso (veja aqui), afetando todo o ecossistema marinho.

Bem no começo do vídeo, por volta de 36s, podemos notar que as maiores concentrações de CO2 estão localizadas na América do Norte, Europa e Ásia. O gás não fica sempre no mesmo lugar: sua dispersão é controlada por padrões de circulação de grande escala (falei um pouco dos padrões de circulação de grande escala nesse post).

Durante a primavera e o verão do Hemisfério Norte (1min02s), as plantas absorvem uma enorme quantidade de CO2 através da fotossíntese, removendo parte do CO2 da atmosfera. Na animação, é possível ver que o vermelho clareando, mostrando exatamente essa absorção. Enquanto isso, é possível observar a emissão de outro poluente no Hemisfério Sul: o CO. O monóxido de carbono é prejudicial ao ambiente e a saúde humana. Durante o verão no Hemisfério Sul, plumas de CO são emitidas principalmente devido a queimadas (1min42s). Essas emissões também são transportadas pelo vento de escala global.

Quando chega o outono lá no Hemisfério Norte, as folhas das árvores caem e a fotossíntese diminui. Dessa forma, o CO2 vai se acumulando na atmosfera. Claro que esse é um processo normal, mas as observações e as simulações tem corroborado que mais e mais CO2 tem se acumulado na atmosfera. O CO2 é um gás de efeito estufa: ele absorve radiação de onda longa (infravermelho), emitida pela superfície da Terra. Dessa maneira, o acúmulo de CO2 na atmosfera tem contribuído para o aumento na temperatura média global.

Um satélite chamado OCO-2 (Orbiting Carbon Observatory-2) é a primeira missão de satélites da NASA com o objetivo de visualizar o CO2 globalmente. Ele foi lançado em Julho deste ano. A expectativa é que este satélite e modelos atmosféricos como o GEOS-5 (usado para essa animação), trabalharão em conjunto para que haja um melhor intendimento das emissões naturais e antropogênicas de CO2. Com boas observações, é possível realizar melhores simulações da atmosfera. Dessa forma, melhores previsões do clima poderão ser elaboradas e os tomadores de decisão terão mais informações e mais ferramentas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

O vídeo é parte de uma simulação entre o período de Maio de 2005 e Junho de 2007. Como o objetivo era narrar um ano, usou-se o ano de 2006 (no “meio” da simulação). Em modelos meteorológicos, é comum utilizar a informação “do meio”, já que no comecinho da simulação o modelo meteorológico ainda está se ajustando às condições iniciais fornecidas. Essa simulação do GEOS-5 tem até um nome: “Nature Run”. Os dados são fornecidos para a comunidade científica, para que possam ser analisados e discutidos por cientistas do mundo inteiro que tem afinidade e conhecimento na área. Falo essas coisas porque infelizmente há pessoas que não compreendem como a ciência é feita. Muitos acham que simulações assim são “dados secretos”. Na verdade, para uma pesquisa científica ser validada e ganhar crédito, precisa ser compartilhada por meio de artigos científicos, conferências e convênios entre instituições.

A “Nature Run” também simulou os ventos, nuvens, vapor d’água, aerossóis (poeira, black carbon, sal marinho, emissões da indústria e dos vulcões). A resolução dessa simulação é cerca de 64 vezes maior que as que são utilizadas normalmente em modelos climáticos. Enquanto simulações de modelos climáticos possuem uma grade de 50km, a Nature Run foi feita com uma grade de 7km. Ou seja, é muito dado! São quase 4 petabytes de dados e a simulação demorou 75 dias para ser completa.

Devemos lembrar que no primeiro semestre de 2014 (primavera lá no Hemisfério Norte), pela primeira vez na história moderna, o CO2 atmosférico ultrapassou a marca de 400 partes por milhão. Atualmente, está por volta de 398 ppm. Se você quiser acompanhar as medições feitas lá em Mauna Loa, basta acompanhar esse perfil do Twitter. O maior responsável pelas emissões de C)2 na atmosfera continua sendo a queima de combustíveis fósseis.

Apesar da comunidade científica conhecer os efeitos do CO2 no clima, ainda há muito para saber com relação aos caminhos entre a emissão do CO2 e seus reservatórios (oceanos e florestas). Por essa razão, o OCO-2 e o modelo  GEOS-5 são ferramentas importantes.

Fonte:

Informações da NASA sobre a Nature Run.

Esse post foi dica do Renan Tristão ;)

 

Read More

Incríveis imagens de uma nevasca, feitas por um drone

Posted by on 20-nov-2014 in Blog, Neve | 0 comments

A querida Jaqueline mandou essa nota do Mashable, que mostra imagens espetaculares feitas por um drone durante uma nevasca em Seneca, Nova York.

As nevascas estão muito intensas por lá nos últimos dias. Além dos problemas no setor de transporte, seis pessoas morreram.

Detalhe que quando o drone sai da “garagem”, é possível notar um degrau de neve. Ou seja, a nevasca já tinha sido forte nas horas anteriores. Quando o drone deixa a garagem, ele sobrevoa por uma área com algumas árvores (suas folhas estão bastante cobertas pela neve) e a nevasca é tão forte que a visibilidade está bem reduzida. Para pessoas que não passam por esse problema durante o inverno (como é meu caso), acho que as imagens ficam ainda mais impressionantes.

Conforme o drone vai ganhando altura, é possível notar os telhados completamente cobertos pela neve. O drone então desce e Jim aparece operando o equipamento. Ele volta a subir e mostra mais imagens da imensidão esbranquiçada provocada pela tempestade. Quando finalmente volta para a garagem, fiquei com a impressão de que aquele degrau do começo do vídeo subiu um pouquinho.

As imagens e a edição são de Jim Grimaldi. A música que ele colocou no fundo deixou o vídeo com um ar bastante dramático. Gostei bastante =). Drones tem um imenso potencial na observação e no estudo de fenômenos naturais. Imagine adaptar um drone para estudar um vulcão, por exemplo.

 

 

Read More

René Auberjonois – Pintor

Posted by on 19-nov-2014 in Artes Plásticas, Blog | 1 comment

Esse post foi inspirado por uma postagem da fanpage do Habeas Mentem (essa aqui). Para quem não conhece, Habeas Mentem é o blog do meu querido Beto. Um blog de opinião, literatura, ficção científica e tudo que aparecer na mente brilhante do autor.

Bom, vou reproduzir a foto da postagem:

10625123_589920224470764_4392451618965195361_n

 

Esse é o ator René Auberjonois, conhecidíssimo por ter dado vida ao Odo, o querido metamorfo de Star Trek – DS9. O ator segura a máscara que ele usava para compor o personagem. De acordo com meu pai (toda minha família contribui para o blog), Odo foi separado de Skaf no nascimento:

O que pouca gente sabe é que René Auberjonois é neto de um pintor chamado René Auberjonois. O que muda é o nome do meio: o ator, chama-se René Murat Auberjonois. O pintor, chama-se René Victor Auberjonois. E é do pintor Auberjonois que quero falar nesse post.

Portrait de l' Artiste - René Victor Auberjonois (auto-retrato feito pelo pintor). Fonte: Wikimedia Commons

Portrait de l’ Artiste – René Victor Auberjonois (auto-retrato). Fonte: Wikimedia Commons

Em seu auto-retrato, Aubjeronois realçou suas maças do rosto, avermelhadas. Ele está em uma posição analítica, observando uma obra em execução, provavelmente, já que seu material de trabalho está em suas mãos. Auberjonois nasceu na Suiça, em 1872 e morreu 1957. É considerado um pintor pós-impressionista, expressão artística que surgiu no final do século XIX. Não sei a data desse auto-retrato, mas o artista parece bem mais jovem do que no auto-retrato abaixo, de 1929:

Outro auto-retrato de Auberjonois. (1929)

Outro auto-retrato de Auberjonois. (1929)

Auberjonois era de uma família rica e influente. Estudou na Kensington School of Art, na Inglaterra, e na École de Beaux-Arts, em Paris. Casou-se duas vezes, mas divorciou-se nas duas ocasiões. Ele não conseguia conciliar seu trabalho com vida pessoal. De um de seus casamentos, nasceu Fernand, que tornou-se um importante jornalista nos Estados Unidos e veio a ser pai do ator René Auberjonois. Seu trabalho tornou-se mais reconhecido pelo público na década de 1940, período em que viveu problemas de saúde e insatisfações com seu próprio trabalho. Na década de 1980, Fernand escreveu uma biografia sobre o pai.

De acordo com a ArtCyclopedia, a maioria dos trabalhos de Auberjonois encontram-se em museus da Suiça. Há trabalhos sendo leiloados também, como o lindo “Italiana na Fonte”. Essa mulher guarda angústias e segredos.

Italienne à la Fontaine. (1931). René Auberjonois

Italienne à la Fontaine. (1931). René Auberjonois

Se eu tivesse dinheiro, muito dinheiro, investiria em obras de arte. Não com o objetivo de ter uma coleção particular, acho que eu organizaria um museu. Adoro ler sobre arte e visitar museus. Por isso que de vez em quando vocês vem posts sobre arte aqui no Meteorópole =).

Leia mais em:

Read More

Curiosidade: Floresta retorcida de Gryfino (Polônia)

Posted by on 19-nov-2014 in Biologia, Blog, Geografia | 0 comments

Fonte: Wikimedia Commons

Krzywy Las (Floresta Retorcida) na Polônia. Fonte: Wikimedia Commons

Quando eu olho a fotografia acima, imagino um conto de fadas. Imagino um cenário para um livro de fantasia. Parece que a qualquer momento um fauno, uma fada ou um duende vão aparecer, felizes e traiçoeiros. Quase consigo imaginar o pequeno Tim perdido por aí.

Essa é a Krzywy Las, a Floresta Retorcida. Fica perto da localidade de Gryfino, na Polônia. É uma floresta pequena, com aproximadamente 400 pinheiros, que foram plantados por volta de 1930. Muito provavelmente as árvores foram torcidas pela ação humana quando ainda eram brotos. O motivo dessa “torção” é desconhecido, mas pode ser que tenha a ver com fabricação de móveis ou outros objetos.

Na Segunda Guerra Mundial, o vilarejo mais próximo dessa floresta foi evacuado e os planos daqueles que plantaram as árvores foram interrompidos. A floresta ficou desconhecida até a década de 1970 e hoje é um interessante ponto turístico da região.

Veja mais fotos aqui.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger... Read More