"Meteorópole: meteorologia, ciências da terra, viagens, lifestyle, etc"

Seja bem-vindo!

Cadê os negacionistas?

Posted by on 27-mar-2015 in Biologia, Blog, Educação, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas, Opinião | 0 comments

Ontem eu assistia o programa Mais Você, apresentado pela carismática Ana Maria Braga. Uma das reportagens do programa falava sobre os escorpiões, que podem ser perigosos para os humanos. Eles se escodem em frestinhas, em meio a roupas e sapatos e podem picar, podendo a picada ser letal se a vítima for uma criança ou um idoso.

Achei a reportagem muito boa e explicativa. Um biólogo, Cláudio Maurício de Souza, foi consultado, mostrou o animal e falou um pouco sobre seus hábitos e habitat. Se alguém tiver interesse, o programa pode ser assistido aqui. Se não me engano, a própria Ana Maria é bióloga de formação. Acho que isso também deve contribuir para que pautas assim existam em seu programa.

7WdBT87g

O Igor, que é biólogo, confirmou: Ana é mesmo bióloga. E me mandou essa foto. Corri pra editar o post e adicioná-la rs. Que mulher carismática!

Mas por que menciono o programa? Em um determinado momento, o biólogo ouvido foi questionado sobre as causas da infestação de escorpiões. Ele falou que o desmatamento e o aumento da urbanização fez com que os escorpiões chegassem a grandes cidades. E ele também falou que as mudanças climáticas são outro fator para o aumento da infestação, já que com o aumento da temperatura, por exemplo, alguns animais podem se adaptar em regiões em que outrora não eram adaptados.

Há alguns meses fui na exposição Cabeça Dinossauro: o novo titã brasileiro (leia mais aqui). Um dos painéis chamou muito minha atenção. Ele mencionava as extinções em massa que ocorreram em nosso planeta. Há também esse link da UFMG sobre o assunto. Foram 5 as extinções em massa e estamos vivendo a sexta extinção nesse momento, em decorrência das alterações que fizemos no planeta: mudança da cobertura do solo, desmatamento, impermeabilização do solo, poluição e claro que todos esses pontos tem relação com as mudanças climáticas. Inclusive tirei uma foto do painel da exposição que mencionava exatamente essa sexta extinção:

DSC03588

“O ser humano é o principal agente do sexto evento de extinção em massa. Habitats naturais são destruídos, cedendo espaço para cidades, agricultura e pecuária. Entre 100 e 150 espécies são extintas diariamente (taxa mil vezes maior que a natural). Isto representa uma séria ameaça a sustentabilidade da nossa espécie na Terra”.

Por que menciono esses dois fatos? Menciono como exemplos, pois neles percebemos que biólogos e paleontólogos estão participando das discussões sobre mudanças climáticas. Já ouvi diversos biólogos falarem da perda da diversidade, do branqueamento dos corais, da presença de vetores de doenças tropicais em áreas não tropicais (com o aumento da temperatura, muitos insetos passam a conseguir viver em outros locais), etc. Várias ocorrências no mundo animal já mostram os efeitos das mudanças climáticas. E não dá para discutir mudanças climáticas sem pensar na poluição, na mudança da maneira de viver em muitos países ricos ou em desenvolvimento (aumento do consumo e aumento de habitantes em áreas urbanas, por exemplo). Todos esses assuntos estão relacionados.

Como muitos de meus leitores já devem ter observado, sempre que posso tento assistir palestras e discussões sobre mudanças climáticas. É um assunto pelo qual tenho interesse desde a graduação. Embora eu não esteja trabalhando diretamente com pesquisa no momento, já que sou da área técnica de uma universidade, gosto de ler sobre o assunto para divulgar ciência. Tenho percebido que os simpósios e workshops mais recentes sobre o tema não concentram apenas meteorologistas e outros cientistas do clima (físicos e matemáticos que também trabalham com modelagem numérica da atmosfera, por exemplo).  Nesses eventos, vemos sociólogos, geógrafos, economistas, engenheiros, biólogos, agrônomos, jornalistas, etc. Toda a discussão ganhou um caráter multidisciplinar muito importante, que permite que possamos compreender as reais dimensões do problema e estudar possibilidades de adaptação.

Essa interdisciplinaridade me fez inclusive pensar nessa reportagem  que li recentemente. Lá na Finlândia, as escolas aboliram a divisão de matérias. Para isso acontecer aqui e em outros lugares também, teria que haver uma mudança na formação do professor. Na minha opinião de leiga (não sou pedagoga), acredito que essa forma de aprender é o futuro!

Até a oitava série (na época chamávamos de ‘série’), eu estudei em uma Escola Padrão. Era uma escola pública diferenciada e de referência. Lembro que tínhamos “eixos temáticos”. Ao longo de um bimestre, um mesmo tema era abordado por todas as disciplinas. Por exemplo, houve um bimestre que o tema era Rio Tietê. Todas as disciplinas abordavam o Rio Tietê de alguma forma. A Matemática falava de seus números (vazão,comprimento,etc). Em Português, interpretávamos textos, poemas e músicas que abordavam o rio ou a poluição das águas. Lembro inclusive que muitas vezes os conteúdos das matérias se misturavam, se encaixavam. Inclusive o material de História e Geografia era muito parecido, de modo que em algumas ocasiões as professoras explicavam a matéria em conjunto. Foi uma das experiências mais interessantes que tive na vida, que só voltou a repetir-se nos últimos anos da faculdade, quando as disciplinas “soltas” de meteorologia, física e matemática começaram a se encaixar. Por isso acredito que esse método empregado lá na Finlândia é o futuro. Isso acabaria com aquela ideia de “eu odeio física” ou “eu odeio ciência”. O aluno passaria a compreender que todas as áreas do conhecimento estão relacionadas.

“Mudanças Climáticas” ou “Aquecimento Global” já são um tema bem difundido. Professores discutem com seus alunos, muitos pais já sabem da importância da preservação ambiental e da reciclagem, por exemplo. E há crianças que chegam em casa e ensinam seus pais! Acredito que estamos tendo sucesso na divulgação do assunto.

Claro que há ainda os redutos de pseudociência, na maioria das vezes motivados por interesses econômicos, como o lobby da indústria relacionada ao petróleo. Isso é muito forte lá nos EUA e como é um discurso propagado até por líderes religiosos, acaba chegando também aqui no Brasil. Mas eu tenha a impressão que esse discurso, pelo menos aqui no Brasil, está cada vez mais sufocado. A gente não ouve mais falar desse cara, por exemplo:

risos

Ele está por aí, provavelmente dando palestras em alguma instituição obscura.  Mas ele não aparece mais como antes. Lembram de uma época em que ele estava na TV direto, com seu sorriso fácil, comportamento sarcástico e problemas no conhecimento dos processos de transferência radiativa? Pois então, tá sumidão! Não estamos com saudade! Que continue assim, sumido, se for para propagar pseudociência.

A verdade é que com tantas evidências em diversas áreas do conhecimento e com tanto trabalho de campo e de modelagem, fica cada vez mais difícil ser negacionista. Gostaria que os negacionistas aparecessem para dizer que estavam enganados, mas talvez o orgulho impossibilite. Considero que na área de Climatologia, pelo menos aqui no Brasil, a ciência está vencendo a pseudociência. Por isso, continuem divulgando as pesquisas, continuem lendo e continuem se informando. Procure boas fontes de informação. Quanto mais a gente lê, mais a gente desenvolve o senso crítico e passa a separar melhor o que é bom e o que é ruim em meio a tanta informação.

11082598_720657224723116_7833598903028653966_n

A figura acima é um meme criado pelo Rodrigo, do Discurso Retórico. Se quiser compartilhar no Facebook, clique aqui.

 

Read More

Livro “Amor em Jogo” gratuito na Amazon. Só hoje (27/03)

Posted by on 27-mar-2015 in Blog, Dicas, Livros | 0 comments

Talvez alguns leitores se lembram que resenhei o livro Amor em Jogo, da escritora franco-brasileira Anaté Merger. Quem ainda não viu minha resenha, clique aqui.

719FTd4t0dL._AA1000_

Pois então, só hoje a Amazon está com uma promoção maravilhosa. O livro (versão e-book) está gratuito, mas é só hoje! Clique aqui para adquiri-lo.

Ah, mas eu não tenho Kindle, Samantha =(

Não há problema! Se você tem um tablet, pode baixar um aplicativo da Amazon que transforma seu tablet em uma biblioteca. Você pode adquirir os títulos da loja da mesma forma que adquiriria se tivesse um Kindle. Há muitos títulos baratinhos (menos de R$10,00) e muitos outros gratuitos, principalmente na Amazon.com (inglês). Na Amazon.com.br também há títulos gratuitos, muitas obras clássicas que são leitura obrigatória para vestibulares. Com o Kindle, também é possível ler títulos baixados de outros sites, como do Project Gutenberg. Um dia ainda escrevo direitinho sobre isso e falo de um programa muito útil chamado Calibre.

Clique aqui para adquirir Amor em Jogo. Ele está gratuito apenas hoje, dia 27/03!

Conheça o trabalho de Anaté Merger e sua maravilhosa descrição dos cenários encantadores da região de Provença, na França. Para saber mais sobre o livro, leia a resenha.

Read More

TAG: Liebster Award

Posted by on 26-mar-2015 in Blog, Lifestyle, Livros | 2 comments

liebsterawardAdorei, simplesmente adorei a TAG Liebster Award. Fui ‘taggeada’ pela Sybylla, do Momentum Saga, que a essa altura vocês já devem saber que é um dos meus blogs favoritos e sempre aparece por aqui no Meteorópole.

As regras da TAG são muito bacanas, porque permitem um dinamismo e uma forma de melhor conhecer outros blogueiros.

  • Escrever 11 fatos sobre você.
  • Responder às perguntas de quem te indicou a TAG.
  • Indicar de 11 a 20 blogs.
  • Fazer 11 perguntas pra quem você indicar.
  • Inserir no post uma imagem com o selo Liebster Award.
  • Linkar de volta quem te indicou.

Assim como a Sybylla, também já respondi a TAG de 50 fatos sobre mim, então também posso pular essa parte. Se você tiver curiosidade, clique, comente e responda essa TAG também =).

Pilha de livros de Gore Vidal, Oscar Wilde e Tenessee Williams rs

Pilha de livros de Gore Vidal, Oscar Wilde e Tenessee Williams rs

Agora vou responder às perguntas feitas pela Sybylla:

1. O hábito da leitura vem de onde?
Acho que vem de cedo. Meus pais me alfabetizaram em casa, com 4 anos. Sempre gostei de ler tudo! Lembro que sempre tinha revistas em casa. Os colegas de trabalho de meu pai liam e depois deixavam com ele. Ele sempre estava lendo alguma coisa. Meus pais gostavam muito de quadrinhos também, principalmente da Disney (acho que Duck Tales).

2. Você prefere livros físicos, ebooks, ou os dois?
Muita gente prefere “o cheiro do livro” e gosta de “riscar os livros” ou gosta do “objeto livro”. Olha, nesse ponto estou bem desapegada. Pra mim tanto faz, de verdade.

3. Você tem e-reader?
Tenho sim! Tenho um Kindle 4, aquele modelo que não tem touch screen e nem nada. Tem um navegador experimental e é bem simples. É preto e branco. Eu adoro, só vou comprar uma versão mais recente quando esse pifar ( e espero que demore). Além disso, ele é discreto, o que significa que posso ler no metrô ou no ônibus, sem correr o risco de ser assaltada.

4. Qual seu gênero literário preferido?
Ficção científica, popularização científica e biografias. Mais ou menos nessa ordem rs.

5. Lê literatura brasileira?
Leio sim, menos do que gostaria. Leio quando me indicam algo legal, como a coletânea Universo Desconstruído ou como os livros da Anaté Merger. No caso da Anaté, apesar de seus trabalhos serem em português, nem classificaria como literatura brasileira porque são ambientados na França, com personagens europeus. Mas como é em português brasileiro, tem a malemolência de nosso idioma, então é bem interessante =). Também sou fã de Machado de Assis e Guimarães Rosa, já li alguns livros desses escritores.

6. Gosta de ler resenhas antes de comprar um livro?
Ah, gosto sim! Principalmente quando a resenha é escrita por pessoas com preferências parecidas com as minhas. As resenhas da Sybylla e do Beto, por exemplo, se encaixam nessa categoria.

7. Qual sua série literária favorita?
A Torre Negra, claro! (essa tag deveria ter 19 perguntas rs)

8. Lê, em média, quantos livros por mês?
Leio 1 ou 2, mas não tem uma regra, por assim dizer. Depende do tamanho do livro, da dificuldade na leitura, etc. Por exemplo, em um livro mais difícil, com enredo mais complicado e personagens complexos, costumo demorar mais. E se o livro for em um idioma que não domino totalmente, como francês ou espanhol (mesmo inglês), também pode deixar a leitura mais demorada.

9. Tem preconceito com algum gênero literário? Por que?
Auto-ajuda. Acho que são “frases prontas” e obviedades. Mas compreendo que podem realmente ajudar as pessoas, tem gente que muda a vida (conheço um caso) depois de ler esses livros. Mas eu tenho preconceito sim. Também tenho um preconceitinho com esses romances tipo “Sabrina”, da mulher que espera o amor e tem todos aqueles clichês românticos rs. Mas esses últimos pelo menos podem ser engraçados rs.

10. Compra livros online ou prefere ir à livraria?
Adquiro on-line, na maioria das vezes. Não vou sempre à livrarias, porque muitas delas ficam em shoppings e minha vontade de ir em shoppings é quase sempre nula. Normalmente passo em alguma livraria quando estou andando pela Av. Paulista.

11. Autor ou autora da qual você não perde um livro sequer?
Acho que não tem nenhum. Eu poderia dizer Stephen King, mas não li todos os livros do escritor. Eu gosto de variar bastante, conhecer coisas novas.

*****

Espero que tenham gostado de minhas respostas. Agora vou elaborar minhas perguntas e em seguida vou marcar alguns blogs:

1. Qual foi o primeiro livro que você leu?

2. Tem o costume de ler o mesmo livro várias vezes? E qual seria esse livro?

3. Há bibliotecas públicas em sua cidade ou bairro? Você costuma frequentá-las?

4. Em sua opinião, como podemos incentivar as pessoas para que elas adquiram o hábito da leitura?

5. Qual era sua relação com a leitura na adolescência? A leitura era incentivada em sua escola?

6. Perguntinha clichê: se fosse ficar em uma ilha deserta para o resto de sua vida e pudesse levar apenas 5 livros, quais seriam?

7. Já se aproximou de algum desconhecido no metrô/ônibus/parque/praia/biblioteca/etc para perguntar sobre o livro que ele estava lendo?

8. Já que mencionei vários lugares na pergunta 7, faço uma pergunta relacionada: qual o seu lugar preferido para ler?

9. Costuma baixar livros da internet?

10. Costuma acompanhar as listas de livros mais vendidos? Já ficou interessado em algum livro que figurou uma dessas listas?

11. Costuma ler livros de popularização e divulgação científica? Tem algum para recomendar?

*****

Agora vamos aos blogs indicados!

- Monolito Nimbus

- Anaté Merger

- Amanhã Procrastino

- Desencaminhando e Desencantando

- Alaúde e Lira

- Litteratura Mundi 

- Goticity

- Viciadas em Livros

- Cafeína Literária

- Perdida na Utopia

- Eu + Livros

Read More

A “Cientista” Grávida – Lista de coisas que uma grávida não gosta de ouvir (episódio 11)

Posted by on 25-mar-2015 in Blog, Feminismo, Gravidez | 0 comments

No episódio 8, mencionei essa lista com 50 coisas que uma mulher grávida não gosta de ouvir. Alguns pontos dessa lista certamente são quase unanimidade. Outros são bem pessoais. Pensando nisso, resolvi criar minha própria lista.

ID-10069438

Semana que vem entro no sétimo mês de gestação. Então já vivi ou ouvi algumas coisas das quais não gostei. O lado bom é que estou aprendendo a “sublimar” essas coisas e estou tentando fazer com que elas não me irritem tanto, mas confesso que para mim isso é uma tarefa bem difícil.

Dessa maneira, criei essa lista das “coisas que uma grávida não gosta de ouvir”. Essa uma grávida, sou eu. Talvez algumas leitoras que já são mães vão concordar comigo em alguns pontos. E espero que essa lista ajude quem não é mãe a não cometer gafes por aí. E o melhor: que sejamos todos empáticos!

Minha lista tem 30 pontos. Se alguém discordar de algo (ou concordar rs) ou se alguém tiver algum ponto para acrescentar, fiquem a vontade =)

1. “Nossa, como você tá gordinha/magrinha”. Essa é uma das piores e acredito que vale em todas as situações, mesmo que você não esteja gestante. Qualquer observação sobre a massa corporal do outro é deselegante, acredito que não tem como falar do peso dos outros sem cometer gafes! A não ser que você seja profissional da saúde (e tem muitos que ainda falam bobagem). Eu tenho acesso a balança, dessa forma eu sei o quanto estou engordando/emagrecendo. Meu médico também tem acesso a esse tipo de informação, então melhor calar a boca.

2. “Nossa, seu corpo tem um formato assim/assado deve ser menino/menina”. Essa não é horrível, mas é chata. Cada pessoa tem uma estrutura corporal diferente e dependendo do estilo de vida e da genética, vai ter mudanças corporais diferentes. Dessa forma, talvez você tenha a “barriga pontuda”, mas é um menino e não uma menina, como se esperava.

3. “A minha vizinha fez essa ou aquela simpatia e descobriu o sexo do bebê”. Essa é chatinha, mas pelo menos é curiosa. Adoro “conhecer” essas curiosidades e até escrevi um post sobre as fases da Lua e a gravidez (veja aqui). Só que ouvir insistentemente que devo fazer essa ou aquela simpatia é bem chato. Tem a ver com o item 2 também e poderíamos chamar tudo isso de pseudociência na gravidez.

4. “Nossa, mas você está dirigindo/dançando/rebolando/subindo escadas/trabalhando/etc”. Acho que cada um sabe de seus limites, não? Além disso, as pessoas fazem acompanhamento médico. Ou seja…

5.“É um menino, que sorte!” ou raramente “É uma menina, que sorte!”. Algumas pessoas preferem esse ou aquele gênero e nem tenho palavras para dizer o quanto isso é lamentável. “Sorte”, se é que posso chamar assim, é quando o bebê, seja de qual sexo for, nasce com saúde e a mãe fica bem e se recupera de maneira boa.

6. Imagine a cena: você está carregando um pacote de 2kg e chega uma pessoa desesperada dizendo: “Não pode carregar peso”. Tem a ver com o item 4. A pior coisa é quando querem fazer com que você sinta improdutiva. Eu detesto isso. Se estou fazendo uma determinada tarefa, é porque posso e porque quero. Ninguém tem nada a ver com isso. #momentogrinch.

Pausa dramática: sei que há muitas pessoas que querem ajudar. Apesar de questionar essa intenção, eu entendo. Uma amiga muito sábia e com dois filhos certa vez me disse que as pessoas vivem querendo apitar na sua vida, dizendo o que você pode ou não fazer. E isso mostra uma outra face: o machismo na gravidez. Parece que aproveitam dessa ocasião para controlar seu corpo e suas ações. Não estou advogando que grávidas devem correr maratonas, mas acredito que cada uma sabe de suas limitações. E ouvir homens determinando o que você pode ou não fazer nesse período especial de sua vida, é muito chato, já que eles nunca viveram isso e poucos participaram ativamente dos 9 meses de gravidez da esposa. Essa mesma amiga pontuou outra coisa importante: quando precisamos mesmo de ajuda, esses chatos que se metem na sua vida dificilmente ajudarão. São aqueles mesmos amigos e familiares, dos quais a opinião realmente importa. E são esses mesmos amigos e familiares que sabem se portar bem e quando falam alguma coisa, é porque realmente se importam.

7. “Mas você vai comer isso/aquilo? O bebê não reclama?”Sim, meu filho me manda uma mensagem no WhatsApp falando que detesta água com gás rs.

8.  A intimidade sem cabimento. Por exemplo, do nada vem aquela pessoa com quem você pouco conversa (ou que você nem conhece) e começa a tocar na sua barriga. Como se sua barriga de repente virasse patrimônio público. Meu marido fala uma coisa muito engraçada e meio fuleira, mas que preciso compartilhar aqui: “Pegar no meu saco ninguém pega”. Disse tudo.

9. A intimidade forçada. Tem a ver com o item 8, mas separei porque é uma situação diferente. É como se de repente você virasse best friends forever de todas as mães do mundo. Não é assim, amigas. Uma coisa é o sentimento de sororidade e de apoio, que toda mulher deve ter para com a outra. Uma coisa completamente diferente é a amizade. A amizade depende de afinidade. E as pessoas nem sempre compartilham as mesmas ideias sobre criar filhos.

10. Seu filho nem nasceu e já tem gente querendo definir a religião dele. Meu Deus, essa é terrível. Principalmente quando na família há pessoas de diferentes religiões. Pessoalmente acredito que você tem que dar condições para que seu filho adquira cultura geral e conheça as religiões. Dessa forma ele pode escolher em ter uma ou não.

11. “É um menino, vai ser pegador”. Ainda não ouvi, mas conheço mães que já ouviram. Para essa terei que dar uma resposta bem grosseira mesmo, mas um peteleco tão bem dado que a pessoa nunca vai esquecer. E há pessoas que conseguem ser ainda mais toscas, com equivalentes como: “Segure suas cabritinhas que meu bode tá solto”. Há outros equivalentes, como por exemplo quando é uma menina e falam para o pai: “Nossa, coitado, vai ser fornecedor”.  E você achando que o Tio do Pavê não conseguia se superar!

12. História triste aleatória sobre a gravidez de alguém. Essa não me afeta muito, mas não gosto de ouvir. Entretanto, há mulheres que ficam extremamente preocupadas e nervosas quando ouvem histórias assim.  Acho que não há nenhuma necessidade de compartilhar esse tipo de coisa com mulheres grávidas. Eu sei que a gravidez pode evoluir de forma ruim e que muitas coisas podem acontecer. Mas eu acredito muito que a gente tem que se manter firme, com fé e com muita esperança, algo que alguns também chamam de pensamento positivo. E é difícil manter-se positiva quando as pessoas compartilham certas histórias. Por isso, conselho pra vida: afaste-se de pessoas negativas e tóxicas.

13. “Nossa, mas você vai deixar na creche?” ou “Nossa, coitada da sua mãe, ela que vai cuidar?” ou “Nossa, que burguesa, contratou babá” ou “Nossa, vai parar de trabalhar, que absurdo!”Essas pessoas não te ajudam em NADA tenho certeza disso. São pessoas que não se oferecem para cuidar do bebê e que não ajudam nem com um pacote de fraldas. Eu tenho CERTEZA que quem fala essas coisas não ajuda em nada, mas é CERTEZA. Por isso, ignore toda essa gente! Repetindo: ignore toda essa gente. Você sabe o que é o melhor para sua família, você e seu companheiro(a). No máximo, se você tem um bom relacionamento com pais/irmãos/amigos poderá ouvir experiências pessoais que talvez te ajudarão.

14. “Você vai comer tudo isso?” ou “Você vai comer só isso?”. Mais uma vez, cada um sabe de si e duvido que quem fica pontuando isso vai te ajudar de alguma forma. O “Você vai comer tudo isso?” certamente deve ser ouvido por mulheres gordas também. Uma colega minha, que é gorda, certa vez comentou que estava no supermercado comprando produtos diet, quando ouviu duas moças comentando por perto: “Nossa, não sei porque tá comprando diet”. Sério, por que as pessoas não cuidam das próprias vidas?

15. “Nossa, na minha gravidez eu me senti muito bem, me mexia, subia pra cima e pra baixo e você não quer subir uma escada? Ah, no meu tempo não tinha isso de elevador e assento preferencial não”. Que pena, amiga. Se você não consegue ficar feliz que agora as mulheres grávidas tem algumas facilidades, então chore de inveja. Tem até vaga reservada em alguns shoppings (meu irmão disse que quer ir no shopping comigo agora rs). Então derrame suas lágrimas de recalque.

16. “Eu fiquei só 1 mês de licença maternidade. Vai ficar 4/6 meses? Que folga”. Mesma coisa que o item 15. Se a pessoa não consegue ficar feliz pela conquista alcançada pelo outro honestamente, então não deveria viver em sociedade.

17. “Nossa, que grávida mais fresca”. Cada um, cada um. Eu até posso considerar que algumas atitudes de outras gestantes sejam exagero, mas é melhor e prudente que eu fique quieta. Todos temos telhado de vidro. Talvez alguma coisa que eu considere “normal”, seja frescura para outra pessoa. Então é melhor ouvir e compreender.

18. “Nossa, seu parto vai ser norma/cesária/cócoras/natural/na água/etc, que absurdo”. Claro, porque quem diz isso é médico.

19. “Essa linha preta no meio da sua barriga é muito estranha”

20. “Cuidado com as estrias”. Normalmente é seguido por uma receita miraculosa ou por um produto que promete evitar estrias. Quando na verdade estrias tem um componente genético também, não há como evitar. Paciência, viva sua vida, você é mais importante do que algumas marcas.

21. “Nossa, você tinha um corpo tão lindo antes da gestação, agora vai ficar detonado. Só ver o exemplo de Fulana, tão magrinha e agora está um bucho”. É normalmente dito por quem só sabe avaliar os outros pela aparência, por pessoas que provavelmente são mal resolvidas nesse quesito e tem inveja destrutiva dos outros. E nem preciso reforçar o quanto a aparência pesa para as mulheres em nossa sociedade, pois esperam que você tenha o corpo da capa de revista (que claro, conta com personal trainer, nutricionista e photoshop). E quando citam o exemplo de uma famosa que ficou grávida e 15 dias depois do parto já estava deslumbrante? Pois é…

22. Essa tem a ver com o item 18, mas é especial para as ativistas do parto natural: “Ah, mas como as mulheres faziam antigamente? Elas pariam”. Sim, e morriam amigas. Muitas morriam, porque não tinha estrutura hospitalar e maneiras de detectar a necessidade de uma cesária.

23. “Nossa, a pele de fulana ficou maravilhosa na gravidez, a sua está toda detonada”. Nem preciso dizer que qualquer comentário sobre a aparência do outro é nojento. Não consigo acreditar que há pessoas que tem essa falta de educação tão grande que são capazes de serem grosseiras, falando isso diretamente na cara da pessoa. Quer pensar porcaria, pense. Mas pense mil vezes antes de falar, e tá faltando isso. E parece que com a internet o bom senso e a educação estão ainda mais em falta no mercado.

24. “Porque você não sobe esses 300 degraus? Está doente?”. Sério, essa eu ouvi hoje, de um homem, claro. Vou até guardar pra mim o que penso dele, porque não é educado.

25.  Qualquer coisa sobre ter um segundo filho, ter um terceiro, mandar parar nesse mesmo “que já tá bom”, etc. Eita gente que faz controle de natalidade pros outros. E volto a repetir: quem fica falando essas chatices raramente ajuda em alguma coisa concreta, reparem.

26. “Ah, mas você não vai fazer chá de bebê?” Ou “Ah, mas no chá de bebe de fulana tinha isso e aquilo, por que no seu não tem?”. Talvez porque eu seja diferente de fulana, não é mesmo? Tenho que começar do óbvio om você?

27. “Ah por que você fez esse ensaio fotográfico cafona?” ou “Ah, porque você não faz um ensaio fotográfico etc?”

28. “Você tá fazendo pré-natal?”. Acho descabida, porque sou uma mulher adulta. Não estamos falando de uma adolescente grávida e mesmo que fosse, supõe-se que ela tem um responsável. Acho essa pergunta muito nada a ver, porque conheço mães de todas as ‘classes sociais’ e todas fizeram pré-natal.

29. “Como seu marido está lidando com a gestação?”Acho que quem fala isso quer saber se meu marido me acha atraente e quer fazer sexo comigo rs. Enfim, meu marido me ENGRAVIDOU gente, então ele tem que lidar com isso e aprender junto comigo. Nessa sociedade machista, muitas vezes a gravidez é um ‘fardo’ que a mulher carrega sozinha.

30. Essa é uma situação que me acomete muito. Como estou com a saúde legal e normalmente não me queixo de dores ou problemas, quando peço uma coisa simples, algumas pessoas me olham torto ou não compreendem. Também senti na pele as dificuldades que é para ter um assento reservado sendo respeitado, por exemplo. Além disso, discordo dessa ideia de “assento reservado”. A civilidade tem que existir e as pessoas precisam aprender a ceder seu lugar a quem precisa, independentemente de ser reservado ou não.

E acompanhem toda série A “Cientista” Grávida – A Série [minha saga pessoal rs]  aqui.

Read More

Qual a Estação Meteorológica mais antiga do Brasil?

Posted by on 24-mar-2015 in Água, Blog, Estação Meteorológica, Seca | 0 comments

No post anterior falei sobre a estação meteorológica mais antiga do mundo (ainda em operação). É a Estação Meteorológica do Clementinum College, de Praga, República Tcheca. Essa estação iniciou suas operações em 1775 e continua até hoje coletando dados meteorológicos.

Por ocasião do Dia Meteorológico Mundial de 23 de março de 2015, assisti uma palestra do Dr. Orivaldo Brunini, que é pesquisador do IAC. Ele falou sobre o monitoramento de secas e sobre a seca de 2014 aqui em São Paulo-SP. Como o IAC (Instituto Agronômico de Campinas) atua principalmente no interior de São Paulo, ele trouxe muitas informações sobre séries de dados de estações meteorológicas do interior de São Paulo e falou principalmente do efeito da seca na agricultura e na disponibilidade de água nos mananciais.

Livros de registros da estação da Esalq de 1917. Fonte: Revista FAPESP

Livros de registros da estação da Esalq de 1917. Fonte: Revista FAPESP

Como ele apresentou séries de dados bem longas de diversas cidades do interior de São Paulo, acabei descobrindo qual a estação mais antiga de São Paulo. Ela foi instalada pelo IAC em Campinas, em 1890. O objetivo desde o início era o foco nas relações entre meteorologia e agricultura, área que hoje conhecemos como Agrometeorologia.  Depois dessa estação de 1890, outras estações foram instaladas pelo IAC em outras cidades do interior paulista. Há um ano atrás, a Revista FAPESP fez uma reportagem com Dr. Brunini (leia aqui), em que ele já mencionava a seca de 2014, pois o verão 2013/2014 foi seco. De acordo com dados da Estação Meteorológica do IAG-USP, foi o 2° verão mais seco desde 1933 , sendo superado apenas por DJF1940/1941. E de acordo com dados de estações meteorológicas do IAC em diversas cidades do interior paulista, a seca também foi observadas nessas localidades. Foi exatamente o que o Dr. Brunini apresentou em sua palestra.

Ainda de acordo com a reportagem da Revista FAPESP, as primeiras observações meteorológicas no Brasil (pelo menos ‘oficialmente’ falando) foram feitas no século XIX, no Imperial Observatório, que hoje é o ON. Já li várias vezes que Dom Pedro II gostava muito de ciências e fomentava e incentivava atividades de pesquisa científica. O ON  (ainda com o nome de Imperial Observatório) foi criado em 1845 e em 1871 realizava também atividades de observações meteorológicas. Hoje, o ON dedica-se a atividades de pesquisa e divulgação científica, focando nas áreas de Geofísica e Astronomia. Ou seja, a instituição não realiza mais observações e pesquisas na área de meteorologia (até onde soube, conversando com alguns funcionários que encontrei em uma SNTC e pesquisando no site da instituição).

Dessa maneira, descobri que:

- A estação meteorológica mais antiga do Estado de São Paulo é a do IAC, em Campinas e iniciou suas operações em 1890;

- Aparentemente, a estação meteorológica mais antiga do Brasil ficava no Observatório Nacional.

Só que o Dr. Brunini, em sua apresentação, mencionou a estação de Quixeramobim, no Ceará. Essa estação ainda hoje está em operação (agora com instrumentos eletrônicos). Encontrei inclusive alguns dados dessa estação do início do século XX (veja aqui). Ela é uma das mais antigas da rede do INMET, instituição que iniciou suas operações em 1909.  Aparentemente (infelizmente não encontrei mais observações, então se alguém souber mais, avise pelos comentários), a estação de Quixeramobim é ainda anterior a 1909. Essa estação provavelmente é do final do Segundo Reinado. Entre os anos de 1877 e 1879, uma seca terrível acometeu o Semi-Árido nordestino. Como já discutimos outras vezes aqui no blog, a aridez é uma das características do clima do Sertão Nordestino, mas há anos em que a seca é mais prolongada e pronunciada. E provavelmente foi o que aconteceu entre 1877 e 1879. O Ceará, na época, com uma população de 800 mil habitantes foi intensamente atingido: 120 mil (15%) migraram para a Amazônia e 68 mil pessoas foram para outros Estados. A seca foi considerada devastadora: cerca de metade da população de Fortaleza pereceu, a economia foi arrasada, as doenças e a fome dizimaram até ao rebanho. Há relatos que afirmam que mais de 200 mil pessoas morreram em decorrência da seca. Uma tragédia tão grande na história brasileira que provavelmente é conhecida por poucos. Há um breve artigo de José Romero Araújo Cardoso,  professor da UFRN, que esclarece bastante sobre essa grande seca de 1877-1879.

Vítimas das secas de 1877/1878, no Ceará – Brasil. Foto: autor desconhecido, Biblioteca Nacional.

Vítimas das secas de 1877/1878, no Ceará – Brasil. Foto: autor desconhecido, Biblioteca Nacional.

Ainda antes da seca de 1877-1879, o Semi-Árido passou por várias secas intensas, destacando-se a de 1844-1845. E foi nessa época que o Imperador Dom Pedro II criou uma comissão para estudar o assunto. Sendo assim, é bastante provável que a estação meteorológica de Quixeramobim tenha surgido durante o Segundo Reinado, só não sei em que época, com um objetivo foi bem claro: aprender mais sobre a seca. Adoraria saber a exata data de fundação dessa estação. Estou prosseguindo em minhas pesquisas para saber melhor as datas, mas é muito provável que a estação mais antiga do Brasil ainda em funcionamento seja a de Quixeramobim.

Nesse texto, há mais sobre a história das secas no Semi-Árido, com imagens muito tristes e fatos assustadores e desumanos, como por exemplo a criação de campos de concentração no Ceará, onde as pessoas ficavam confinadas com quantidade de água e comida controlada e vigiadas pelo exército.

Vítimas da seca. Crianças e adultos jazem ao lado da linha férrea que levava para o Campo de concentração de Senador Pompeu.

Vítimas da seca. Crianças e adultos jazem ao lado da linha férrea que levava para o Campo de concentração de Senador Pompeu.

Como bem escreveu Talita Lopes Cavalcanti, no artigo onde encontrei a imagem acima (leia aqui), a imagem acima é de um fato no Ceará, mas lembra a situação dos judeus e minorias perseguidas nos campos de concentração da Alemanha Nazista. Uma semelhança assustadora.

O post era sobre as estações meteorológicas mais antigas do Brasil, mas acabei falando bastante sobre a História das Secas. O post ficou 2 em 1 e espero que gostem, apesar dos fatos tristes que mencionei.

Leia mais:

- Currais humanos

- Campos de Concentração no Ceará

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger... Read More