"Meteorópole: meteorologia, ciências da terra, viagens, lifestyle, etc"

Seja bem-vindo!

TAG: Livros & blá blá blá

Posted by on 2-jul-2015 in Blog, Livros | 0 comments

Fui taggeada pela Sybylla!

E eu adoro ser intimada a responder tags, principalmente tags que tenham a ver com as coisas que mais gosto. E tag literária sempre é bem vinda, porque está dentro dessa categoria.

Fonte: Free Digital Photos

Fonte: Free Digital Photos

Como sempre digo por aqui: as tags são excelentes maneiras de se conhecer o blogueiro. E também ajudam o blogueiro a conhecer novos blogs. Por isso se você quiser responder esta tag, fique a vontade =). Avise-me pelos comentários, para que eu possa ler suas respostas também.

10. Se você tivesse o poder, qual personagem de qual livro mudaria, ressucitaria ou faria desaparecer?

Dia desses a @venturieta fez uma comparação muito engraçada entre Emma Bovary e Luisa (Primo Basílio). Olha, eu mudaria Luisa. Mudaria totalmente! Faria dela uma mulher fatal, mudada pela experiência do adultério e que não sucumbiria às chantagens de sua governanta. Ela poderia inclusive matar a governanta com as próprias mãos e colocar seu corpo magro em uma mala velha. Essa mala seria descoberta apenas muitos anos depois.

Eu mataria com requintes de crueldade o pai estupador de Claireece Precious (ou Preciosa, como ficou conhecida mundialmente pelo premiado filme homônimo) do livro Push, da escritora Sapphire. Qualquer história que narre alguém que cometa violência sexual, cara, sinto vontade de matar bem morto. Deus me perdoe.

E eu ressucitaria Jake Chambers, da série A Torre Negra. Porque ele é um garoto fantástico.

9. Se você tivesse que dividir sua alma em 7 livros, quais seriam?

Acho que essa é a pergunta mais difícil da TAG. Vamos lá:

O vento pelo buraco da fechadura, que faz parte da saga A Torre Negra. A história do menino Tim é muito linda.

– O homem do castelo alto, de Philip K. Dick

As crônicas marcianas, de Ray Bradbury

As belas coisas, que é do céu contê-las, de Dinaw Mengestu

Novembro de 1963, Stephen King

Push, Sapphire

Cabul no Inverno, Ann Jones

8. Você já participou o participa de algum grupo de leitura?

Meu sonho! Queria participar de um grupo presencial, com reuniões mensais. Seria maravilhoso! Eu adoro esses Clubes do Livro que são muito retratados em séries e filmes ingleses. Poderia ter algo assim por aqui. Já pensei em montar um (a Fabi, uma querida colega de SJC montou certa vez), mas temo que não vai ir para frente. As pessoas vão alegar falta de tempo, etc. Saudade de um tempo em que as pessoas tinham mais tempo.

7. Você já sofreu algum ‘bullying literário’ por causa de alguma obra que você gosta?

Olha, não exatamente bullying por causa de uma obra (ou gênero) específica. Já sofri bullying por gostar de ler, acreditam? Mas é a realidade de um mundo que quer que as pessoas sejam cada vez mais idiotas. Lembro que eu tinha 13 anos e alguns alunos de minha escola me chamavam de “enciclopedia”. Naquela época, a garotada da minha sala estava mais preocupada em ostentar e aparecer do que ler. Infelizmente. Nem posso culpá-los. Alguns professores da escola nos incentivavam, mas do que adianta o professor incentivar se o aluno não vê exemplos positivos dentro de seu lar?

6. De qual festa ou comemoração que aconteceu nos livros que gostaria de ter participado?

No livro Amor em Jogo, de Anaté Merger, há uma cena de um baile de máscaras, muito bem descrita, com homens e mulheres lindos vestindo alta-costura. Não custa sonhar, né? rs

E do funeral de Brás Cubas, porque acho que eu teria dado risada (supondo que eu soubesse que ele estava vendo tudo lá do além rsrs).

5. Você considera algum livro de sua coleção como um troféu? (foi difícil de conseguir ou foi uma conquista, um presente de alguém muito querido, etc).

Não penso muito em livros dessa forma, mas há sim um que desperta em mim uma memória afetiva muito importante. Eu tenho uma Bíblia Sagrada que ganhei de minha avó aos 6 anos de idade. Já li a Bíblia inteira, participei de Escolas Dominicais, então esse livro me acompanha por bastante tempo.

4. Qual livro você leu e gostaria de ler novamente?

Muitos! Que lembro agora, sei que quero ler novamente dois livros de Joan Didion: Blue Nights e The Year of Magical Thinking.

3. Qual o seu maior medo no universo literário?

Meu maior medo é de que livros sejam censurados ou proibidos, dependendo de seu conteúdo. Sou a favor de que haja espaço para todos os temas e para todas as abordagens possíveis, porque a leitura nos torna seres mais críticos e criativos (ou seja, pessoas cri-cri rsrs :-P).

2. Você gostaria que seus diários (ou memórias – para quem nunca escreveu um diário) fossem transcritos em um livro e publicados?

Meus diários não! Faz tempo que não escrevo diários, mas eu só escrevo besteira! Acho que escrevo motivada por insegurança ou bobeira momentânea, então não sai nada que presta. Se fossem ler meus diários, julgariam que sou uma pessoa superficial e bocó rs. Porque diário a gente escreve com paixão, no calor do momento, sem refletir antes. E o cérebro humano não funciona muito bem com julgamentos rápidos.

Mas minhas memórias, essas sim! Podem publicar, mas esperem alguns anos após minha morte rs.

1. Você já leu algum livro que mudou sua maneira de ver o mundo?

Acho que um em específico, não. Eu acabo fazendo uma miscelânea na minha cabeça. Eu diria que a Bíblia Sagrada me influenciou muito. Mas eu também modifico minha forma de ver o mundo constantemente quando leio outros livros e textos. Também vale mencionar os dois livros da Joan Didion que mencionei anteriormente. Eles fizeram com que eu repensasse sobre a solidão e o luto.

 

Read More

A “Cientista” Grávida – Decorando o quartinho (episódio 20)

Posted by on 30-jun-2015 in Artes Plásticas, Blog, Gravidez | 1 comment

Acho que a maioria das mulheres que é mãe, principalmente as mães de primeira viagem, ficam entusiasmadas e até ansiosas com a decoração do quartinho. Comigo foi assim.

Moro em um imóvel de 2 quartos. E todo casal sem filhos sabe o constrangimento que é ter um quarto a mais em sua casa. As visitas ficam especulando. O quarto acaba virando um depósito de tranqueira. Alguns transformam em closet ou em escritório. Como meu marido e eu já queríamos um bebê, deixamos o quarto de lado por algum tempo, sem nenhuma função definida.

Resultado: virou quarto da bagunça. Tinha uma cômoda, um sofá velho e um guarda-roupa. Em algumas ocasiões era um quarto de hóspedes desorganizado. Quando descobrimos a gravidez, decidimos dar fim na cômoda e no sofá. A cômoda não poderia ser reaproveitada porque ela era “alta”, não servia como trocador. Além disso, ela estava um pouco estragada em decorrência da mudança que tínhamos feito.

Conseguimos doar os móveis (ebaaa!). O melhor: as pessoas que receberam a doação retiraram em casa, o que foi duplamente ótimo. Finalmente o quarto ficou apenas com o guarda-roupa. Escolhemos móveis novos (berço e cômoda pequena) e começamos a decorar. E nesse processo de decoração você pode gastar muito, mas muito dinheiro, porque o mercado quer te seduzir com novidades e coisas desnecessárias e/ou caras. Até falei um pouco disso no post em que menciono a compra de roupas e enxoval.

E qual a minha dica para decorar o quartinho de seu filho? Bom, é o velho faça você mesma.  Ou peça a ajuda da mãe ou de uma amiga com habilidades em arte. É tão gratificante fazer as coisas, colocar a mão na massa. Além disso, é uma terapia. Estou muito sem paciência com as pessoas agora no terceiro trimestre. Tudo me irrita bastante…rs. O artesanato tem me ajudado muito. E fazer a própria decoração pode te fazer economizar.

A primeira coisa é saber qual tipo de artesanato de atrai, saber do que você gosta de fazer. Como minha mãe e minha avó sempre foram muito habilidosas, acabei convivendo desde cedo com o artesanato. Minha mãe gosta de crochê, mas já fez coisas de feltro, já fez pintura em tela e em tecido, já fez chinelos, já mexeu com bijuterias em biscuit, etc. Minha avó gostava muito de vagonite e ponto cruz. Crescendo nesse ambiente, acabei me interessando por algumas coisas.

E um evento que me fez conhecer ainda mais coisas foi a Mega Artesanal. Esse evento acontece anualmente no Expo Imigrantes, aqui em São Paulo. Normalmente acontece no meio do ano. Fui ano passado e fiquei encantada pelo feltro. Quando eu tinha uns 7 anos de idade, fui em uma aula de feltro com minha mãe. O professor era o Marcelo Darghan, que possui o elixir da juventude e da simpatia rs. Ele está em toda Mega Artesanal, é uma celebridade do mundo do artesanato. Durante a Mega Artesanal do Ano Passado, fiz aula de feltro com a Rosana Noriko (falei um pouco disso nesse post). Ela me inspirou bastante, tanto que fiz um móbile em feltro para o bercinho do meu menino:

DSC03838

Detalhe de alguns dinossauros do móbile

O feltro te permite criar com muita facilidade. Com uma boa tesoura e sabendo ponto caseado, já dá para fazer bastante coisa. Na internet há diversos projetos de bichinhos de feltro. Como o tema que escolhi para o quarto do meu filho é o de dinossauros, tive ainda um incentivo a mais para criar, porque não encontrei muita coisa do tema a venda. Para ser justa, encontrei algumas coisas no Elo7, o que é bacana. O Elo7 é um site para que artesãs e artesãos vendam seus produtos. Ou seja, comprando lá você está incentivando o trabalho de alguém que ganha a vida ou complementa a renda com artesanato.

Encontrei o molde para meus dinossaurinhos aqui. Imprimi, recortei o papel e utilizei para recortar o feltro no mesmo formato. O que me ajudou bastante foi colocar os moldes de cada dinossauro em envelopes separados. Dessa forma, evitei de misturar os moldes.

Detalhe de um dos dinossauros e do molde. A cola usada para colar as manchinhas e os olhinhos é uma cola de silicone, sem cheiro, que lembra o acabamento da cola quente.

Detalhe de um dos dinossauros e do molde. A cola usada para colar as manchinhas e os olhinhos é uma cola de silicone, sem cheiro, que lembra o acabamento da cola quente.

Quando todos os dinossauros estavam prontos, os pendurei em linhas. Detalhe que fiz vários testes para que os bichinhos não ficassem tortos, determinando o ponto de equilíbrio de cada um. Após ter pendurado em linhas, os distribuí ao longo de um bastidor (desses de bordado). Pronto =). Revesti o bastidor com linha, para dar acabamento e usei termolina para deixar o fio “coladinho”.

Móbile finalizado =)

Móbile finalizado =)

Custo final: menos de R$20,00. Bem menos. Só que o prazer de fazer esses bichinhos, não tem preço!

Outra arte que gosto muito de fazer é ponto cruz. Ano passado mostrei alguns enfeites de Natal que fiz.  Também já fiz boa parte do elenco de Star Trek: TNG em ponto cruz (veja aqui), que inclusive terminei e preciso emoldurar. E também fiz esse quadrinho em homenagem a Ru Paul’s Drag Race. Adoro a temática nerd + cultura pop =).

Bom, claro que inseri ponto cruz na decoração do quartinho de meu filho. Fiz quatro quadrinhos, usando bastidores simples e uns retalhos de étamine. Encontrei os gráficos aqui. Eles não eram muito bons, então tive que adaptá-los (sempre tenho um pouco de papel quadriculado para fazer esboços). Depois que o bordado estava pronto, passei termolina com a ajuda de um pincel. Ah, detalhe engraçado: usei um pincel de base, de maquiagem, da marca Macrilan. Paguei baratinho nele, como não gostei de aplicar base com ele (prefiro meus dedos), vi que ele serve muito bem para espalhar termolina.

DSC03841

Quadrinhos em ponto cruz

A ideia inicial era pendurar cada quadrinho individualmente, mas acabei mudando de ideia e fiz isso:

Quadrinhos finalizados

Quadrinhos finalizados

No quarto do meu filho, há um guarda-roupa do qual não quis me desfazer. Ele não atrapalha a área útil do quarto e é um guarda-roupa bom onde guardo algumas coisas nossas (mala, telescópio, etc) e onde no futuro ele vai poder guardar suas roupas, quando for maior. Então coloquei esse quadrinho em uma das portas do guarda-roupa para dar uma “quebrada” nessa austeridade de movel de adulto.

Em ponto cruz, fiz também um quadrinho com o nome do meu filho. Olha que gracinha:

IMG_0012[1]

Bordando =)

Aplicando termolina, que é como se fosse uma "cola mais líquida", para deixar o tecido durinho e fácil de limpar quando seca. Ele fica meio leitoso logo que aplica, mas quando seca fica transparente.

Aplicando termolina, que é como se fosse uma “cola mais líquida”, para deixar o tecido durinho e fácil de limpar quando seca. Ele fica meio leitoso logo que aplica, mas quando seca fica transparente.

Quadrinho finalizado =)

Quadrinho finalizado =)

Se você, como eu, não é profissional do artesanato (= vive disso ou tem muita habilidade), claro que o trabalho não vai sair 100% “perfeito”. Acredito que imperfeições fazem parte da vida, é um toque de humanidade no trabalho. Não estou falando em trabalho manual mal feito, mas falo em um pontinho que não ficou muito bom, por exemplo. Um detalhe bem sutil.  Isso não é nada! Perfeccionismo não leva a nada. Meu chefe costuma falar que o ótimo é o inimigo do bom e depois descobri que ele “emprestou” essa citação de Voltaire, aquele danadinho ;).

Faça tudo com muito amor, dedicação e carinho que tenho certeza que vai sair o melhor trabalho do mundo. Você vai poder contar para a sua criança que criou parte da decoração de seu primeiro quartinho. Imagine seu filho ou filha pensando nisso lá no futuro? Deve ser muito bom!

Acho que melhorei muito em minhas produções de ponto cruz e feltro. Eu estou com alguns projetos em mente. Pretendo fazer algumas lembrancinhas para algumas pessoas que gosto muito.

Claro que há coisas da decoração que são mais difíceis de fazer e a gente acaba tendo que comprar. Foi o caso dessas faixas auto-adesivas em vinil. Comprei na loja Quartinho Decorado. Foram fáceis de aplicar e paguei R$10,00 no metro da faixa. A Lú, representante da loja, foi super atenciosa comigo por e-mail. A loja entregou tudo certinho e tirou todas as dúvidas. Dificilmente faço “propaganda” das coisas aqui no Meteorópole. Quando faço, é porque gostei mesmo do serviço.

DSC03840

Faixa de dinossauros. Abaixo, minha mala com as coisas que vou levar para a maternidade. Em destaque, uma necessaire lindinha que comprei e um par de chinelos fofinhos. Já deixo tudo quase prontinho, para caso de emergência.

Vocês sabem, praticamente nunca recebi nenhum jabá aqui no blog. Já recebi comissões de lojas como Oficina de Textos, por exemplo. Mas infelizmente a comissão é muito pouca, faço a propaganda porque os livros são bons e porque muitas vezes há promoções boas. Eu adoraria receber para divulgar as coisas, acho que é o sonho de qualquer pessoa que gosta de bloggar. Claro, receber  para falar de coisas com as quais eu me identifico, senão fica aquela coisa Xuxa e Monange.

Quando o quarto estiver totalmente pronto (ainda faltam alguns detalhes), prometo fotografar a mostrar para vocês. O objetivo desse post foi realmente o de incentivar vocês e o de mostrar um pouquinho da decoração do quartinho do meu filho.

E quem tem Instagram e quer acompanhar minhas aventuras pelo mundo do artesanato e da maternidade, me sigam em @samanthaweather. E se você tirou alguma foto bonita de nuvens, arco-íris ou qualquer outro fenômeno meteorológico, poste no instagram com a hashtag #meteoropole. A foto aparece aqui na barra do lado direito. =)

Outra coisinha: eu finalizei esse post no dia 17 de junho, mas ele só irá ao ar no dia 30 de junho. Certamente meu filho já terá nascido até essa data. Meus amigos e leitores que me acompanham pelo blog poderão ficar sabendo das notícias através do Instagram. É bem mais fácil postar pelo Instagram do que escrever um post no blog, principalmente nesses primeiros dias de adaptação com o bebê =).

***

E acompanhem toda série A “Cientista” Grávida – A Série [minha saga pessoal rs]  aqui. Espero que essa série ajude outras gestantes e permita troca de experiências.:

Read More

Interessante link entre “negacionismo climático” e fé

Posted by on 29-jun-2015 in Blog, Método Científico, Mudanças Climáticas | 0 comments

Não sei se o termo certo em português é “negacionismo climático”. Em inglês, usa-se o termo climate denial. São pessoas que negam que as mudanças climáticas estejam ocorrendo. E dentro desse processo de negação, alguns negam totalmente e outros negam papel do homem no processo (admitindo o papel das mudanças ditas naturais).

De qualquer maneira, essas pessoas estão ignorando diversos artigos científicos que já foram publicados e que constatam que a ação humana, na emissão de gases de efeito estufa e na mudança do uso do solo é responsável pelas mudanças que estamos enfrentando atualmente.

Vez ou outra surge um negacionista aqui no bloguinho. E os caras são chatos, viu! Percebo até que alguns são machistas, pois já chegaram a me tratar com condescendência e até ofensas em algumas ocasiões. Sinceramente? Em alguns casos é desconhecimento mesmo e em outros é aquela síndrome de “acho-que-sou-galileu-galilei”que acomete algumas pessoas. Elas querem ser “do contra” por razões superficiais, achando que dessa forma vão se destacar no futuro como alguém de visão. Acontece que Galileu Galilei e outros que vieram antes ou depois dele tinham argumentos sólidos que no final das contas, foram confirmados.

Uma coisa que a gente precisa levar em consideração é que existe um número infinito de “fés”. Alguns de meus leitores sabem que tive criação Protestante. Pois então, o que muitos, por ignorância ou simplicidade, chamam de “crentes”, é na verdade um emaranhado de igrejas pentecostais/neo-pentecostais/protestantes/etc. E cada uma dessas igrejas é mais ou menos fundamentalista, dependendo do ponto abordado.

Acontece que não existe uma união de igrejas “de crente evangélico”. Por exemplo, a Igreja Católica Apostólica Romana. Todas as Igrejas Católicas ao redor do mundo seguem os mesmos ritos, o mesmo calendário, etc. Porque existe um “órgão central”, o Papa no Vaticano, que coordena todas essas coisas. Não existe isso para igrejas evangélicas! Por isso o culto de uma Igreja do Evangelho Quadrangular é completamente diferente do culto de uma Igreja Presbiteriana e não tem nada a ver com o que é pregado dentro de um Salão do Reino das Testemunhas de Jeová.

Depois que Lutero traduziu a bíblia para o alemão e possibilitou que mais pessoas puderam ler, portas foram abertas para diversas interpretações do texto bíblico. E acreditem, as pessoas tem uma enorme dificuldade com linguagem figurada e contextualização histórica. As igrejas sempre exerceram muito lobby na política e na economia. No passado, esse papel era da ICAR (falo do cenário brasileiro). Hoje, a presença de políticos evangélicos é fortíssima, influenciando em decisões importantes dos direitos civis. Dessa forma, as igrejas acabam também pregando aquilo que lhes convém, independentemente do texto bíblico, em muitas situações.

Em um recente artigo do The Washington Post, indicado pelo meu amigo meteorologista Rodrigo J. Bombardi, foi publicado um diagrama muito interessante, relacionando fé e apoio a ciência do clima e à Teoria da Evolução. Como eu adoro diagramas, vamos republicá-lo aqui:

imrs

 

No diagrama, o 0 seria o equivalente a “não me importo com essas questões”. O -1 indica que “não apoio a teoria da evolução” ou “não apoio a ciência do clima”. E o 1 significa “apoio a teoria da evolução” ou “apoio a ciência do clima”. No eixo x, temos o “apoio à Teoria da Evolução”, variando de -1 até 1. E no eixo y, temos “Suporte a regulamentações ambientais (focadas em questões climáticas, no caso)”, também variando de -1 até 1.

Budistas, Judeus (exceto ortodoxos), Agnósticos e Ateus estão bem próximos do ponto (1,1), o que indica um esclarecimento científico nessas áreas. Perto do -1, temos as “Assemblies of God”, que são as Assembléias de Deus Norte-Americanas (alguns missionários dessa igreja ajudaram a fundar as Assembléias de Deus aqui do Brasil). Os membros da “Adventista do Sétimo Dia” não apoiam a teoria da evolução mas são um pouco favoráveis às regulamentações ambientais. Bom,  alguns adventistas rejeitam a Teoria da Evolução de Maneira extrema, a ponto de ensinarem Criacionismo nas Escolas Adventistas.

Os Anglicanos em geral apoiam as duas questões apresentadas. Bom, a Igreja Anglicana tem se mostrado muito progressiva em outros pontos: por exemplo, união homoafetiva e ordenação de homossexuais. Luteranos e Presbiterianos (PCUSA) também estão um pouco deslocados do ponto (0,0), apoiando, mesmo que pouco, as duas questões apresentadas.

Minha impressão é de que a PCUSA é mais progressiva que a IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil). Há uns 11-12 anos assisti uma palestra de um “cientista criacionista”  em uma IPB. Percebo que para muitos presbiterianos brasileiros a Teoria da Evolução é ainda considerada como “uma mentira”, entretanto eles são mais abertos para questões ambientais.

O tamanho dos círculos no diagrama tem relação com a quantidade de pessoas entrevistadas para a pesquisa Religion & Public Life, que deu origem ao diagrama. Para saber mais sobre a pesquisa, clique aqui.

Uma das conclusões interessantes do diagrama é que ciência e religião não necessariamente precisam estar em guerra. O estudo sugere que algumas religiões são mais pautadas no bom senso. De qualquer maneira, acho que depende muito de cada indivíduo e acho que só dá certo se a pessoa consegue viver uma vida sem fanatismo religioso e sempre pautada em críticas, leituras e novos conhecimentos.

Eu pessoalmente, apesar de concordar com algumas coisas da Igreja Presbiteriana (da qual boa parte da minha família é participante), eu prefiro não frequentar a igreja porque discordo de muito o que é pregado e deixei de encontrar paz nesse lugar. Não pretendo mudar de religião (isso significaria readaptação, novos rituais, novos problemas etc), até porque a forma com que me relaciono com Deus é uma forma protestante. Por isso vou continuar fazendo minhas orações em casa.

Fonte:

The surprising links between faith and evolution and climate denial — charted, The Washington Post

Read More

A “Cientista” Grávida – O sonar (episódio 19)

Posted by on 25-jun-2015 in Blog, Física, Gravidez | 0 comments

Fonte: Free Digital Photos

Fonte: Free Digital Photos

Lembram que ontem falei sobre duas pérolas ditas por uma médica? Então, a primeira delas era com relação a duração da gestação e escrevi sobre ela (nesse post).  E a segunda era com relação ao sonar, aparelho que mede os batimentos fetais durante todas as consultas pré-natal. Hoje vamos falar do sonar, detector fetal ou fetal doppler.

A palavra SONAR significa  Sound Navigation and Ranging ou “Navegação e Determinação da Distância pelo Som”. Ou seja, o sonar, assim como o aparelho de ultrassom, usa o som em uma frequência que não escutamos para detectar o feto. Mas antes de falar isso, vou contar o que aconteceu na consulta da médica.

O consultório dessa médica fica numa área próxima a um aeroporto. E todas as vezes que ela vai tentar escutar o coração do meu filho, ela tem dificuldades. Ela diz que é por conta do radar do aeroporto, pois o radar do aeroporto interfere com o ultrassom(?).

Quem é mãe ou já acompanhou alguém em uma consulta pré-natal sabe de qual aparelhinho estou falando. Ele é portátil e vem em diversas apresentações. A mais comum é algo mais ou menos assim:

sku_140404_1

Sim: vende no DX! Não sei se é bom…

Funciona assim: a médica ou enfermeira passa um gel em sua barriga, para deslizar melhor. Em seguida, ela passa esse “microfone” na barriga até captar os batimentos cardíacos fetais. Quando capta, é possível identificar a frequência dos batimentos cardíacos fetais. Claro que isso deixa qualquer mãe mais tranquila e exclui muitos problemas sérios da gestação. Então esse procedimento é feito em toda consulta pré-natal. Há consultórios mais “chiques” que dispõe de um ultrassom, que é um aparelho bem mais caro do que o sonar. Li que no Japão, por exemplo, o ultrassom é usado em todas as consultas pré-natal. Quem sabe um dia o ultrassom fique mais popularizado e mais barato por aqui. Enquanto isso não acontece, continuarão usando o sonar em consultas de rotina e o ultrassom apenas sob pedido médico.

O sonar envia ondas sonoras de alta frequência que passam através de seus tecidos e dos tecidos do bebê. Quando as ondas encontram movimento, tais como batimento cardíaco do seu bebê, eles retornam  o dispositivo. O dispositivo, em seguida, traduz o movimento em som audível pelos humanos, que amplifica a máquina para que você possa ouvi-lo.Para a gente entender melhor esse funcionamento, veja abaixo o espectro das ondas sonoras. Falei disso no post sobre ultrassons (veja aqui).

Os ultrassons são sons em alta-frequência e os infrassons são sons em baixa frequência. A gama audível consiste na faixa em que nós, humanos, podemos escutar. Fonte da imagem

E por falar em ultrassom, o sonar funciona de maneira muito parecida com o ultrassom, porque ambos utilizam ondas sonoras de alta frequência. A diferença é que o ultrassom produz imagens. A máquina de ultrassom também emite pulsos sonoros de alta freqüência para o interior do corpo da gestante. Essas ondas de ultrassom vão se deslocando pelo corpo e atingindo os limites entre os tecidos. Atravessam  a pele, o músculo, a gordura, chegam no útero, atingem partes do corpinho do bebê que são ósseas e outras partes que são moles, etc. Parte das ondas é refletida (eco) quando atingem um “obstáculo” (o crânio do bebê, por exemplo). Outra parte continua se deslocando até atingir outros obstáculos e então serem refletidas também. Essas ondas que são refletidas são captadas pelo aparelho de ultrassom e as informações são interpretadas pelo computador.  A máquina calcula o tempo de retorno de cada eco. Cada tempo de retorno está associado a um tipo de tecido e dessa forma o computador cria a imagem do bebê.

O sonar da foto que mostrei, por exemplo, de acordo com as especificações, opera em 2,0MHz. Acredito que os sonares em geral operam em frequências muito próximas a essa. Isso dá 2.000.000 Hz! Como comparação, a frequência audível nos humanos vai entre as frequências de 20Hz e 20.000Hz. É por isso que a gente não ouve a onda sonora emitida pelo sonar, ouve apenas o retorno dessa onda (na verdade, o aparelho “converte” a onda retornada numa faixa de frequência que a gente consegue ouvir).

E o radar do aeroporto? Radar significa Radio Detection And Ranging (Detecção e Telemetria pelo Rádio). Ou seja, o radar utilizar ondas de rádio e/ou microondas, que são uma região do espectro eletromagnético:

Radares são usados em aeroportos, para controlar o tráfego aéreo. Para verificar o posicionamento das aeronaves, por exemplo. Mas a comunicação entre os controladores na torre e os pilotos nas aeronaves também é feita usando ondas de rádio, mas de uma frequência um pouco mais baixa. Veja na imagem acima, por exemplo. Na região das “Microondas”, há uma região tipicamente usadas pelos radares. Em frequências mais baixas, temos as ondas de rádio (UHF, VHF, ondas curtas, médias e longas). Essas são as ondas usadas na transmissão das emissoras de rádio, por exemplo. Mas há faixas de frequência bem definidas e separadas para outros fins: radioamadorismo, comunicação policial e comunicação de aeroportos. Por isso rádios piratas podem ser tão prejudiciais: elas podem ocupar frequências inapropriadas, atrapalhando a comunicação dos aeroportos, por exemplo.

Acontece que a parte eletrônica do sonar pode, em algumas situações, funcionar como um receptor dessas ondas de rádio. Então o trabalho de escutar os batimentos fetais pode ficar prejudicado. E acredito que foi isso o que a médica quis dizer, quando disse que as ondas de rádio atrapalham no sonar. Mas as ondas de rádio não atrapalham a propagação da onda de som! O que acontece é que o aparelho pode captar algumas ondas de rádio.

Usar o sonar é bem complicado e exige muito treino, já que com o ultrassom podemos captar outros  movimentos do corpo humano. É fácil, por exemplo, pegar o som de sangue que flui através da placenta ou os movimentos do corpo da mãe. Uma enfermeira ou médica treinada podem identificar esses problemas, mas uma pessoa comum que simplesmente compra um aparelho talvez tenha dificuldade em usá-lo. E ao invés de tranquilizar a mãe, ele vai deixá-la ainda mais ansiosa!

E o uso do sonar é seguro? Aparentemente, é sim. Nenhuma pesquisa mostrou que o ultrassom ou o sonar  fazem mal para a mãe ou para o bebê. No caso do sonar, acho que o único problema é o que mencionei acima: pela falta de prática, as pessoas podem obter resultados equivocados.

E da onde vem o termo Doppler?

O sonar também chama-se Fetal Doppler. Além disso, vocês já devem ter visto guias de pedido de exame solicitando Ultrassom com Doppler Colorido. E o que é esse tal de Doppler?

O Efeito Doppler é a mudança na frequência de uma onda (onda de som ou onda eletromagnética) para um observador se movendo relativamente a fonte dessa onda. Para o caso do som, o exemplo didático mais utilizado é o da ambulância. Vamos supor que você está parado na frente de sua casa e uma ambulância passa. Quando a ambulância está se aproximando, você escuta o som mais agudo. Conforme ela vai se afastando de você, você ouve o som mais grave.

Isso acontece porque comparando com a frequência emitida pela fonte (no caso, a ambulância), a frequência recebida pelo observador é maior durante sua aproximação (som mais agudo), idêntica bem no instante em que passa na frente do observador e mais baixa quando está se afastando (som mais grave).

No exame ultrassom, a fonte de ultrassom é o aparelho. As ondas de ultrassom atingem o interior do corpo da gestante e do bebê. Só que o corpo da gestante e o corpo do bebê não estão imóveis. O coração bate e temos também o fluxo sanguíneo, o movimento das veias e artérias. Quando a onda de ultrassom retorna para o aparelho, ele detecta essas variações causadas pelo Efeito Doppler.

O Efeito Doppler também ocorre em ondas eletromagnéticas. E essa descoberta gerou muitas possibilidades na Astronomia. O Efeito Doppler permite a medição da velocidade relativa de objetos celestes luminosos com relação à Terra. Essas medidas permitiram concluir que o universo está em expansão, já que observou-se desvio para o vermelho (região da cor vermelha do espectro eletromagnético). Se os objetos celestes estivessem se aproximando, teríamos um desvio para o azul. Não vou entrar em detalhes sobre esse recurso, para o post não ficar muito longo. Mas é provável que eu aborde esse tema em outra ocasião.

 

 

****

Acompanhem toda série A “Cientista” Grávida – A Série [minha saga pessoal rs]  aqui.

Read More

A “Cientista” Grávida – O ciclo lunar e conversa de médica (episódio 18)

Posted by on 23-jun-2015 in Astronomia, Blog, Gravidez, Lua | Comentários desativados em A “Cientista” Grávida – O ciclo lunar e conversa de médica (episódio 18)

Lembram quando escrevi esse artigo sobre a influência da Lua na gestação? Pois então, eu estava lendo uma série de artigos do Baby Center e encontrei esse. Mais simples impossível:

Ao que tudo indica, a força gravitacional da lua não tem como afetar o corpo humano.
(…)
As pessoas em geral prestam mais atenção quando o nascimento coincide com a mudança da lua, mas não guardam na memória os casos em que o parto não coincide. Talvez seja essa a origem dessa crença..

Os artigos do Baby Center são escritos por profissionais da área (ou eles atuam como consultores). Fiquei muito feliz em ver um site tão famoso divulgando informações corretas e não pseudociência.

Pretendo falar de duas pérolas que ouvi de uma médica. Uma delas tem a ver com a duração da gravidez e a outra tem a ver com o sonar, aquele aparelho usado em todas as consultas de pré-natal para verificar os batimentos cardíacos fetais. Para o post não ficar muito longo, no post de hoje falarei apenas da pérola da duração da gravidez.

Fui no consultório de uma médica, que me disse o seguinte:

– A gravidez tem duração de cerca de 40 semanas. Mas as pessoas pensam assim: “Ah, o mês tem 4 semanas, logo são 10 meses então posso pedir licença maternidade a partir da 32° semana”. Mas não é bem assim, porque são meses lunares.

Olha, tem dias que estou bem cansada e tenho preguiça de argumentar. Em outras situações, sei que a pessoa está errada, porém não quero ser arrogante/deselegante ou não tenho um argumento pronto ali na hora. Há outros momentos que só percebo que a pessoa está muito confusa ou não soube explicar direito, mas o argumento não está de todo ruim.

Vamos entender o que há de errado o que a médica falou. E primeiro, a gente precisa entender como surgiu o calendário que utilizamos atualmente, o Calendário Gregoriano. Esse calendário foi promulgado pelo Papa Gregório XII, em 24 de Fevereiro de 1582, em substituição ao calendário juliano, implantado pelo líder romano Julio Cesar cerca de 600 anos antes.  Esse calendário é atualmente utilizado praticamente em todo o mundo, para facilitar as interações entre as nações e também porque a Europa sempre exportou seus padrões.

Mesmo em países que usam calendários próprios de sua cultura (como o Calendário Chinês), o calendário gregoriano coexiste para facilitar essa interação entre as nações.

Para saber mais sobre o Calendário Gregoriano, clique aqui.  O Calendário Gregoriano se aproveitou dos nomes dos meses utilizados em outros calendários:

Janeiro: Jano, deus romano das portas, passagens, inícios e fins.
Fevereiro: Februus, deus etrusco da morte; Februarius (mensis), “Mês da purificação” em latim, parece ser uma palavra de origem sabina e o último mês do calendário romano anterior a 45 a. C.. Relacionado com a palavra “febre”.
Março: Marte, deus romano da guerra.
Abril: É o quarto mês do calendário gregoriano e tem 30 dias. O seu nome deriva do latim Aprilis, que significa abrir, numa referência à germinação das culturas. Outra hipótese sugere que Abril seja derivado de Aprus, o nome etrusco de Vénus, deusa do amor e da paixão.
Maio: Maia Maiestas, deusa romana.
Junho: Juno, deusa romana, esposa do deus Júpiter.
Julho: Júlio César, general romano. O mês era anteriormente chamado Quintilis, o quinto mês do calendário de Rômulo.
Agosto: Augusto, primeiro imperador romano. O mês era anteriormente chamado Sextilis, o sexto mês do calendário de Rômulo.
Setembro: septem, “sete” em latim; o sétimo mês do calendário de Rômulo.
Outubro: octo, “oito” em latim; o oitavo mês do calendário de Rômulo.
Novembro: novem, “nove” em latim; o nono mês do calendário de Rômulo.
Dezembro: decem, “dez” em latim; o décimo mês do calendário de Rômulo.

A definição de mês, em muitos dicionários, é o período que a Lua demora para dar uma volta em torno da Terra. A palavra mês vem de mensis (latim), que veio do grego (meme, Lua).

E em inglês, a palavra month (mês) lembra bastante a palavra Moon (Lua). E não é por acaso. A noção de mês surgiu a partir da duração do intervalo entre duas fases da Lua iguais. Como exemplo, vou pegar a Lua Cheia de 02/Junho/2015 e a Lua Cheia de 01/Julho/2015. Há 29 dias entre essas duas ‘luas cheias’, pois nesse período a Lua deu uma volta completa em torno da Terra. A duração de um mês lunar (estou chamando assim para não confundir com o mês normal) é algo entre 29 e 30 dias.

Com as ‘gambiarras’ no calendário, feitas para nos adequarmos ao período da 1 translação (movimento da Terra em torno do Sol) e também por razões políticas os meses “normais” foram se adequando e ficando com 28/29, 30 ou 31 dias, conforme discutirmos anteriormente. Vale lembrar que esse é o calendário que seguimos hoje em dia. Várias civilizações ao longo da história usaram outros calendários, mas muitas delas usavam realmente os ciclos lunares para determinar uma “subdivisão” do ano.

Agora, porque o argumento da médica está confuso (ou pelo menos estranho): sabemos que 1 semana = 7 dias. Logo, 4 semanas = 28 dias.  O mês lunar ou o mês “normal” tem duração de cerca de 30 dias, então daria quase no mesmo. Mas lembre-se, alguns meses tem 31 dias. E a ‘confusão’ acaba aparecendo aí. Entretanto, a maior ‘confusão’ aí é como a gestação é contada. Vou explicar:

Quando você está com seu primeiro atraso menstrual, a primeira coisa que sua médica/médico vai perguntar é quando foi o primeiro dia de sua última menstruação. Se você for como eu, talvez não vai se lembrar rs. Mas vamos supor que você seja uma mulher mais ligada, e vai lembrar que essa data foi, por exemplo, no último dia 27/09/2014.

Vamos supor que lá pelo dia 30/10/2014, você está desconfiada que está grávida, porque sua menstruação, sempre regular, está atrasada. Um ciclo menstrual regular tem em média 28 dias, mas pode ter mais ou menos, dependendo da mulher.

Então nesse mesmo dia 30/10/2014,  você vai lá, faz o exame para verificar a gravidez e ele dá positivo. Dessa forma, em 30/10/2014, você estaria grávida de 4 semanas e 5 dias. Como a gente costuma dizer que 1 mês tem 4 semanas, você vai sair contando para os seus familiares que está grávida de 1 mês e 5 dias mais ou menos. Como uma gravidez normal pode variar entre 38 e 42 semanas mais ou menos, a 38° semana ocorreria em 21 de junho de 2015 e a 42° semana ocorreria em 19 de julho de 2015.

Para os obstetras, não se conta a gravidez em meses justamente porque a quantidade de dias em um mês varia. E somando toda essa variação de alguns dias por mês ao final de vários meses, dá uma diferença considerável. Dessa forma, contar em semanas (1 semana sempre tem 7 dias!), fica mais fácil. Então toda anotação feita em sua carteirinha de pré-natal será em semanas.

Só que vai explicar isso para sua tia ou para a amiga que não tem filhos e insiste em perguntar de QUANTOS MESES você está grávida… é bem chato e complicado, considerando que durante a gravidez as pessoas adoram dar pitacos sem sentido.

A pergunta que fica é: por que então falam 9 meses? Eu tenho duas teorias.

A primeira: se a pessoa contar a duração da gravidez de outra forma que não usando a data da última menstruação, vai dar mais ou menos os tais 9 meses. E como seria essa forma?

O período fértil do ciclo menstrual é mais ou menos no meio do ciclo menstrual, que são aqueles dias do mês em que você tem mais probabilidade de engravidar. Ou seja, considerando o exemplo acima: a sua última menstruação foi 27/09/2014, mas você se lembra muito bem que foi lá pelo dia 10/10/2014 que você e seu companheiro tiveram um jantar romântico. Pois então, se fizesse esse raciocínio, você poderia considerar que em 30/10/2014 estaria grávida de menos de 1 mês!

Mas é complicado considerar esse raciocínio na maioria dos casos, porque as pessoas costumam ter várias relações sexuais ao longo de vários dias no mesmo ciclo menstrual. Então fica difícil saber exatamente quando se ficou grávida, pelo menos acho assim.

Minha segunda teoria é um cálculo bem simples, uma outra forma de ver o calendário. De acordo com o exemplo que usei:

27/09/2014 a 27/10/2014: 1° mês

27/10/2014 a 27/11/2014: 2° mês

27/11/2014 a 27/12/2014: 3° mês

27/12/2014 a 27/01/2015: 4° mês

27/01/2015 a 27/02/2015: 5° mês

27/02/2015 a 27/03/2015: 6° mês

27/03/2015 a 27/04/2015: 7° mês

27/04/2015 a 27/05/2015: 8° mês

27/05/2015 a 27/06/2015: 9° mês

Ou seja, no exemplo acima, a pessoa estaria completando 9 meses em 27 de junho de 2015, que é quase  na metade do período que compreende entre 38 e 42 semanas, conforme explicamos acima:  entre 21 de junho de 2015 e  19 de julho de 2015.

E se a gente fosse levar em conta que são meses lunares e contando como início da gravidez a última menstruação, considerando um mês lunar médio de 29 dias,  seriam na verdade 9 luas e meia (que daria 38 semanas). Ou seja, 9 lunações e meia lunação, como lembra bem o excelente álbum do Paralamas do Sucesso que tem o mesmo nome =)

Nove luas - Paralamas do sucesso

Só que mesmo raciocinando dessa forma, devemos lembrar que a gestação pode chegar até 40 semanas. Ou até 42 semanas, em alguns casos. E mesmo raciocinando desta forma, ainda não faz sentido considerar que o bebê vai nascer na virada da Lua (escrevi esse post a respeito disso).

Então entraríamos em outro mito: o primeiro dia da menstruação coincide com a fase da Lua? Bom, a palavra menstruação também vem de mensis (latim). Há uma polêmica em torno disso. Alguns especialistas acreditam que a menstruação na espécie humana tem sim relação com o ciclo da Lua. Quando éramos nômades e dependíamos da caça, os homens saiam para caçar na Lua Cheia e deixavam as mulheres sozinhas em suas moradias. Elas ficavam menstruadas na Lua Cheia, quando estavam longe dos maridos. Na Lua Nova, quando estava muito escuro para caçar, os homens ficavam em casa com as mulheres e era nesse período em que as mulheres ficavam férteis. Essa teoria é bastante defendida por muitos acadêmicos, mas há pesquisas mais recentes, analisando os hábitos de populações que mesmo atualmente não vivem em áreas com energia elétrica, mostram no entanto que não há correlação suficiente que denote influência da Lua no ciclo menstrual (leia mais aqui). Talvez porque elas não cacem mais, não se sabe. Ou seja, pode haver sim uma influência da lua no ciclo menstrual, mas não por causa da “força de atração gravitacional da Lua” ou “por alguma razão mística”. É uma questão de evolução da espécie humana.

****

Os mais atentos notaram que mencionei duas pérolas ditas pela médica. A primeira é com relação a duração da gravidez. A segunda é com relação ao sonar. Como esse post ficou muito grande, deixei para amanhã o texto sobre a pérola seguinte.

Acompanhem toda série A “Cientista” Grávida – A Série [minha saga pessoal rs]  aqui.

 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger... Read More