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A “Cientista” Grávida – Como funciona o Ultrassom? (episódio 7)

Posted by on 29-jan-2015 in Blog, Física, Gravidez | 0 comments

Um exame feito várias vezes ao longo da gestação é o Ultrassom. Mas afinal de contas, qual a física por trás desse exame? Por que ele é seguro para o bebê?

Exemplo de exame de ultrassom de 12 semanas. Fonte: Wikimedia Commons

Exemplo de exame de ultrassom de 12 semanas. Fonte: Wikimedia Commons

O ultrassom (também chamado de ultrassonografia ou ecografia) é um exame não-invasivo. Utiliza ondas de som para criar uma imagem do bebê, da placenta, do útero e dos outros órgãos. O ultrassom é um exame que é indicado não somente para grávidas. Pessoas com pedras na vesícula, problemas no fígado e outros problemas de saúde também são submetidas ao exame.

Ultrassom é o nome dado a uma frequência específica de som, superior àquela que o ouvido humano pode perceber. Mas antes de falar do ultrassom, preciso dar algumas pinceladas sobre a natureza do som.

O som é uma onda mecânica e dessa forma precisa de um meio para se locomover, diferentemente das ondas eletromagnéticas, que sempre menciono no blog. A luz (ondas eletromagnéticas), não precisam de um meio para se propagar.

Como o som precisa de um meio para se propagar, sua velocidade vai depender do meio por onde está se propagando. Num meio mais denso, a velocidade do som é mais baixa. Já em um meio menos denso, a velocidade do som é mais alta. Na atmosfera, a velocidade do som depende principalmente altitude do local e da temperatura, pois esses fatores afetam na densidade do ar. Veja aqui uma tabela que mostra diferentes valores de velocidade do som para diferentes valores de temperatura.

O som que ouvimos (da voz esganiçada de uma criança birrenta até uma composição de Beethoven) pode ser decomposto em diversas ondas ondas. Ou seja, o som que ouvimos é uma superposição de ondas, na frequência audível dos seres humanos, claro. A frequência audível nos humanos vai entre as frequências de 20Hz e 20.000Hz. E dependendo do meio por onde esse som está se propagando, uma determinada faixa de frequências pode ser favorecida.

Sabe aquele experimento em que a pessoa  inala uma quantidade de hélio e fica falando como um personagem de Alvim e os Esquilos? Pois então, o gás hélio é menos denso que a soma dos gases que compõe a atmosfera (tanto que um balão de hélio flutua no ar). E em meios menos densos, a propagação dos sons agudos é favorecida. Se inalássemos xenônio (o que nem sei se é possível e/ou seguro), a propagação dos sons graves seria favorecida, já que este é um gás bastante denso.

GamaFreqSom

Os ultrassons são sons em alta-frequência e os infrassons são sons em baixa frequência. A gama audível consiste na faixa em que nós, humanos, podemos escutar. Fonte da imagem

Alguns animais “ouvem” em um range de frequências diferente da dos humanos. Cachorros, por exemplo, escutam entre 20Hz e 30.000Hz (eles escutam quando chamamos o nome deles e escutam um pouco dos ultrassons). E essa é uma das razões porque os cachorrinhos ficam tão incomodados com barulhos de rojões.

Já os morcegos, escutam entre 20Hz e 160.000Hz. Ou seja, morcegos conseguem “ouvir” tudo o que nós ouvimos e ainda consegue ir além, consegue “ouvir” ultrassons. E ondas na frequência de ultrassons são emitidas pelo aparelho de ultrassom, aquele que pretendemos falar no post (por isso tive que fazer essa breve introdução).

Os aparelhos de ultrassom em geral operam com frequências que variam de 2.000.000Hz a 14.000.000Hz (para facilitar: de 2MHz a 14MHz). Ou seja, a frequência de operação dos aparelhos de ultrassom é ainda maior que a frequência “ouvida” pelos morcegos.

Mas para a mamãe e para o bebê, não há problema algum, já que não conseguimos escutar nada. Não há nenhuma evidência de quem o ultrassom faça mal ao bebê ou a mãe. No entanto, não é necessário fazer tantos ultrassons (tem mãe que exagera rs). De acordo com o site especializado BabyCenter:

O mais comum é fazer uma ultrassonografia por volta das 13 semanas (entre 11 e 14 semanas) e uma mais detalhada perto das 20 semanas de gestação, o chamado ultrassom morfológico. O ideal é fazer mais uma entre a 34a e a 37a semana, porém não há regra sobre o número total.

A propósito, recomendo muito o BabyCenter. Há matérias sobre gestação e maternidade e há fóruns em que você pode conversar com outras mães que estão no mesmo tempo de gestação que você.

Além disso, as ondas sonoras não interagem com a matéria em nível celular, como as ondas eletromagnéticas. Para falar um pouquinho disso, vou postar a mesma imagem que usei em um post sobre radiação solar:

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O comprimento de onda das ondas eletromagnéticas que estão na frequência acima do visível começa a ficar tão pequenininho, que passa a interagir com a matéria. O próprio ultra-violeta (que a camada de ozônio não filtra totalmente), já interage em nível celular e pode provocar câncer de pele. E mesmo os raios-X, que nos são tão úteis para verificar a ocorrência de uma fratura óssea, também são perigosos. Tanto que há uma série de normas de segurança para quem é técnico de raio-X. Nas legislações de muitos países, trabalham menos horas por dia, recebem adicional de insalubridade e aposentam-se cedo. Mulheres que pretendem engravidar normalmente são afastadas dessa função. Os raios-X podem interagir com a matéria viva e causar mutações. Do mesmo modo, os raios gama (mas com esses a maioria das pessoas não precisa se preocupar).

Por essa razão, raios-X não são indicados para grávidas. Sei lá, talvez o médico indique em casos muito específicos, e a grávida usaria um colete de proteção. Mas de modo geral, raio-X é PROIBIDO para grávida.

Vou contar uma perolazinha que me aconteceu quando eu estava com uns 2 meses de gravidez. No primeiro trimestre (e as vezes por toda a gravidez), constipação intestinal é algo bem comum. Eu estava preocupada com o fato e fui até o médico, num hospital renomado. Chegando lá expliquei aos profissionais que me atenderam sobre o que estava acontecendo. Um profissional em particular, residente, sugeriu raio-X quando estava escrito claramente em minha ficha que eu estou grávida! Minha cara no exato momento em que ouvi raio-X:

Toupeira-dramatica-original

Claro que não fiz raio-X nenhum, porque imediatamente o outro profissional que acompanhava o residente apenas disse:

- Não. Ela é gestante, né?

Mas o profissional falou de um jeito tão brusco e com sangue nozóio que parecia que na real, ele queria dizer: SEU ESTRUPÍCIO ELA TA GRAVIDA LARGA A MÃO DE SER TONTO.  Porque gente, esse é um conhecimento bem básico da área da saúde, né? Que faculdade de medicina é essa??? Que estudante é esse???

Claro que se nenhum profissional tivesse dito nada, eu falaria:

- Vocês estão bem loucos?

Só que o paciente não tem OBRIGAÇÃO de saber dessas coisas, né?

Mas agora vamos voltar a falar do ultrassom. Continuando a falar um pouco de minha experiência pessoal: eu estou de 18 semanas (mais ou menos rs). Já fiz dois ultrassons. O primeiro foi o ultrassom transvaginal, tipo de exame recomendado periodicamente para todas as mulheres, mesmo que não estejam grávidas ou não pretendam engravidar. É um exame que utilizam o ultrassom para analisar o útero e os ovários e uma sonda é introduzida na vagina. É um exame indicado para detectar cistos e miomas, por exemplo. Fiz esse exame na 5° semana de gestação. Quando eu estava com aproximadamente 3 meses (12 semanas, mais ou menos), fiz um ultrassom morfológico, que é o ultrassom comum e aparentemente é mais detalhado. Segundo minha médica, esse é o ultrassom mais importante da gestação, pois vai verificar se o bebê está se desenvolvendo adequadamente e vai verificar evidências de anomalias na gestação, para que o problema seja resolvido rapidamente e para que se for o caso, uma amniocentese (que é um exame bem invasivo, não cheguei a fazer) seja indicada.

Agora vou falar como o ultrassom produz imagens. A máquina de ultra-som emite pulsos sonoros de alta freqüência para o interior do corpo da gestante. Essas ondas de ultrassom vão se deslocando pelo corpo e atingindo os limites entre os tecidos. Atravessam  a pele, o músculo, a gordura, chegam no útero, atingem partes do corpinho do bebê que são ósseas e outras partes que são moles, etc. Parte das ondas é refletida (eco) quando atingem um “obstáculo” (o crânio do bebê, por exemplo). Outra parte continua se deslocando até atingir outros obstáculos e então serem refletidas também. Essas ondas que são refletidas são captadas pelo aparelho de ultrassom e as informações são interpretadas pelo computador.  A máquina calcula o tempo de retorno de cada eco. Cada tempo de retorno está associado a um tipo de tecido e dessa forma o computador cria a imagem do bebê.

Claro que expliquei de maneira bem resumida, porque não conheço os detalhes técnicos de cada aparelho de ultrassom. Mas em linhas gerais, é dessa maneira.

A emoção de escutar o coração do bebê pela primeira vez é indescritível. Quando fiz a ultrassonografia transvaginal já foi possível ouvir os batimentos cardíacos do bebê, cujo coração batia a mais de 170 bpm. No ultrassom morfológico, pude ver um pouco do formatinho do bebê, da pessoinha em formação. Até o nariz consegui ver. Ele não parava de mexer, dava uns pulinhos muito fofos. É realmente emocionante para todo mundo!

E se você é mãe de primeira viagem, já aviso: os laboratórios gravam os exames de ultrassom! Basta levar um DVD-R no dia do exame. É legal para mostrar aos parentes, amigos e para mostrar para a criança no futuro. Só acho o sistema meio ‘tonto’, porque tem que ser DVD-R e porque não pode ser um pendrive, por exemplo. Mas enfim, você vai ter que comprar vários DVD-R se pretende fazer vários ultrassons.

Bom, espero que vocês tenham gostado. Se por acaso cometi algum erro conceitual no post, por favor, me corrijam! Meteorologistas em geral não tem lá muito interesse e conhecimento em ondas sonoras rs. Resgatei do fundo da memória todas as aulas de física que fiz na faculdade! Acho que fui bem, mas posso ter me enganado =).

E acompanhem toda série A “Cientista” Grávida – A Série [minha saga pessoal rs]  aqui.

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2014: o ano mais quente desde 1880

Posted by on 28-jan-2015 in Blog, Calor, Clima, Mudanças Climáticas | 2 comments

A animação acima  mostra a temperatura da superfície da Terra em 2014, em comparação com a média calculada entre 1981-2010 , seguido de mapas mensais de diferença de temperaturas médias para cada mês de janeiro a dezembro de 2014. Os mapas são baseados em dados do National Climatic Data Center do NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) .

Em 2014, a temperatura do solo e da superfície dos oceanos combinadas ficaram 0,69°C acima da média do século XX, tornando-se o ano o mais quente desde que os registros começaram em 1880. Considerando apenas a temperatura dos oceanos, 2014 foi recorde. Considerando apenas a área continental, 2014 foi o quarto mais quente. Cinco meses estabeleceram novos recordes para o calor : maio, junho, agosto, setembro e dezembro. Outubro empatou com o recorde anterior.

Dezenove dos vinte anos mais quentes registrados ocorreram nos últimos 20 anos. Com exceção foi 1998, os 10 anos mais quentes registrados ocorreram desde 2002.

annualtempanom_1880-2014_610A NOAA possui um site chamado Climate.gov, que tem por objetivo compartilhar informações sobre mudanças climáticas e sobre o clima de um modo geral para a população e para a imprensa. A imagem acima foi compartilhada nesse texto, e ela mostra todos os anos, desde 1880 e a comparação com a média do século XX. Quanto mais perto do zero, mais próximo da média do século XX aquele ano está. E as barras azuis indicam anos com temperatura abaixo da média, enquanto as barras vermelhas indicam os anos que ficaram acima da média do século XX. Repare que nos últimos 20 anos, estão marcados os 10 anos mais quentes (em vermelho mais forte), que mencionei anteriormente.

O gráfico foi feito usando os dados da NOAA, anteriormente mencionados. São dados globais, de diversas estações meteorológicas espalhadas pelo mundo. É possível notar como o aquecimento acelerou seu ritmo nos últimos 20-30 anos.

A temperatura média da superfície da Terra aumentou significativamente ao longo do século XX. Entretanto, em algumas estatísticas da NOAA compara-se com dados de 1981-2010, que é uma normal climatológica. Isso é feito porque se levarmos em consideração apenas a média mais longa (do século XX), constataríamos apenas anomalias positivas de temperatura, ou seja, aquecimento.

A NOAA publicou um relatório completo para o ano de 2014. Consulte-o aqui.

Na Estação Meteorológica do IAG-USP (ou seja, agora estou falando apenas de um ponto de dados, apenas de uma estação e não do globo todo), há um problema parecido. A Estação Meteorológica do IAG-USP (EM-IAG-USP)  está em funcionamento desde 1933. Quando consultamos um Boletim Climatológico, é comum aparecer duas normais climatológicas (de 1933-1960 e de 1961-1990) e a média climatológica total (de 1933-2014). Para exemplificar, vou colocar abaixo o gráfico de temperatura média mensal do ar:

Temperatura Média Mensal do Ar na Estação Meteorológica do IAG-USP. As barras azuis representam os valores referentes ao ano de 2012, as barras vermelhas

Temperatura Média Mensal do Ar na Estação Meteorológica do IAG-USP. As barras azuis representam os valores referentes ao ano de 2012, as barras vermelhas apresentam os valores referentes ao ano de 2013. A linha verde é a normal climatológica de 1933-1960. A linha roxa é a normal climatológica de 1961-1990. E a linha laranja é a Média Climatológica de 1933-2013. Esse gráfico foi obtido no Boletim Climatológico Anual de 2013, que pode ser consultado aqui.

Observe que quando a gente compara os meses com a média climatológica (1933-2013), a linha laranja, quase todos os meses (com exceção de janeiro/2012 e janeiro/2013) ficam acima da média climatológica, ou seja, mais quentes que a média climatológica. O século XX foi muito quente, como dito anteriormente, e esses 80 anos de dados pegam esse sinal de temperatura acima da média.

Mas, quando a gente compara com as normais climatológicas de 1933-1960 (linha verde) e de 1961-1990 (linha laranja), verifica-se que é possível notar que alguns meses ficaram acima ou abaixo dessas normais. Em breve, em 2020, a Estação Meteorológica do IAG-USP terá a Normal 1991-2020. E comparando as três normais é possível notar como a média de temperatura aumentou ao longo dos anos.

E já que estamos falando do ano de 2014 e da Estação Meteorológica do IAG-USP, em uma notícia recente foi informado que 2014 foi o ano com maior temperatura média na EM-IAG-USP (veja aqui).

A Estação Meteorológica do IAG-USP registrou em 2014 média de temperatura de 20,1ºC, a mais alta desde o início dos registros, em 1933. Essa média considera todos os registros de temperatura obtidos durante o ano passado. A Estação faz medições de temperatura de hora em hora, durante todos os dias do ano. O recorde anterior era de 19,9ºC, atingido em 2002 e em 2012. O ano de 2014 também foi marcado pela maior média de temperatura máxima: 26,9ºC. Anteriormente, o recorde era o de 2012, quando a média de temperatura máxima atingiu 26,1ºC.

Ou seja, os dados globais da NOAA indicaram que 2014 foi um ano recorde de temperatura. E o dado pontual da EM-IAG-USP mostrou o calor recorde que tivemos em São Paulo-SP em 2014. Usando dados da EM-IAG-USP, é possível verificar quantos foram os dias com temperatura acima de 30°C desde 1933:

Dias com temperatura acima de 30°C. Fonte: EM-IAG-USP

Dias com temperatura acima de 30°C. Fonte: EM-IAG-USP

Observe que 2014 foi o ano com mais dias com essa característica: 109 dias. A média é de apenas 47 dias.

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Meme Rotaroots: 5 personagens que eu gostaria de ser!

Posted by on 27-jan-2015 in Blog, Filmes, Livros | 1 comment

A Sybyla viu esse meme aqui  e sugeriu que respondêssemos. Claro que eu disse sim :). O meme consiste em escolher cinco personagens que você gostaria de ser. E aqui acho que vale personagem de filme, série, anime, HQ, etc. Antes de responder, marco todo mundo! Quem quiser responder fique a vontade e se quiser, deixe o link de sua postagem nos comentários para que eu possa conhecer seu blog e ver suas respostas.

Vamos lá?

5. Phileas Fogg, de Volta ao mundo em 80 dias'Around_the_World_in_Eighty_Days'_by_Neuville_and_Benett_04

Olha, tá pra nascer sujeito mais tranquilo que Phileas Fogg. Sempre via uma luz no fim do túnel, apesar de todos os problemas encontrados em sua viagem de volta ao mundo. Ok, o Passepartout, seu empregado, tinha um nível de preocupação equivalente a um grupo de pelo menos 100 pessoas rs. Essa diferença entre o comportamento do empregado e o comportamento do chefe era hilária na trama. Mas Fogg era um cara tão tranquilo e tão sereno, que desejo ser assim quando crescer :)

 

4. Guinan, de Star Trek – TNG

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Imagine que Guinan é dona de um bar. E tem uma habilidade e paciência para escutar típicas de sua espécie de alienígena, o que é superior a aquilo que qualquer humano suportaria. Ela deve ouvir cada história fantástica naquele Ten Forward!

Além disso ela é toda misteriosa e parece saber de tudo. Também, a espécie dela (el-aurianos), pode viver centenas de anos. Ela é tão velha e guarda tantos segredos, que quando uma equipe da Enterprise volta no tempo, para o século XIX em São Francisco (o episódio em que encontram a cabeça do Data, o Time’s Arrow – um dos melhores da série), quem eles encontram por lá? Guinan! Ela viveu na Terra, casou-se várias vezes pela galáxia, conheceu os Borg antes da Federação (seu povo foi dizimado por essa espécie que assimila humanóides) e consegue perceber alterações no espaço-tempo. Também, a mulher está no universo há tanto tempo que manja muito bem os paranauê de tempo/espaço. Q inclusive sugere que essa mulher guarda mais segredos do que a gente pensa!

A música Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás deve ser o lema de vida de Guinan :P

Bom, além de tudo isso ela é interpretada por Whoopi Goldberg, uma atriz que admiro muito e que já me fez dar muitas risadas em filmes que ela participou. Eu diria que é uma de minhas atrizes favoritas. Ela ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante pela interpretação de Oda Mae Brown, vidente charlatã que de repente descobre poderes e pode ajudar um casal de apaixonados em Ghost (1990). Ela havia sido indicada ao prêmio alguns anos antes, por A Cor Púrpura. Detalhe: Ghost é de  1990 e ela foi a segunda atriz negra a ganhar um Oscar.  A primeira foi  Hattie McDaniel, que ganhou em 1939 por sua atuação em E o Vento Levou. Isso mesmo, demorou CINQUENTA ANOS para que outra atriz negra ganhasse o Oscar. E nos dois casos, elas estavam servindo propósitos dos brancos, não eram protagonistas…

3. Lagertha, de Vikings

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Porque a série deveria se chamar “Lagerta e sua Turma” e não Vikings. Essa incrível shieldmaiden é uma personagem da série inspirada em uma personagem lendária. Na série, ela tem dignidade, tem amigos, mata estuprador, tem admiradores, é condessa de suas próprias terras, mata marido folgado, é leal ao ex-marido relativamente gente boa (e que é pai de seu filho), também é leal aos amigos, etc. Lembra quando faziam aqueles gif animado / biografia? Deveriam fazer um de Lagertha.

Aqui um parênteses: achei essa série muito violenta, particularmente isso me incomodou bastante. Nunca me interessei muito pelos Vikings, mas gosto da história do Reino Unido da Grã Bretanha da mesma época (e as histórias, claro, se cruzam). Os figurinos são ótimos e a história é muito bem elaborada. Ficamos presos em jogos de intrigas e disputas pelo poder. Os vikings também não são isso tudo em termos de respeito a mulher: eles estupravam escravas e estupravam mulheres durante as invasões a outras terras. Por isso acho BIZARRO quando uma pessoa tem uma adoração desmedida por povos do passado, porque aparentemente não levam isso em consideração (alguns, pelo menos).

2. Viviane (The Lady of the Lake), de Brumas de Avalon

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Arthur encontra a Senhora do Lago e ganha a espada Excalibur. Ilustração de 1919 por Henry Justice Ford para o Andrew Lang’s Tales of Romance.

 

Apenas porque ela manda em Avalon e dá ótimos conselhos! E já mencionei que ela manda em Avalon, ela é a suprema sacerdotisa lá?

Eu me baseio principalmente pelas referências de As Brumas de Avalaon, série escrita por Marion Zimmer Bradley. Entretanto, em outras lendas arturianas ela é conhecida por outros nomes: Nimue, Viviane, Vivien, Elaine, Ninianne, Nivian, Nyneve, Evienne, etc. Em todas, ela é a Senhora do Lago. E em vários casos, é perceptível uma associação obvia com Nossa Senhora (que para os cristãos é a mãe de Jesus). Inclusive um leitor mais atento de As Brumas de Avalon deve ter notado essa associação do Paganismo Celta com o Cristianismo. E para mim é muito óbvio que o Cristianismo incorporou crenças pagãs de diversos povos para criar o calendário de comemorações, por exemplo. Quando li As Brumas de Avalon fiquei fascinada por Viviane e por essa relação do Cristianismo com o Paganismo.

1. Sarah Connor

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Porque ela é da resistência, porque mesmo desacreditada e internada em um manicômio ela treinou (s/ whey e sem batata doce) e desenvolveu habilidades. Porque ela é uma mulher agressiva em um filme de ação e luta por aquilo que acredita. Outros filmes contemporâneos a Terminator 2 e até filmes de ação mais recentes (como aquela palhaçada que é Os Mercenários), mostram a ideia da mulher frágil e que precisa de um salvador. Sarah é diferente, Sarah é maravilhosa!

Acredito que Sarah é aquilo que muitas mulheres viveram (e ainda vivem): desacreditada, tida como louca/problemática, etc. Quantas mulheres ainda sofrem abusos físicos e mentais! Sarah é uma redenção!

Minha referência de Sarah Connor são os filmes, não sei como ela é retratada na série (que um dia pretendo assistir). Então estou me baseando na personagem interpretada por Linda Hamilton.

 ***

Adorei o meme e uma pena que era para escolher apenas 5 personagens. Depois que terminei de escrever pensei em outros, mas acredito que esses me representam bem.

P.S.: Confiram as escolhas da Sybylla nesse post.

 

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Overview effect

Posted by on 22-jan-2015 in Astronomia, Blog | 2 comments

A música que deveria ilustrar esse post é Imagine – John Lennon.

Mas afinal de contas, o que é o Overview Effect (ou Efeito de Perspectiva)? É uma mudança de consciência relatada por alguns astronautas enquanto realizam um voo espacial e podem visualizar a Terra a partir do espaço (ou a partir da superfície lunar).

Refere-se a experiência de ver em primeira mão a realidade da Terra no espaço: ela é pequena, uma bola frágil com vida e pendurada no vazio. As fronteiras entre os países não existem e os conflitos que dividem as pessoas e sociedades ficam menos importantes. Muitos astronautas relatam a a necessidade de criar uma sociedade planetária unida com o objetivo de proteger este ” pálido ponto azul “, o que para muitos que sentiram esse efeito,  torna-se óbvio e imperativo .

Em outras palavras, eles voltam com a ideia de formar a Federação dos Planetas Unidos. No universo de Star Trek, não existem fronteiras definidas dos países. Existem administrações regionais, mas as séries nos fazem crer que não há fronteiras em nosso planeta, as pessoas podem ir e vir como quiserem. Não há fome, não há guerras e todos vivem em harmonia, desenvolvendo arte, ciência e suas habilidades pessoais. Uma linda utopia, mas que na minha opinião precisamos acreditar e tentar fazê-la possível, nem que seja só um pouquinho de cada vez.

O termo e conceito foram cunhado em 1987 por Frank White, explorado em seu livro The Overview Effect — Space Exploration and Human Evolution.

The Blue Marble, imagem obtida pela tripulação da Apolo 17 em 7 de dezembro de 1972. Fonte: Wikimedia Commons

The Blue Marble, imagem obtida pela tripulação da Apolo 17 em 7 de dezembro de 1972. Fonte: Wikimedia Commons

Vários astronautas reportaram esse insight (veja aqui as referências). Quando escrevi a história sobre o termo blue marble, contei a história de Yuri Gagarin, que certamente experimentou esse efeito.

Fala-se muito em viagens espaciais que irão atender civis, inicialmente civis com muito dinheiro e que tem o sonho de  ir até o espaço. Muitas iniciativas de empresas privadas tem sido propostas, com o objetivo de levar pessoas para o espaço por alguns milhares de dólares. Será que essa viagem será como um trajeto místico e transformador, como o Caminho de Santiago de Compostela? Será que o mundo vai tornar-se um lugar com pessoas mais conscientes com relação aos problemas dos seus semelhantes e mais conscientes dos problemas ambientais? Espero que sim :). E se alguém quiser me pagar uma viagem, nem que seja só até a estratosfera, estou aceitando!

E a dica indireta para esse post foi do querido Alex Altorfer, obrigada :)

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Dúvida dos leitores: Por que o Rio é mais quente que algumas cidades da Região Nordeste?

Posted by on 21-jan-2015 in Blog, Calor, Dúvida do Leitor | 0 comments

Nos comentários desse post, o Rodrigo Gammaro fez a seguinte pergunta:

Por que o Rio é mais quente que algumas cidades da Região Nordeste, que também estão no nível do mar?

Antes de responder essa pergunta, preciso lembrar que a temperatura medida por um termômetro não é a mesma coisa que sensação térmica ou índice de calor. É importante esclarecer bem isso.

A temperatura medida por um termômetro é uma grandeza física. Ela mede a energia cinética média das partículas de um sistema em equilíbrio térmico. É mais completo dizer que a atmosfera encontra-se em equilíbrio térmico local, pois os parâmetros variam no espaço e no tempo, mas variam tão devagar que é possível assumir que em um determinado ponto da atmosfera (onde o abrigo de uma estação meteorológica está instalada, por exemplo), o equilíbrio termodinâmico é uma aproximação adequada. Como a medida do termômetro é “instantânea” (o técnico pega o instrumento e mede naquele instante e naquele local), é possível ter o um valor de temperatura, que representa aquele instante e aquele local.

Por outro lado, a sensação de calor  é uma medida um pouco mais subjetiva e depende de indivíduo para indivíduo. Por exemplo, tem gente que gosta de calor e não se sente desconfortável em dias muito quentes. Outros ficam incomodados e chegam a apresentar problemas de saúde. A sensação de calor ou sensação térmica leva em conta não somente a temperatura, mas também o vento, a cobertura de nuvens e a umidade do ar. Falei sobre índice de calor nesse post de fevereiro de 2014, quando estava muito quente. E também já falei sobre sensação térmica, que está associada ao frio nesse outro post.

Outro fato que afeta a sensação de calor é a cobertura do solo. Por exemplo, se você estiver caminhando ao meio-dia no centro de São Paulo, sentirá mais calor do que quem estiver no Parque do Ibirapuera na mesma hora.

E não é incomum que os meteorologistas ouçam coisas como:

“Nossa, 28ºC? Parece mais, que calor, vocês estão medindo certo?”

“Nossa, 19ºC? Pensei que estivesse mais frio!”

No primeiro caso, ignore a sabitudisse do comentário rs. Mas a gente ouve isso, com muita frequência. Pode ser um dia úmido e o suor tem dificuldade em secar. Ou o sujeito estava correndo no Ibirapuera pouco antes de fazer essa observação.

No segundo caso, pode ser um dia nublado e garoento. E a sensação, em dias assim, é de mais frio.

Além disso, nos dois casos, depende muito do indivíduo. Até  idade do indivíduo influencia. Pelo que observo, pessoas mais idosas são mais intolerantes ao calor e ao frio extremo. Tanto que ocorrem muitos óbitos nas duas situações.

Desse modo, há lugares com temperatura máxima alta, mas que são mais toleráveis do que outros locais cuja temperatura máxima nem é tão alta. Vou usar como exemplo a cidade de Fortaleza, no Ceará.

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Fonte: https://excorde.wordpress.com

 

A cidade de Fortaleza está a aproximadamente 3°S de latitude. Ou seja, bem próxima a Linha do Equador. No entanto, é uma cidade onde venta bastante. Faz calor? Faz sim, claro. As pessoas sentem calor? Sim, sentem. Mas talvez algumas pessoas acreditem que  a cidade Fortaleza é mais “fresquinha” do que Rio de Janeiro. Como vocês podem perceber, isso é bastante subjetivo. Depende da sensação, algo que difere entre indivíduos.

Agora vamos falar de dados. Vamos primeiro ver se Rio de Janeiro é realmente mais quente (no período de verão) do que algumas capitais da Região Nordeste. E para isso, vou usar dados de temperatura média máxima de 4 cidades:

- Rio de Janeiro-RJ

- Fortaleza-CE

- Salvador-BA

- Natal-RN

Não vou colocar todas as capitais nordestinas no gráfico para não poluí-lo. Eu obtive os dados no site WeatherBase. O site conta com um banco de dados de médias de temperatura, temperatura mínima, temperatura máxima, vento, precipitação, etc de diversas cidades ao redor do mundo. No caso do Brasil, a maior parte das médias que o site disponibiliza foi obtida a partir de registros do INMET. Há casos em que os registros tem 30 anos, ou seja, trata-se de uma normal climatológica. Em outros casos, eles tem menos tempo. Para as cidades escolhidas na comparação, todas tem pelo menos 30 anos de registro.

Claro que o WeatherBase provavelmente não é adequado para um trabalho acadêmico que será publicado. Nesse caso, é melhor procurar direto os institutos de meteorologia responsáveis pelos dados. Mas eu acredito que o WeatherBase é adequado para viajantes que pretendem conhecer mais sobre o clima de seu destino. Também pode ser usados em atividades escolares, por professores de Geografia ou Ciências que pretendem elaborar uma atividade com seus alunos. Inclusive proponho uma atividade nesse link.

Agora vamos ao gráfico que montei a partir das informações do WeatherBase/INMET:

Temperatura Média Máxima Mensal em algumas capitais Brasileiras. Fonte: WeatherBase/INMET

Temperatura Média Máxima Mensal em algumas capitais Brasileiras. Fonte: WeatherBase/INMET

 

O que podemos observar: Rio de Janeiro possui uma amplitude térmica anual para temperatura média máxima maior do que as outras cidades do gráfico. Isso quer dizer que as diferenças entre inverno/verão são mais perceptíveis com relação as outras cidades do gráfico, pois o  formato do gráfico do Rio de Janeiro tem um formato mais próximo de um U (linha azul). Salvador (linha verde) também tem um pouquinho dessa característica. Das cidades do gráfico, Rio de Janeiro é a que está mais distante da linha do Equador, seguida por Salvador, depois Natal e finalmente Fortaleza (que está bem pertinho da Linha do Equador). O mapa abaixo pode ajudar aqueles que não são do Brasil e não estão familiarizados com a localização das cidades:

mapa-politico-brasil

O Rio de Janeiro está mais sujeito as influências da inclinação do eixo terrestre e consequentemente das Estações do Ano. Vou falar um pouco mais sobre isso adiante, por isso continuem lendo =).

Ou seja, a observação do Rodrigo é pertinente sim. Mas agora fica a pergunta: por quê? Uma parte pode ser explicado pela sensação térmica, como mencionei acima. Além disso, a posição da cidade com relação a costa pode terminar quais serão os ventos predominantes. E se os ventos do local forem predominantes de quadrante S, teremos ventos frios. Se forem predominantes de quadrante N, teremos ventos mais quentes. Detalhe que essa questão só vale para o Hemisfério Sul e só vale para locais distantes da linha do Equador. Quando o local está muito próximo do Equador, não há tanta diferença, porque as massas de ar que atuam na região não diferem tanto em termos de temperatura. O que afeta bastante o clima em localidades muito próximas ao equador é a altitude e a continentalidade, ou seja, a distância do oceano. Como esse post está ficando enorme,  falo sobre isso em outra ocasião.

Há uma consideração, talvez a mais importante, nesse caso: o Rio está mais distante do Equador. Isso significa que está mais sujeito as influências da inclinação do eixo da Terra do que outra cidade mais próxima do Equador, como Fortaleza, por exemplo. Inclusive falei disso nesse post sobre estações do ano. Em outras palavras, quanto mais distante o local é do Equador, mais perto o local está de ter as 4 estações do ano bem definidas. No post, inclusive mencionei a cidade de Bagé, que fica no Rio Grande do Sul. É uma cidade bem quente no verão e bem fria no inverno. Ou seja, as duas situações são bem marcadas.

Climograma de Bagé-RS

Climograma de Bagé-RS. Leia mais nesse post.

 

Durante o Solstício de Verão do Hemisfério Sul (e o período pouco anterior e pouco posterior a ele), temos a época mais quente do Ano. O Hemisfério Sul está recebendo mais radiação solar do que o Hemisfério Norte. o Solstício de Verão do Hemisfério Sul foi em 22 de Dezembro de 2014. Acontece todo ano, mais ou menos entre os dias 22-23 de Dezembro, o que marca o início do verão. Entretanto, se a localidade está próximo da linha do Equador, isso nao faz tanta diferença, já que a quantidade de radiação solar recebida é quase igual o ano todo. As regiões bem próximas ao Trópico de Capricórnio, essas sim sentem diferença. E se estiverem um pouco mais ao Sul do Trópico de Capricórnio, já na região que chamamos de subtrópicos, as estações do ano serão ainda mais marcadas, que é o caso de Bagé-RS. E claro, nessa mesma época, é inverno no Hemisfério Norte.

No Hemisfério Norte é a mesma coisa. Por volta de 21-23 de junho temos o Solstício de Verão do Hemisfério Norte. Aqui no Hemisfério Sul é inverno. Para quem mora em cidades que tecnicamente estão no Hemisfério Norte, mas que estão bem próximas do Equador (como Oiapoque, no Amapá), isso não faz diferença nenhuma. Mas para cidades do norte dos EUA e da Europa, por exemplo, faz toda a diferença. O verão é bastante marcado, com altas temperaturas. Em Nova York a máxima no verão pode facilmente ultrapassar os 32°C.

Cabe lembrar também que além da latitude da cidade, a altitude também influencia bastante no clima. E isso é especialmente marcado nas regiões tropicais. Por isso em Campos do Jordão-SP temos temperaturas mais frias do que em São Paulo-SP no inverno. Campos do Jordão está acima de 1600m do nivel do mar, enquanto São Paulo-SP está, em média, por volta de 750m acima do nível do mar.  Claro que isso não se aplica as cidades que comparamos no post (Rio de Janeiro e algumas capitais do Nordeste), mas é um fator que deve ser mencionado quando formos pensar em outras cidades. São Paulo mesmo tem um clima mais ameno do que Rio de Janeiro porque está 750m (em média) acima do nível do mar. Já o Rio está no nível do mar. Inclusive falei dessa comparação entre Rio de Janeiro e São Paulo nesse post, que respondia uma dúvida do leitor Cícero.

Na figura abaixo, comparo a temperatura média máxima em 3 cidades: São Paulo, Rio de Janeiro e La Paz (Bolívia), com o objetivo de mostrar o efeito da altitude. Para saber mais, leia o post.

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Espero que a dúvida tenha sido respondida. E se você, querido leitor, tiver alguma dúvida sobre meteorologia, preencha o formulário, mande por comentário ou pelas redes sociais do Meteorópole.

Desculpe ter sido repetitiva em alguns momentos, mas acredito que é a melhor forma de fixar a informação. Nos últimos dias tenho ouvido muita “pérola meteorológica” na imprensa. Infelizmente chamam profissionais que não são da área para opinar, e bobagens acabam sendo ditas. Com a crise energética e com o racionamento de água, a imprensa tem chamado profissionais para opinar e muitos não são meteorologistas. Acabam emitindo seus achismos e opiniões sem fundamentos, quando a entrevista para explicações relacionadas ao tempo e ao clima.

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