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Furacão Gonzalo e mudança de tempo em São Paulo-SP

Posted by on 20-out-2014 in Água, Blog, Furacão | 0 comments

Vamos primeiro falar do Furacão Gonzalo:

gonzalo_tmo_2014290A imagem acima foi destaque no Earth Observatory, da NASA. Trata-se de mais uma imagem obtida pelo satélite Terra, operado pela NASA. Nesse satélite, há um sensor chamado MODIS (Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer). Esse radiômetro permite que o satélite obtenha lindas imagens como a de cima, que mostra o Furacão Gonzalo em 17 de Outubro de 2014 às 15:15 UTC. Nesse momento, o furacão tinha categoria 3 (Escala Saffir-Simpson[1]). Na imagem, podemos ver uma parte da costa da Carolina do Norte. A nebulosidade cobre as Bermudas. O pequeno arquipélago ficou sem luz, houve muitos danos materiais, mas felizmente não há registro de vítimas.

Nesse momento da imagem, os ventos atingiam até 205km/h e o centro do fenômeno  tinha pressão de 947hPa.

Saiba a diferença entre furacão e tornado nesse post.

Agora vamos falar de calor. Muito calor aqui em São Paulo-SP. Esse calor todo ocorreu semana passada, quando o recorde absoluto de temperatura foi “quebrado” duas vezes, de acordo com informações da Estação Meteorológica do IAG-USP. Na segunda-feira passada (13 de Outubro), a máxima temperatura observada foi de 36,7°C, sendo a maior temperatura já registrada nesta estação desde 1933 (início das operações da Estação). Na última sexta-feira (17 de Outubro), a máxima temperatura observada foi 37,2°C, quebrando mais uma vez o recorde.

E por falar em recordes, alguns números da Estação Meteorológica do IAG-USP. Vamos primeiro conhecer as top 11 maiores temperaturas já registrada nessa Estação:

17/10/2014 37,2°C
13/10/2014  36,7°C
03/01/2014  36,1°C
01/02/2014  36,1°C
31/10/2012  35,9°C
12/10/2014  35,8°C
07/12/1940  35,6°C
07/02/2014  35,6°C
08/02/2014  35,6°C
13/10/1994  35,4°C
19/01/1999  35,4°C

Agora vamos conhecer as máximas temperaturas mensais, ou seja, as maiores temperaturas já registradas em cada mês:
03 de Janeiro de 2014     36,1°C
01 de Fevereiro de 2014     36,1°C
01 de Março de 2012     35,1°C
03 de Abril de 1996     33,3°C
03 de Maio de 2001     30,9°C
29 de Junho de 1972     29,3°C
25 de Julho de 2002     30,2°C
28 de Agosto de 1961     33,0°C
31 de Agosto de 1963     33,0°C
27 de Setembro de 1988     35,3°C
17 de Outubro de 2014     37,2°C
16 de Novembro de 1958     35,5°C
7 de Dezembro de 1940     35,6°C

Agora vamos fazer um recorte apenas para o mês de outubro, com as  top máximas dos meses de outubro desde 1933:
2014-10-17 37,2°C
2012-10-31 35,9°C
1994-10-13 35,4°C
2000-10-23 35,2°C
2002-10-11 35,2°C
2007-10-21 35,1°C
1944-10-09 35,0°C
1972-10-27 35,0°C
2002-10-16 35,0°C
2002-10-10 35,0°C
1936-10-03 34,8°C
1994-10-17 34,8°C
2002-10-10 34,8°C
2007-10-21 34,7°C
2002-10-08 34,7 °C

Muito calor, não? Mas só poderemos falar em recordes em termos de médias  quando o mês de outubro acabar. Quem mora em São Paulo já percebeu que esfriou nessa segunda feira (20 de Outubro) e a tendência é que permaneça assim pelo menos até amanhã (21 de Outubro). Os adoradores de calor podem comemorar, já que na quinta-feira o tempo volta a ficar seco.

Por falar em tempo seco, esteve seco e quente na última semana porque uma massa de ar quente e seco dominava a maior parte do interior do país. Essa massa de ar ganhou o nome de bolha de ar quente e essa palavra virou sucesso na imprensa rs. Por favor colegas, parem de criar novos nomes ;).

Além do calor, precisamos lembrar da falta de chuvas. Choveu um pouquinho no Sistema Cantareira (até 32,2mm em alguns pontos), mas essa chuva não ajuda praticamente nada. Mesmo com a chuva, o nível do reservatório desceu!

Os meteorologistas estão falando em falta d’água desde o verão 2013/2014. Nesse post, por exemplo, mostro o nível do Sistema Cantareira em 04 de Fevereiro de 2014. O nível era 21,2% e os meteorologistas já estavam preocupados. Agora, o nível é de 3,5% (isso mesmo, mesmo com a chuva baixou um pouco). A situação está mais do que crítica. Além disso, a tal água do volume morto pode não ser de boa qualidade. Isso significa que pode causar sérios problemas a saúde, principalmente porque essa água pode conter metais pesados.

É um problema de saúde pública. Então meus amigos e colegas de outros Estados me perguntam como o Alckmin foi re-eleito? Sinceramente, não entendo mais a mente dos meus conterrâneos. E não quero fazer análises políticas por aqui, pois meu blog não trata disso. Eu tenho a consciência tranquila de NUNCA ter votado em Alckmin ou qualquer um de seu partido.

 

Notas.

[1] Essa escala de intensidade de furacões está bem ilustrada na animação abaixo:

 

 

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O sexismo e a Ciência: o relato de uma ouvinte feminista

Posted by on 17-out-2014 in Blog, Feminismo, Opinião, Profissão | 0 comments

Atenção: editei esse post para remover o nome da emissora de rádio e o nome dos envolvidos. Pensei bem e concluí que não quero me prejudicar e muito menos prejudicar uma colega de profissão. Acho que dizer o nome dela aqui não teria problema, mas prefiro evitar.

A Sybylla recebeu o e-mail de uma amiga. Como a queixa da amiga dela tinha super a ver com o Meteorópole (e logo vocês vão saber o porquê), ela me encaminhou o e-mail da amiga. Oculto o nome dela por razões de privacidade e só divulgarei parte do e-mail. Confiram abaixo:

Há anos escuto diariamente a rádio [nome da rádio]. Faz parte do meu dia-a-dia e nunca (não antes de ler seu blog – no caso, o blog da Sybylla) tinha notado o tamanho machismo num quadro. A comentarista de meteorologia é a [nome da meteorologista], formada pela USP. Tanto no programa nacional quanto no local (RJ) ela entra ao vivo falando da previsão. Os dois âncoras, [fulano 1] e, no local, (RJ) o [fulano 2], sempre comentam como ela está bonita, como é o vestido e sempre, SEMPRE põe à prova os conhecimentos meteorológicos dela. Volta e meia ela é cobrada para explicar quais disciplinas ela estudou ou explicar, teoricamente falando, como se forma a nuvem ou como a frente fria funciona. Ela é sempre alvo de piadinhas sexistas e diariamente põe seu conhecimento teórico à prova.
É deprimente. Ela ri, entra na brincadeira, mas são os dois diretores da empresa que ela presta serviço que estão ali. Não dá pra mandar catar coquinho. Volta e meia ela faz boletins mais elaborados, explicando na teoria, com termos rebuscados justamente pra provar que ela não é “a moça bonita do tempo”.
Historicamente a previsão do tempo é uma tarefa delegada à moças bonitas e um tanto sem função na redação. Quase um bibelô. Uma cientista como a [nome da meteorologista], que ainda é jovem e considerada bonita, é quase uma ofensa para esses homens.

Eu não escuto a [nome da rádio mencionada]. Vou confessar para vocês que escuto apenas a KissFM, podcasts variados, canais do youtube e streamings do Grooveshark. Não tenho nada contra rádios de notícias, é que realmente eu não tenho o costume de ouvi-las.

Como trabalho com popularização científica, converso com as pessoas. Muitos perguntam minha formação e orgulhosamente digo que sou meteorologista. Explico que existe um curso de Bacharelado em Meteorologia, falo sobre as matérias que aprendemos no curso, menciono as áreas de atuação dos meteorologistas, etc. Muitos perguntam se a moça que apresenta a previsão do tempo também é meteorologista e digo que em mais de 99% dos casos, não é. Salvo casos raros, em trabalhos feitos para o Youtube em que empresas como Somar e Climatempo investem no potencial de suas funcionárias.

Eu, trabalhando no USP e as Profissões.

No entanto, muitas pessoas com as quais converso ouvem rádio no trânsito de São Paulo. E nomes como Laura Ferreira, Josélia Pegorim, Aline Ferreira e Desirée Brandt são sempre lembrados com muito carinho. Fico feliz em ver colegas trabalhando na comunicação e sendo lembradas. Infelizmente ainda não “dominamos” a mídia de massas, a TV. E há uma explicação muito imediata para isso: a TV preza a plástica, a beleza (eurocêntrica, salvo casos raros). Para trabalhar na TV, você precisa seguir o padrão de beleza dominante na sociedade.  E vou ser sincera para vocês: eu não tenho tempo e nem paciência para me submeter a esses padrões. Prefiro ler um livro, escrever ou assistir uma série de TV do que passar horas na academia. Prefiro ficar em casa jogando boardgames e bordando do que ir em clínicas de estética ou salões de beleza. Claro que as vezes eu quero um “momento spa“, mas não é algo que faz parte do meu cotidiano.

Não sei como é para as amigas e colegas meteorologistas. Há colegas que acordam todos os dias as 4h da manhã, porque na nossa profissão, tudo acontece antes do meio dia. Há colegas que viram a noite, em pesquisas acadêmicas ou fazendo o monitoramento das enchentes em São Paulo. Há colegas que precisam morar longe da família, pois só conseguiram encontrar emprego em outros Estados. Enfim, a vida do meteorologista não é uma vida glamourosa. Não temos diariamente e ao nosso fácil alcance os recursos da TV (cabeleireiro, roupas elegantes, etc). Por mais vaidosa que seja a meteorologista, ela ainda precisa ter o tal padrão de beleza esperado e exigido. E não é todo mundo que nasce branca e fica magra pra sempre, certo?

O que a amiga da Sybylla narrou é inaceitável. Talvez a meteorologista encare tudo isso como brincadeira, não sei, já que não a conheço pessoalmente. Só que se eu, Samantha, estivesse no lugar dela, ficaria ofendidíssma e mais uma vez revoltada com o machismo que somos diariamente submetidas. Passamos quatro anos ou mais na Academia, sofrendo para aprender disciplinas difíceis como  Cálculo, Física e Programação. Nossa aparência física, nosso padrão de beleza, simplesmente não importam. Estou cansada de ter homens brancos de meia idade (porque em geral, essa é a cara do opressor) colocando selo de aprovação no que sou e no que faço. Entendam, meu chefe (ou minha chefe!) pode e deve avaliar meu trabalho: avaliar apenas meu trabalho, sem assédios morais. Mas não espero uma medalha de “honra ao mérito”  no meu trabalho por ser bonita. Não preciso ter meu conhecimento posto a prova com desdém, apenas para mostrar que “sou mais que um rostinho bonito”. Quero ser avaliada pela minha capacidade, com ou sem luzes perfeitas e/ou maquiagem impecável.

Como disse, não conheço a meteorologista envolvida na questão. Estou me colocando no lugar dela. Vou narrar aqui algumas situações que já ocorreram comigo e são muito parecidas com o texto enviado pela amiga da Sybylla:

- Já deixaram de me entrevistar porque “sou jovem demais”. Tenho 31 anos e acredito que um rapaz da minha idade não teria o mesmo problema. E na nossa sociedade que assume que juventude é sinônimo de beleza, já deu para entender.

- Já perguntaram se eu “tinha estudado tudo isso mesmo”.  Parece que é difícil, para alguns homens, que posso ser bonita e inteligente. E “bonita” aqui entenda que só me consideram bonita porque sou branca e razoavelmente magra.

- Certa vez questionaram minha formação, dizendo que era um “curso fácil”.

- Outra vez questionaram meu trabalho, dizendo que “era tranquilo, o computador faz tudo”. E olha, quem questionou nem é da área. Ou seja, homem cis branco opinando sobre o que não sabe e valendo-se de seu privilégio social, que novidade. 

- Também já perguntaram “o que faço no meu trabalho” mas num contexto de desdém, como se eu não fizesse nada o dia inteiro (ontem teve recorde de temperatura  e imaginem só como foi a procura da imprensa). Se está curioso para saber o que faço em meu trabalho, faça a pergunta direito e sem assumir nada.

- Quando eu era estudante de Mestrado, certa vez disseram que “eu não fazia nada, só estudava”.

- Algumas pessoas (até familiares!) cobram que eu tenha uma determinada aparência.

- Certa vez  apareci no Jornal Nacional falando sobre Radiação UV. Essa pessoa (e foi uma mulher, a algoz!) questionou minha aparência. Disse que minha roupa e minha ausência de maquiagem não combinavam com o Jornal Nacional. Oi? Não sabia que era uma reportagem sobre moda e estilo, pensei que fosse uma reportagem sobre ciência!

Narrando essas coisas, não quero que os homens sintam pena das mulheres cientistas. Nós não merecemos a piedade de ninguém. Merecemos apenas respeito. Queremos ser tratadas como colegas, como pares e não como “a moça bonita que faz doutorado” ou “a gostosa que só está fazendo doutorado porque é gostosa”. Queremos ser tratadas como as profissionais capazes e competentes que somos.

Algum voluntarioso que por ventura ler esse texto vai dizer: “tá, mas e a Dra. Fulana da Silva Sauro que é incompetente?”. Queridão, deixa eu te contar uma coisa: existem pessoas incompetentes independentemente do gênero, orientação sexual, cor de pele, etc.  A mulher na Academia não quer ser “protegida” ou estar sob um julgamento especial. Queremos ser julgadas como iguais: com justiça e igualdade, como todos merecem ser julgados.

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Homenagem da minha mãe ao Dia do Meteorologista

Posted by on 16-out-2014 in Blog, Nuvens | 0 comments

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Dia 14/10 foi Dia do Meteorologista.

E para homenagear sua linda filha meteorologista (e modesta, claro rs), minha mãe me marcou na imagem acima no Facebook. É uma típica imagem didática que explica os nomes das nuvens de acordo com sua altura e formato. Essa imagem inclusive é muito parecida com outra que já postei várias vezes aqui no blog:

Alturas dos diferentes tipos de nuvens. Adaptado de AHRENS, C.D.: Meteorology Today 9th Edition

Para quem quiser saber mais sobre classificação de nuvens, recomendo esse post. Acredito que uma das maneiras de atuar como meteorologista amador é observando a nebulosidade. Antes de investir grana em uma estação meteorológica automática, é legal aprender o nome das nuvens e sua relação com o quadro sinótico. Ou seja, saber que a nuvem Ci (Cirrus) está associada com a mudança no tempo nos próximos dias em decorrência da aproximação de uma frente fria é uma maneira de relacionar um tipo de nuvem com um quadro sinótico.

E ainda sobre classificação de nuvens, proponho uma atividade didática: Seja um Observador de Nuvens! Essa atividade tem como objetivo ensinar aos alunos um pouco da rotina de uma Estação Meteorológica.

Os nomes das nuvens é escrito em latim mesmo (sim, até hoje!). Parece coisa de Harry Potter, mas é assim mesmo que escrevemos, em qualquer lugar do mundo. Outro dia encontrei um material didático onde estava escrito ‘Cirro’, ‘Altocumulo’ e  ‘Estrato’. Isso está errado! E o autor do material ainda teimava e desdenhava, dizendo que estava certo. Então tá, né. Estou aprendendo com a vida que tem gente que prefere ficar na ignorância, seja qual for a natureza do assunto. Acho triste, mas o que posso fazer?

Vamos agora falar de coisa boa e engraçada (pelo menos pra mim). Observem o que está escrito no rodapé da imagem que abre essa postagem:

“It’s unlikely that all these kinds of clouds would be in one area of the sky at the same time”

“É improvável que todos esses tipos de nuvens apareçam no céu em uma mesma área e ao mesmo tempo”

Como disse um amigo querido, o Igor:

But if they do, run for your life

“Mas se apareceram, corra pela sua vida”

=P

Fiquei de fato imaginando o céu de um lugar com todas essas nuvens ao mesmo tempo. Bom, quando está rolando uma tempestade com Cb (Cumulonimbus), se você estiver na “borda” da tempestade, pode conseguir ver algumas nuvens altas (Cirrus – Ci, principalmente). Os ventos no topo da troposfera espalham o topo da nuvem Cb, formando um caminho de Ci. Agora todas ao mesmo tempo é realmente improvável =)

Vi a imagem acima na Wikipedia (Wikimedia Commons) e a acho fantástica, tem tudo a ver com o que estamos discutindo no post. Foi tirada de um avião, certamente. É possível ver uma cobertura de nuvens baixas (Cu, St) e a nuvem Cb isolada. No topo da nuvem Cb, alguns Ci querem se "soltar". Apenas nessa foto, tirada em algum lugar sobre a Europa (de acordo com os detalhes), é possível ver vários tipos de nuvem.

Vi a imagem acima na Wikipedia (Wikimedia Commons) e a acho fantástica, tem tudo a ver com o que estamos discutindo no post. Foi tirada de um avião, certamente. É possível ver uma cobertura de nuvens baixas (Cu, St) e a nuvem Cb isolada. No topo da nuvem Cb, alguns Ci querem se “soltar”. Apenas nessa foto, tirada em algum lugar sobre a Europa (de acordo com os detalhes), é possível ver vários tipos de nuvem.

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Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2014: o que teve?

Posted by on 15-out-2014 in Blog, Dicas, Instrumentos Meteorológicos | 0 comments

Entre os dias 8 e 11 de outubro, a USP participou da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que é promovida anualmente pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. Trabalhei nos quatro dias de evento e aproveito para trazer para vocês algumas imagens do que vi por lá :).

É um evento de caráter nacional, promovido pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. Escrevi um texto sobre o evento aqui, mas como foi para o portal do IAG-USP, fui mais técnica e falei do evento como um todo. No Meteorópole, vou poder falar de minhas impressões pessoais e falar um pouco do que vi como visitante, já que nos momentos de folga dei uma circulada pelo evento para conhecer algumas atrações.

A principal atração esse ano foi o dinossauro, sem sombra de dúvidas.

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 [pausa dramática: vocês vão ver muitas fotos tremidas por aqui, porque estive usando uma câmera MUITO CHATA que pertence ao Sr. Emerson. Some isso a minha inabilidade como fotógrafa]

Mas o que é esse dinossauro? Ele é uma reprodução completa do esqueleto do Tapuiassaurus macedoi, dinossauro brasileiro! A propósito, o nome dessa exposição é Cabeça dinossauro: o novo titã brasileiro. É uma exposição itinerante e ficará no Parque CienTec até dia 31 de Janeiro de 2015! Gratuita :)

Além da reprodução do esqueleto do Tapuiassaurus macedoi, a exposição conta com o fóssil do crânio do dito cujo. Cheguei a comentar sobre ela nesse post:

Crânio do Tapuiassaurus macedoi, em exposção itinerante do Museu de Zoologia da USP entitulada Cabeça Dinossauro: o novo titã brasileiro. Atualmente está em exposição no Parque CienTec da USP (vai ficar lá até o final de janeiro de 2015, corram lá!)

Crânio do Tapuiassaurus macedoi, em exposção itinerante do Museu de Zoologia da USP entitulada Cabeça Dinossauro: o novo titã brasileiro. Atualmente está em exposição no Parque CienTec da USP (vai ficar lá até o final de janeiro de 2015, corram lá!)

 

Por falar em fósseis, a exposição também exalta o trabalho do paleontólogo. Os painéis contam um pouco da rotina de trabalho desse profissional e mostram como é o trabalho de obtenção de um fóssil: desde os trabalhos de campo, publicação da descoberta e do trabalho de popularização. Havia, por exemplo, uma vitrine com os instrumentos de trabalho do paleontólogo de campo e nessa hora lembrei da Sybylla. Infelizmente a foto ficou péssima, mas dá pra ver bússola, martelo, caderneta de campo, etc:

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Em outras vitrines da exposição, é possível ver outros fósseis e outras curiosidades. Por exemplo, os coprólitos (fezes fossilizadas):

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Na verdade, qualquer material orgânico pode ser fossilizado. E isso é bem explicado nos painéis da exposição. Ganhei uma apostila introdutória de paleontologia e assim que eu lê-la, conto algumas coisas para vocês. E claro, se alguém conhece o assunto e quiser contribuir, seja super bem vindo! Escreva nos comentários.

Fósseis de outros animais, também descobertos no Brasil, também estavam expostos. É o caso do peixe do Araripe:

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O evento também falava das grandes extinções em massa que acabaram com a maior parte das espécies. Gostei da ênfase no fato que estamos vivendo a sexta extinção em massa (só pseudocientista e leitor da Veja não aceita nisso):

 

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O texto de um dos painéis dizia: “O ser humano é o principal agente do sexto evento de extinção em massa. Habitats naturais são destruídos, cedendo espaço para cidades, agricultura e pecuária. Entre 100 e 150 espécies são extintas diariamente (taxa mil vezes maior que a natural). Isso representa uma séria ameaça a sustentabilidade de nossa espécie na Terra.”

Nota mental: Prometo que no próximo evento levarei minha própria máquina!

A exposição também fala da importância dos fósseis para o estudo da Evolução das Espécies. Menciona o pioneiro na anatomia comparada, Thomas Henry Huxley. Ele era conhecido como “buldogue de Darwin”, tamanho crédito e defesa que ele fazia a Teoria da Evolução.

Curiosidade: Thomas Henry Huxley era avó de Aldous Huxley, autor de Admirável Mundo Novo. Na verdade, ele foi patriarca de uma família com vários nomes de destaque internacional. Além de Aldous, outros netos de Thomas Henry se destacaram internacionalmente: Sir Julian Huxley (o primeiro diretor da UNESCO e fundador do World Wildlife Fund – WWF) e Sir Andrew Huxley (o fisiologista e ganhador do Prêmio Nobel).

A imagem abaixo mostra algumas cópias de alguns trabalhos de anatomia comparada de Thomas Henry Huxley. Essas cópias também fazem parte da exposição:

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Na saída da exposição, havia uma Oficina de Fósseis. As monitoras, alunas de Licenciatura em Geociências da USP, eram uns amores e ótimas professoras. Antes de colocar a mão na massa, elas explicavam aos participantes o que era um fóssil. A explicação era muito boa e encantava pessoas de todas as idades. Sem contar que toda a explicação era completamente científica e lógica, claro totalmente o oposto do lamentável fato narrado pelo Pirula.

Depois da excelente explicação, os participantes podiam escolher entre fazer uma trilobita carnívora ou herbívora de gesso. Eu escolhi a herbívora, homenagem aos amigos vegetarianos:

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Minha trilobita ficou linda. Pintei de branco porque sou muito clássica rs, mas havia outras cores disponíveis.

Saindo da pegada fóssil, passei no stand de Medicina Tropical. Havia muitos recursos didáticos, explicando o que é DNA e a recombinação do RNA nos vírus. Elas usavam contas de bijuteria para explicar, ótima ideia. Infelizmente não pude parar para tirar fotografias, estava com um pouco de pressa. Também passei rapidamente no stand do Museu de Zoologia, com corrida de baratas e diversas curiosidades sobre insetos. Também não consegui fotografar.  Uma pena, mas quando você está trabalhando em um evento acaba ficando restrita ao seu setor de trabalho.

Por falar em meu setor de trabalho, ajudei no Museu de Meteorologia. E consegui tirar algumas fotinhos. A imagem a seguir mostra uma mesa com diversos equipamentos de escritório da primeira metade do século XX. Há também parte de um telégrafo, que é do século XIX. É incrível, mas as pessoas se encantam com a calculadora (a direita). Sim, porque se a gente comparar essa calculadora mecânica super pesada com as calculadoras eletrônicas de bolso (e falo das mais simples), a gente nota que elas tem as mesmas funções! Incrível. Outro item que faz muito sucesso na imagem abaixo é a “caneta de pena” e o mata-borrão. As esferográficas foram uma revolução e tanto!

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E por falar em equipamentos de escritório, e essas máquinas de escrever? Quando explicamos aos visitantes mais novos que era assim que as pessoas escreviam cartas, trabalhos acadêmicos e outros documentos, eles ficam impressionados. Cheguei a usar uma máquina de escrever para digitar um trabalho escolar. Isso foi lá por volta de 1995, pouco antes de meu pai adquirir nosso primeiro computador. Era um horror! Eu nunca fiz curso de datilografia, então imaginem minha dificuldade. Apesar de tudo isso, até hoje…

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 Há sim, no acervo do Museu de Meteorologia também há dois souvenirs bem típicos da cultura brasileira, mas que foram emprestados de culturas estrangeiras (típico num país multicultural como o nosso). O primeiro deles é o Galinho do Tempo. Durante o evento, o bichinho só ficou azul, o que indica tempo seco. Falei sobre o funcionamento do Galo do Tempo (expliquei porque o danadinho muda de cor) nesse post.

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Por falar em tempo seco, faço aqui uma reclamação: recebemos muitas escolas durante o evento. Vi muitas crianças passarem mal por causa do tempo quente e seco. Muitas estavam com roupas completamente inadequadas ao passeio: estavam de calça jeans, camiseta preta, sandália…. E muitas não carregavam sequer uma garrafinha d’água para reabastecer. Sabe, acho que os pais precisam dar mais detalhes a isso. E as mesmas reclamações de comportamento que fiz na exposição dos Maias, valem para este evento. Acho que estou ficando ranzinza, mas é impossível não ficar diante de tanta atitude sem noção.

Mas vamos prosseguir com o acervo do Museu de Meteorologia. Outro souvenir famoso, relacionado com o tempo, é a Casinha do Tempo. Meus leitores mais antigos lembram-se que rolou até promoção aqui no blog. Atualmente não é mais permitido fazer sorteios em blog (na verdade, nunca pode, mas poucas pessoas sabiam).

Expliquei como a Casinha do Tempo funciona nesse post. Em outro post, contei a história desse bibelô.  Tenho uma na minha casa (eu também tinha um galinho, mas ele foi severamente ferido por um gato assassino quando eu morava em São José dos Campos rs).

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Como mencionei nesse texto,  o Museu de Meteorologia também conta com um acervo historiográfico, com fotografias e documentos, que contam a história das primeiras atividades científicas organizadas em São Paulo-SP. Conta a história da Comissão Geographica e Geológica, que nasceu bem na virada do século XIX para o século XX. Essa extinto comissão deu origem a diversos institutos de pesquisa em funcionamento até hoje.

Infelizmente tirei poucas fotos do evento, mas tudo tem um lado bom (a otimista): o Museu de Meteorologia tem acervo permanente. Dessa forma, quem tiver interesse em agendar uma turma para conhece-lo pode entrar em contato com o Parque CienTec. E a exposição Cabeça Dinossauro: o novo titã brasileiro vai ficar no Parque CienTec até 31 de Janeiro de 2015. Há tempo suficiente para conhecer as duas exposições.

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Dia do Meteorologista – 14 de Outubro

Posted by on 14-out-2014 in Blog, Dicas, Livros, Profissão | 2 comments

Há dois  dias para celebrar a Meteorologia e a profissão do Meteorologista que as vezes me confundo. Vou contar para vocês algumas histórias e assim tudo vai ficar esclarecidinho e quem não é meteorologista vai poder compreender porque tanto amor pela profissão. E quem é meteorologista vai entender exatamente do que estou falando =)

No dia 23 de março comemoramos o Dia Meteorológico Mundial. Falei sobre o último dia 23 de Março nesse post, em que conto toda a história. Em 23 de Março de 1950, foi criada a Organização Meteorológica Mundial (World Meteorological Organization), por essa razão temos essa comemoração.

Um dos selos de comemoração ao Dia Meteorológico Mundial. Este especificamente é do Dia Meteorológico Mundial de 23 de Março de 1961 e é da República do Alto Volta, atual Burkina Faso (o país mudou o nome após sua independência).

No Dia Meteorológico Mundial, diversas instituições de ensino e pesquisa que estudam a Meteorologia organizam eventos. Todos os anos, a Organização Meteorológica Mundial estabelece um tema para que as instituições organizem palestras e exposições. No dia 23 de Março de 2014, o tema foi Comprometimento dos Jovens com o Tempo e com o Clima e falei sobre as palestras que assisti nesse post. Uma das discussões mais interessantes foi com relação a popularização da Meteorologia, seja da informação de previsão do tempo ou da popularização da compreensão dos fenômenos meteorológicos. A meteorologista Josélia Pegorim falou muito sobre a Meteorologia e as redes sociais. As redes sociais são excelentes ferramentas de popularização científica e fiquei muito feliz com as palavras dela, porque o Meteorópole faz parte desse objetivo de popularização.

Mas agora vamos voltar ao presente: e o dia 14 de Outubro? É o Dia do Meteorologista aqui no Brasil. Essa comemoração ocorre porque em 14 de outubro de 1980 foi promulgada uma lei que regulamentou a profissão. Ou seja: uma homenagem a todos os meteorologistas brasileiros e uma oportunidade para refletir. Pensei em 3 pontos que considero principais:

- Para pensar em cursos de atualização, para ampliar os horizontes e ser um profissional ainda melhor;

- Para pensar nas lutas sindicais e para reivindicar melhorias nas condições de trabalho;

- Para nos orgulharmos da profissão e difundirmos a ciência.

Há ainda uma terceira data: 03 de Março. Essa era a antiga data em que era comemorado o Dia do Meteorologista. Já vi essa data impressa em algumas agendas, mas ela não é mais comemorada. Falei sobre essa história aqui.

Fonte: Free Digital Photos

Vou ser piegas e falar: todo dia é Dia do Meteorologista! Todo dia é dia de luta, seja da categoria ou uma luta “pessoal”, para ser cada vez mais um profissional melhor. E para ser um profissional melhor, além de investir em investimento pessoal (ser um bom colega de trabalho, um bom líder, uma pessoa mais leve e agradável, etc) é essencial investir em conhecimento. E para isso, a Oficina de Textos tem uma seleção especial de livros técnicos com preço bem camarada e diversas opções de pagamento.

Fiz uma seleção dos meus livros favoritos e que considero que são obrigatórios na biblioteca de qualquer meteorologista ou outros profissionais que fizeram pós-graduação na área (engenheiros, físicos, geógrafos, etc):

Tempo e Clima no Brasil: esse livro é de autoria de grandes pesquisadores e professores de Meteorologia (Iracema F. A. Cavalcanti,Nelson J. Ferreira,Maria Assunção F. Dias,Maria Gertrudes A. Justi). Todo Meteorologista brasileiro certamente já ouviu falar ou leu trabalhos de um desses importantes nomes. A Prof. Dra. Maria Assunção F. Silva Dias foi uma de minhas professoras durante a graduação, por exemplo. De acordo com a descrição do livro:

Esta obra científica vem felizmente preencher a carência de materiais didáticos para os cursos de graduação e pós-graduação em meteorologia e áreas afins, sobre os sistemas de tempo que atuam no Brasil e as influências das variações climáticas.

Na primeira parte do livro, aprofundam-se os principais sistemas meteorológicos que atuam na América do Sul e no Brasil, descrevendo fenômenos enriquecidos por modelos e registros. O clima das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, compõe a segunda parte, e a terceira, tem por objeto a variabilidade climática que acirra enchentes e secas.

O aquecimento global, as mudanças climáticas e os cenários sobre o meio ambiente e atividades econômicas no Brasil durante o século XXI conferem a Tempo e Clima no Brasil uma sintonia fina com as grandes questões ambientais a serem enfrentadas pela atual e próximas gerações.

Em 25 capítulos, a colaboração de mais de 30 pesquisadores sob a direção dos Coordenadores-Autores: Iracema F. A. Cavalcanti, Maria Assunção F. Dias, Maria Gertrudes A. Justi e Nelson J. Ferreira, reunindo instituições como CPTEC-INPE e UFRJ, traz à comunidade um livro atual e instrutivo, valioso em qualquer biblioteca.

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 Um grande desafio em nossa área é que a maior parte da bibliografia disponível está em inglês. Além de estar em inglês, elas são referentes a especificidades do Hemisfério Norte e mais especificamente, de latitudes médias. Bom, estamos no Hemisfério Sul e a Força de Coriolis faz toda diferença no movimento dos fenômenos meteorológicos de maior escala. Além de estamos no Hemisfério Sul, estamos nos trópicos, uma realidade climática completamente diferente das latitudes médias!

Claro que a gente precisa aprender inglês para consumir material técnico estrangeiro, mas é importante também ter acesso a exemplos específicos que se aplicam melhor ao Brasil. Por essa razão, recomendo  Tempo e Clima no Brasil. Para adquiri-lo, clique aqui.

Meteorologia Prática: esse é outro livro que recomendo bastante principalmente para quem quer entender como funcionam as imagens de satélite. A linguagem é bastante clara e com muito cuidado para evitar o uso demasiado de termos muito técnicos. Então é um livro que recomendo para quem está começando agora com Meteorologia Amadora, por exemplo. Também é um livro muito importante para motivar os alunos dos primeiros semestres do curso de Meteorologia. Muitas vezes, observo que os alunos dos primeiros semestres ficam desanimados com tantas matérias gerais (Cálculo, Física, Programação, etc) e poucas matérias específicas da Meteorologia. O que costumo recomendar aos alunos é: leiam sobre Meteorologia! Façam um curso de inglês, leiam os livros de popularização norte-americanos, leiam as notícias relacionadas à Meteorologia, acompanhe a previsão do tempo, etc. Torne a apreciação do tempo parte do cotidiano. Acredito que isso deixa os alunos mais motivados, pois vão compreender a aplicação da ciência que estão estudando.

O livro Meteorologia Prática entra dentro desse contexto, como literatura técnica motivadora, um livro muito agradável de ler. É impossível ser meteorologista e ignorar o sensoriamento remoto. Os satélites possibilitam a observação  do tempo no planeta todo, principalmente nos oceanos ou em áreas demasiadamente remotas, onde não há dados meteorológicos de superfície. O  livro foca em Meteorologia por Satélite e certamente vai motivar muitos estudantes.

meteorologia-pratica-feb4e9De acordo com o texto de divulgação:

A Meteorologia é a ciência que estuda a atmosfera e sua dinâmica, e permite fazer a previsão do tempo, algo que interessa a todos. Este livro trata da Meteorologia Operacional, campo da Meteorologia que utiliza, atualmente, a interpretação de imagens de satélites para analisar os fenômenos meteorológicos.

Artur Ferreira é o primeiro autor brasileiro a publicar nessa área, oferecendo, à disposição de estudantes e profissionais, a experiência de quem vive o desafio, no dia a dia, de um centro de previsão do tempo.

Com base em uma sólida caracterização da atmosfera e linguagem simples, objetiva, o autor elucida a interpretação das imagens correspondentes aos padrões típicos dos fenômenos atmosféricos: nuvens, ciclones, frentes, entre muitos outros. Dá ênfase às condições adversas de tempo, significativas para a aviação e para a sociedade de maneira geral.

Apesar do livro priorizar Meteorologia Operacional, será, certamente, útil para profissionais e estudantes de Meteorologia, Oceanografia, Geografia e Agronomia e para todos aqueles que lidam com tempo e clima.

O autor também fornece uma relação dos principais sites nacionais e internacionais que disponibilizam imagens dos vários satélites meteorológicos.

Para adquiri-lo, clique aqui.

Ah sim, e o Meteorologia Prática também está disponível no formato digital: clique aqui para isso :). Bacana para quem tem e-reader. Quando adquiri meu volume, ainda não possuía um e-reader, fuén =P. E para conhecer outros títulos de Meteorologia e também de Oceanografia, clique aqui.

P.S.: Este é um post publicitário. Ganho comissão a partir das vendas geradas a partir dos links desse post :)

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