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É possível ter arco-íris em outros planetas?

Posted by on 18-dez-2014 in Astronomia, Blog, Óptica | 0 comments

Essa semana eu estava lendo a penúltima edição da Revista BBC Focus e essa foi uma das perguntas enviadas pelos leitores. Achei tão interessante, que decidi falar sobre o assunto aqui. Acho que vocês devem se lembrar de um post em que falo sobre chuva em outros lugares do Universo. Pois bem, teremos aqui um complemento. Precisamos primeiro definir quando o arco-íris ocorre.

Um arco-íris é um fenômeno meteorológico que ocorre devido a dois fenômenos ópticos: o de refração e o de reflexão.  A luz solar é refratada e refletida pelas gotas de chuva. Nesse post, explico um pouco mais sobre o processo de formação do arco-íris.

Arco Íris em Curitiba. Foto cedida ao http:www.meteoropole.com.br pelo meteorologista Rafael Toshio

Mas, será que existem arco-íris em outros planetas? Bom, para que a gente tenha um arco-íris é necessário apenas dois ingredientes: luz solar e gotas de chuva. No momento, não se conhece nenhum planeta que tenha água líquida em quantidade suficiente na atmosfera para fazer com que haja chuva e consequentemente, arco-íris. Só que há outras substâncias que podem causar a refração da luz solar de forma muito semelhante a das gotinhas de água. Lembram que contei que em Titan (lua de Saturno), chove metano? Pois então, a atmosfera de Titan é rica em metano líquido. A atmosfera de Titan é meio enevoada, muito provavelmente se parece com uma manhã de intenso nevoeiro.

Superfície de Titan (provavelmente o ... Mare) e a sonda Huygens chegando no planeta. by Mark Robertson-Tessi and Ralph Lorenz

Impressão artística da superfície de Titan (provavelmente o Punga Mare) e a sonda Huygens chegando no planeta. by Mark Robertson-Tessi and Ralph Lorenz

As impressões artísticas de Titan sempre mostram um mundo “enevoado” e com céu vermelho/alaranjado. Aqui na Terra, a cor mais espalhada pelas moléculas de gás e pela poeira suspensa na atmosfera é a cor azul. Em um dia bastante ensolarado e com pouca ou nenhuma nuvem o céu fica com um azul ainda mais vivo, porque há mais disponibilidade de luz e ela é ainda mais espalhada. Lá em Titan, a atmosfera (pelo menos a estratosfera, camada mais alta da atmosfera, onde a sonda Cassini chegou perto) é composta 98,4% por nitrogênio, 1,6% por metano/etano e 0,1-0,2% de hidrogênio. A coloração vermelha/alaranjada pode ser resultado do espalhamento da luz pelos hidrocarbonetos presentes em sua atmosfera (veja mais aqui). Claro que as imagens são representações artísticas, mas os ilustradores que trabalham com impressão artística astronômica usam o conhecimento científico além de sua imaginação (que ajuda muito :)). Veja outras impressões artísticas de Titan nesse link.

Com tanto nevoeiro assim, fica difícil ter luz solar direta. Mas se ocorrer, os arco-íris de Titã seriam bem parecidos com os da Terra. Como o metano tem um índice de refração diferente da água, é bem provável que o arco-íris seria mais estreito ou mais largo que o terrestre. Como disse no post sobre chuva em outros mundos, o ciclo do metano/etano é muito bem definido em Titan. Há inclusive um oceano desses hidrocarbonetos, chamado de Punga Mare. E recentemente descobriram que há até ondas nesse oceano! A Missão Cassini tem nos revelado muito acerca de Saturno e suas luas. Outra recente descoberta muito interessante sobre Titan é que por lá há nuvens muito semelhantes às Nuvens Mesosféricas Polares daqui da Terra. Há alguns meses escrevi um post sobre as Nuvens Mesosféricas Polares daqui da Terra (veja aqui).

Nuvem mesosférica polar em Titã (a esquerda, obtida pela Sonda Cassini) comparada com Nuvem Mesosférica Polar daqui da Terra (a direita). Image Credit: L. NASA/JPL/U. of Ariz./LPGNantes; R. NASA/GSFC/M. Schoeberl

Nuvem mesosférica polar em Titã (a esquerda, obtida pela Sonda Cassini) comparada com Nuvem Mesosférica Polar daqui da Terra (a direita). Image Credit: L. NASA/JPL/U. of Ariz./LPGNantes; R. NASA/GSFC/M. Schoeberl

A Nuvem Mesosférica Polar de Titan é feita de metano no estado sólido (gelo de metano). Leia mais sobre as Nuvens Mesosféricas Polares de Titan aqui.

Estou quase acreditando que tudo que existe e é feito com água aqui na Terra existe lá em Titã, só que feito de metano. Deve ter até Refrigerante Dolly.

Outro fenômeno óptico terrestre que acontece em fora da Terra também é a glória. Em Vênus, gotas de ácido sulfúrico são responsáveis pela ocorrência do fenômeno.

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Tempest prognosticator (Previsor de Tormenta)

Posted by on 17-dez-2014 in Blog, História, Instrumentos Meteorológicos, Pressão do ar, Tempestades | 0 comments

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O “Previsor de tormenta” era um sistema de previsão do tempo que tentava prever tempestades usando sanguessugas (isso mesmo) presas dentro de recipientes de vidro. As sanguessugas ficariam agitadas pouco antes das tempestades e tentariam subir pelo vidro, ativando um sistema de sinos. A foto parece ter sido tirada em algum Museu de Ciências, mas infelizmente não encontrei detalhes sobre qual museu seria. Fonte: Wikimedia Commons

O “Previsor de Tormenta” era um sistema de previsão do tempo que tentava prever tempestades usando sanguessugas (isso mesmo) presas dentro de recipientes de vidro. As sanguessugas ficariam agitadas pouco antes das tempestades e tentariam subir pelo vidro, ativando um sistema de sinos. A probabilidade de tempestades seria maior dependendo do número de vezes e da intensidade que os sinos seriam tocados.

Quem me mostrou o Previsor de Tormenta foi o Gabriel, um amigo meu da época de faculdade. Como eu, ele também adora essas “curiosidades bizarras”. O Previsor de Tormentas é uma invenção do século XIX. Foi inventado por George Merryweather, médico de família e entusiasta da Meteorologia. Há pelo menos dois fatos curiosos sobre Merryweather:

- A tradução de seu sobrenome seria “Tempo Feliz” e o sujeito inventa um dispositivo para prever tempestades, o que é muito curioso;

- Ele morreu em 1870, mas reza a lenda que ele foi visto em 1871 (sim, um fantasma? ou ele enganou todos sobre sua morte?).

No tempo de Merryweather, sanguessugas eram usadas em procedimentos médicos de sangria. Certamente Merryweather, que era médico, notou que as sanguessugas ficavam mais agitadas quando uma tempestade estava se aproximando. O médico inclusive detalhou o que ele considerava como “reação das sanguessugas à variações das condições elétricas da atmosfera”.

Merryweather teria sido inspirado por um poema chamado Signs of Rain (de autoria de Edward Jenner). O poema diz:  “The leech disturbed is newly risen; Quite to the summit of his prison.”

A tradução seria algo mais ou menos como: “A sanguessuga perturbada acaba de surgir; Exatamente no apogeu de sua prisão.”

Fui pesquisar mais sobre o poema e descobri que ele fala dos sinais da natureza antes da chuva acontecer. Fala da mudança no comportamento dos animais, por exemplo. Teria sido escrito por Edward Jenner, também médico, que viveu no século XVIII. Jenner escreveu o poema como uma “desculpa para não aceitar o convite de um amigo para uma excursão no campo”. Ele disse que choveria e falou de todos os sinais que apontariam para isso.

Jenner certamente é mais conhecido como seu trabalho como médico do que por seu hobby como poeta, pois é considerado o “pai da Imunologia” uma vez que descobriu  a primeira vacina (contra varíola).

Ainda sobre o poema, percebi que esse verso sobre a sanguessuga aparece só em edições antigas, como nesse periódico de 1861 (veja página 163). Em edições recentes do poema, a parte sobre as sanguessugas não aparece (como nessa reprodução). Não sei o porquê, mas deixo abaixo um recorte de uma edição de Living Age, de E. Littell (saiba mais sobre o periódico aqui) , periódico de 1861 que apresenta o referido poema com esse verso da sanguessuga:

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books (1)

A partir dessas inspirações,  Dr. Merryweather  teria passado boa parte do ano de 1850 desenvolvendo suas ideias para a criação do Previsor de Tormenta. Inicialmente, ele chamou o dispositivo de “Telégrafo Eletromagnético Atmosférico, condizido por Instinto Animal”. Merryweather vislumbrava que os governos e a indústria naval utilizariam seu dispositivo.

Em 1851, Merryweather apresentou o invento na Great Exhibition (Grande Exposição), famoso evento mundial que ocorreu em Londres naquele ano (leia mais aqui). O projeto de Merryweather foi fabricado por artesãos locais e o design foi inspirado em templos indianos (veja imagem que abre a postagem). No mesmo ano, Merryweather deu uma palestra de quase três horas para os membros da Philosophical Society entitulada “Essay explanatory of the Tempest Prognosticator in the building of the Great Exhibition for the Works of Industry of All Nations” (Ensaio explicatório do Previsor de Tormentas no prédio da Grande Exposição de trabalhos da Indústria de todas as Nações”.

Se a gente for pensar nos parâmetros de hoje, é totalmente bizarro que um monte de potes contendo sanguessugas ganharam tanto destaque em um evento mundial. A gente precisa lembrar que naquele tempo, a previsão do tempo era uma arte “misteriosa”, o que é muito diferente de hoje.

O design de Merryweather consistia em 12 recipientes de vidro dispostos em um círculo. Em cada recipiente haveria uma sanguessuga. Segundo o inventor, essa disposição em círculos evitaria que as sanguessugas se sentissem sozinhas (por favor, leitor, não ria rs). Em cada recipiente era colocado um pouquinho de água da chuva e e seguida cada sanguessuga então era colocada dentro de cada vidro. De acodo com Merryweather, as sanguessugas ficam alteradas pois são influenciadas pelo “estado eletromagnético da atmosfera”. Dessa forma elas subiriam pelo recipiente de vidro, atingiriam um tubo de metal no topo do vidro e dessa forma fariam com que um sino grande no topo do arranjo tocasse. Quanto mais intensamente esse sino tocasse, maior a probabilidade de tempestade.

Fico aqui imaginando uma palestra de TRÊS HORAS sobre isso. Merryweather deve ter contado todos os detalhes da fabricação do instrumento. Claro que não há eficácia comprovada sobre o funcionamento do instrumento. Além disso, é um instrumento que não é nada ético com os animais e mesmo se fosse, deve dar um trabalho manter essas sanguessugas todas vivas e saudáveis. Além disso, como quantificar a reação de cada sanguessuga, uma vez que indivíduos de uma mesma espécie de animal podem produzir reações e ter tempos de resposta diferentes. Entretanto, não deixa de ser um fato curioso. Hoje sabe-se que o que provavelmente afeta o comportamento das sanguessugas é mais as variações na pressão atmosférica que ocorrem antes de uma tempestade do que as alterações no campo eletromagnético. Tanto que o Previsor de Tormentas também é chamado de Barômetro de Sanguessugas.

O dispositivo original de Merryweather já não existe mais, mas existem algumas réplicas por aí, como informa esse verbete da Wikipedia (que inspirou o post).  Obrigada, Gabriel =).

Quer continuar impressionado? Existem pessoas que acreditam que sanguessugas podem ser ótimos animaizinhos de estimação e inclusive dão dicas sobre como cuidar delas. Veja aqui. Citando um conterrâneo famoso de Merryweather,  Shakespeare, em Hamlet: “Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia”

 

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A “Cientista” Grávida – A Série – Gravidez e o calor (episódio 2)

Posted by on 16-dez-2014 in Calor, Gravidez, Pressão do ar, Saúde e Meteorologia | 0 comments

ID-100181645Desde que descobri que estava grávida, comecei a ler bastante sobre o tema. Olha, ando topando com muito chorume virtual, mas também encontrei informações valiosas. O segredo é sempre saber filtrar.

O que mais gosto são dos relatos das outras gestantes. E isso a gente encontra em fóruns. Eu me inscrevi em dois fóruns bem grandes sobre o universo materno. E nessa época de verão, notei que muitas gestantes reclamam do calor e dizem sentir um calor mais intenso do que quando não estavam grávidas.

Não sei se é porque o verão “não chegou para valer” (embora Outubro tenha sido um mês bem quente). Ou se é porque sempre fui absurdamente calorenta. Fato é que ainda não senti esse calor absurdo ou talvez tenha sentido e não consegui distinguir da sensação de calor que eu já sentia antes da gravidez.

Outro ponto que deve ser levado em consideração em minha experiência pessoal: estou grávida de 12 semanas (3 meses). É pouco, pois as queixas que tenho ouvido partem de mulheres que estão com uma gestação mais adiantada.

Por essa razão, resolvi pesquisar: a sensação de calor é realmente pior para uma gestante? E com relação à sensação de frio? Vamos explorar cada um desses questionamentos. No primeiro post sobre o assunto (e segundo da série A “Cientista Grávida” – a série) , vou falar sobre Gravidez e Calor.

Existe um hormônio chamado estrogênio cuja produção cai durante a gravidez. A produção desse hormônio cai também durante a menopausa. A redução nos níveis desse hormônio está associada a ondas de calor. Então muitas grávidas sentem um calor intenso, mesmo em um dia mais frio. Essas ondas de calor podem acontecer de noite, fazendo com que a mulher simplesmente arranque os cobertores. Essas ondas de calor são mais comuns no segundo e no terceiro trimestre da gravidez, mas podem persistir mesmo durante a amamentação. Leia mais sobre o assunto aqui.

Além dessa questão hormonal, variações na pressão atmosférica (e disso eu entendo, rs) podem afetar a saúde humana. Há pessoas com enxaqueca que costumam sentir mais dores quando a pressão está mais alta (quando o ar está “mais pesado”). Meu pai mesmo costuma dizer que sente mais dores de cabeça quando vai a praia (e claro, no nível do mar a pressão do ar é mais alta). Já comentei em outro post que variações na pressão do ar podem causar dores nas articulações de pessoas já predispostas a isso (com artrite ou que sofreram fraturas, por exemplo).

Alguns estudos ainda sugerem que variações na pressão do ar podem afetar o sistema nervoso e dessa maneira afetar o nível de dor que a mulher sente durante o trabalho do parto. Outros estudos ainda sugerem que o aumento na pressão do ar nos últimos dias da gestação pode favorecer com que a mulher entre em trabalho de parto. Dessa maneira, se você já está de quase 40 semanas, talvez seja bacana acompanhar a previsão da pressão do ar para os próximos dias. É bastante provável que o bebê nasça no período em que a pressão estiver maior. Para acompanhar a previsão da pressão, sugiro o Master-IAG (clique aqui). Deixe os modelos pré-selecionados marcados, escolha também os quadradinhos das previsões médias dos modelos e prossiga. Em seguida, escolha a localidade mais próxima de sua cidade e escola a variável “Pressão reduzida ao nível do mar”.Se ficou muito confuso para consultar a pressão do ar dessa forma e você só acessa a previsão do tempo no seu smarphone (com aqueles ícones típicos, máxima e mínima), a gente pode deduzir que a pressão do ar está alta quando o dia está seco em ensolarado (quando a diferença entre a temperatura mínima e a máxima é elevada).

Claro que outros fatores determinam quando o trabalho de parto vai ocorrer. E eu não sou médica e não vou dar pitaco nenhum nisso. As informações que citei acima foram obtidos no artigo: “Emmet Hirsch et al: Meteorological Factors and Timing of the Initiating Event of Human Parturition. International Journal of Biometeorology Volume 55 Issue 2 pp. 265-272 2011”. Se você é da área de biológicas, vai aproveitar esse artigo muito mais do que eu (pode ser consultado aqui).

Outro fato importante que deve ser considerado durante a gestação é a fotoproteção. A fotoproteção deve ser preocupação de todo mundo ao longo do ano todo, mas mulheres grávidas estão mais sujeitas a melasmas, que são manchas na pele. Essas manchas surgem por razões hormonais, mas são agravadas quando nos expomos ao Sol sem proteção. Já li relatos de mulheres que sentem que suas manchas ficam mais pronunciadas mesmo em locais mais quentes (sem necessariamente exporem-se ao Sol). De qualquer maneira, a exposição inadequada à luz solar não é saudável e a pele da mulher grávida também é mais sensível. No site britânico do Baby Center (eles chamam de Baby Centre, rs), há um artigo muito completo em com várias dicas para lidar melhor com dias quentes. Por exemplo:

- Proteja-se do Sol com roupas, chapéu e óculos.

- Cuidado com a fotoproteção nospés: como no calor a gente usa muita sandália, as vezes acaba esquecendo de passar protetor nos pés.

- Use roupas de fibras naturais, pois elas permitem uma melhor circulação do ar. Elas também minimizam fricção com a pele, minimizando alergias ou outros problemas.

- Planeje suas atividades ao ar livre para os horários mais fresquinhos (início da manhã e final da tarde)

- Carregue um spray de água. Pode usar água termal, mas como normalmente água termal é bem cara, um spray comum (desses de loja de R$1,99) com água filtrada já pode ajudar. Em ambientes fechados, umidificadores de ar podem ajudar. Ou então o velho truque da bacia cheia d’água no quarto durante a noite (especialmente útil em dias quentes e  com baixa umidade relativa).

- Procure encontrar tempo para nadar. Sei que essa dica é bastante difícil para quem mora no Brasil e nem sempre tem acesso a boas piscinas públicas. Mas se você mora perto da praia ouse tem uma piscina em um clube que você frequenta, vale a pena organizar sua agenda. Exercícios na água reduzem o inchaço nos membros, fato muito comum principalmente no último trimestre da gravidez. Eu já me matriculei em aulas de hidroginástica e em um outro post conto para vocês como está sendo minha experiência;

- Beba muita água! Durante a gravidez, a desidratação ocorre mais facilmente. E quando estamos desidratadas, normalmente nos sentimos cansadas e desorientadas. Por isso deve-se sempre carregar uma garrafinha de água. Além disso, bebendo bastante água é possível reduzir o inchaço do corpo. Dica para quem mora em São Paulo: na DAISO Japan, loja de UD japonesa, tem umas bolsinhas de carregar água muito lindinhas por R$6,90 =)

- Minimize a quantidade de sal dos alimentos. O sal favorece na retenção de líquidos que aumentam o inchaço.

Bom, essas são algumas informações que compilei com relação a gravidez e calor. Em um outro post que escrevi antes de sonhar em estar grávida, falei de meu desconforto durante o calor e dei algumas dicas também, veja aqui.

Espero que tenham gostado =)

E acompanhem toda série A “Cientista” Grávida – A Série  aqui.

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Acabei a primeira temporada de Under the Dome :)

Posted by on 15-dez-2014 in Blog, Circulação da Atmosfera, Ficção Científica, Séries, Vento | 0 comments

Quando eu comecei a assistir Under the Dome, escrevi esse post. Ainda estava assistindo o segundo episódio da série, mas quis escrever algo mesmo assim para dar minhas primeiras impressões iniciais. Agora que já acabei a primeira temporada, posso falar um pouco mais.

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O que é aquele Big Jim, minha gente? É uma mistura de Governador (Phil) de The Walking Dead, políticos brasileiros e Walter White (de Breaking Bad). A propósito, Dean Norris (ator que interpreta o vereador Big Jim) é o mesmo ator que interpretava o cunhado de Walter White. O ator esteve ótimo em Breaking Bad e está melhor ainda em Under the Dome.

Big Jim é um sujeito que começou demonstrando parecer ser um vereador correto e muito generoso com as pessoas. Ele demonstrava ser um sujeito disposto a colocar a mão na massa e representar os interesses da comunidade de Chester’s Mill. Exatamente como nossos políticos prometem nas propagandas eleitorais. Com o decorrer da série, Big Jim mostrou quem realmente era: um homem corrupto, disposto a fazer qualquer coisa pela manutenção de sua reputação e pela manutenção de seu poder. O autoritarismo começou a ficar claro na personalidade do vereador.

Linda Esquivel, a policial que tornou-se xerife por força das circunstâncias, caiu um pouco em meu conceito. Sim, ela é uma mulher decidida e que realmente protege e serve a população. Mas a inexperiência e a ingenuidade fizeram com que ela confiasse cegamente em Big Jim. Além disso, ela deixou claro que ficou cega perante as decisões arbitrárias de Big Jim. Por exemplo, o vereador encarcerou dois menores (Joe e Norrie) e ela não se manifestou. O vereador está incitando a pena de morte e ela não tem forças para se manifestar. Achei bem decepcionante.

Por outro lado, a personagem Carolyn tem crescido muito depois de um acontecimento muito triste que ocorreu em sua família. Agora sabemos que Carolyn é uma advogada questionadora e uma excelente mãe. Ela questiona as prisões de Norrie e Joe. Ela também questiona as buscas sem mandato, que Big Jim tem feito nas residências de Chester’s Mill. Quando Big Jim discursa, ela parece ser a única a questionar. Carolyn está me lembrando Michonne e um pouco de Andrea (na primeira temporada de The Walking Dead).

Outra personagem que estou amando e a repórter Julia Shumway. Ela parece ser disposta a agir em nome da justiça, mesmo que isso a faça correr risco de morrer. Ela cometeu um grande erro profissional no passado (antes de mudar-se para Chester’s Mill) e esse fato parece fazê-la lutar para fazer tudo certo dessa vez.

Aos poucos, o mistério da redoma vai sendo desvendado (ou ficando ainda mais misterioso…rs). A primeira temporada revela algumas informações, mas deixa o telespectador ainda mais confuso. Fora os personagens que mencionei, não morri de amores por nenhum outro. Nem mesmo o misterioso e injustiçado Dale “Barbie” Barbara: ainda não sei se gosto dele.

Agora vamos aos aspectos “científicos” da redoma: choveu dentro deste trem, gente. CHOVEU! Aparentemente, a redoma funciona como um Sistema Ecológico Fechado (SEF) A água condensa dentro da redoma, forma nuvens e a chuva cai. Simples assim, exatamente como é do lado de fora. Há um momento no seriado em que mencionam a altura do domo, mas não consigo me lembrar. De qualquer maneira, a altura tem que ser suficiente para que uma parcela de ar atinja o Nível de Condensação Convectiva (NCC), que é a altura em que ocorre a condensação. Essa altura depende da temperatura e da temperatura do ponto de orvalho do local. A redoma precisa ter pelo menos uns 10km de altura, para que a parcela de ar atinja o NCC e ajude a formar uma nuvem profunda o suficiente para ter bastante água precipitável e até descargas elétricas.

Estou aqui imaginando que a chuva ocorreu por convecção. A redoma é um ambiente fechado, então instabilidades provocadas por sistemas de maior escala (como Sistemas Frontais) são impossíveis de ocorrer. Por outro lado, temos que lembrar que parte de um lago ainda encontra-se dentro da redoma. Dessa maneira, uma circulação de brisa lacustre pode ocorrer. Há algumas cenas em que está ventando próximo a construção da rádio (que fica próxima ao lago). E esse vento só pode ter sido gerado por circulação de brisa. Expliquei brisa marítima nesse post, mas a brisa lacustre ocorre exatamente pelo mesmo motivo: temos duas regiões com capacidades térmicas diferentes (a água e o solo). Cada uma dessas regiões vai aquecer a atmosfera numa taxa diferente.  Com diferenças de temperatura entre trechos diferentes da atmosfera , o ar fica com densidades diferentes, e como na natureza tenta se estabelecer um equilíbrio espontâneo, o movimento das parcelas de ar tendem sempre a igualar as diferenças de densidade e portanto de pressão, realizando um movimento sempre no sentido da região de maior para a menor pressão atmosférica, causando assim o vento. E esse movimento pode ocorrer em escalas diferentes: desde escalas menores (brisas lacustres) até escalas maiores (circulação de Hadley).

Nos primeiros episódios, Joe descobre que a redoma é parcialmente permeável. Na verdade, me pareceu funcionar mais ou menos como uma parede osmótica.  Mas não sei se é bem assim. Nos primeiros episódios, um incêndio de grandes proporções acontece dentro da redoma. A fumaça aparentemente não ficou presa dentro da redoma (ou difundiu-se de forma muito eficiente). Por outro lado, uma bomba MOAB foi lançada contra a redoma. Nada foi danificado no interior da redoma, nem pelo tremor que a explosão da bomba poderia causar. O área em torno do ponto onde a bomba atingiu a redoma ficou completamente destruída e a redoma e seu interior permanecem intactos. Nem fumaça entrou dentro da redoma. Ou seja, a redoma é permeável quando quer e é absurdamente resistente.

 E é aí que entra o caráter metafísico da redoma. Joe e Norrie encontram uma mini-redoma na mata que ao que tudo indica, tem conexão com a redoma grande. Essa mini-redoma permite a comunicação com quem (ou o quê) provavelmente criou e mantém a redoma. Claro que isso ainda não foi explicado. E claro que esse caráter metafísico foi inserido na história por causa de nerds especuladores como eu :P.

Estou doida para que o Netflix libere logo a segunda temporada. Até agora, tenho gostado muito! Outra série (essa original do Netflix) que estou ansiosa pela nova temporada é Orange is the New Black.

 

 

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Gravidez em Star Trek

Posted by on 10-dez-2014 in Blog, Ficção Científica, Gravidez | 5 comments

Preparem-se, pois gravidez será um tema recorrente aqui no blog. E sempre vou falar do assunto usando as abordagens que mais gosto: científica, minha experiência pessoal e gravidez na ficção especulativa. Como grande fã de Star Trek, não poderia deixar de falar sobre gravidez em Star Trek.

No Universo Star Trek, a gravidez é tratada como protagonista em diversos episódios. Um ponto que acredito ser bastante recorrente é que a fêmea (ou macho, dependendo da espécie) em geral sempre mantém suas atividades profissionais ao longo de toda a gestação. A não ser que a gravidez tenha sido consequência de alguma situação inusitada. Por exemplo, no episódio The Child, de Star Trek: TNG. No episódio, Deanna Troi fica grávida de uma forma de energia. É uma gravidez indesejada e pode-se dizer com certeza que a forma de energia abusou sexualmente dela, já que o contato não foi desejado. Ela decide ter o bebê (a opção do aborto é oferecida), e a gravidez e o desenvolvimento do bebê são muito rápidos. Nesse episódio inclusive é revelado uma característica interessante dos betazoides, espécie de Troi: o período normal de gestação dessa espécie de humanoide é 10 meses! É necessário mais tempo para que o cérebro betazoide (capaz de acentuada empatia e telepatia) se desenvolva. A mãe betazoide comunica-se telepaticamente com o bebê ;)

Deanna Troi em uma "gravidez relâmpago" no episódio The Child, de Star Trek: TNG

Deanna Troi em uma “gravidez relâmpago” no episódio The Child, de Star Trek: TNG

Por outro lado, as bajoranas carregam seus bebês por apenas 5 meses. Um sistema de vascularização mais eficiente que o humano permite essa gestação mais rápida. E as bajoranas não sentem enjoô: elas sentem uma vontade incontrolável de espirrar! E a gravidez bajorana é explorada através da experiência de Kira Nerys em Star Trek: DS9, que atuou como “barriga de substituição”.

Major Kira Nerys dando a luz ao lado da amiga Keiko O'Brien e de uma parteira bajorana. Na cultura bajorana, há exercícios e rituais para facilitar o parto ;)

Major Kira Nerys dando a luz a Kirayoshi lado da amiga Keiko O’Brien (mãe biológica de Kirayoshi) e de uma parteira bajorana. Na cultura bajorana, há exercícios e rituais para facilitar o parto ;)

E falando na gravidez de Kira Nerys, não posso esquecer da gravidez de Keiko O’Brien (esposa do Chief Miles O’Brien, que trabalhava na USS Enterprise e depois transferiu-se para a Deep Space Nine) que é grande amiga da Major Kira. Keiko é humana, de família tradicional japonesa.

A história da família O’Brien é bastante explorada nas séries Star Trek: TNG e Star Trek: DS9. Os dois se conheceram através de um amigo comum, Data. Casaram-se (o casamento misturou tradições irlandesas e japonesas) e tiveram filhos. Como humanos, a gravidez correu dentro daquilo que a gente conhece. Mas o bacana é que apesar das questões comuns referentes à gravidez, Keiko continuou com seu trabalho como botânica e professora. Acredito que é um exemplo positivo! Ainda hoje há quem acredita que a mulher grávida deve ficar em casa sem fazer absolutamente nada. Claro que há casos em que a recomendação médica é de repouso absoluto, mas não é verdade na maioria das gestações.

Além disso, a família O’Brien mostra que algumas tradições (que talvez sejam machistas na opinião de alguns), ainda mantém-se no século XXIII-XXIV. Por exemplo, Keiko muda o nome logo após o casamento. Keiko e Miles tem dois filhos: Molly and Kirayoshi. E Kirayoshi não tem esse nome por acaso: Keiko O’Brien se machucou durante uma missão e sua amiga, Major Kira Nerys, atuou como “barriga de substituição”, dando continuidade ao restante da gestação. É nesse momento que a história de uma mãe humana (Keiko) encontra-se com a de uma mãe bajorana (Kira Nerys), que age por amor pela amiga.

Keiko e Kirayoshi

Keiko e Kirayoshi

Há outros casos de gravidez humana na série. Como por exemplo a da segunda esposa de Capitão Benjamin Sisko (Kasidy Yates-Sisko) e a Lt. Francisca Juarez, que dá a luz um pouco antes do casamento de Keiko e Miles. A enfermeira Alyssa Ogawa (que trabalha com a Dra. Beverly Crusher na enfermaria da U.S.S. Enterprise) é uma personagem recorrente da série Star Trek: TNG nas últimas temporadas e também fica fica grávida. Outro caso interessante de gravidez humana é uma gravidez híbrida (duas espécies diferentes de humanóides). No caso, a xenobióloga Samantha Wildman (que trabalhou na U.S.S. Voyager) e seu marido ktariano tiveram um bebê. Em casos assim, de miscigenação entre humanoides, o bebê nasce com características misturadas. Normalmente, uma raça humanóide tem características mais dominantes. E também depende da criação, do ambiente que a criança vive, para que ela possa absorver traços culturais que realçam ainda mais essas características. Spock por exemplo é filho de uma humana e um vulcano. Foi criado em vulcano e apesar da aparência dominante ser de vulcano, ele também tem características psicológicas de humano.

Samantha Wildman e seu bebê meio humano / meio ktariano.

Samantha Wildman e sua bebê meio humana / meio ktariana.

Mas vamos voltar a simpática família O’Brien. A melhor imagem é de Kirayoshi é com Worf.

Kirayoshi e Worf. Worf também é transferido para a DS9

Acho que o bebê não está gostando muito rsrsrs. Kirayoshi e Worf. Worf também é transferido para a DS9

E aproveito a imagem para falar da gravidez dentre os klingons, minha raça de alien favorita. As mulheres klingon carregam os bebês por 30 semanas. Dentre mestiços, a gravidez pode durar até menos. B’Elanna Torres, oficial meio klingon/meio humana da U.S.S. Voyager, é advertida sobre isso pelo Doctor.

A bebê de B’Elanna nasce (não lembro se realmente foi de menos de 30 semanas) e é chamada Miral Paris. O parceiro de B’Elanna é totalmente humano. Dessa forma, a bebê é apenas 1/4 klingon. Ela nasce com características craniais klingon muito sutis.

Miral Paris, bebê 1/4 Klingon, recém-nascida.

Miral Paris, bebê 1/4 Klingon, recém-nascida.

Outra grávida Klingon é K’Ehleyr, que teve um breve e intenso relacionamento com Worf. Não lembro exatamente se ela aparece grávida, mas o bebê nasce, ela morre e Worf passa a criá-lo com muita dificuldade. K’Ehleyr é mestiça (humana/klingon), assim como B’Elanna Torres. Dessa maneira, o pequeno Alexander é 1/4 humano.

Raro momento em que os três (Worf, Alexander e K'Ehleyr) aparecem juntos.

Raro momento em que os três (Worf, Alexander e K’Ehleyr) aparecem juntos.

Uma crítica que sempre fiz com relação as mulheres klingons de mais destaque é que elas raramente são totalmente klingons (com exceção das irmãs Lursa e B’Etor). Normalmente elas são mestiças com humanos para que os traços fiquem mais “delicados”. Como muitos dos homens klingons de destaque são interpretados por atores negros,  pra mim parece o mesmo que fazem cá no mundo real: as moças mestiças são consideradas bonitas e há uma enorme resistência em quebrar esse status quo. Tanto que quando Lupita Nyong’o foi eleita a mulher mais linda do mundo, houve quem criticasse (sempre tem um imbecil do contra que deveria ficar calado, né?).

Por falar nas irmãs Duras, Lursa também fica grávida na série (em um dos poucos episódios em que as irmãs aparecem), mas esse fato não é muito explorado. Uma pena, sou grande fã das irmãs Duras.

E já que recentemente falei dos Ocampa (quando falei sobre a ausência de núcleos de condensação), em Star Trek: Voy a gravidez Ocampa é um pouco explorada também. Como essa espécie vive apenas 9 anos, as mulheres Ocampa atingem a maturidade sexual por volta dos 4 anos. O bebê fica em um compartimento especial, nas costas da mãe, que me parece ser uma mistura entre útero e aquelas bolsas dos marsupiais.

Kes. rebelde Ocampa que passou uma temporada na nave U.S.S. Voyager. Na série, Kes fica grávida em uma realidade alternativa.

Kes. rebelde Ocampa que passou uma temporada na nave U.S.S. Voyager. Na série, Kes fica grávida em uma realidade alternativa.

E por falar em realidade alternativa, Deanna Troi também fica grávida de Worf em uma realidade alternativa. Eles tem dois filhos, que no caso seriam 1/4 betazoide, 1/4 humano e 1/2 klingon. Que família mais interessante :). Pena que ficou só na realidade alternativa.

Pessoal, tentei falar da maioria dos casos que me lembrei dos episódios que assisti. Claro que há outros casos de gravidez no Universo Star Trek, já que estamos falando de 4 séries e 11 filmes. Coloquei os que me lembro e considero importantes. E claro, contei com a ajudinha da Memory Alpha para lembrar alguns nomes de personagens.

 P.S.: O amigo e querido leitor Beto, do Habeas Mentem, deixou um comentário tão maravilhoso para esse post que ele merece fazer parte do texto do post. Por isso estou editando meu post para inserir o comentário do Beto.

Infelizmente Star Trek sempre mostrou a gravidez mais como um reflexo de como ela é encarada no século XX e menos como poderia ser no século XXIV (curioso que poucas foram as gravidezes mostradas na Série Clássica, sendo que não lembro de nenhuma em seres humanos). Todas as mostradas em tela tinham muito potencial para gerar questionamentos interessantes (o abuso sexual da Conselheira Troi e o aborto como uma opção nesse caso em TNG; a transferência do feto no caso Casal O’Brien/Major Kira, que achei a maneira mais genial de mascarar a gravidez real da atriz Nana Visitor, sem apelar pra desculpas óbvias que poderiam descaracterizar a personagem; as gravidezes Klingons, que seria uma excelente oportunidade de se aprofundar na cultura da raça guerreira; além da Ocampa Kes, que só pelo fato de seu ciclo de vida de 9 anos já seria o mote para uma quase infinidade de temas interessantes de cunho científico, sociológicos e mesmo psicológicos (imaginem um mestiço de Ocampa com humano, por exemplo que consiga alcançar os 30 anos de vida, vivendo mais que qualquer Ocampa e Menos do esperado pra qualquer humano).
Infelizmente nada disso foi abordado perdendo-se excelentes oportunidades de enriquecer ainda mais todo o já imenso universo de Star Trek.

Melhor conclusão impossível, não? A gravidez em Star Trek é mais vista como um reflexo de como ela é encarada no século XX. E adoraria ter visto um mestiço entre Ocampa e humano =). Obrigada, Beto, que comentário perfeito!

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