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A “Cientista” Grávida – O desafio de escolher um bom médico ginecologista e/ou obstetra: minha experiência pessoal (episódio 10)

Posted by on 5-mar-2015 in Blog, Gravidez | 0 comments

Fonte: Free Digital Photos

Fonte: Free Digital Photos

Disclaimer inicial: esse post é direcionado para você, leitora da classe média, que utiliza um convênio médico e talvez também tenha condições de consultar-se com um médico particular. Ou seja, para pessoas na mesma situação que eu. Vou escrever aqui um pouco de minha experiência pessoal, então ela pode ser útil para quem está numa situação parecida com a minha. Obrigada.

***

Então você descobre que está grávida. E não tem muitas amigas de sua idade que são mães. Para vocês terem uma ideia, a maioria das minhas amigas que já são mães, eu conheci pela internet. Tenho 32 anos e a maioria das minhas amigas mais próximas quase da minha idade não são mães, não pretendem ser por enquanto ou não pretendem ser nunca. Tenho uma família grande e unida, com várias primas de primeiro grau entre 19 e 40 anos e dentre as netas de Dona Lice, eu sou a primeira a ser mãe! Claro que converso com minha mãe e minhas tias, mas eu queria também a experiência de alguém mais ou menos da minha idade.

Se você está na mesma situação do que eu, é quase “pioneira” no seu grupo de pessoas mais próximas, deve ter passado por uma situação parecida: como escolher a médica (ou médico) que vai me acompanhar?

Claro que a essa altura você já faz exames periódicos há muitos anos e já é acompanhada por uma ginecologista de sua escolha e confiança. Mas há profissionais que são ginecologistas, mas não são obstetras! E há profissionais que são bons ginecologistas, mas não são bons obstetras. E isso a gente só descobre conversando, conforme as situações vão se desenrolando. Para ajudar outras gestantes ou até mesmo moças que só querem escolher um bom ginecologista para acompanhá-las, vou falar de minha experiência pessoal.

Quando eu tinha uns 19 anos, fui fazer meu primeiro acompanhamento ginecológico. Eu deveria ter feito isso mais cedo, mas havia certo tabu em minha família, como há em muitas famílias. Sexo ainda é tabu e para muitos e a ida ao ginecologista significa que a mulher está tendo relações sexuais. Discordo das duas coisas! Sexo é algo natural, não deveria ser tabu. E a moça deve começar a ir ao ginecologista antes mesmo de começar uma vida sexual.

Minhas primas não falavam muito sobre ida ao ginecologista. Eu tenho CERTEZA que muitas delas nunca foram fazer seus exames periódicos. Ninguém fala nada sobre isso! Ou seja, é como se fosse uma vergonha ou algo do tipo. Triste.

Comecei então a conversar com amigas da faculdade, que me falaram dos exames que eram solicitados, que sugeriram que eu procurasse o hospital universitário e algumas até se propuseram a me acompanhar na primeira visita.

Como eu ainda era dependente do convênio de meu pai, decidi procurar uma médica conveniada.  Fiquei morrendo de vergonha, porque meu pai recebia o extrato mensal de uso do convênio. Mas eu conversei com ele e expliquei que havia coisas me incomodando. Meu pai me apoiou e fui ao médico. Foi mais fácil do que eu havia pensado!

Escolhi uma médica de uma clínica próxima à faculdade. A médica foi muito atenciosa, perguntou sobre meu curso na faculdade e não me criticou por ter procurado cuidados médicos aos 19 anos (quando na minha opinião eu deveria ter procurado mais cedo). Fiz uma colposcopia (coletada no próprio consultório) e fiquei aguardando o resultado. Voltei lá, a médica me receitou um medicamento e fiquei bem. Ela falou que eu deveria voltar no ano seguinte.

Daí a enrolada aqui não voltou. Só voltei uns 3 anos depois, mas fui em outra médica porque apesar desse consultório ser perto de minha faculdade, eu teria que pegar outro ônibus. Escolhi uma médica que ficasse mais perto de minha casa e que atendesse aos sábados. Encontrei uma médica, ela era gentil e comecei a fazer os exames anuais que ela pedia (colposcopia e ultrassom transvaginal). Foi quando descobri que eu tinha alguns cistos no ovário direito. A médica queria operar, mas ela não me convenceu. Para ajudar, a fofinha atendeu o celular DURANTE A CONSULTA, quando discutíamos uma cirurgia, o que acho inaceitável e rude.  Resolvi buscar uma segunda opinião.

Encontrei uma médica perfeita, uma mulher firme e de opinião. Ela olhou meu ultrassom, pediu outro e concluiu que aquilo não era caso de cirurgia, pois se tratavam de uma espécie de “cistos” que já nasceram comigo. Eu queria muito continuar me consultando com ela, mas daí meu pai se aposentou e eu já tinha uma fonte de renda melhor e passei a pagar meu próprio plano de saúde (que era da mesma empresa do plano que meu pai tinha, porém mais modesto). E infelizmente essa médica não atendia mais o convênio. Fui procurar outra médica, pois não quis voltar na anterior (a que queria me operar). Encontrei uma próxima do local onde trabalho. A essa altura, minha vida já era outra, eu já era praticamente casada. Num relacionamento estável, longo e de confiança, pensei em usar anticoncepcionais.

Comecei a ler sobre anticoncepcionais e fiquei preocupada com os problemas circulatórios relacionados ao seu uso prolongado, pois minha família tem histórico de varizes e AVC. Foi quando optei pelo DIU, depois de pesquisar a respeito e de conversar com colegas e amigas. O convênio aprovou a solicitação e qual não foi minha surpresa quando a médica disse que só colocaria o DIU se eu pagasse R$300,00? A cobrança é ilegal! Ela então me coagiu em seu consultório, me forçando a realizar uma transferência bancária em seu computador. Ela ainda disse que não correria o risco de perfurar meu útero por R$30,00 (valor da consulta paga pelo convênio aos médicos na época). E disse que se eu queria um serviço bem feito, eu teria que pagar, pois ela pagava cerca de R$200,00 no cabeleireiro. Isso mesmo, ela comparou a colocação do DIU com luzes e chapinha.  E ainda me assustou e praticamente me ameaçou, falando em perfurar meu útero. Além disso, ela se negou a me dar uma nota fiscal do procedimento, caso eu o fizesse, o que também está errado. Ou seja, a mulher é uma pilantra sem noção. Aposto que é do tipo que fala mal dos políticos corruptos. Eu saí do consultório revoltada, chorando e sem o DIU. Preenchi uma reclamação no convênio e até hoje não obtive resposta. Minha categoria profissional acabou mudando de convênio depois e contratei uma cobertura um pouco melhor, já pensando na gravidez futura.

Procurei outra médica, a Dra. A. C., que me atendeu muito bem apesar da correria de seu consultório. Dra. A.C. me atendeu por uns 4 anos e ela iria acompanhar meu pré-natal todo, mas infelizmente ela perdeu o prazo de recredenciamento do convênio. Além disso, ela não estava atendendo todos os dias, uma vez que ela acabara de ser mãe. E também tem o fato de meu convênio oferecer um valor muito baixo para reembolso de consultas. Fiquei chateada, mas procurei uma nova médica, através de indicações da Internet (chamaremos de T.C.), que foi a que atendeu o celular durante a última consulta (narrei aqui). Isso mesmo, já é a segunda médica que age dessa forma comigo durante uma consulta.

Gente, meus sentimentos por Dona T.C. são confusos e tendem ao negativo desde o início. Trata-se de um consultório pequeno, com duas salas. Uma das salas é da Dona T.C. e a outra é consultório de seu marido, que atua em outra área da saúde. O marido de Dona T.C. é um chato que não deve ter muitos pacientes, tem muito tempo livre e adora ficar falando mal de pobre e de política na sala de espera. Sabe aquela mala sem alça que acha que a classe média alta é perseguida e injustiçada? Desse mesmo. Poderia ficar quietinho dentro de sua sala, mas sua necessidade por atenção e aprovação o impede de ficar quieto.

Da mesma laia dessa moça (relembre o caso aqui).

Deve ser da mesma laia dessa moça (relembre o caso aqui).

Em minha última consulta (a que ela atendeu o celular), eu tinha marcado para 09:00. Além de chegar atrasada, ela ficou uns 20min fazendo sei lá o que dentro de seu consultório. Ela me atendeu (muito mal!) apenas 09:30. Repetindo o absurdo: ela atendeu o celular durante a consulta. Além disso, foi um pouco sarcástica comigo quando perguntei sobre parto natural. Mostrou ser retrógrada e não esperou que eu terminasse de falar.  Ela me tratou como uma total ignorante, não quis discutir o assunto. Usou argumentos ruins, mal organizados e encheu a conversa com termos médicos que evidentemente não compreendo. Ela quis vencer pela “autoridade no assunto” e ela não precisava disso. Além disso, durante toda conversa enrolada, ela deixou mais ou menos claro que prefere agendar cesarianas, procedimento que não me submeto eletivamente, por convicção.  Achei tudo muito triste e fiquei bastante mal quando saí do consultório.  Tudo isso aconteceu na segunda-feira da semana passada. Fiquei com o raciocínio atrapalhado, tive péssimo rendimento no trabalho e prejudiquei meu relacionamento com as pessoas. Tudo isso porque ela me deixou nervosa e estressada.

Até o fatídico episódio, a Dona T.C. tinha sido uma médica regular e faz pré-natal direitinho. Mas já tinha me avisado na primeira ou na segunda consulta que queria uma taxa de disponibilidade no valor R$3000,00 para fazer meu parto. Taxa que é considerada ilegal (veja aqui). Sério mesmo? Dane-se! Meu parto pode ser realizado pelo plantonista do hospital, não precisa ser pela médica que acompanhou meu pré-natal. A assistente social da primeira maternidade que conheci me informou sobre isso e me deixou super tranquila (leia meu relato de visita a maternidade aqui). Só quero ser bem atendida. Se a médica fosse MUITO LEGAL, MUITO ATENCIOSA E MUITO PROFISSIONAL talvez eu fizesse questão que ela me acompanhasse, embora a tal taxa de disponibilidade seja uma cobrança ilegal.

Katherine_Pulaski

Bem que a Dra. Pulaski poderia existir de verdade =)

Conclusão: fiquei revoltada com a Dona T.C. e não gostaria de ver a cara dela novamente, embora eu tenha uma consulta marcada no final do mês. Para esse meio tempo, consegui marcar uma consulta com uma nova médica, em um consultório pertíssimo de minha casa. Vamos ver, estou esperançosa! Além disso, fiz uma visita a uma maternidade recentemente e isso me ajudou bastante a esclarecer algumas dúvidas.

Pois então, depois de todo esse relato, tenho algumas opiniões e conselhos que podem ajudar quem procura uma ginecologista e/ou obstetra:

  • O acompanhamento periódico é muito importante. Procure um médico perto de sua casa ou de seu trabalho, assim você não usará a distância como um problema para postergar sua visita ao médico.
  • Converse com amigas e colegas. Quando o convênio médico é vinculado à empresa, suas colegas de mais tempo de casa podem te indicar um bom profissional. Suas amigas também podem te indicar alguém e mesmo que o profissional não atenda seu convênio, alguns convênios trabalham com reembolso de consultas. Converse com o profissional e com o convênio.
  • Tentativa e erro. Se você possui convênio, continue tentando e errando, até o fim dos tempos, não importa. Se não deu certo com um profissional, vai dar com outro. Não pode é deixar de ter acompanhamento médico.
  • Questione todas as atitudes de seu médico e procure seus direitos. Denuncie comportamentos antiéticos. Vocês devem ter notado que ao longo do post não escrevi o nome de nenhuma médica que me atendeu mal porque já tomei providências a respeito nos locais certos. E mesmo que eu não tivesse tomado, não faria diferença alguma e eu poderia atrair problemas para mim.
  • Pesquise! Use a internet ao seu favor e quando que você encontrar um determinado profissional pelo livrinho do convênio, faça uma busca. Veja se outras pessoas tem reclamações ou elogios ao profissional. Veja se o profissional está nas redes sociais, se ele tem um site ou um blog. Procure informações nos Conselhos Médicos, na FEBRASGO e outras associações, etc.
  • Leia boas informações sobre medicina (sites de universidades, sites de outros médicos, etc). Aprenda bastante sobre o funcionamento de seu corpo, sobre seus limites e tente compreender pelo menos o básico. Há péssimos profissionais em todas as áreas e com medicina não seria diferente.
  • Se você vai fazer pré-natal com um determinado profissional, lembre-se que você vai ver a cara dele pelo menos 1 vez por mês durante toda a gestação. Não adianta, além de ser bom profissional, você vai ter que simpatizar com o médico. Exija o cartão pré-natal e toda documentação, para caso você troque de médico, o novo profissional terá acesso a todas as informações e seu pré-natal poderá continuar sem problemas.
  • Você não precisa e nem deve pagar taxa abusiva nenhuma! Se seu convenio cobre parto, basta procurar uma maternidade credenciada. Na maternidade, há obstetras de plantão! Visite a maternidade se for possível, converse com mulheres que já pariram no local, observe bem a infraestrutura, etc. Informe-se bastante para tomar sua decisão sobre o local do parto. Você não precisa ter o parto com o profissional que acompanhou seu pré-natal! Para isso, existe a carteirinha de gestante. E lembre-se de  organizar todos os exames, receitas médicas e outros documentos em uma pasta.
  • Ninguém merece ser maltratada, seja na rede do SUS, convênios ou particular. Nada justifica negligência ou estupidez. Há pessoas que acham que “por estarem pagando”, não deveriam ser tratadas com grosseria. Isso independe de pagar ou não, todo mundo merece ser tratado com respeito. Porque se formos pensar dessa forma, o usuário do SUS também está pagando impostos e também merece ser tratado com dignidade. Lute por um mundo em que as pessoas sejam bem tratadas independentemente de suas condições financeiras. Se você foi vítima de qualquer comportamento antiético, denuncie!
  • O mais importante: sexualidade não pode ser tabu em 2015! Não deveria ter sido tabu nunca, mas é triste demais saber que muitas famílias não encaram o assunto. Por ser “proibido”, percebo que muitas mulheres deixam de conhecer o próprio corpo e de buscar acompanhamento médico. Não deixem fazer “Carrieta White” de você. Se você ainda é menor de 18 anos e não tem grana para pagar um médico particular, é possível buscar acompanhamento em postos do SUS. Informe-se sobre o posto mais perto de sua casa, vá até lá e pergunte sobre a documentação necessária para se cadastrar e iniciar o acompanhamento. Tente conversar com sua família, converse com sua mãe, com uma tia querida, uma prima mais velha, com uma professora, com seu pai, etc. Sei que em muitos casos é difícil, mas tente conversar, vença a vergonha e tente estabelecer um dialogo. Muitas de vocês são beneficiárias de convênios médicos de seus pais. Diga que não se sente muito bem e tem algumas dúvidas e que precisa de auxílio médico.
  • A Internet não é médico. Não existe o Dr. Google! E nem a Dra “Minha Amiga Disse”. Gente, isso é muito sério. Você não deve tomar o mesmo anticoncepcional que sua amiga toma, assim como não deve confiar em todo conselho médico da Internet. Procure um profissional, sempre. Outro dia li o conselho mais estapafúrdio e absurdo na internet. Um site ‘médico’ aí tinha uma reportagem sobre candidíase. Um dos conselhos era: passar iogurte nas partes íntimas para minimizar a proliferação dos fungos. Se eu estraguei seu lanche da tarde, me desculpe. Eu só queria ilustrar o tipo de coisa absurda que a gente lê na internet.
  • Seja amiga, seja acolhedora e seja sábia. Se uma amiga mais nova, prima, aluna, etc vier te procurar pedindo conselhos médicos, sempre indique um profissional. Se você não tem um profissional para indicar, procure saber, informe-se sobre as condições da pessoa, pergunte para outras pessoas e incentive que a pessoa também faça a busca. Apoie, ajude a marcar e incentive. Se algum tratamento for necessário, incentive que ele seja feito até o fim. São situações assim em que podemos ser gentis e amigas umas com as outras, exercendo a tal sororidade na prática.

Espero que essas dicas sejam de grande valor para quem estiver procurando um profissional da área de saúde da mulher. Se você tiver alguma sugestão, se discordar de algo ou se tiver uma colocação, contribua nos comentários =).

E acompanhem toda série A “Cientista” Grávida – A Série [minha saga pessoal rs]  aqui.

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Bati o carro e conclusão: tenha uma cobertura para terceiros!

Posted by on 4-mar-2015 in Aventuras no volante, Blog, Gravidez | 0 comments

Uma das aventuras da minha vida, após ter descoberto a gravidez, foi voltar a dirigir. Marido e eu quebramos nosso cofrinho e adquirimos um veículo, compra da qual estamos muito satisfeitos.

Sempre detestei dirigir, desde que meu pai praticamente me obrigou a tirar carta aos 18 anos. Talvez eu esteja sendo injusta com ele. Ele não me obrigou, mas me pressionou bastante rs. Ele acreditava que com isso estaria me ajudando. Tirei a carta depois de muita complicação, drama, choro e ranger de dentes (eu era muito drama queen, call an ambulance). Um dia conto sobre isso aqui no blog.

Logo que a carta saiu em dirigi um pouco, mas não tinha veículo próprio. Sempre dirigia com alguém do lado. Sou uma pessoa muito nervosa e ansiosa, claro que isso é a combinação perfeita para ter dificuldade no volante. Isso não foi pra frente, porque toda vez eu brigava com meu pai ou minha mãe. Sempre soube que eu só voltaria a dirigir novamente quando adquirisse meu próprio veículo, o que aconteceu mais de 10 anos depois.

Com a gravidez, concluí que ter um carro seria imperativo. Precisarei levar meu menino na creche, no pediatra, etc. Até mesmo antes do nascimento, vai que as contrações começam a ocorrer no meio da madrugada (como aconteceu com minha mãe)? Sem dúvida, carro torna a vida muito mais fácil!

Há bastante tempo atrás escrevi um post sobre o que eu considero um mau uso do carro: o uso do carro como objeto de status, como sinal de sucesso na vida. Sabe aquele vizinho besta quadrada que guia o carro por 3 quarteirões só para ir à padaria? Acho inaceitável do ponto de vista social e ambiental. Por essa razão, antes de ficar grávida eu era muito reticente sobre o uso do carro. Hoje sei que o carro é muito útil e importante, desde que usado com sabedoria e inteligência.

Pois então, estou dirigindo há poucos meses (uns 3-4 meses mais ou menos). Não tenho muita experiência, mas consigo guiar o carro com certa destreza aceitável da minha casa até o trabalho, trajeto que não é muito longo. Para trajetos mais longos, meu marido toma a direção e eu viro primeira oficial (gosto de pensar assim rs):

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Descreve minha história de vida risos

 

Ontem eu estava saindo do trabalho, finalizando mais um expediente. E quando saio do trabalho, preciso entrar em uma avenida relativamente movimentada e para isso preciso cruzar a pista contrária.  É bastante trabalhoso e é necessário ter muito cuidado. Ontem me confundi, achei que dava e POF. Bati o carro.

Meu para-choque ficou um pouco danificado. Nada sério, não caiu aos pedaços. Nem dá para notar que houve uma colisão, se você não observar com atenção. Já o carro do moço não teve a mesma sorte: amassou aquela peça que fica acima da roda! Bom, felizmente não pegou a porta.

Eu tive serenidade e consegui manter relativa calma. Desci do carro, pedi desculpas imediatamente, pois a culpa foi minha. O dono do carro era um homem educadíssimo. Quem conduzia era seu filho, um rapaz de 20 anos aproximadamente, que deve ter tirado a carta há pouco tempo. No banco de trás, estava sua esposa.

O homem me deixou calma, perguntou se eu tinha seguro. Eu disse que sim, mas na hora fiquei tão atônita que nem me lembrava da cobertura para terceiros. Ele me deu o cartão dele, entrei em contato com a seguradora assim que cheguei em casa e falei com a atendente telefônica mais gentil do mundo, chamada Rafaela. Ela me deu todas as informações, abriu a tal “chamada de sinistro” (acho sinistro um termo bem engraçado rs), me explicou que não vou pagar nada, pois meu carro tem cobertura para terceiros. Eu pagaria se quisesse consertar meu para-choque, mas não vale a pena, uma vez que o valor da franquia supera em muito o dano ao meu veículo.

Anotei todas as informações e mandei um e-mail ao Sr. João, o proprietário do veículo. Ele recebeu essas informações, mas ficou faltando alguns detalhes (chassis e RENAVAM, para fazer o Boletim de Ocorrência online). Hoje pela manhã a esposa do Sr. João me telefonou, a simpática Dona Sueli. Com uma voz calma e tranquila, ela foi extremamente educada e simpática. Mesmo se ela estivesse nervosa comigo, olha, ela disfarçou muito bem rs. Uma pessoa realmente gentil. Ela perguntou se eu e o bebê estávamos bem, ainda disse que “lata a gente conserta, o que importam são as pessoas”. Lição de humanidade. Ainda mencionou casos de outros acidentes que ela ou o marido se envolveram ou presenciaram, disse para que eu fique calma e me falou para não deixar de dirigir por causa disso. Agradeci muito e passei as informações faltantes.

Decidi não dirigir muito por enquanto. Sim, fiquei um pouco “traumatizada” com esse acidente leve. Nem gosto de chamar de acidente, porque essa palavra me remete a algo grave. Foi uma batidinha. Sim, eu não deveria ficar assim. Deveria seguir em frente e continuar dirigindo pelo trânsito caótico e nem sempre gentil da minha cidade. Mas eu estou numa situação especial: estou grávida de 5 meses e meio. E se a batida tivesse sido forte, em velocidade? O tranco poderia ter machucado a mim e ao bebê. Estou pegando uma van do meu trabalho, com um ótimo motorista. Claro que um acidente pode acontecer com ele também, mas as chances são menores, uma vez que ele é profissional. E se caso ocorra uma batidinha com a van, ele vai ter a serenidade de resolver e eu não vou ter o mesmo stress psicológico que tive ontem.

Sobre o stress psicológico: não foi nada sério, realmente. Olha eu aqui sendo drama queen de novo rs. Quem me conhece a fundo sabe que nessas situações eu choraria, entraria em colapso. Mas ontem Deus me deu uma calma maravilhosa. Consegui raciocinar, consegui ser humilde e reconhecer minha culpa. Consegui ligar para a seguradora e consegui entender todas as informações que a Rafaela me passou. Escrevi tudo, com muito esmero. Normalmente anoto as informações de maneira louca e caótica rs. E repassei tudo ao Sr. João. Confesso para vocês que eu jamais teria essa calma e presença de espírito aos 18-19 anos, quando conquistei minha primeira habilitação.

Eu só chorei quando liguei para minha mãe depois, desabafando. Acho que chorei de alívio, por tudo ter dado certo. Porque eu estou  bem, meu filho está bem, a Dona Sueli, o Sr. João e seu filho estão bem. Todos nós estamos bem e foi só lataria, coisa que graças a Deus tenho condições de consertar.

E isso é um ponto importante, talvez a maior lição do que aconteceu. Leitores, se vocês pretendem adquirir um veículo, aconselho fortemente: façam um seguro bom, bem recomendado e com cobertura para terceiros! Pague um pouco mais caro, mas tenha a garantia de que tudo vai dar certo e que você terá uma maior tranquilidade em caso de um acidente.

Muita gente adquire um veículo, mas não analisa o orçamento da família e/ou não dá a importância para um seguro. Se você não tem um seguro por alguma razão, faça pelo menos uma pequena poupança para esse tipo de situação. Para vocês terem uma ideia, se eu não tivesse o seguro teria que pagar R$400,00 pelo conserto do carro do Sr. João. Não é nenhum montante absurdo, mas é um valor que já sai do orçamento familiar previsto inicialmente.

Outra coisa que aprendi ontem: seja humilde. A humildade é um exercício muitas vezes difícil, e minha ‘natureza klingon’ não ajuda muito. Não adiantaria em nada ser turrona, isso só tornaria o problema pior. Analise a situação e seja justo. Se você tem culpa, admita a culpa e tente consertar. Isso é honroso e isso é ser klingon rs! Eu não seria assim aos 18-19 anos, mas hoje eu sou. Melhorei muito ao longo dos últimos anos (foram mais de 10 anos desde que tirei a carta). E hoje sei que essas melhorias em meu ser (e outras que estão por vir!) vão me ajudar a ser uma boa mãe.

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A “Cientista” Grávida – Conhecendo uma maternidade (episódio 9)

Posted by on 3-mar-2015 in Blog, Gravidez, Opinião | 5 comments

Fonte dessa fofurice: Free Digital Photos

Fonte dessa fofurice: Free Digital Photos

No último fim de semana, fomos visitar uma maternidade para conhecer sua infraestrutura e bater um papo com a assistente social responsável pela recepção aos visitantes.

Logo que chegamos ao hospital, duas recepcionistas muito simpáticas nos receberam. Ainda era cedo e ficamos aguardando no saguão do hospital. Essa oportunidade me permitiu fazer as primeiras avaliações sobre o hospital. Achei o saguão amplo, limpo e bastante organizado. Ficamos aguardando por uns 15min, quando as recepcionistas nos chamaram. Inicialmente era um grupo de aproximadamente 20 pessoas, composto majoritariamente por mamães e papais.

Esse hospital especificamente não organiza exatamente uma visita. É uma palestra em um auditório do hospital. Por telefone, já haviam me explicado que a visita às dependências do hospital não era possível. Claro, imagine que desagradável e desconfortável para as mamães, bebês e equipe média ter um monte de gente visitando o local, como se fosse um zoológico ou algo assim. Sem esquecer-se de mencionar os riscos de contaminar o ambiente hospitalar. E aqui faço um apelo: se você tem um parente ou amigo hospitalizado (seja em decorrência de uma cirurgia, doença ou mesmo parto), não seja inconveniente! Faça uma visita breve e respeite as solicitações da equipe médica. Sei que muitas vezes é difícil e somos tomados pela emoção. Quando minha avó estava em coma em decorrência de um AVC, minha prima e eu fomos chorando até a equipe médica, para permitir uma visita fora de hora. Claro que não permitiram. Não discutimos com a equipe médica, agradecemos a atenção, pois acho que a gente já sabia que não seria possível.

Logo que chegamos ao auditório, ainda faltava cerca de 10min para a palestra começar. Ofereceram-nos biscoitos, café, suco e água. Tínhamos que preencher um formulário com nossos nomes e e-mails para recebermos informações. Também nos deram um panfleto com informações sobre procedimentos de como realizar registros fotográficos no dia do parto. Em uma das recomendações, era dito em outras palavras que era para não atrapalhar a equipe médica. Chegamos a esse estágio da civilização humana, amigos! Eu pensei que em 2015 teríamos hoverboards e carros voadores. Ou que teríamos chegado a Marte. Mas nada disso aconteceu. Temos pessoas fazendo selfies com pau-de-selfie e tudo na sala de parto, no momento em que o bebê tá coroando! Eita loucura!

A assistente social apresentou-se. Mostrou slides com fotos do hospital, deu detalhes sobre a missão e sobre a ideologia do hospital, etc. Esse hospital no caso é bastante pioneiro no que diz respeito ao parto humanizado. Eles garantem que só fazem cesárea como último recursou ou em casos em que a mulher agendou o procedimento. E nesse caso também garantem uma cesárea humanizada, com profissionais capacitados para tal e garantem o acompanhamento do companheiro(a) ou de outro familiar. Sim, é possível fazer uma cesárea humanizada, com atendimento humanizado. Se você precisar de ou quiser uma cesárea, informe-se sobre hospitais que tenham esse atendimento diferenciado.

Durante a palestra, várias pessoas foram chegando atrasadas. O auditório lotou, várias pessoas tiveram que ficar em pé. Acredito que ao final da palestra, cerca de 60 pessoas estavam no auditório. Mamães, papais, vovós, vovôs, irmãozinhos, curiosos, etc.

A assistente social foi muito atenciosa e depois da palestra, abriu um espaço para fazermos perguntas. E aí começou o show de horrores e uma excelente oportunidade para observar o comportamento humano.
Uma moça levantou a mão e pediu para que a assistente social repetisse toda a palestra, porque ela havia chegado atrasada (inacreditável). Claro que a palestrante não repetiu e sugeriu que a moça voltasse em um outro dia, já que esse bate-papo é organizado com bastante frequência. A mesma moça pediu para que a palestra fosse enviada por e-mail, o que lhe foi negado, certamente por questões de uso de imagem. A moça ficou meio indignada, mas cá entre nós, a pessoa chegou atrasada e QUER TER RAZÃO? A pessoa pega o bonde andando e quer sentar na janelinha, abrir a janelinha, colocar metade do corpo pra fora e dar tchau pra toda família.

Ainda durante a palestra, as pessoas começaram a conversar entre si, em total desrespeito à palestrante e ao restante da plateia. Durante as perguntas, as pessoas se atropelavam e não permitiam que as outras fizessem as perguntas. Pessoas saiam no meio da apresentação (a parte das perguntas é parte da apresentação!), faziam barulho, etc. Um horror!
E percebi uma coisa: as pessoas estão realmente ficando perturbadas com o excesso de informação. Percebi que há gente mais confusa do que eu! Faziam perguntas bastante óbvias, confundiam fatos, atropelavam seu próprio raciocínio, etc. Alguns foram até rudes com a assistente social. E insistiram por uma visita em todo o hospital, sem compreender o motivo simples e muito óbvio pelo qual tal visita seria impossível. Imagine 60 pessoas andando pelos corredores da maternidade!

Acredito que as pessoas têm lido muito, buscado informações em fontes diversas (algumas boas e outras ruins), perguntado para outras pessoas, etc. E esse monte de coisa dentro da cabeça demora em ser processado. Notei por exemplo, a confusão entre parto humanizado x parto normal x parto natural. Percebi que as diferenças muitas vezes são ideológicas ou pessoais.

Um dos casais perguntou se o local realizava parto na banheira. A palestrante deu a informação necessária e o rapaz logo disse:

- Mas a médica dela (médica de sua companheira), realiza parto até naquele cantinho ali (apontou para um cantinho escuro do auditório).

Em outro diálogo, um senhor meio esbaforido, cheio de razão, disse:

- Mas e no meu caso, minha mulher e eu vamos agendar uma cesariana, porque nós escolhemos assim. Vamos ter direito a isso?

No final, quando fomos pegar nosso carro, uma mulher conversava com o companheiro em tom de seriedade:

- Olha, é melhor contratar uma parteira e ter o bebê em casa.

Entendo de onde surgem essas posturas. A violência obstetrícia é manchete em diversos portais de notícias, várias mulheres já deram relatos assustadores. O índice de cesarianas é enorme, principalmente na rede particular e dos convênios. Entretanto, não acho seguro de maneira alguma que uma criança venha ao mundo em uma casa. A não ser que você for ABSURDAMENTE RICA GISELE BÜNDCHEN STYLE. Nesse caso, você terá condições de instalar toda a infraestrutura de hospital em sua casa.

Enfim, como disse, essa é a minha opinião particular. Há mulheres que acham ok um parto em casa. Eu não acho. O índice de mortalidade materna era muito maior no passado, justamente porque os partos eram feitos em casa, sem a infraestrutura de um hospital. Desejo que tudo corra bem para mim e para todas as outras mamães, mas e se algum imprevisto acontecer? Nesse caso, o hospital tem condições de tentar evitar uma tragédia!

Ou seja, precisamos do hospital, mas o que fazer para evitar ser maltratada? Devemos buscar informação adequada e não devemos nos calar. Os relatos das mulheres que sofreram violência obstétrica são um lembrete para que não nos calemos, para que denunciemos tudo. Talvez eu sofra violência obstétrica, não sei. Eu estou me preparando inclusive para isso, mas não estou segurando pedras nas mãos para jogar em enfermeiras e equipe médica. Coloquei o foco todo no meu bebê. Vou ser gentil com todo mundo, argumentar educadamente e esperar que eu não sofra nada. E se eu sofrer algum desaforo, quero ser forte para aguentar e então denunciar. Porque eu, Samantha, prefiro correr o risco de sofrer violência obstétrica em um hospital do que correr os riscos que eu teria em um parto em casa.

Também discordo da enorme quantidade de cesáreas eletivas, embora eu respeite o desejo PESSOAL que uma mulher possa ter, por n razões. Mas em muitos casos, acho que entendo o que acontece: desinformação. Já ouvi cada coisa! Mulher que não quer que “a bexiga caia” ou não quer que “a vagina fique ‘relaxada’”. Ou mulher que tem medo de ter “algo” saindo de sua vagina. Nunca me esqueço de um caso, uma moça que conheci pela internet há alguns anos. Ela teve seu bebê por cesariana, estava feliz e tudo correu bem. Até aí tudo bem. Só que seu companheiro, médico, justificava a escolha da companheira dizendo que o prazer dele não seria estragado. E ele escreveu toda essa justificativa esdrúxula e machista em uma rede social, o que me fez morrer de vergonha alheia e sentir pena da moça. Quando li, fiz facepalm duplo twist carpado. Sim, caros leitores, o sujeito era médico! E até onde me lembro, pois não temos tanto contato, ela se separou dele (fico feliz por ela!).

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Acho que para este post, tenho duas conclusões principais. A primeira é sobre opinião pessoal. Nesse blog, eu falo de fatos científicos, mas também expresso minhas opiniões. Se você acha que uma cesárea eletiva ou um parto natural de cócoras na água em sua casa com 30 profissionais de áreas diferentes te rodeando são procedimentos aceitáveis, tudo bem. Eu não tenho nada a ver com isso, de verdade! Não quero atrapalhar o empoderamento ou protagonismo de ninguém. Se você tem uma opinião totalmente contrária, crie seu blog, produza seu texto, escreva uma crítica, faça um comentário, etc. Viva a internet!

Minha segunda e última conclusão é sobre o excesso de informações. Tomar atitudes práticas é melhor do que ficar em casa sentada lendo toneladas de informação na internet. Faça visitas a maternidades, compare o que elas têm a oferecer. Não importa se você usa rede do SUS, de convênios ou particular. Vá até os hospitais mais próximos de sua casa, informe-se sobre visitas, converse com mães que já tiveram seus partos nesses locais, etc. Direcione sua busca pela informação, canalize sua linha de pesquisa. Converse com seu obstetra, se possível, consulte uma segunda opinião profissional, etc. Ouça o que sua mãe, amigas, irmãs, colegas, primas, tias, avós e sogra têm a dizer. Acredito que é importante ouvir relatos de diversas gerações de mães para sabermos como as coisas eram no passado e como são hoje. A medicina, como todas as áreas do conhecimento, avança ao longo dos anos e as pessoas são testemunhas desses avanços. Por isso conversar e fazer perguntas no maior estilo “repórter investigativo”, são procedimentos que recomendo muito. Acreditem, nem tudo a gente aprende mais facilmente pela Internet. Na Internet, o joio e o trigo estão muito mais misturados e eu nem conheço essas duas plantas direito.

E acompanhem toda série A “Cientista” Grávida – A Série [minha saga pessoal rs]  aqui.

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Um dos melhores episódios de Star Trek: TNG– Time’s Arrow

Posted by on 2-mar-2015 in Blog, Ficção Científica, Ficção Especulativa | 0 comments

Como adorei escrever esse post e ele teve uma excelente receptividade (fico contentíssima em encontrar outros trekkers por ai), resolvi transformá-lo em uma espécie de série e falar de outros episódios que gostei bastante. Já aviso que vou focar em TOS e TNG, porque são meus favoritos, mas com certeza vou falar de VOY (porque JANEWAY né?) e de DS9 também!

O episódio que vou discutir hoje é o Time’s Arrow, que é um episódio duplo. É o 26° episódio da quinta temporada e o 1° episódio da sexta temporada de Star Trek: The Next Generation. A história do episódio é de Joe Menosky. Os leitores assíduos vão lembrar que mencionei esse episódio nesse post.

Bom, gosto desse episódio porque revela um pouco mais sobre a misteriosa Guinan, porque tem o enredo centrado em um mistério envolvendo o Data e porque envolve viagens no tempo! E claro, adoro viagens no tempo, que nerd não gosta?

Qual nerd não quer uma camiseta com essa estampa?

Qual nerd não quer uma camiseta com essa estampa?

Confesso que livros, séries e filmes com viagens no tempo me deixam absurdamente confusa, porque fico pensando em todos os paradoxos envolvidos. Em um livro recente, quem explorou isso muito bem e de maneira louca foi Stephen King em Novembro de 1963 (fiz resenha aqui). Para vocês terem uma ideia, fico confusa na trilogia De Volta Para o Futuro (o Emerson é fã da franquia e sempre me explica o DeLorean escondido no segundo filme, essas coisas). É uma confusão saudável, porque me faz pensar nos paradoxos das viagens no tempo e me faz pensar no enredo.

Mas vamos voltar a falar no episódio de Star Trek: TNG em questão, que é famoso por causa da cabeça do Data:

ST-TNG_Time's_Arrow_Part_1

A Enterprise está em órbita na Terra, investigando uma possível existência de alienígenas no planeta 500 anos antes. Apenas lembrando que Star Trek: TNG se passa no século XXIV, precisamente entre os anos de 2364 e 2370, aproximadamente. Ou seja, nesse episódio a Enterprise investiga a provável presença de alienígenas no século XIX. Ok, mas como chegaram nessa hipótese? A partir de evidências arqueológicas e paleontológicas. Em uma caverna em São Francisco, nos EUA, perto da Starfleet Academy, encontram uma caverna com várias relíquias do século XIX e encontram também a cabeça do Data. E foi por isso que a Enterprise foi chamada.

Mas daí você pensa: é a cabeça do Data mesmo? Caramba, o Data não tá sem cabeça naquele momento. Não seria a cabeça do Lore, do B-4, ou de outra criação maluca do Dr. Soong (que é o Dr. Robotinik do Star Trek). Não gente, é a cabeça do Data mesmo!

Perturbador né? O que aconteceu?

Bom, acontece que encontram lá na caverna também alguns fósseis. Aqui é o trabalho de um paleontólogo, coisa da Sybylla. São evidências celulares de fósseis de metamorfos do planeta Devidia II. Essas evidências tem a mesma idade das relíquias encontradas. Ou seja, o mistério começa a ganhar outros contornos e essas novas evidências ajudam muito. O capitão conclui que precisam ir até Devidia II. Chegando lá, eles detectam anomalias temporais, mas não detectam formas de vida. A Conselheira Troi consegue sentir a presença de seres em sofrimento. Data então percebe que consegue detectar os alienígenas, a questão é que eles não estão no mesmo referencial de tempo que a tripulação da Enterprise.

Aqui noto uma semelhança interessante com o episódio Wink of an Eye, da terceira temporada de Star Trek TOS. Em que Kirk é sequestrado por uma espécie que vive em um referencial mais rápido que o nosso. Acredito que Roddenbery e seu time de roteiristas parte dessa idéia em Star Trek TNG. Não li nenhuma informação oficial a respeito, mas que é fã da série talvez tenha notado a mesma coisa. Só que no episódio de Star Trek TOS, a espécie de aliens que vive em um referencial acelerado é a dos scalosians (acho que a ‘tradução’ por aqui deve ter ficado escalosianos, se não me engnao). Os escalosianos são exatamente iguais aos humanos (como muitas espécies de Star Trek TOS, sacumé, sem recursos para maquiagem) e muitos são inférteis devido terem sido atingidos por radiação.

Deela, rainha dos escalosianos que sequestra Kirk

Deela, rainha dos escalosianos que sequestra Kirk

Já os devidians (os habitantes de Devidia II) são formas “espectrais”. Parecem aqueles espíritos bons que aparecem em algumas cenas de Ghost (e que levam o Sam, personagem de Patrick Swayze para o outro lado da vida). Mas eles não são nada bons com os humanos, como falarei adiante. O fato é tecnicamente que eles não vivem em um referencial mais acelerado do que os outros humanóides. Eles vivem com uma diferença de fase mínima das outras formas de vida. Acredito que é o mesmo do que dizer que as partículas que compõe o corpo dos devidianos vibram em fase diferente. Olha, nem quero entrar em detalhes porque daí entraremos na mecânica quântica (assunto que não domino) e aqui há pano para manga para discussões de Espiritismo. A propósito, muitos fãs de Star Trek que conheço são espíritas, mas isso é outra discussão e pode ser certamente uma percepção pessoal e pontual minha.

Devidians

Devidians

Os devidianos são maus com a gente! Eles se alimentam de nossa energia neural, deixando os humanos muito debilitados e causando mortes. Eles podem viajar no tempo e há fortes indícios de que usaram momentos de sofrimento e mortes aqui na Terra (epidemias, guerras), para ocultar seus assassinatos.

E no século XIX, em São Francisco, ocorreu uma epidemia de cólera. Pessoas doentes, debilitadas e que consequentemente morreram em consequência da cólera eram fatos comuns. Imagino que em todas as grandes cidades do século XIX epidemias de cólera foram comuns. E se alguém quiser saber como foi o surto de cólera no Brasil no mesmo período, leiam esse interessante texto do Drauzio Varella.

Bom, mas a história toda tinha que ser ambientada em São Francisco, claro, porque  é lá que fica a  Starfleet Academy. Então o episódio mostra como era a São Francisco do século XIX. E aproveita para falar um pouco do trabalho do jornalista e escritor Samuel Langhorne Clemens, conhecido como Mark Twain, que morava em São Francisco na época e é personagem do episódio. Vale a pena ler um pouco da biografia de Mark Twain. O sujeito era uma figura, um grande humorista e crítico de sua época. O ator que interpreta Mark Twain é Jerry Hardin, e a caracterização visual está ótima. Um sujeito meio desengonçado, engraçado, extremamente curioso e muito a frente de seu tempo. Fica bem claro que o roteirista do episódio é realmente fã do escritor. Ah sim, outras celebridades menos famosas do século XIX também aparecem no episódio, vamos falando disso aos poucos =)

clemens

Samuel Clemens fuçando nos inventos de Data no século XIX.

 Assim que chegam em Devidia II, Data consegue entrar em fase com os devidianos, alterando sua vibração. Quando ele consegue fazer isso, ele consegue vê-los (como na imagem acima) e é sugado para um portal que o leva para a São Francisco do século XIX. Chegando lá, ele rapidamente se disfarça e diz que é um inventor. Claro que há diversos alívios cômicos provenientes da adaptação e estranheza de um androide no século XIX. Ele se hospeda em um hotel e faz amizade com um dos funcionários, que é na verdade o escritor e ativista social Jack London. A amizade com London é importante porque Data quer construir um detector de devidianos e para isso precisa da ajuda de um morador local para conseguir as peças necessárias.

Jack London era um profundo admirador do socialismo e defendia os direitos dos trabalhadores. Para mim, Star Trek é totalmente socialista. E aqui falo de socialismo utópico, Marx, Engels, essas coisas. Não estou falando de Lenin, de mortes, etc. Com as últimas eleições, percebi que muitas pessoas cometem equívocos terríveis e vergonhosos quando falam “da esquerda”.  Roddenbery acreditava que o fim das classes sociais, o fim da propriedade privada, o fim do desespero pelo acúmulo de riquezas serial alcançados no futuro. E eu sonho com o mesmo, uma das razões que me fazem ser fã da franquia.

Data precisa disfarçar-se e adaptar-se ao século XIX em São Francisco. Ele tem todo o conhecimento histórico, o que é bom. E isso o ajuda, mas há coisas na “personalidade’ do androide que são difíceis de disfarçar. Além disso ele não tem a cor de pele muito humana. Por ser meio amarelado, muitos acham que ele é chinês ou albino. Muitos chineses e japoneses migraram para São Francisco no século XIX e a maioria viveu sob condições desumanas. Data percebe que precisa de dinheiro para pagar o hotel, comprar as peças, comprar roupas, etc. E ele usa toda sua habilidade no poker para isso.

Graças aos contatos de London, Data acaba conhecendo outras pessoas do século XIX e imaginem a cara dele ao conhecer Guinan. Ok, ele não consegue demonstrar surpresa ou qualquer outro sentimento, mas o telespectador fica embasbacado. Data fica pensando se Guinan não teria, de algum modo, sido arrastada com ele para o futuro, mas a hipótese não parece funcionar bem. Ele começa a fazer algumas perguntas e percebe que a Guinan é a Guinan do século XIX! No meme de personagens que eu gostaria de ser (leia aqui), fiz uma breve biografia de Guinan. Acontece que por ser El Auriana, ela tem uma expectativa de vida de vários séculos. Em um momento do passado, a rebelde Guinan se desentendeu com seu pai e resolveu fazer um mochilão pela galáxia. Encontrou a Terra do século XIX, descobriu São Francisco e resolveu passar uma temporada por lá.

As perguntas de Data acabam intrigando o curioso Samuel Langhorne Clemens (ou Mark Twain), que começa a segui-los. Com seu espírito jornalístico, certamente percebeu que ali haviam segredos que renderiam uma ótima história. A curiosidade de Clemens preocupa Data e Guinan (que logo percebe que Data não é humano e desconfia de tudo, apesar de ainda não conhecê-lo).

Discretíssima, Guinan nunca havia contado a Data que o conheceu 500 anos antes. Essa mulher é um mistério, por isso sou tão fã da personagem (e adoro o fato de ela ter sido interpretada por Whoopi Goldberg).

Enquanto essas coisas se desenrolam, na Enterprise do século XXIV, La Forge e a equipe toda estão bolando uma forma de alterar a fase, assim como Data fez. Dessa forma, uma equipe poderia ir ao passado encontrar-se com Data e resgatá-lo. Guinan implora para que Picard vá também nessa arriscada missão. E ela sabe do que está falando: se Picard não for, a história vai ser alterada. Agora posso estar meio “confusa”, mas se não me engano antes disso Guinan havia dito que “um homem careca salvou sua vida”. E essa informação tem tudo a ver com a insistência de Guinan em que Picard fosse, como veremos adiante.

A presença de Clemens no episódio é fenomenal. Quando Picard, Riker, Dra. Crusher e Deanna Troi chegam no passado, eles fingem ser uma trupe de teatro, amigos de Data. Clemens fica ainda mais intrigado. Sim, Mark Twain é retratado como o maior mexeriqueiro do mundo. Isso é muito engraçado, de um grande espírito jornalístico. É claro que quem curioso é, acaba descobrindo muito mais do que gostaria. E é óbvio que Clemens descobre tudo e essa é uma das melhores partes do episódio. Mesmo tratando-se de uma série antiga e que muitos dos meus leitores talvez conheçam (e apesar de ter revelado muitas coisas sobre o enredo), não vou contar sobre a descoberta de Clemens. Isso é para deixar muito curioso quem ainda não assistiu esse episódio, que volto a dizer: é um dos melhores de Star Trek: TNG.

A interação dos personagens do século XIX com os personagens do século XXIV é muito boa. E eu acredito que essa interação poderia ser mais bem explorada no episódio, porque gosto desses “choques culturais temporais”. Mas acredito que se isso fosse feito, o mistério da cabeça do Data ficaria em segundo plano. Optaram por deixar em segundo plano (o que ficou perfeito!) a mexeriquice de Clemens.

Tá, mas e a cabeça do Data? Bom, rola uma explosão no século XIX e a cabeça dele é solta do corpo, ficando perdida no tempo por quase 500 anos. Não vou dar detalhes sobre essa explosão porque ela revela bastante sobre a relação entre Picard e Guinan. E também porque ela consiste no ápice da história (aqui só relembrando: o episódio é duplo, então me refiro aos dois).

Agora vejam só como a cabeça da gente dá um nó nessas viagens no tempo: Data achou a cabeça dele em algum momento do século XXIV, momento esse em que ele estava com a cabeça. Ele não ficou 500 anos sem cabeça. Mas ele só descobre que perdeu a cabeça no século XIX (a única forma de um ser positrônico perder a cabeça rs) quando está no século XXIV!

Os fãs discutem muito esse assunto. Em um fórum bem famoso do mundo trekker, o Trek BBC há um tópico interessante em que vários fãs discutem a cabeça do Data. Se Star Trek fosse “real”, a cabeça do Data ainda estaria enterrada lá em São Francisco, esperando ser encontrada daqui pouco mais de 300 anos.

Se essas coisas de alterações na linha do tempo e viagens no tempo não te deixam confuso, então meus parabéns. Posso ficar horas pensando nas consequências das viagens do tempo. Ao mesmo tempo que me sinto confusa, fico doida para ver mais e adoro episódios com essas temáticas. Para evitar paradoxos, acredito que a teoria dos Multiversos  é a que melhor explica essas situações. Há um outro episódio muito bom (que pretendo discutir em um outro post) que explora os multiversos muito bem: Parallels, que também é um episódio de Star Trek TNG. No episódio, Worf está voltando de um tornei de bat’leth em uma nave auxiliar, quando encontra uma Enterprise de outra timeline.

Vocês também gostam de episódios que exploram esses temas? Tem algum episódio favorito para mencionar? Escrevam aí nos comentários =)

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Dúvida do leitor: Carreira Profissional

Posted by on 27-fev-2015 in Blog, Dúvida do Leitor, Opinião, Profissão | 0 comments

ID-100110820O Cloves Teodorico perguntou (e mandou uma mensagem muito simpática):

Inicialmente, gostaria de parabenizá-la pelo blog. Acompanho a pouco tempo, mas adoro as postagens. Muito bem escrito.

Minha intenção, com este questionamento, é quase um ”socorro”. Na realidade, uma luz. É o seguinte: sou formado em Jornalismo há 1 ano, tenho 23 anos de idade, mas a verdade é que não estou satisfeito com a profissão. Cansei total MESMO. Minha segunda paixão, que quase segui carreira, foi a Geografia. Mas dentro da Geografia, sempre gostei da parte física, sabe? Estudar biomas, vegetação, solo, clima, etc, etc. Dentro dessa parte de geofísica, os fenômenos naturais da atmosfera são os que mais me deixam curiosidade.

Diante disso, estou me preparando, este ano, para prestar vestibular no fim do ano para Meteorologia. O que me preocupa: nunca fui fã de exatas! Mas tenho uma característica pessoal que marca: sou dedicado ao extremo quando quero uma coisa.

Então, minha pergunta pra ti é: curso Meteorologia mesmo? A maioria dos mestrados que eu tenho interesse ”exigem” a graduação em meteorologia. A carga de cálculo dá pra aprender mesmo com dificuldade?

Já conversei com pessoas formadas. E as opiniões variam, sabe. O que me deixa ainda mais inseguro, com medo e tal.

Aguardo teu retorno!
Desde já, muito obrigado!

Como já disse nesse post, perguntas sobre carreira são muito comuns aqui no bloguinho. Tento responder todas, mesmo que acabe me repetindo de alguma forma. Não importa, acredito que dessa forma novos leitores do blog vão saber um pouco mais de minhas opiniões.

Abaixo, vou colocar a resposta que dei a ele por e-mail e vou fazer alguns comentários em seguida:

Olha, minha opinião é que qualquer curso de graduação é difícil, se o aluno deseja fazer bem feito. Acho um mito isso de que curso de exatas é mais difícil. O que acontece é que infelizmente, principalmente em escolas públicas, o conteúdo não é apresentado de maneira interessante. Poucos professores são formados na área  que lecionam (triste realidade) e em várias escolas inclusive faltam professores para Matemática, Física e Química.

Enfim, esse é apenas um fator, ao meu ver um dos principais, por ter transformado exatas em um ‘bicho de sete cabeças’, que não é.
Apenas acho que você tem que pensar qual sua prioridade na carreira antes de cursar o vestibular. Você pretende trabalhar como meteorologista, na previsão? Ou pretende ser acadêmico da área de meteorologia?

Se pretende trabalhar na previsão, tem q fazer a graduação, porque só meteorologistas podem fazer previsão do tempo e atuar profissionalmente de modo geral. Se você pretende ser acadêmico, é possível fazer mestrados na área tendo outras graduações de exatas, como Física e Matemática. Conheço até geógrafos que fizeram mestrado e doutorado em departamentos de meteorologia e hoje são professores. 

Bom, acho que é o que tenho para fazer. Não vou dizer se você deve ou não fazer meteorologia, pq cabe a você definir de acordo com o que pretende fazer no futuro.

Depois vou elaborar essa resposta melhor e escrever um post a respeito, mas em linhas gerais é o que tenho a te dizer.

Um grande abraço e desejo uma boa escolha! 

Acredito que respondi as dúvidas do Cloves de maneira mais ou menos satisfatória. E esse post aqui também pode ajudar. Se você está em dúvida sobre cursar ou não Meteorologia, aconselho que procure conversar com diversos profissionais. Eu, por exemplo, trabalho com dados e com cultura e extensão, tenho pouquíssima experiência no mercado operacional (previsão do tempo). Vale a pena conversar com vários profissionais e ler os depoimentos de diversos meteorologistas. Dessa forma, fica mais fácil saber do que o curso se trata e saber o que se pode esperar depois de formado.

Sobre o que esperar depois de formado… bom, eis uma pergunta difícil. Supondo que o aluno formado já tenha em mente que não quer entrar para a carreira acadêmica (mestrado e doutorado), a resposta fica bem difícil. Por uma simples razão: não sabemos como vai ser a realidade do mercado de trabalho daqui 4 anos! Há uns 10 anos, as empresas de previsão do tempo contratavam bastante. Depois muitos formados acabaram indo para o mercado financeiro (bancos e instituições financeiras costumam valorizar profissionais da área de Exatas). Anos depois muitos meteorologistas foram trabalhar no mercado de energias renováveis. Assim, como simples observadora, percebo que o mercado de trabalho atua em “ondas”, como se a cada momento houvesse uma “moda”.  Mas isso é bem fácil de explicar. Imagine que o Joãozinho se formou e foi trabalhar em um banco. Seu chefe gostou de seu desempenho e pediu para que Joãozinho avisasse seus colegas que o banco está procurando mais profissionais. Só essas indicações já inserem vários formados no mercado de trabalho.

Além disso, a gente precisa lembrar que não tá fácil pra ninguém. Muita gente se forma e tem expectativas exageradas a curto prazo. Imaginam salários elevados, posições hierárquicas promissoras… Bom, a gente precisa começar de baixo, com muita calma e aprendendo bastante. Porque quando a gente se forma, seja em qual for a área, não sabemos os macetes do mercado de trabalho e não temos experiência profissional e operacional. Bom, a não ser que o aluno já tenha trabalhado antes ou feito um estágio (o que recomendo fortemente).

Um professor meu uma vez disse que se você faz o que gosta, irá bem. Pode não ficar milionário (nunca tenha expectativas de riquezas, essa é apenas minha opinião e posso falar mais sobre ela em outro post), mas vai ir bem e será reconhecido. E você terá satisfação pessoal, o que é muito bom. Imagine ficar 8h por dia dedicando-se a um trabalho que não gosta. Trabalhar é necessário, não há como fugir disso na sociedade. Se você retirar-se para morar em uma casa isolada no campo, vai ter que cultivar a própria comida e cuidar da manutenção da casa, por exemplo. O trabalho sempre vai existir, por isso temos que aprender a lidar com isso. E claro, sempre apoiar lutas sindicais e lutas por melhorias nas condições de trabalho, porque se ficamos 8h por dia trabalhando, isso precisa ser feito de maneira digna.

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