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A seca em São Paulo: novo olhar para as variabilidades interanuais

Posted by on 24-out-2014 in Blog, Chuva, Clima, Mudanças Climáticas, Opinião, Seca | 0 comments

Ontem (23 de outubro de 2014) e hoje está acontecendo o Workshop “Adaptação climática em megacidades: refletindo sobre impactos, demandas e capacidades de resposta de São Paulo”. O evento foi organizado pelo INCLINE (Nucleo de Apoio a Mudanças Climáticas da USP).

As palestras de ontem foram ótimas. Um grupo de especialistas em diversas áreas (meteorologia, geologia, defesa civil, etc) debateu temas ambientais específicos de grandes cidades. Eu não pude ir hoje (24 de outubro), pois tinha outros compromissos. As palestras de hoje tratarão sobre Florestas Urbanas e Mobilidade e Transporte.

Quando o ambiente urbano é discutido, é necessário levar em consideração que os temas ambientais são complexos, pois envolvem estudos multidisciplinares. Além disso, as próprias megacidades são muito complexas, com necessidades de deslocamento e planejamento do espaço urbano. Se colocarmos nesse caldeirão a questão das mudanças climáticas, fica bem claro do grande desafio que os tomadores de decisão tem ao criarem e gerirem políticas para o bem estar das grandes cidades.

Podemos considerar as grandes cidades como grandes organismos vivos, talvez aqui me inspirando na Hipótese Gaia de James Lovelock. Nossas cidades estão doentes. Essa conclusão sempre é feita em eventos que discutem mudanças climáticas e grandes cidades. Usando aqui minha imaginação, imagino artérias entupidas (avenidas cheias de congestionamento e rios e córregos poluídos), há doenças de pele (sujeira nas ruas, construções mal planejadas, falta de áreas verdes) e doenças respiratórias (poluição do ar em níveis alarmantes, com material particulado que é inalado e prejudica a vida da população).

Imagino as megacidades (especificamente São Paulo, que é a megacidade que vivo), como um vago mutante, criatura criada pelo escritor de ficção especulativa Stephen King e que sofreu efeitos da radiação nociva.

Vagos Mutantes atacando Jake Chambers e Roland. Arte de Michael Whelan

Vagos Mutantes atacando Jake Chambers e Roland. Arte de Michael Whelan

Ao considerar uma megacidade como um organismo vivo, talvez recuperemos a ideia de comunidade e futuro comum. Eu acredito que essa ideia já existiu no passado, mas foi abandonada porque nos tornamos cada vez mais egoístas. A violência urbana nos fez ter medo dos vizinhos. O consumismo nos fez querer acumular coisas, ter tudo que o dinheiro pode comprar. Perdoem minhas abordagens superficiais, mas acredito que consumismo, desigualdade social e violência urbana estão completamente interligados. Sei que a desigualdade social sempre existiu, talvez agora ela esteja mais exposta e tenhamos mais vergonha dela.

O tema central do Workshop é a seca em São Paulo. Eu comentava com alguns professores e colegas que se não fosse essa seca, o evento teria outro eixo. Talvez poluição do ar, ilhas de calor ou até mesmo enchentes. No momento, os holofotes estão todos voltados para a seca.

Em um texto recente, falei sobre como acompanhar o nível dos reservatórios (veja aqui). O Sistema Cantareira é o mais prejudicado e a água tem data para acabar. Mesmo que as chuvas dessa estação chuvosa fiquem acima da média, vai demorar alguns anos para que o reservatório se recupere completamente. Além disso, ontem ainda ouvi falar em impermeabilização do reservatório. Toda argila exposta do fundo das represas pode secar de uma maneira que impermeabilizará o fundo das represas e prejudicará a recarga subterrânea. Assustador! O cenário não é nada animador.

Eu vi muitas coisas nas palestras de ontem. Não consigo “cobrir” as palestras ao vivo porque não consigo prestar atenção no palestrante e digitar ao mesmo tempo. Prefiro fazer algumas anotações a caneta e depois trazer as informações para os meus leitores. Não vou resumir todas as palestras (foram mais de 10!), mas todas orbitam em torno do tema do evento, evidentemente. E em posts futuros pode ser que eu recupere informações que foram ditas nas palestras.

Já que o tema central foi a água, destaco um gráfico igual ao apresentado pela Prof. Dra. Maria Assunção Faus da Silva Dias. Trata-se de um gráfico que já vi várias vezes, mas a professora me apresentou uma outra interpretação:

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Esse é o gráfico de total anual de chuva desde 1933, em dados da Estação Meteorológica do IAG-USP. Já vi esse gráfico várias vezes (inclusive o gráfico acima foi feito por mim, com os mesmos dados da professora). Quando olhava para esse gráfico, sempre observava que há uma tendência de aumento no total anual de precipitação. Mas essa não é a informação mais importante do gráfico! O detalhe mais importante mora nas flutuações entre um ano e outro.

Um ano não é exatamente igual ao outro em termos de precipitação. Bom, os padrões esperados são iguais: no caso de São Paulo, chove bastante entre DJF e pouco entre JJA, por exemplo. Isso é o que a gente espera, baseando-se em padrões médios da atmosfera ditados principalmente pela latitude, continentalidade e altitude. Quando digo que um ano não é exatamente igual ao outro, é porque existem anos mais secos e anos mais úmidos. Por essa razão, o gráfico é todo serrilhado para cima e para baixo, mostrando os extremos de anos secos e os extremos de anos úmidos.

Agora repare que até a década de 1950 mais ou menos, as oscilações eram mais tímidas quando comparadas com os anos mais recentes. Nos anos mais recentes, esses “sobes e desces” ficaram mais pronunciados. Há portanto, uma tendência no aumento das oscilações. Em outras palavras, há uma tendência de aumento dos extremos! Quando a Prof. Maria Assunção colocou as coisas sob essa perspectiva, meus olhinhos brilharam!

Essa conclusão também foi escrita nos último relatórios do IPCC, onde foi bastante ressaltado que os eventos extremos se tornarão mais frequentes. E no último relatório do IPCC, falou-se também do risco para a segurança hídrica na América Latina (veja parte 1 e parte 2 das minhas considerações).

Mapa regional dos impactos das Mudanças Climáticas na América Latina. Esse gráfico é adaptado e traduzido do AR4 (2007), do Grupo de Trabalho II.

Outro palestrante, o geólogo Ronaldo Malheiros Guerra (da Defesa Civil de São Paulo), falou sobre os planos de contingência para diversas situações de emergência da cidade: baixa umidade relativa, baixa temperatura e enchentes e deslizamentos. No entanto, ele admitiu que não há um plano de contingência para a seca que estamos vivendo. Anteriormente, a Prof. Dra. Mônica F. do Amaral Porto (FCTH e professora da Poli/USP) afirmou que não havia maneira de passar incólume por esta seca. Claro, pois não foram feitos investimentos no setor! Não se houve falar no investimento na preservação dos mananciais e nem em obras para ampliar os reservatórios.

Uma conclusão é certa: precisamos repensar nas grandes cidades. Precisamos mudar nossas atitudes individuais e individualistas (há pessoas que gastam água a vontade, sem pensarem no problema da crise hídrica e argumentando que podem pagar). E quem financia e lucra com a especulação imobiliária, que pressiona as pessoas de baixa renda a procurarem m² mais barato nas periferias (e muitas vezes em áreas de preservação ambiental)? Com essa pergunta retórica, termino esse post.

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Resenha de Novembro de 1963, Stephen King

Posted by on 22-out-2014 in Blog, Ficção Científica, Livros, Resenhas | 2 comments

Vou fazer a resenha de um livro de Stephen King que tem menos de 3 anos de lançamento. Inclusive logo que foi lançado no Brasil (começo de 2013), a Folha fez uma resenha-propaganda-divulgação. Lembro de ter lido a resenha e ficado curiosa. Curiosa por tratar-se de um novo livro de um escritor que admiro muito e curiosa com o tema.

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Quem é fã de Arquivo X deve se lembrar do Canceroso. Esse personagem misterioso, que fumava compulsivamente, fazia parte de uma organização acima do FBI, CIA e até acima do próprio Governo dos EUA. A série explorava diversas teorias da conspiração e em um episódio dedicado a morte de J.F. Kennedy, o responsável pelo assassinato teria sido o próprio Canceroso (que se não me engano, teria atirado de dentro de um bueiro). Lee Oswald, de acordo com a série, teria sido apenas um bode expiatório e estava lá no Depósito de Livros para realmente ser pego. A propósito, numa das poucas e últimas declarações que Oswald teria dado logo após o crime, ele teria dito que era apenas um bode expiatório. Oswald  foi assassinado um dia após de seu crime por Jack Ruby, admirador fanático do presidente morto.

A morte do presidente J.F. Kennedy é um assunto que suscita todo tipo de teoria da conspiração e gera combustível para a ficção especulativa. Teria sido mesmo Oswald? E se foi mesmo Oswald, ele teria bolado tudo sozinho? Qual seria a motivação de Oswald? Ele teria alguma ligação com Cuba ou com a Rússia? Foi coisa de dentro dos EUA, do próprio FBI? Foi coisa de algum fanático opositor texano que estava na multidão?

Parece difícil aceitar que o próprio Oswald poderia ter feito isso sozinho. Um sujeito sem educação formal, muito pobre, ex-fuzileiro naval e com delírios provocados por mania de grandeza teria a coragem de matar o presidente? Tudo indica que sim, que ele fez tudo sozinho. Inclusive na época e nos anos posteriores ao assassinato de Kennedy, muitas investigações foram feitas. Investigaram o círculo de conhecidos de Oswald, sua família, sua esposa russa, seus antigos empregos, etc. Tudo indica que ele agiu sozinho, guiado por um delírio de ignorância e idealismo absurdo. Mas será que não existe 0,01% de probabilidade de que essas investigações tenham chegado a uma conclusão errada?

Quando uma pessoa representa a esperança de novos tempos e morre em seu auge de popularidade, como Kennedy ou Dom Sebastião I de Portugal, logo surgem as lendas e as hipóteses. E se ele tivesse sobrevivido? Será que o mundo teria sido diferente? Para Al Templeton, dono de uma lanchonete em Novembro de 1963, a resposta é sim. Templeton acredita que não haveria guerra do Vietnã e a igualdade racial logo teria sido alcançada. Martin Luther King Jr. não teria sido assassinado. E Templeton consegue convencer o professor Jake Epping, cliente fiel de sua lanchonete. Mas as coisas não ficam apenas no terreno da suposição. Acontece que a despensa da lanchonete de Templeton guarda um segredo: uma possibilidade de retorno ao passado. Sim, uma espécie de porta, no maior estilo “A Torre Negra”. Talvez se caminhar devagar por esta porta,  será possível ver um nevoeiro e monstros do Todash? Bom, essas são conjecturas da fiel leitora e resenhadora ;)

Só que há várias regras nesse retorno ao passado: o retorno ocorre em uma data específica, será necessário esperar. É possível voltar também. Mudanças grandes ou pequenas podem acontecer. Efeito Borboleta: qualquer mudança na Terra de Antigamente pode representar mudanças grandes ou pequenas na Terra do Futuro. E será que se pode viajar no tempo sem restrições ou sem preços a pagar? Bom, para saber de tudo isso é necessário ler Novembro de 1963!

O livro conta com aqueles clichês deliciosos de Stephen King, por exemplo:

- O professor de inglês e/ou escritor de sucesso ou frustrado, com questões e problemas em sua vida particular;

- Um personagem com problemas com álcool e/ou drogas;

- Um personagem com dificuldades intelectuais, mas que representa um ideal de bondade e/ou possui poderes paranormais;

- Uma pessoa desprezada pela sociedade, mas que sabe mais do que os outros sobre temas que estão abaixo da superfície;

- Crianças que representam ideal de bondade e/ou são paranormais;

- Grupo de amigos que é fiel, que passou (ou não) por uma situação difícil e ameaçadora no passado (que só os deixou mais unidos);

 Ou seja, é um típico livro de Stephen King. Quem ama os clichês criados pelo autor vai adorar o livro. A coisa menos Stephen King que tem no livro é: história de amor. Se você é sensível como eu, vai chorar em algumas partes. O momento-amor me lembrou até Água para Elefantes, não sei bem o porquê.

De acordo com o que li, King queria ter escrito Novembro de 1963 na década de 1970. Ele já tinha o projeto do livro, mas segundo o próprio autor, achou melhor que tenha saído quase 50 anos depois do crime. Ele teve mais tempo de pesquisar. Sim, algumas partes do livro são bem fiéis a história.

E se você leu a série A Torre Negra vai notar uma amarração de Novembro de 1963 com a série. Porque todos os feixes levam à Torre. E é assim que Rei do Maine consegue vender livros.

Relações entre personagens/cenários/situações nos livros de Stephen King. Por Tessie Girl.

Relações entre personagens/cenários/situações nos livros de Stephen King. Por Tessie Girl.

Recomendo o livro, mesmo que você não seja familiarizado com o autor e nunca tenha lido outros livros dele. E se você gosta de História Norte-Americana da época, vai gostar bastante também. Considerando esse aspecto histórico, diria que é um dos melhores livros de King.

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Meteorópole completa 3 anos

Posted by on 21-out-2014 in Blog | 2 comments

Na verdade, eu me esqueci completamente dessa data!

O aniversário real do Meteorópole é 10 de Setembro, porque foi em 10 de Setembro de 2011 que publiquei o primeiro post do blog. Era um post que descrevia a Atmosfera da Terra e usei como base algumas apresentações que eu tinha guardadas e que usava durante feiras e eventos de difusão científica.

O Meteorópole cresceu timidamente. Hoje também falo de filmes, livros, exposições e outras coisas que fazem parte do meu lifestyle. Nessa jornada, agradeço todos os queridos leitores. Beijo especial para o Renan, Beto e Sybylla, que sempre me incentivam e compartilham meus textos. Agradeço também a Jaque, pelo profissionalismo na criação do layout e hospedagem e pela amizade que só aumentou nesses três anos!

Agradeço a cada visitante. E fico feliz por cada lição de casa e trabalho escolar que foram ajudados pelo blog. Agradeço aos professores que me escrevem agradecendo pelo conteúdo que encontraram, que os ajudou a preparar aulas. Agradeço a cada um que chegou até aqui e me ensinou alguma coisa.

Nesse próximo ano, pretendo ampliar os assuntos abordados no blog. Dessa forma, o blog vai ganhar mais conteúdo. Demorou 3 anos para ele começar a ficar a minha cara. Antes eu achava que tinha que escrever apenas sobre Meteorologia. Bom,  Meteorologia continua sendo o principal assunto do blog, mas outras coisas também fazem parte de minha vida e quero dividi-las com vocês.

Obrigada a todos que me apoiaram, de perto ou de longe =)

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Vi esse bolo aqui 

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Sistema Cantareira: sites com informações que podem ser usadas em atividades didáticas

Posted by on 21-out-2014 in Água, Blog, Seca | 0 comments

Imagem compartilhada pela querida Raquel Almeida, bióloga e organizadora da @infoambiental.  São duas imagens do mesmo ponto do Sistema Cantareira. A imagem de cima é de 2012 (com mais água) e a de baixo é de 2014 (seca, muito seca).

Figura 1: Imagem compartilhada pela querida Raquel Almeida, bióloga e organizadora da @infoambiental. São duas imagens do mesmo ponto do Sistema Cantareira. A imagem de cima é de 2012 (com mais água) e a de baixo é de 2014 (seca, muito seca).

Decidi escrever um texto para situar leitores que não são de São Paulo. No entanto, acredito que ajudará mesmo os leitores de São Paulo. E o texto me ajudou também, pois para escrevê-lo tive que pesquisar alguns números e aprendi bastante coisa.

Em primeiro lugar, o que é o Sistema Cantareira?

Para responder isso, vou ter que começar contando o que a SABESP faz: ela é responsável pelo abastecimento de mais da metade dos municípios paulistas (364 dos 645). Vinte e seis milhões de habitantes são atendidos pela SABESP, no fornecimento de água potável e tratamento de esgoto. Se a SABESP é eficaz ou não nessa tarefa, vou deixar cada um de vocês decidirem. O que estou apresentando são apenas números.

A SABESP é responsável pela administração de 6 grandes sistemas de armazenamento. Cada um desses sistemas, é composto por uma rede de reservatórios e sistemas de tratamento de água. Os sistemas são os seguintes:

- Sistema Cantareira
– Sistema Alto Tietê
– Sistema Guarapiranga
– Sistema Alto Cotia
– Sistema Rio Grande
– Sistema Rio Claro

No site da SABESP é possível acompanhar como anda a situação de cada um desses sistemas em termos de abastecimento. Basta clicar nesse link. O interessante desse link é que ele apresenta dados desde 2003. Quando, por exemplo, escolho a data de hoje (21 de Outubro de 2014), tenho as informações dos volumes armazenados em cada um dos Sistemas. Vou separa a informação obtida para o Sistema Cantareira:

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Figura 2: Volume  armazenado, chuva diária, chuva mensal e média histórica de precipitação para o Sistema Cantareira. Informação referente ao dia 21/out/2014. Fonte: SABESP

Ou seja, em 21/10/2014 (hoje, no caso), há apenas 3,3% do volume armazenado, conforme indicado na Figura 1. Quem lembra do post que escrevi ontem, lembra que falei em 3,5% (a informação era do fim de semana).  Já caiu um pouquinho, mesmo com a chuva de domingo e de terça pela madrugada. Foi uma chuva relativamente fraca e ainda não estamos distantes da média do mês (conforme indicado na Figura 2, a média é 130,8mm e até hoje choveu apenas 24,9mm, pouco menos de 1/5 da média).

Quando a gente compara com o comecinho do ano, 01/01/2014:

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Figura 3:Volume armazenado, chuva diária, chuva mensal e média histórica de precipitação para o Sistema Cantareira. Informação referente ao dia 01/jan/2014. Fonte: SABESP

A Figura 3 mostra que em 01 de janeiro de 2014, o volume armazenado no Sistema Cantareira era de 27,2%. Já era baixo,  pois a estação chuvosa 2013/2014 foi muito ruim. E a situação só piorou, pois os meses de janeiro e fevereiro foram secos.

E por que falam tanto do Sistema Cantareira? Por diversas razões. Primeiro porque o Sistema Cantareira é o maior dos Sistemas administrados pela SABESP, abastecendo 8,8 milhões de clientes da empresa. Depois porque é o mais prejudicado. Quando pego as informações do dia 21/10/2014, observa-se que ele é o com menor volume armazenado:

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Figura 4: Volume armazenado, chuva diária, chuva mensal e média histórica de precipitação para cada um dos Sistemas de abastecimento administrados pela SABESP. Informação referente ao dia 21/out/2014. Fonte: SABESP

A Figura 4 mostra que o Sistema Cantareira é o que encontra-se em situação mais crítica, seguido pelo Sistema do Alto Tietê. O sistema que está com maior armazenamento é o Sistema Rio Grande, com 71,8% até 21/10/2014.

Em janeiro/2010 tivemos chuvas muito acima da média na maior parte do Estado de São Paulo-SP. A Estação Meteorológica do IAG-USP registrou 653,2mm de chuva (quase 3x a média climatológica). Lembrando que os dados da Estação Meteorológica do IAG-USP são informações observadas no PEFI (Parque Estadual das Fontes do Ipiranga), na Zona Sul da cidade. No entanto, me lembro bem que choveu muito ao longo de toda a cidade. E a Estação do Mirante de Santana (que é do INMET), por exemplo, também registrou recordes para Janeiro/2010. Conhecendo essa informação, escolhi Janeiro/2010 para mostrar o contraste com Janeiro/2014 (Figura 3):

Figura 4:Volume armazenado, chuva diária, chuva mensal e média histórica de precipitação para o Sistema Cantareira. Informação referente ao dia 01/jan/2010. Fonte: SABESP

Figura 5:Volume armazenado, chuva diária, chuva mensal e média histórica de precipitação para o Sistema Cantareira. Informação referente ao dia 01/jan/2010. Fonte: SABESP

A Figura 5 mostra um abastecimento de 99,8%. Um conhecido meu que trabalha na SABESP narrou que as comportas do sistema precisaram ser abertas, pois o volume de água era muito grande. Ou seja, vemos aí a necessidade de obras de ampliação desses sistemas de armazenamento (pelo menos na minha opinião), para aproveitar eventuais excedentes de água.

Para moradores de São Paulo: Como posso saber qual sistema abastece minha casa? De acordo com informações do IDEC:

A distribuição de água em São Paulo

Segundo a Sabesp, o sistema de abastecimento da região metropolitana de São Paulo é integrado: são oito complexos responsáveis pela produção de 67 mil litros de água por segundo, para atender 33 municípios atendidos pela empresa, além de outros seis que compram água por atacado (Santo André, São Caetano do Sul, Guarulhos, Mogi das Cruzes, Diadema e Mauá). Esses oito complexos são:

Sistema Cantareira: é o maior da Região Metropolitana de São Paulo. Na Estação do Guaraú são tratados 33 mil litros de água por segundo destinados a 8,1 milhões de pessoas das Zonas Norte, Central e partes das Zonas Leste e Oeste da capital, bem como os municípios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba e São Caetano do Sul, além de parte dos municípios de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André. O sistema é formado pelos rios Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Juqueri (Paiva Castro);

Alto Cotia: a água vem da represa Pedro Beicht, formada pelos rios Capivari e Cotia do Peixe. A captação é feita na represa da Graça e transportada para a Estação de Tratamento Morro Grande. A produção de 1,2 mil litros de água por segundo abastece cerca de 409 mil habitantes dos municípios de Cotia, Embu, Itapecerica da Serra, Embu-Guaçu e Vargem Grande;

Baixo Cotia: a água vem da Barragem do Rio Cotia, sendo tratados 900 litros por segundos para abastecer aproximadamente 361 mil moradores de Barueri, Jandira e Itapevi;

Alto Tietê: o sistema é formado pelos rios Tietê, Claro, Paraitinga, Biritiba, Jundiaí, Grande, Doce, Taiaçupeba-Mirim, Taiaçupeba-Açu e Balainho. São tratados 15 mil litros de água por segundo para atender 3,3 milhões de pessoas da Zona Leste da capital e dos municípios de Arujá, Itaquaquecetuba, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Suzano, Mauá, Mogi das Cruzes, parte de Santo André e dois bairros de Guarulhos (Pimentas e Bonsucesso);

Sistema Guarapiranga: é o segundo maior sistema de água da Região Metropolitana, localizado nas proximidades da Serra do Mar. Sua água é proveniente da represa Guarapiranga (formada pelos rios Embu-Mirim, Embu-Guaçu, Santa Rita, Vermelho, Ribeirão Itaim, Capivari e Parelheiros) e da Represa Billings (Rio Taquacetuba). Produz 14 mil litros de água por segundo e abastece 3,7 milhões de pessoas das Zonas Sul e Sudoeste da Capital;

Estação Ribeirão da Estiva: capta água do Rio Ribeirão da Estiva e produz 100 litros de água por segundo. Abastece 38 mil pessoas dos municípios de Rio Grande da Serra;

Sistema Rio Claro: localizado a 70 km da Capital, produz 4 mil litros por segundo. A água vem do rio Ribeirão do Campo e é tratada na Estação Casa Grande. Abastece 1,5 milhão de pessoas do bairro de Sapopemba, na Capital, e parte dos municípios de Ribeirão Pires, Mauá e Santo André;

Rio Grande: é um braço da Represa Billings. Produz 5 mil litros de água por segundo e abastece 1,2 milhão de pessoas em Diadema, São Bernardo do Campo e parte de Santo André.

Depois de ter compilado essas informações do IDEC, descobri que o ISA (Instituto SocioAmbiental) criou um site que deixa a pesquisa ainda mais automatizada. Veja aqui. basta informar o seu CEP :). Escolhi um CEP específico, de um ponto da Zona Sul,  e funcionou:

Figura

Figura 6: Resultado de uma consulta no site do ISA. Consultado em 21/10/2014

A ferramenta mostra que o CEP que coloquei corresponde a uma região abastecida pelo Sistema Guarapiranga (Figura 6). O volume apresentado pela ferramenta (43,2%), indicado acima da Figura 6, difere um pouco do que vi no site da SABESP (Figura 4: 42,8%). É provável que a ferramenta do ISA pegue informações do dia anterior, mas não tem problema. O que acho importante destacar nessa ótima iniciativa da ISA é que é possível ver informações sobre o Sistema. É possível conhecer suas dimensões, os rios que abastecem as represas e o total de água fornecido.

Além disso, o ISA destaca não somente a falta de chuvas como ameaça para o sistema. Falam na degradação ambiental, causada pela ocupação urbana irregular e pelo desmatamento.

Na minha opinião: Professoras, o site do ISA e o site da SABESP são importantes ferramentas de ensino e conscientização. Apresentem os sites aos seus alunos, orientem pesquisas nos sites (escolham datas e CEP’s variados) para fomentar discussão na sala de aula. Utilizem também notícias e reportagens para orientar a discussão.

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Furacão Gonzalo e mudança de tempo em São Paulo-SP

Posted by on 20-out-2014 in Água, Blog, Furacão | 0 comments

Vamos primeiro falar do Furacão Gonzalo:

gonzalo_tmo_2014290A imagem acima foi destaque no Earth Observatory, da NASA. Trata-se de mais uma imagem obtida pelo satélite Terra, operado pela NASA. Nesse satélite, há um sensor chamado MODIS (Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer). Esse radiômetro permite que o satélite obtenha lindas imagens como a de cima, que mostra o Furacão Gonzalo em 17 de Outubro de 2014 às 15:15 UTC. Nesse momento, o furacão tinha categoria 3 (Escala Saffir-Simpson[1]). Na imagem, podemos ver uma parte da costa da Carolina do Norte. A nebulosidade cobre as Bermudas. O pequeno arquipélago ficou sem luz, houve muitos danos materiais, mas felizmente não há registro de vítimas.

Nesse momento da imagem, os ventos atingiam até 205km/h e o centro do fenômeno  tinha pressão de 947hPa.

Saiba a diferença entre furacão e tornado nesse post.

Agora vamos falar de calor. Muito calor aqui em São Paulo-SP. Esse calor todo ocorreu semana passada, quando o recorde absoluto de temperatura foi “quebrado” duas vezes, de acordo com informações da Estação Meteorológica do IAG-USP. Na segunda-feira passada (13 de Outubro), a máxima temperatura observada foi de 36,7°C, sendo a maior temperatura já registrada nesta estação desde 1933 (início das operações da Estação). Na última sexta-feira (17 de Outubro), a máxima temperatura observada foi 37,2°C, quebrando mais uma vez o recorde.

E por falar em recordes, alguns números da Estação Meteorológica do IAG-USP. Vamos primeiro conhecer as top 11 maiores temperaturas já registrada nessa Estação:

17/10/2014 37,2°C
13/10/2014  36,7°C
03/01/2014  36,1°C
01/02/2014  36,1°C
31/10/2012  35,9°C
12/10/2014  35,8°C
07/12/1940  35,6°C
07/02/2014  35,6°C
08/02/2014  35,6°C
13/10/1994  35,4°C
19/01/1999  35,4°C

Agora vamos conhecer as máximas temperaturas mensais, ou seja, as maiores temperaturas já registradas em cada mês:
03 de Janeiro de 2014     36,1°C
01 de Fevereiro de 2014     36,1°C
01 de Março de 2012     35,1°C
03 de Abril de 1996     33,3°C
03 de Maio de 2001     30,9°C
29 de Junho de 1972     29,3°C
25 de Julho de 2002     30,2°C
28 de Agosto de 1961     33,0°C
31 de Agosto de 1963     33,0°C
27 de Setembro de 1988     35,3°C
17 de Outubro de 2014     37,2°C
16 de Novembro de 1958     35,5°C
7 de Dezembro de 1940     35,6°C

Agora vamos fazer um recorte apenas para o mês de outubro, com as  top máximas dos meses de outubro desde 1933:
2014-10-17 37,2°C
2012-10-31 35,9°C
1994-10-13 35,4°C
2000-10-23 35,2°C
2002-10-11 35,2°C
2007-10-21 35,1°C
1944-10-09 35,0°C
1972-10-27 35,0°C
2002-10-16 35,0°C
2002-10-10 35,0°C
1936-10-03 34,8°C
1994-10-17 34,8°C
2002-10-10 34,8°C
2007-10-21 34,7°C
2002-10-08 34,7 °C

Muito calor, não? Mas só poderemos falar em recordes em termos de médias  quando o mês de outubro acabar. Quem mora em São Paulo já percebeu que esfriou nessa segunda feira (20 de Outubro) e a tendência é que permaneça assim pelo menos até amanhã (21 de Outubro). Os adoradores de calor podem comemorar, já que na quinta-feira o tempo volta a ficar seco.

Por falar em tempo seco, esteve seco e quente na última semana porque uma massa de ar quente e seco dominava a maior parte do interior do país. Essa massa de ar ganhou o nome de bolha de ar quente e essa palavra virou sucesso na imprensa rs. Por favor colegas, parem de criar novos nomes ;).

Além do calor, precisamos lembrar da falta de chuvas. Choveu um pouquinho no Sistema Cantareira (até 32,2mm em alguns pontos), mas essa chuva não ajuda praticamente nada. Mesmo com a chuva, o nível do reservatório desceu!

Os meteorologistas estão falando em falta d’água desde o verão 2013/2014. Nesse post, por exemplo, mostro o nível do Sistema Cantareira em 04 de Fevereiro de 2014. O nível era 21,2% e os meteorologistas já estavam preocupados. Agora, o nível é de 3,5% (isso mesmo, mesmo com a chuva baixou um pouco). A situação está mais do que crítica. Além disso, a tal água do volume morto pode não ser de boa qualidade. Isso significa que pode causar sérios problemas a saúde, principalmente porque essa água pode conter metais pesados.

É um problema de saúde pública. Então meus amigos e colegas de outros Estados me perguntam como o Alckmin foi re-eleito? Sinceramente, não entendo mais a mente dos meus conterrâneos. E não quero fazer análises políticas por aqui, pois meu blog não trata disso. Eu tenho a consciência tranquila de NUNCA ter votado em Alckmin ou qualquer um de seu partido.

 

Notas.

[1] Essa escala de intensidade de furacões está bem ilustrada na animação abaixo:

 

 

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