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E esse trem interessante em Wuppertal?

Posted by on 15-set-2014 in Blog, Filmes, Meio Ambiente, Mudanças Climáticas, Opinião | 0 comments

Outro dia, um querido amigo compartilhou no Facebook uma foto interessante. Tratava-se deste trem em Wuppertal, na Alemanha:

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Trata-se do Wuppertal Suspension Railway (Wuppertaler Schwebebahnou Ferrovia Suspensa de Wuppertal (acho que a tradução em português é algo mais ou menos assim). É o trem em suspensão mais antigo do mundo. Foi projetado por Eugen Langen, que pretendia vender a ideia para a cidade de Berlin. A construção desse sistema ocorreu entre 1897  e 1903 e o primeiro trecho abriu em 1901. Ainda hoje o sistema é utilizado, transportando cerca de 25 milhões de passageiros por ano.

A rota total possui 13,3km e está suspenso a uma altura de 12m. O trajeto passa sobre o Rio Wupper e também está suspenso sobre algumas ruas da cidade, na forma desses “minhocões”, dessas passagens elevadas.  Cruza também uma autobahn (auto-estrada, rodovia) no caminho. O trajeto inteiro leva 30min.

Não entendi muito bem, mas parece que na parte de cima desses minhocões também passa outro trem. Olhando outras fotos (veja aqui) não achei que esses minhocões tenham deixado a cidade feia, como ocorre aqui em São Paulo nos arredores do Elevado Costa e Silva. O que deixa a cidade feia é o descaso da prefeitura e o descaso dos moradores também, que não se preocupam em manter a cidade limpa e organizada.

Parece aquele trem do filme Fahrenheit 451, não parece?

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Cena de Fahrenheit 451

A propósito, esse filme de 1966 foi baseado no livro homônimo de Ray Bradbury. A história narra um futuro distópico em que a Literatura é considerada uma “fuga” para a vida real, e por essa razão o governo totalitário manda colocar fogo em todos os livros e também pune severamente quem insiste em manter livros em casa. Recomendo tanto o livro quanto o filme, dirigido por François Truffaut.

A imagem acima é realmente uma cena do filme. Esse transporte é muito usado pelos personagens do filme. A história deixa a entender que pessoas de todas as origens utilizam o transporte coletivo, exatamente como funciona em grandes cidades da Europa. Percebo que no Brasil, transporte público é “coisa de pobre” e por essa razão é enxergado com negatividade. Muitas pessoas passam a ganhar um pouco mais e logo adquirem um carro, como uma espécie de prioridade.

O trem utilizado no filme foi construído por um consórcio francês chamado SAFEGE, que dentre outras atividades, atua na construção de monotrilhos suspensos (construiu no Japão e na Alemanha – não o de Wuppertal, mas o da Universidade de Dortmund  e no Aeroporto de Düsseldorf) . De acordo com a empresa, os trens que eles fabricam tem uma vantagem sobre o sistema usado em Wuppertal: não precisam de mecanismos para remover neve ou gelo. Pensando bem, qualquer sistema de trem em suspensão tem essa vantagem: não acumula neve nos trilhos. Essa vantagem é muito importante em cidades sujeitas a esta fenômeno meteorológico.

O trem utilizado em Fahrenheit 451 foi desmontado após as filmagens do filme. O estranho no filme é que não existiam estações: as pessoas desciam por uma escada que saia por um alçapão do trem rs. Claro que na prática não é assim que funciona.

O amigo que compartilhou a foto do trem é alemão e sempre vem ao Brasil com a esposa (que é minha querida amiga Jaqueline, responsável pelo layout desse maravilhoso e modesto blog). Ele sugeriu que esses trens pudessem ser usados nas pontes que atravessam os rios Tietê e Pinheiros. Seria um interessante transporte para quem precisa atravessar de uma margem para outra com rapidez. Infelizmente as grandes cidades brasileiras não se desenvolveram pensando no pedestre e no transporte coletivo. A cultura do automóvel ainda é presente entre nós, tanto que em um determinado momento da vida todo paulista sente-se pressionado a adquirir um automóvel.

Fora da cidade de São Paulo, nas cidades do interior (e me perdoem mais uma vez por falar de São Paulo, é que moro aqui e vivencio mais as coisas), o transporte coletivo é ainda mais precário. Em algumas cidades do interior de São Paulo já peguei ônibus velhos e sujos. O descaso com o deslocamento é tão grande que conheço famílias com quatro carros, um para cada indivíduo. Muita emissão de poluentes e muito gasto financeiro (para manutenção, seguro e combustível).

Imagine se tivéssemos diversos meios de transportes, todos integrados: transportes para trajetos curtos (como esse trem elétrico de Wuppertal, que mostrei acima), para trajetos mais logos (trens, metrôs e ônibus elétricos) e para trajetos bem curtos, o uso de bicicletas ou patins. Nessa São Paulo utópica, consigo até imaginar os rios despoluídos sendo usados para transporte e lazer. Além disso, a cidade deveria ser toda repensada para que as pessoas pudessem circular por ela a pé ou de bicicleta. Há lugares em São Paulo (como algumas casas de shows), onde é praticamente impossível chegar de transporte público de maneira confortável. No entanto, toda estrutura em torno deixa bem claro que o local foi feito para que as pessoas chegassem de carro! E isso é um fator bem claro de exclusão também. Limitando o acesso para quem tem carro, pretendem dificultar o acesso de quem não tem carro (ou seja, pobres). Só lembrar o caso da estação de metrô no bairro de Higienópolis (o Guilherme Boulos lembrou do fato nesse ótimo texto, que argumenta o quanto a cidade é segregadora).

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As Latitudes dos Cavalos

Posted by on 12-set-2014 in Artes Plásticas, Blog, Circulação da Atmosfera, Desertos, Música, Vento | 0 comments

Capa do single, lançado em janeiro de 1972. Fonte: Wikimedia Commons

Capa do single, lançado em janeiro de 1972. Fonte: Wikimedia Commons

Eu estava ouvindo a música A Horse with no name, do America e lembrei que tinha lido que a música se chamaria Desert Song.

A música descreve uma viagem no deserto do Arizona e do Novo México em direção ao Oceano Pacífico e é uma de minhas músicas favoritas.

And the sky with no clouds / The heat was hot and the ground was dry

Pura meteorologia! Pelo que li, o grupo inspirou-se em gravuras de cavalos feitos por Escher e em “desertos” que aparecem em pinturas Salvador Dalí. Como se os cavalos de Escher tivessem “saído” da gravura (o que quase é possível) e entrado no quadro de Dali. Impressionantemente criativo.

Abaixo, algumas das gravuras de Escher que retratam cavalos. Escher costumava deixar o apreciador “confuso”, tentando pegar todos os detalhes da imagem:

Escher Escher

E em diversos trabalhos de Dalí, o “fundo”, o “horizonte ” parece ser um deserto. Em dois de seus trabalhos, A Persistência da Memória e O Grande Masturbador o “fundo” é na verdade uma região do litoral da Catalunha, o Cabo de Creus. Bom, a verdade é que olhando assim parece mesmo um deserto:

A Persistência da Memória, de Salvador Dali

A Persistência da Memória, de Salvador Dali

O Grande Masturbador, Salvador Dalí

O Grande Masturbador, Salvador Dalí

Daí fiquei com vontade de escrever um post falando das Latitudes dos Cavalos. Mas o que que é isso?

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As Latitudes dos Cavalos são localizadas aproximadamente em 30°N e 30°S, como mostra a figura acima. Aproximadamente nessas regiões é onde os ventos de escala global divergem: vamos ter ventos em direção ao Equador (os alíseos) e ventos em direção aos polos (os mais conhecidos são os ‘westerlies’). Essa divergência dos ventos resultam em uma área de alta pressão, com ventos calmos, céu ensolarado e pouca ou nenhuma precipitação.

Agora vou relacionar uma série de posts que já escrevi aqui no Meteorópole. O primeiro deles é este, quando falo sobre os ventos em escala global. Falo sobre as células de circulação no globo e menciono a Célula de Hadley, que é importante para definirmos a latitude dos cavalos:

A célula de Hadley é o nome dado a um dos padrões de circulação global (em vermelho, na ilustração). O ar sobe na região do Equador terrestre, provocando convecção (Zona de Convergência Intertropical). Em níveis mais altos da troposfera, o ar desloca-se para os trópicos (próximo as linhas dos trópicos de Câncer e Capricórnio, ou seja, nos dois hemisférios). O ar desce sobre essas regiões e volta, em superfície, para o Equador. Fonte: The COMET Program

A célula de Hadley é o nome dado a um dos padrões de circulação global (em vermelho, na ilustração). O ar sobe na região do Equador terrestre, provocando convecção (Zona de Convergência Intertropical). Em níveis mais altos da troposfera, o ar desloca-se para os trópicos (próximo as linhas dos trópicos de Câncer e Capricórnio, ou seja, nos dois hemisférios). O ar desce sobre essas regiões e volta, em superfície, para o Equador. Fonte: The COMET Program

Por volta dos 30°S e 30°N é onde está o ramo subsidente da célula de Hadley. Isso significa que o ar está descendo. Em baixos níveis, na superfície, o ar está indo em direção ao Equador (os alíseos). Nesse post, falei um pouco mais sobre isso:

Traduzindo cada um dos passos que explicam a Célula de Hadley na figura acima:

A: O Sol aquece o ar no Equador. O ar quente sobe e o vapor d’água condensa. Um montão de chuva!

B: O ar é transportado na direção dos pólos em altitudes elevadas, tanto no Hemisfério Sul quanto no Hemisfério Norte. É aqui que temos oscontra-alísios.

C:  O ar então desce por volta dos 30°S ou 30°N (dependendo do Hemisfério). Nessas regiões, é bastante seco. Mas é claro, há fatores locais que fazem com que não necessariamente haja um deserto (leia mais aqui).

D: Perto da superfície, o ar seco vai em direção ao Equador. E aqui temos os alísios. No meio do caminho, o ar vai pegando umidade. E então o ciclo continua, voltando para A.

E é aproximadamente por volta dos 30°N e 30°S que temos desertos. Até falei um pouco sobre esse assunto nesse post (e nesse outro também, em que defino a palavra deserto). Por essa razão, lembrei da música do America. De fato existem raças de cavalos adaptadas aos desertos. Há o Cavalo do Deserto da Namíbia, um cavalo feral que tem como ancestrais cavalos criados por alemães em fazendas da região durante a Primeira Guerra Mundial.

Cavalo do Deserto da Namíbia. Fonte: Wikimedia Commons

Cavalo do Deserto da Namíbia. Fonte: Wikimedia Commons

Há também os famosos cavalos árabes, que são muito utilizados pelos beduínos. São totalmente adaptados às condições de deserto. É a raça de cavalo mais antiga do mundo: há evidências de que já eram usados para carga em 2500 a.C.

Cavalo Árabe. Fonte: Wikimedia Commons

Cavalo Árabe. Fonte: Wikimedia Commons

Bom, aparentemente é só uma coincidência, embora interessante. Fui pesquisar porque a Latitude dos Cavalos tem esse nome e a história é bastante curiosa. Tem a ver com cavalos, mas não tem a ver com uma raça de cavalos específica.

Quando os navegadores europeus saiam em direção ao Novo Mundo (ou América rs),  frequentemente ficavam presos por dias ou até semanas quando eles encontravam essas áreas de alta pressão, onde os ventos eram muito fracos e prejudicavam a navegação. Além disso, não chovia nada. Dessa maneira, a tripulação logo ficava sem água.

Nessas grandes naus também eram transportados todo tipo de carga viva, como cavalos, por exemplo. Para economizar água e muito desesperada, reza a lenda que a tripulação jogava os cavalos no mar. Dessa maneira, teriam mais água para o consumo humano.

O que também me inspirou e me deu as informações necessárias para escrever esse post, foi esse tweet da NOAA:

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Resenha de “O Homem do Castelo Alto”, de Philip K. Dick

Posted by on 11-set-2014 in Blog, Ficção Científica, Livros, Resenhas | 0 comments

Na tag 50 fatos sobre mim, falei que dos escritores mais consagrados de ficção científica (Asimov-Bradbury-Clarke) ou o ‘ABC da Ficção Científica’ ou sou na verdade o D de Philip K. Dick (PKD, para os íntimos e para facilitar). Gosto muito do escritor, embora não tenha lido toda obra dele. Já escrevi outras duas resenhas de PKD:

- Andróides sonham com ovelhas elétricas?

- A formiga elétrica.

Para quem quer conhecer mais sobre o autor, recomendo também esse ótimo post do Ben Hazrael em que ele fala sobre VALIS, outra obra do autor que pretendo ler (ainda mais depois do post do Ben!).  A propósito, admiro muito o Ben por ter lido TODOS os livros do PKD disponíveis na biblioteca que ele frequentava. Um dia vou chegar lá!

Considerações feitas, posso começar a resenha.

O que chamou minha atenção no livro?

Bom, acho que já contei mais ou menos o que aconteceu: eu estava na livraria com meu marido, procurando um livro de PKD. Estávamos em uma febre PKD em casa, tínhamos lido Androides sonham com ovelhas elétricas? e a gente queria ler outra coisa. Estávamos em dúvida sobre um livro de contos (Realidades Adaptadas) e o Homem do Castelo Alto. Fiz o maridão escolher um dos livros, ao acaso, sorte. Eu estava  torcendo para que fosse o Homem do Castelo Alto. Eu já tinha lido uma sinopse, que atraiu muito minha atenção.

Eu adoro histórias em que um mundo alternativo ao nosso é apresentado. Eu sei, se a gente for analisar, todo livro de ficção apresenta um mundo alternativo. Mas gosto quando a história parte de um acontecimento histórico que deixou de ocorrer ou que  ocorreu de maneira diferente naquele mundo. Acho que sou seduzida por essas coisas por ter sido grande fã da série Sliders (há um episódio, por exemplo, em que não tinham inventado a penicilina e as pessoas morriam de infecções facilmente tratáveis).

A realidade alternatia (difícil definir isso, em se tratando de PKD) de O Homem do Castelo Alto é uma realidade em que o Eixo venceu a Segunda Guerra Mundial e não os Aliados, como aconteceu no “nosso mundo”. A sinopse falava em um mundo polarizado, com domínio da Alemanha Nazista e dos Japoneses. Os Estados Unidos foram divididos em dois: metade japonesa e metade alemã. E a trama é centrada nos EUA, retratando a vida de pessoas comuns e de viagens de diplomatas japoneses e alemães para esse importante território, palco de interesses econômicos e políticos.

A capa acima é assustadora, principalmente por exibir o sinal da suástica, que tornou-se o símbolo do mal.

A capa acima (não é da edição que li) é assustadora, principalmente por exibir o sinal da suástica, que tornou-se o símbolo do mal.

Ah, essa imagem não poderia faltar em minha resenha. Usando criatividade e o que é descrito no livro, fizeram um mapa mostrando como é o mundo descrito em O Homem do Castelo Alto se o Eixo tivesse sido vitorioso. Fonte: Wikimedia Commons

Ah, essa imagem não poderia faltar em minha resenha. Usando criatividade e o que é descrito no livro, fizeram um mapa mostrando como é o mundo descrito em O Homem do Castelo Alto se o Eixo tivesse sido vitorioso. Fonte: Wikimedia Commons

Aspecto assustador!

Acredito que só ao ver a capa acima e/ou apenas lendo a sinopse, o futuro leitor já sente medo. Imagine um mundo dominado por nazistas. Na trama, os africanos foram dizimados: o continente africano está praticamente vazio, uma chacina, um holocausto, sem precedentes na história do ‘nosso mundo’. E por falar em holocausto, os judeus na história precisam viver sob identidades falsas. Há inclusive cirurgias para reduzir o nariz, clarear a pele e reduzir o tamanho dos poros (características típicas de judeus, de acordo com o autor). Bom, se eu fosse um personagem do livro,  eu teria que passar por todos esses procedimentos estéticos, pois tenho todas essas caracterísitcas rs.

Ah, o Brasil. É rapidamente mencionado na obra. Aparentemente, desmataram todas as nossas florestas. Viramos colônia de exploração, uma exploração sem comparação com a que vivemos no ‘nosso mundo’.

Parênteses: fazer resenhas de coisas que envolvem universos paralelos ou mundo alternativos é muito complicado rs. Tenho que ficar toda hora falando em ‘mundo real’, e com PKD é estranho falar em Mundo Real porque ele questiona até o tal ‘mundo real’.

Enredo (ou mais ou menos isso)

Bom, vocês sabem, não tenho formação em humanas. E infelizmente lá na Exatas não somos estimulados a escrever de maneira criativa, digamos assim, então não sei fazer uma resenha direito rs. Eu detesto essa divisão “humanas-exatas-biológicas” de nossas Universidades, porque isso deixa nossa formação deficiente. Mas ok, assunto para outro post.

Bom, tal como em Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?, PKD nos apresenta personagens que em um primeiro momento não tem relação entre si, mas depois seus destinos vão se entrelaçando.

Há, por exemplo, Frank Fink (que na ferdade é Frink), judeu que vive sob uma identidade disfarçada nos EUA, trabalhando em uma oficina. Ele cria um problema em seu local de trabalho e acaba sendo demitido. Um colega do trabalho, Ed, propõe que os dois sejam sócios em uma oficina de criação de jóias. Eles obtém o capital inicial para o novo negócio chantageando o antiquarista Robert Childan, pois eles sabem que algumas das armas que Childan vende e que supostamente fizeram parte da Guerra da Secessão são na verdade réplicas de primeira qualidade.

Essa questão da historicidade dos objetos é abordada recorrentemente na trama. Eu adoro o seriado Paw Stars e agora não vou assisti-lo da mesma maneira, vou sempre pensar em Childan. O ex-chefe de Frank, por exemplo, compara dois isqueiros: um usado por Roosevelt (que foi assassinado nessa realidade) e outro isqueiro igual. O de Roosevelt vale muito pela historicidade.

Os japoneses são importantes clientes da loja de Childan. Eles tem um interesse na cultura americana que os americanos não conseguem entender. Gostam de objetos históricos, da música e da cultura pop dos americanos de antes da guerra. Por falar em japoneses, eles dominam a parte oeste dos EUA, com ‘sede’ estratégica em São Francisco. Como os japoneses praticamente dominam o pacífico (incluindo o Havaí), São Francisco provavelmente é um importante e estratégico porto para eles. As áreas nobres da cidade são tomadas por novos residentes, todos japoneses. Importantes executivos japoneses, que atuam em relações comerciais e políticas, vivem em São Francisco.

Nesse cenário, surge Baynes. Baynes chega de foguete da Lufthansa (pelo que entendi, em menos de 1h os alemães cruzam o atlântico e chegam aos EUA, esses foguetes são fantásticos rs) com informações confidenciais que podem mudar o mundo. O executivo Sr. Tagomi cai de paraquedas em meio a essa trama e acaba tendo um papel chave.

Na trama, há uma questão metalinguística muito curiosa: um livro chamado O Gafanhoto Torna-se Pesado é um grande sucesso literário. O misterioso autor, Hawthorne Abendsen, vive aparentemente retirado. Muitos dizem que eles vivem em um “Castelo Alto”, uma fortaleza afastada. No livro de Abendsen, os Aliados teriam ganhado a guerra e a Inglaterra dominaria boa parte da Europa.  Todos estão lendo o livro, fascinados com a possibilidade. O alto escalão da SS aparentemente anda meio revoltado com o livro. Ele é proibido na costa leste dos EUA, mas na metade oeste do país não parece difícil de ser encontrado.

Aspectos metafísicos comumente abordados por PKD também são parte da trama. O I-Ching é usado para tomar todo tipo de decisão pessoal, é uma estratégia de planejamento. Japoneses e americanos o usam e aparentemente não é muito comum dentre os alemães. Como disse anteriormente, a historicidade de um objeto é tema recorrente e Sr. Tagomi questiona as atitudes que teve que tomar e a historicidade do local em que elas foram tomadas. Um casal de clientes de Childan, dois jovens japoneses, encontra um significado metafísico muito ‘profundo’ em semi-jóias que eles em um primeiro momento acharam feias e antiquadas. Childan decide então usar esse subterfúgio (de que as peças representam o yin-yang, etc) para conseguir vendê-las.

Juliana é ex-mulher de Frank, encotra Joe Cinadella, um homem que acaba tornando-se seu amante. Os dois fazem uma estravagante viagem pelo país, com o objetivo de conhecer Abendsen. Joe está terminando de ler o livro (numa cópia velha, engordurada) e Juliana fica fascinada pela história e pelo autor. Acaba comprando um exemplar novo do livro. Ao longo de sua jornada com Joe, Juliana percebe que ele tinha uma agenda desde o início: eliminar Abendsen. Ela acaba encontrando Abendsen e uma descoberta impressionante nos faz questionar a realidade descrita no livro.

 A edição que li

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Li esta edição da Editora Aleph, que pode ser adquirida aqui. Como sempre, esses links para a Livraria Cultura me geram alguma comissão se o livro for adquirido nessa loja =).

No final do livro há um perfil de PKD escrito por Fábio Fernandes. Achei muito bom, deixa o leitor ainda mais curioso para conhecer mais da obra do escritor.

Destaque no livro

Gostei tanto de um trecho bem (meta)metalinguístico do livro que resolvi reproduzir aqui:

- Vejo que estão lendo O Gafanhoto Torna-se Pesado – disse – Já ouvi falar muito, mas a pressão dos negócios tem me impedido de conferir até agora. – Levantando-se, foi até onde o livro estava e o pegou, examinando cuidadosamente as expressões deles; pareciam reconhecer este gesto de sociabilidade, de modo que prosseguiu. – Um livro de mistério? Perdoem minha profunda ignorância.

Virou as páginas.

– De mistério, não – disse Paul – Ao contrário, uma interessante forma de ficção, talvez dentro do gênero de ficção científica.

– Oh , não – discordou Betty. – Não tem nada de científico. Não se passa no futuro. Ficção científica lida com o futuro, sobretudo o futuro em que a ciência é mais adiantada do que agora. O livro não é nada disso,

– Mas – disse Paul – trata do presente alternativo. Existem muitos livros célebres de ficção científica deste gênero. – Explicou para Robert: – Perdoe minha insistência mas, como minha mulher sabe, fui durante muito tempo fanático por ficção científica. Comecei a ler o gênero aos doze anos. Nos primeiros dias da guerra.

PKD quis responder de antemão a dúvida do leitor: ué, mas isso é ficção científica?ué, pq não fala do futuro??? O livro foi escrito em 1962 e aparentemente retrata a década de 1960 se o Eixo tivesse saído vitorioso da Segunda Guerra. Ou seja, o livro fala do presente, um presente alternativo. Apesar de que o livro fala de colonização de Marte e fala dos foguetes ultra-rápidos que fazem viagens continentais em tempo recorde.

A propósito, em 1963 o livro recebeu justamente um Hugo Award, que premia os melhores trabalhos em ficção científica e fantasia.

Curiosidades

O título do livro do livro, O Gafanhoto Torna-se Pesado, é uma passagem do livro de Eclesiastes (capítulo 12, versículo 5):

5. Como também [quando] temerem as coisas altas, e houver espantos no caminho; e florescer a amendoeira, e o gafanhoto se tornar pesado, e acabar o apetite; porque o homem vai para sua casa eterna, e os que choram andarão ao redor da praça;

Tradicionalmente, diz-se que o livro de Eclesiastes é de autoria do Rei Salomão. Em todo o capítulo 12, o autor fala sobre lembrar-se do Criador (Deus) enquanto ainda se é jovem, antes que venha a velhice. O versículo 5 fala sobre envelhecimento, senilidade e morte (minha interpretação, Pastora Samantha rs). Talvez o “gafanhoto pesado” em Eclesiastes seja como uma nuvem de gafanhotos que destroem uma plantação (uma nuvem de gafanhotos é pesada) e então é o fim de tudo (= fim da vida). Já ouvi pastor falando que o gafanhoto é o DEMÔNIO (sim, gente).

Ainda não consegui entender porque esse título foi escolhido por PKD. Talvez tenha a ver com as epifanias religiosas do próprio autor (Ben posta inclusive alguns quadrinhos que falam desse assunto).

E o nome Joe Cinadella me diz alguma coisa também: Della Cina significa “da China”. Em O Gafanhoto Torna-se Pesado, China e Estados Unidos tem relações diplomáticas muito boas e se unem contra o Reino Unido. Bom, posso estar “delirando”, mas como Joe é como “Zé”, um nome atribuido a quem não se conhece o nome, é como se Joe Cinadella fosse “Zé da China”.

Ah sim, mandem-me livros!

Gostou da minha resenha?

Se você é autor de ficção científica ou fantasia e quer divulgar o seu trabalho, posso ler o seu livro para resenhá-lo. Para tal, fale comigo pelo formulário de contato.

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Como a mudança climática está deixando o smog ainda pior

Posted by on 10-set-2014 in Blog, Mudanças Climáticas, Poluição do Ar | 0 comments

Antes de mais nada, é preciso definir o que é smog.

Smog na cidade do Cairo, Egito. Fonte: Wikimedia Commons

Smog na cidade do Cairo, Egito. Fonte: Wikimedia Commons

O termo smog deriva de smokefog, ou seja fumaça e nevoeiro/neblina. Refere-se normalmente ao ar altamente poluído que se forma sobre as grandes cidades em episódios de ar estável e relativamente úmido, quando há emissões de dióxido de enxofre e aerossóis, oriundos da queima de combustíveis fósseis.

Atualmente, o termo smog é usado para definir episódios de poluição do ar muito severa em áreas urbanas, com redução da visibilidade. Para separar dos episódios de nevoeiro comuns (que ocorrem no inverno, durante a madrugada, perto de lagos, etc), muitas estações meteorológicas usam o termo névoa seca.

O chamado smog clássico (ou smog de Londres) vem de uma época em que não havia regulamentações para a poluição do ar e o debate acadêmico sobre o assunto ainda era incipiente.

Em 1661, John Evelyn, inglês que costumava escrever em diários (que eram muito úteis no passado e ainda o são, na forma de blogs). Ele notou, empiricamente, que a poluição do ar da cidade de Londres estava afetando a saúde das pessoas e das plantas. No século XVII, havia relatos de plumas de cerca de 800m de altura e 32 km de largura que cobriam parte da cidade de Londres. Uma das sugestões de Evelyn era de que as indústrias ficassem mais distantes da cidade e de que as chaminés fossem mais altas.

Com o relato de Evelyn, quero dizer que mesmo que a discussão acadêmica fosse incipiente e mesmo que não houvesse regulamentação, claro que as pessoas já notavam os efeitos da poluição do ar em suas vidas.

No tipo clássico de smog, algumas partículas de poluição do ar são higroscópicas, ou seja, tem afinidade com a água, Elas servem de núcleo de condensação para que a umidade do ar se deposite sobre elas. O resultado é um denso nevoeiro. O gás dióxido de enxofre dissolve nas gotinhas que formam esse denso nevoeiro, onde oxidam e formam o ácido sulfúrico, ácido relativamente forte que prejudica as vias respiratórias.

Um episódio marcante de smog londrino foi o Great Smog de 1952. Por 5 dias, os moradores de Londres enfrentaram o pior episódio de smog já registrado. Cerca de 4000 pessoas morreram durante esses dias, em decorrência de problemas respiratórios e mais 8000 pessoas morreram nos meses subsequentes. Depois desse horrível episódio, leis foram aprovadas no Reino Unido para que fosse eliminado o uso de carvão e lenha para aquecimento doméstico. As leis foram sendo regulamentadas e implantadas em outros países também, mas ainda hoje a poluição do ar é um problema muito sério nas grandes metrópoles mundiais. Falei um pouco sobre o perfil da poluição em São Paulo nesse post. As cidades cresceram muito e em muitos casos (como São Paulo) os maiores poluidores são os veículos. No entanto, ainda há cidades na China e na Índia que não tem leis rígidas sobre o assunto e onde ainda queima-se carvão ou lenha na indústria e para aquecimento residencial.

Até aqui contei um pouco da história do smog clássico, vamos ao smog fotoquímico (que também é conhecido na literatura como Smog de Los Angeles). Ele se forma de maneira diferente e tem mais a ver com nossa cidade, São Paulo.

Em muitas metrópoles pelo mundo, atualmente a maior fonte de poluentes vem dos automóveis. Essa poluição pode ser combinada com luz solar e com eventos de “ar estagnado“, formando o smog de orígem fotoquímica.

Não vou entrar nos detalhes sobre a química, mas acontece que os veículos emitem muitos poluentes. Aqui vamos nos ater aos óxidos de nitrogênio (NO2 e NO) e aos compostos orgânicos voláteis (hidrocarbonetos, aldeídos e outras moléculas a base de carbono). Em situações de luz solar intensa (dias de outono completamente sem nuvens, por exemplo), ocorrem reações químicas entre essas substâncias que formam o ozônio troposférico, um poluente secundário altamente oxidante, que irrita as mucosas, piora quadros alérgicos, etc. O ozônio estratosférico, da “camada de ozônio” nos é benéfico pois filtra parte dos raios UV. No entanto, quando próximo da superfície, esse ozônio prejudica nossa saúde. É por isso que atualmente discute-se tanto a melhoria dos transportes coletivos por um motivo principal: saúde. Melhorando o transporte público e tornando-o cada vez menos poluente, menos carros estarão nas ruas para emitir os componentes primários que formam o ozônio. Além disso, as emissões de material particulado (outro tipo de poluente, altamente prejudicial ao sistema circulatório e respiratório), também serão reduzidas.

Depois de ter feito essa introdução sobre tipos de smog, vamos ao artigo que li essa semana e me motivou a escrever esse post. A mudança climática está alterando a circulação atmosférica e os padrões de precipitação. Os extremos (período seco intenso e período chuvoso mais intenso ainda) estão ficando comuns em boa parte do globo.

Em alguns lugares do planeta, poderemos ter menos chuvas e menos ventos. Em um recente estudo publicado na Nature Climate Change [veja reportagem sobre o artigo aqui e veja informações sobre a publicação aqui], os pesquisadores observaram  a frequência e duração dos eventos de ar estagnado. Eventos de “ar estagnado” ou simplesmente estagnação são condições que limitam a dispersão dos poluentes, ou seja, ocorrem quando os ventos são fracos (perto da superfície e nas camadas mais acima também) e quando não há precipitação.

Se as concentrações de gases de efeito estufa continuarem aumentado, a temperatura média global poderá subir até 4°C até 2100. Usando modelos climáticos, os autores do artigo mencionado acima concluiram que as áreas sujeitas a eventos de ar estagnado podem atingir até cerca de 55% da população mundial. Algumas regiões podem sofrer aumento de mais 40 dias no total de eventos de estagnação por ano. Evidentemente, esse fato teria um enorme impacto na saúde humana.

E como o smog afeta a saúde humana? Apesar de ter citado o material particulado, não deixei claro que ele faz parte do smog, de certo modo. Porque sempre que tem os poluentes necessários para formar o smog fotoquímico (o caso mais comum nos dias de hoje), também há material particulado, já que as fontes desses poluentes são as mesmas.

Há pelo menos 4 pontos em que o smog pode afetar a saúde humana:

1) Cérebro:  alguns poluentes podem causar problemas cognitivos, pois as partículas podem atuar na degeneração dos neurônios.

2) Pulmões: material particulado bem pequeno, pode entrar nos pulmões e acumular dentro deles, resultando em inflamações e até problemas respiratórios.

3) Coração: níveis elevados de poluição estão associados com o risco de ataques cardíacos e acidentes vasculares,

4) Reprodução: os poluentes podem causar toxicidade no sangue da placenta, prejudicando o feto.

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Leia mais aqui.

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TAG 50 Coisas Sobre Mim

Posted by on 9-set-2014 in Blog, Off topic, Opinião | 4 comments

A Sybylla me convidou para responder a TAG 50 Coisas Sobre Mim. Nunca tinha respondido uma TAG antes, então fiquei bastante honrada. Vamos lá :).

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1)  Nasci em São Paulo em um dia de chuva muito intensa. Uma dessas tempestades de verão que deixam a cidade alagada. Não acho que o fato de eu ser Meteorologista tenha a ver com isso, mas é uma coincidência legal :)

2) Quando eu era adolescente, pensei em ser muitas coisas: astronauta, geóloga, geógrafa, engenheira cartográfica, engenheira eletricista e física foram algumas delas.

3) Conheci a Meteorologia enquanto estava no cursinho. Um professor do Ensino Médio também me falou a respeito.

4) Quando passei no vestibular da USP, minha opção era Física. Acabei passando na segunda opção, Meteorologia. Mas eu gostei bastante do curso (o primeiro ano dos dois cursos possui basicamente as mesmas disciplinas) e permaneci

5) Morro de medo de lagartixas e répteis em geral (chegou a parte das coisas aleatórias rs).

6) Eu já fui esportista durante um tempo de minha vida. Joguei futebol de salão no ensino médio.

7) Comecei a ~xavecar~ meu marido pelo ICQ

8) Já fui mordida por uma cachorra com o meu nome: eu tinha 4 anos e uma cachorra chamada Samantha mordeu minha perna. Até hoje a piada ‘A Samantha mordeu a Samantha’ é recorrente em minha família

9) Fiz uma cirurgia plástica aos 13 anos de idade, para “disfarçar” uma cicatriz enorme que ainda tenho na testa.

10) A cicatriz mencionada no n°9 foi resultado de um acidente com uma balança de parquinho quando eu tinha 6 anos.

11) Fui alfabetizada aos 4 anos de idade pelo meu pai

12) Tenho problema com contatos físicos: não sou muito de beijar ou abraçar, demoro para ganhar confiança nas pessoas

13) Pode não parecer, mas sou bastante reservada e gosto muito de ficar sozinha

14) Já frequentei uma igreja neopentecostal e já fui criacionista. Eu era adolescente e estava querendo me encontrar. Estava tentando também agradar outras pessoas, sendo aquilo que não sou. Com o tempo, percebi que as pessoas devem gostar de mim do jeito que sou.

15) Simplesmente ODEIO ser pressionada. Eu faço as coisas, quando eu quero e quando eu posso. No entanto, isso é amenizado pelo fato de eu ser bastante responsável (no geral)

16) Sou grande fã do Stephen King;

17) Quando falam em ficção científica, falam em ABC (Asimov-Bradbury-Clarke), mas eu sou D, de Philip K. DICK

18) Sou uma pessoa de muita fé, acredito bastante em Deus. Minha visão sobre Deus tem forte influência Protestante

19) Sou grande fã da série A Torre Negra (claro, só ver o n°16)

20) Adoro jornalismo literário. Sou grande admiradora de Joan Didion e Eliane Brum

21) Minha visão política é bem “de esquerda”.

22) Sonho em escrever um livro, só não sei exatamente sobre o quê rs

23) Tenho alguns contos em andamento, só que me falta inspiração e tempo

24) Tenho um sério problema com tempo: acabo começando muitas coisas e não consigo finalizá-las (ou demoro muito para isso)

25) Adoro bordado em ponto cruz

26) Também adoro trabalhar com feltro

27) Amo boardgames, mas não tenho paciência de ficar estudando regras ou lendo sobre os bastidores dos jogos. Também não tenho paciências com resenhas, quero apenas jogar e me divertir rs.

28) Já quebrei um ossinho de um dedinho do pé enquanto carregava um COMPÊNDIO DE METEOROLOGIA. Toda sorte de acidentes bizarros me acometem.

29) Sou extremamente preguiçosa e todos os dias luto contra esse mal. Quando consigo vencer, sou tomada por uma energia inexplicável e consigo fazer qualquer coisa. É A INÉRCIA, GENTE.

30) Sobre o n°14: quando eu era criacionista, arrumei inclusive confusão no Orkut e cheguei a traduzir um texto sobre o assunto. É gente, faz muito tempo mas infelizmente isso aconteceu. É o que acontece quando você está muito desesperada e quer ser aceita por ‘amigos’ e pessoas de sua família.

31) Sinto que só consegui ser eu mesma com uns 20 e poucos anos. Foi quando deixei de frequentar a igreja neopentecostal que eu frequentava. Foi quando eu finalmente declarei ser eu mesma e conheci amigos verdadeiros. Desde então, tenho sido muito feliz. Ninguém é plenamente feliz, claro, mas sinto que estou no caminho certo

32) Tenho preguiça de argumentar com pessoas que já carregam com um conceito claramente errado e não querem se livrar dele: deterministas, homofóbicos, racistas, preconceituosos em geral, machistas, etc, são alguns exemplos.

33) Tenho preguiça de “coisinhas da moda”. Por isso tenho um dos livros da Guerra dos Tronos e ainda nem comecei a ler (embora ele tenha sido presente de uma de minhas melhores amigas)

34) Desde 1998 tenho sites ou blogs na internet. Sempre acabo deletando por falta de atualizações ou por falta de foco. O Meteorópole é o primeiro projeto que tem realmente a minha cara. Um projeto que sempre recebe influências positivas e incentivo por parte de amigos, colaboradores, leitores, colegas, familiares, etc. Além disso, é um  projeto que comecei com um foco. Por isso permanece e vai continuar vivo :)

35) Tenho vontade de fazer videologs ou audiologs, mas não tenho equipamento para isso e nem sei editar nada. Além disso, acho que minha voz fica estranha quando é gravada.

36) Não gosto de gente arrogante. Mas eu não gosto mesmo, dá pra ver o nojinho na minha face quando converso com alguém arrogante, não consigo disfarçar.

37)  Como era de se esperar pelo n° 11, adoro ler. Tenho vários livros em casa, tenho inclusive alguns que eu gostaria de doar/trocar/vender. Sou uma pessoa meio Calvin Tower.

38) Adoro crianças e tenho muita facilidade em lidar com elas.Um dia, ainda serei mãe.

39) Sou bastante trekker nos dois sentidos: adoro Star Trek e adoro fazer trilhas e caminhadas.

40) Morro de preguiça de procurar itens de decoração ou móveis para minha casa. Fico postergando o máximo que posso. Sou bem “homem” nesse sentido (porque normalmente mulher tem que gostar de decorar a casa, é o que dizem por aí)

41) Na verdade, morro de preguiça de fazer compras em geral (exceto comida rs).

42) Estou com meu marido há uns 9 anos. Já meio que perdi a conta rs. Gosto muito dele e como tenho essa visão bastante metafísica de certos acontecimentos, acredito que somos almas gêmeas (ou qualquer nome do tipo)

43) Adoro cozinhar

44) Sou bastante econômica e não consigo entender como as pessoas ficam endividadas (exceto em casos de doença ou desemprego, daí entendo totalmente). Dessa forma, reformulo: não consigo entender como uma pessoa sem problemas sérios (como os que mencionei) consegue ficar endividada

45) Não gosto de me arrumar. Detesto fazer as unhas. Detesto ir ao salão de beleza. Detesto maquiagem elaborada. Não tenho paciência para nenhuma dessas coisas.

46) Maquiagem pra mim é rímel e BB Cream ou uma base bem leve. No máximo, um blush bem levinho.

47) Não dispenso protetor solar. Sou bem cuidadosa com o Sol.

48) Tenho duas tatuagens: Uma frase de Galileo Galilei (sou grande fã) e a Equação da Continuidade. Se eu pudesse, faria mais tatuagens e fecharia meu braço direito todo. Bom, eu até posso… quem sabe?

49) Eu deveria ter dito isso logo “de cara”, mas vou dizer agora quase no final. Sou Feminista e acho MUITO ESTRANHO quando uma mulher não é. Só que mesmo achando estranho, entendo às vezes: o Feminismo é mal difundido, é tido como algo apenas de “algumas mulheres”. Até comentei isso no ask.fm outro dia:

Por que há mulheres que não se dizem feministas?
Porque a galera dazinternet (ñ todos, claaro), pegou o termo Feminismo e transformou em algo complicado, não acessível, direcionado apenas para um tipo de mulher (mulher de classe média branca que trabalha fora) e que precisa necessariamente ter AVATARES ou REPRESENTANTES. Daí fica aquela nóia maluca de dizer que Anitta é feminista, Valesca é feminista, Beyonce é feminista, usando como base os trabalhos artísticos delas (e mtas vezes de forma equivocada, como a música “desejo a todas inimigas vida longa bla bla bla”).Se deixassem a coisa fluir como algo fácil e natural (como vários blogs fazem lindamente). Se apenas dissessem q é a luta por direitos iguais e que é algo que está ao alcance de qq mulher (seja qual for sua religião, sua cor, seu poder aquisitivo, o lugar onde mora, seu tipo de trabalho, etc). Se apenas dissessem q é uma parada em construção, então tá todo mundo sujeito a ser machista (porque é a sociedade q vivemos) e que podemos e devemos desconstruir isso… Se apenas isso fosse feito, todo mundo sacaria e equívocos deixariam de existir. Bom, minha opiniao apenas.
50) E por falar em ask.fm, tenho perfil lá.
———–

 * Essa frase, se não me engano, estava escrita em uma Rolling Stone da década de 1990. A frase era sobre o ator Kyle MacLachlan ;)

Ah sim, era para esse post ir ao ar amanhã, mas como o blog está hospedado em outro país (e sempre me esqueço disso rsrs), o servidor segue o fuso horário de lá. Bom, como percebi isso TARDE DEMAIS, mantive assim. :-P

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