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Incríveis imagens de uma nevasca, feitas por um drone

Posted by on 20-nov-2014 in Blog, Neve | 0 comments

A querida Jaqueline mandou essa nota do Mashable, que mostra imagens espetaculares feitas por um drone durante uma nevasca em Seneca, Nova York.

As nevascas estão muito intensas por lá nos últimos dias. Além dos problemas no setor de transporte, seis pessoas morreram.

Detalhe que quando o drone sai da “garagem”, é possível notar um degrau de neve. Ou seja, a nevasca já tinha sido forte nas horas anteriores. Quando o drone deixa a garagem, ele sobrevoa por uma área com algumas árvores (suas folhas estão bastante cobertas pela neve) e a nevasca é tão forte que a visibilidade está bem reduzida. Para pessoas que não passam por esse problema durante o inverno (como é meu caso), acho que as imagens ficam ainda mais impressionantes.

Conforme o drone vai ganhando altura, é possível notar os telhados completamente cobertos pela neve. O drone então desce e Jim aparece operando o equipamento. Ele volta a subir e mostra mais imagens da imensidão esbranquiçada provocada pela tempestade. Quando finalmente volta para a garagem, fiquei com a impressão de que aquele degrau do começo do vídeo subiu um pouquinho.

As imagens e a edição são de Jim Grimaldi. A música que ele colocou no fundo deixou o vídeo com um ar bastante dramático. Gostei bastante =). Drones tem um imenso potencial na observação e no estudo de fenômenos naturais. Imagine adaptar um drone para estudar um vulcão, por exemplo.

 

 

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René Auberjonois – Pintor

Posted by on 19-nov-2014 in Artes Plásticas, Blog | 0 comments

Esse post foi inspirado por uma postagem da fanpage do Habeas Mentem (essa aqui). Para quem não conhece, Habeas Mentem é o blog do meu querido Beto. Um blog de opinião, literatura, ficção científica e tudo que aparecer na mente brilhante do autor.

Bom, vou reproduzir a foto da postagem:

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Esse é o ator René Auberjonois, conhecidíssimo por ter dado vida ao Odo, o querido metamorfo de Star Trek – DS9. O ator segura a máscara que ele usava para compor o personagem. De acordo com meu pai (toda minha família contribui para o blog), Odo foi separado de Skaf no nascimento:

O que pouca gente sabe é que René Auberjonois é neto de um pintor chamado René Auberjonois. O que muda é o nome do meio: o ator, chama-se René Murat Auberjonois. O pintor, chama-se René Victor Auberjonois. E é do pintor Auberjonois que quero falar nesse post.

Portrait de l' Artiste - René Victor Auberjonois (auto-retrato feito pelo pintor). Fonte: Wikimedia Commons

Portrait de l’ Artiste – René Victor Auberjonois (auto-retrato feito pelo pintor). Fonte: Wikimedia Commons

Em seu auto-retrato, Aubjeronois realçou suas maças do rosto, avermelhadas. Ele está em uma posição analítica, observando uma obra em execução, provavelmente, já que seu material de trabalho está em suas mãos. Auberjonois nasceu na Suiça, em 1872 e morreu 1957. É considerado um pintor pós-impressionista, expressão artística que surgiu no final do século XIX. Não sei a data desse auto-retrato, mas o artista parece bem mais jovem do que no auto-retrato abaixo, de 1929:

Outro auto-retrato de Auberjonois. (1929)

Outro auto-retrato de Auberjonois. (1929)

Auberjonois era de uma família rica e influente. Estudou na Kensington School of Art, na Inglaterra, e na École de Beaux-Arts, em Paris. Casou-se duas vezes, mas divorciou-se nas duas ocasiões. Ele não conseguia conciliar seu trabalho com vida pessoal. De um de seus casamentos, nasceu Fernand, que tornou-se um importante jornalista nos Estados Unidos e veio a ser pai do ator René Auberjonois. Seu trabalho tornou-se mais reconhecido pelo público na década de 1940, período em que viveu problemas de saúde e insatisfações com seu próprio trabalho. Na década de 1980, Fernand escreveu uma biografia sobre o pai.

De acordo com a ArtCyclopedia, a maioria dos trabalhos de Auberjonois encontram-se em museus da Suiça. Há trabalhos sendo leiloados também, como o lindo “Italiana na Fonte”. Essa mulher guarda angústias e segredos.

Italienne à la Fontaine. (1931). René Auberjonois

Italienne à la Fontaine. (1931). René Auberjonois

Se eu tivesse dinheiro, muito dinheiro, investiria em obras de arte. Não com o objetivo de ter uma coleção particular, acho que eu organizaria um museu. Adoro ler sobre arte e visitar museus. Por isso que de vez em quando vocês vem posts sobre arte aqui no Meteorópole =).

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Curiosidade: Floresta retorcida de Gryfino (Polônia)

Posted by on 19-nov-2014 in Biologia, Blog, Geografia | 0 comments

Fonte: Wikimedia Commons

Krzywy Las (Floresta Retorcida) na Polônia. Fonte: Wikimedia Commons

Quando eu olho a fotografia acima, imagino um conto de fadas. Imagino um cenário para um livro de fantasia. Parece que a qualquer momento um fauno, uma fada ou um duende vão aparecer, felizes e traiçoeiros. Quase consigo imaginar o pequeno Tim perdido por aí.

Essa é a Krzywy Las, a Floresta Retorcida. Fica perto da localidade de Gryfino, na Polônia. É uma floresta pequena, com aproximadamente 400 pinheiros, que foram plantados por volta de 1930. Muito provavelmente as árvores foram torcidas pela ação humana quando ainda eram brotos. O motivo dessa “torção” é desconhecido, mas pode ser que tenha a ver com fabricação de móveis ou outros objetos.

Na Segunda Guerra Mundial, o vilarejo mais próximo dessa floresta foi evacuado e os planos daqueles que plantaram as árvores foram interrompidos. A floresta ficou desconhecida até a década de 1970 e hoje é um interessante ponto turístico da região.

Veja mais fotos aqui.

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Resenha de Interstellar: porque eu senti uma vibe 2001 (não apenas eu)

Posted by on 17-nov-2014 in Astronomia, Blog, Ficção Científica, Filmes, Resenhas | 2 comments

Acredito que Interstellar é o grande lançamento de 2014, principalmente se você é fã de ficção científica.

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Eu queria escrever uma resenha sem fazer grandes revelações sobre o enredo. Vou tentar, mas sei que é difícil. Então, sugiro que você assista primeiro e depois leia minha resenha. Ok, talvez o termo correto nem seja resenha. Acho que o que escrevo a seguir está mais para um resumo e discussão do filme. No entanto, se você se incomoda com spoilers (e não quero chatear ninguém), pare a leitura aqui :)

Em Interstellar, a humanidade regrediu para uma sociedade fundamentalmente agrária. Tanto que Cooper, engenheiro e ex-piloto da NASA, é fazendeiro. Planta milho e cria dois filhos. A esposa morreu em decorrência de um tumor cerebral. Se esse tumor tivesse sido identificado antes, a esposa estaria viva. A questão é que a humanidade já não investe tanto em ciência. O grande problema da sociedade é a fome: tempestades de areia e pragas destroem diversas culturas.

O programa espacial aparentemente não existe mais. Gastos em exploração espacial são mal vistos, numa sociedade que sofre com a falta de comida. A humanidade reaproveita tudo: painéis solares (gerar energia tornou-se um grande problema) e carros (que são muito velhos, detonados). Já não pode haver mais consumismo.

Esse panorama social é muito interessante no filme. Primeiro porque sugere que é um futuro bem próximo ao nosso (menos de 100 anos, deduzo). Depois porque nos faz refletir sobre discussões atuais: crise da água, crise da energia, desperdício, consumismo, etc. Acredito que só esse pano de fundo, usado para que a história se justifique e se desenrole, já é muito interessante.

Temos personagens femininas muito fortes e decisivas no filme. Vamos a primeira delas, Murph, filha de Cooper. A menina (que ao longo do filme, fica adulta e envelhece) questiona professores, questiona o ensino. Nesse mundo novo, o ensino foi modificado para que os alunos não sonhem com as possibilidades dos programas espaciais. Nos livros didáticos, é narrado que o Projeto Apollo foi uma farsa criada para afirmar poderio norte-americano no período da Corrida Espacial. A pequena Murph questiona o ensino, pois ela tem acesso a livros da biblioteca de seu pai. A menina também descobre um “fantasma” em seu quarto, na fazenda que vive com o pai, o avô e o irmão. Esse ‘fantasma’ é na verdade uma anomalia gravitacional, que “vive” atrás da estante de livros e manda mensagens. Uma das mensagens é um codigo binário que informa as coordenadas de uma base onde ocorrem atividades de pesquisa espacial.

As atividades dessa base ocorrem em sigilo, já que gastos em exploração espacial não são bem vistos. Essa base é na verdade a NASA e faz parte de um plano de evacuação da Terra. Pesquisadores descobriram um wormhole (buraco de minhoca) na órbita de Saturno. Esse wormhole é persistente e tem tamanho suficiente para que uma nave o atravesse. Ele conecta nosso Sistema Solar a outra Galáxia. A propósito, adorei a forma que o wormhole é tratado. É uma “janela esférica” que permite que o outro lado (a outra galáxia, no caso) seja visto.

Já andei afirmando em alguns posts que buracos de minhoca são a nova fonte de inspiração para textos e roteiros que exploram viagens espaciais. Velocidade de dobra, apesar de ser um artifício interessante, já está muito associado a Star Trek. Outro tema que tem sido muito explorado é a hibernação. O indivíduo fica em estase, suportando melhor uma viagem longa. Essa estase é induzida colocando o indivíduo em câmeras de hibernação e reduzindo sua temperatura, para então deixar seu metabolismo mais lento. Em Interstellar, a estase e o wormhole se combinam para possibilitar uma viagem espacial mais longa.

Nesse ponto da história, a NASA tinha mandando 3 missões lideradas por 3 cientistas de perfis diferentes para explorar planetas nessa nova galáxia. O objetivo era encontrar planetas que possibilitassem a criação de uma colônia para a humanidade. Ou seja, o objetivo era encontrar um planeta bem parecido com a Terra. A terraformação não é nem cogitada no roteiro.

Ah sim, Cooper eventualmente vai até a base (seguindo as coordenadas que recebeu pela anomalia gravitacional). Chegando lá, acabam reconhecendo-0 como um dos excelentes pilotos da NASA e ele é convidado para pilotar uma nave que deve atravessar o buraco de minhoca para procurar as expedições dos três cientistas. Cooper aceita, deixando sua família para trás e desapontando sua filha. A menina tenta dissuadir o pai, dizendo que o “fantasma” diziam para que ele ficasse (o ‘fantasma’ mandou a mensagem stay). Entretanto, o pai vê na missão uma oportunidade de salvar sua família, pois a Terra está ficando cada vez mais inóspita. A base da NASA é uma estação espacial e desde que o renomado físico Dr. Brand consiga resolver as equações que permitem manipular a gravidade, essa estação poderá então viajar em direção a nova colônia.

Então surge uma outra personagem feminina muito importante, a Dra Amelia Brand, filha do Dr. Brand. Interpretada por Anne Hathaway, é uma mulher forte e insistente, acredita na missão e acredita que pode encontrar um novo local que possibilite a colônia. Ela inclusive acredita de antemão que um dos três planetas, Edmunds, é o indicado. Ela é apaixonada pelo cientista que liderou a missão até esse planeta que ganhou seu nome, mas as razões que a fazem acreditar no planeta Edmunds são maiores do que esse amor. É intuição. Sua persistência e seu conhecimento serão vitais para a missão. Essa força de vontade da personagem lembrou um pouco da Dra. Ryan Stone, personagem vivida por Sandra Bullock em Gravidade. A mesma persistência.

Nessa outra galáxia há um buraco negro batizado de Gargantua. E o planeta Miller, primeiro dos três planetas que a equipe de Cooper visita, está perigosamente próximo de Gargantua. E essa proximidade permitiu que os roteiristas explorassem o paradoxo relativístico mais interessante: o tempo passaria mais devagar para quem estivesse próximo ao buraco negro. Como o planeta está muito próximo ao buraco negro, os efeitos são sentidos pelos exploradores. Dessa forma, os filhos de Cooper envelhecem e ele continua o gatão de 40 e poucos anos que é (nem contei que Cooper é interpretado por Matthew McConaughey, nem preciso falar de sua beleza e talento). O protagonista e a Dra Brad discutem, já que eles ficam mais tempo que o esperado no planeta Miller, fazendo com que mais anos tenham transcorrido no “tempo normal” (linha do tempo na Terra). No final o planeta Miller nem é indicado para abrigar uma colônia, já que é totalmente coberto por água e apresenta ondas monstruosas. Sim, você que detesta o filme Waterworld iria adorar que o mundo de Waterworld fosse daquele jeito :P. 

Quando deixam o planeta Miller e vão em direção a Endurance (pequena estação espacial onde as naves se acoplam), eles se assustam ao reverem Romilly, físico da missão que ficou na Endurance e que não entrou na região de influência do Gargantua. Romilly envelheceu, enquanto os outros personagens continuam jovens. Na Endurance, Cooper recebe mensagens da Terra, vê que sua filha já é adulta. Tornou-se uma importante cientista da NASA e também cuida do ja bastante idoso Dr. Brand, pai da Dra. Amelia Brand. Murph é pupila do físico e trabalha em suas equações. Ela está prestes a fazer uma descoberta importante, de um segredo guardado pelo Dr. Brand e oculto de Cooper desde o início da missão. A importância de Murph só cresce até o final do filme. Seu irmão, Tom, o outro filho de Cooper, tem uma vida de fazendeiro. E o que é o determinismo: Cooper queria que seu filho estudasse, fosse engenheiro. Na escola, os professores o deixam com notas baixas e tentam condicioná-lo a ser um fazendeiro, já que num mundo com problemas da produção de alimentos, é necessário que os jovens tenham gosto pelas atividades braçais. Tom eventualmente torna-se fazendeiro. Casa-se e tem dois filhos. Sua família sofre com problemas de saúde associados a poeira das tempestades e ele tem certa resistência ao tratamento médico, científico.

Eu sei que já fiz revelações demais sobre o enredo e quero parar por aqui. Só quero dizer que o buraco negro tem uma consequência metafísica muito interessante. Entra também a questão de que a humanidade vai evoluir e passar conviver com dimensões extras (se não me engano, a realidade é pentadimensional). E a estante de livros e o “fantasma” retornam a trama, fazendo uma ligação entre o começo do filme e o seu apogeu. O tempo aparece como uma dimensão espacial e pode ser manipulado. Pois é, é nessa hora que o filme ganha contornos de 2001: Uma Odisseia no Espaço. Na verdade não é só essa hora não. A pequena estação espacial, a Endurance, está em rotação para então simular a atuação da força da gravidade e deixar os membros da missão mais confortáveis.

 A diferença é que 2001 não é um filme muito palatável. Ele é paradão, há muitos momentos de silêncio. É um gênero de filme que não atrai o grande público. Querem saber? Eu sou dessas que preferem um filme mais movimentado :P. Adoro a proposta inovadora de 2001, fico embevecida com as referências que o filme apresenta, compreendo e respeito sua importância para o gênero de ficção científica, mas o filme é parado sim. Desculpem, minha opinião :P.

Há outros destaques muito importantes no filme: os robôs multifuncionais TARS e CASE e seus níveis de humor e sinceridade. Matt Damon, interpretando Dr. Mann, cientista que forja resultados por benefício próprio.

O físico teórico Kip Thorne foi consultor científico do filme, para garantir que a teoria da relatividade e os buracos de minhoca fossem descritos da maneira mais acurada possível.

Thorne trabalhou com uma equipe de efeitos visuais para simular o buraco negro da forma mais fiel possível. As equações teóricas foram fornecidas para a equipe de efeitos especiais e Thorne supervisionou o trabalho. Alguns frames demoraram mais de 100 horas para serem renderizados e o resultado foram mais de 800 terabytes de dados. O resultado foi surpreendente e garantiu que a pesquisa sobre buracos negros ganhasse novas contribuições: dois novos artigos científicos foram escritos. Acredito que é a primeira vez que as simulações usadas para um filme possibilitaram que artigos científicos pudessem ser escritos. E agora eu PRECISO ler o livro The Science of Interstellar, de autoria do próprio Thorne. Dica de presente de natal ;).

O filme me ensinou uma coisa bem interessante: eu achava que qualquer coisa que entrasse em um buraco negro, seria espaguetificado. Acho que vi isso em O Mundo de Beakman, programa que formou meu caráter. Saí do filme meio impressionada e pensativa. Só que o buraco negro do filme não era um buraco negro qualquer, era um buraco negro massivo, um super buraco negro. De acordo com Sean Carroll, físico da Caltech para a Science and Film:

Depende de quão grande ele (o buraco negro) é. Quanto menor o buraco negro, mais dramáticos são os efeitos, porque você entra na singularidade muito rapidamente. Se for um buraco negro muito grande, talvez você nem note que está dentro dele.

Leia a entrevista completa de Sean Carroll. O físico fala da possibilidade de encontrarmos planetas igual a Terra, fala do buraco negro e da possibilidade de buraco de minhoca existir, ter tamanho suficiente para uma nave atravessá-lo e manter-se.

Claro que não podemos ser chatos e sem imaginação. Em filmes de ficção científica, a ciência pode ser uma ferramenta para orientar os roteiristas na criação de um cenário realístico. No entanto, a imaginação do escritor não pode ser restringida pelas leis da física. Especulações são sempre bem vindas =).

E claro, esse é o lançamento do ano. Recomendadíssimo. E leia também a resenha da Sybylla.

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A ciência prevalece (ou porquê o cientista é um visionário)

Posted by on 12-nov-2014 in Biologia, Blog, Off topic | 0 comments

Gosto de ficar “surfando” pelo Youtube, procurando canais interessantes e videos de temas diversos. Pra vocês terem uma ideia, gosto desde vídeos de maquiagem e beleza até vídeos de viagens e claro, vídeos sobre ciência. Também tenho uma queda por vídeos de reportagens antigas. Gosto de comparar o país do passado com o país de hoje.

Um vídeo que vi recentemente e me fez refletir bastante foi essa reportagem do Goulart de Andrade. O assunto é a AIDS e o material foi produzido em 1987.

É muito triste ver os doentes com doenças de pele (Sarcoma de Kaposi, principalmente) e sofrendo com a falta de esperança. Na década de 1980, o portador do vírus HIV não tinha esperança de vida. Atualmente, com o desenvolvimento dos medicamentos, o tratamento faz com que o portador do vírus tenha uma boa qualidade de vida. Naquele tempo, os doentes ficavam em hospitais recebendo apenas cuidados paliativos.

Além do preconceito que sofriam por serem portadores do vírus, os pacientes também sofriam preconceito de orientação sexual. Quando a AIDS surgiu, ela se disseminou primeiro dentre os homossexuais. Era comum ouvir o termo “doença de gay” ou “peste gay”. Lembro que eu era criança na época e sempre associavam AIDS aos homossexuais masculinos, normalmente com comentários maldosos e raivosos.

Goulart de Andrade conversou com médicos, enfermeiras e portadores do vírus. Muitos dos portadores do vírus estavam muito debilitados, mas aceitaram falar com o jornalista. Um portador do vírus, que aparece de bruços na cama, chamou minha atenção: além de reforçar um apelo sobre o uso do preservativo, ele demonstrou uma enorme esperança no tratamento.

Dois momentos na reportagem me fizeram refletir. Um deles foi a conversa com a médica dermatologista Valéria Petri, a primeira médica a diagnosticar um paciente com AIDS no Brasil. Ela fala sobre o preconceito contra os homossexuais, sobre o descaso com relação a doença (uma vez que em um primeiro momento atingia apenas “pessoas marginalizadas”) e fala sobre a falta de humanidade. Avançando 30 anos no tempo, percebemos o quanto o discurso desses profissionais maravilhosos se disseminou. O discurso científico pautado no bom senso e no respeito ao próximo se espalhou, a ponto de atualmente as pessoas (pessoas em geral, já chego lá) saberem que a AIDS não é doença de homossexual.

As pessoas sabem como a AIDS é contraída e sabem como ela pode ser evitada. Algumas perguntas do Goulart de Andrade sobre a transmissão da doença indicam a falta de conhecimento da  população naquela época. Podemos dizer que o discurso científico venceu, embora ainda exista muitos locais que são focos de resistência e de ignorância.

Quando digo que o “discurso científico venceu”, quero dizer que as campanhas de esclarecimento foram eficazes. E até tenho que elogiar a TV. Acredito que a grade mídia colaborou bastante para que as informações sobre essa doença pudessem ser transmitidas para todos os cantos do país.

E o segundo momento na reportagem que me fez refletir foi quando um senhor extremamente ignorante e preconceituoso dá sua opinião sobre a AIDS (por volta de 1h02min). Esse senhor apresenta um discurso homofóbico e raivoso, muito parecido com discursos que vemos ainda hoje, quase 30 anos depois da reportagem. Goulart de Andrade mostra a declaração desse senhor como um exemplo de atitude ignorante. Ele também fala de uma cartilha sobre a AIDS que foi feita por um profissional da saúde, porém está cheia de preconceito e informações equivocadas.

Apesar do tom sensacionalista em alguns momentos, achei que a reportagem de Goulart de Andrade foi bastante esclarecedora para o período que foi produzida. É triste saber que a ignorância e a falta de informação ainda estão presentes quase 30 anos depois.

Recomendo inclusive que vocês não vejam os comentários do vídeo. Para variar, né? Não sei o que acontece com algumas pessoas quando ficam diante de um computador. Elas acham que podem escrever o que quiserem.

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