Por que furacões tem nomes de mulheres?



Furacão Katrina, em 28 de agosto de 2005. Foto de Jeff Schmaltz, MODIS Rapid Response Team, NASA/GSFC

 

Furacão Rita em 21 de setembro de 2005. Foto de Jacques Descloitres, MODIS Rapid Response Team, NASA/GSFC

 

As duas imagens acima ilustram dois furacões de categoria 5 (que é o maior valor da escala  que mede furacões em termos de potencial de danos), que ficaram muito famosos pelos danos materiais e pessoais que ocasionaram. Os dois furacões, juntos, ocasionaram mais de 2000 mortes e cerca de 118 bilhões de dólares em danos materiais.

Coincidentemente, os dois furacões possuem nomes de mulheres: Rita e Katrina. Mas será que é sempre assim? Todo furacão tem necessariamente nome feminino?

O costume de dar nomes a furacões tem pouco mais de 100 anos. Os moradores das ilhas caribenhas costumavam dar aos furacões o nome do santo do dia, de acordo com o calendário da Igreja Católica. Assim, um furacão que ocorresse no dia 15 de maio, seria chamado Furacão Santo Isidoro, pois este é o santo deste dia. Se no ano seguinte um novo furacão ocorreresse na mesma data, chamaria-se Furacão Santo Isidoro II.

No início do século XX, nos EUA, os furacões eram nomeados com a latitude e a longitude (as coordenadas geográficas) do local onde a tempestade se originou. Esses nomes eram muito difíceis de serem lembrados, tornando a comunicação muito difícil e sujeita a erros. Durante a Segunda Guerra Mundial, meteorologistas militares trabalhando no Pacífico começaram a usar nomes femininos para se referir aos furacões, tornando a comunicação mais fácil. Em 1953, este método de nomeação começou a ser adotado pelo Centro Nacional de Furacões (National Hurricane Center, NHC, departamento americano responsável pelo monitoramento e pelos aletas de furacões). Assim, esse método começou a ser utilizado também para os furacões que ocorriam no Oceano Atlântico. Usando nomes para referir-se aos furacões, o NHC teve bastante sucesso em alertar o público sobre a ocorrência desses fenômenos.

No final da década de 70, os meteorologistas passaram a utilizar também nomes masculinos ao se referirem a furacões. Para cada ano, uma lista de 21 nomes, cada um começando por uma diferente letra do alffabeto, era elaborada e organizada em ordem alfabética. As letras Q,U,X,Y e Z não eram utilizadas.

Nessa lista em ordem alfabética, os nomes femininos e masculinos eram alternados. Por exemplo, A=Anthony, B=Barbara, C=Christopher, etc.

Atualmente, a Organização Meteorológica Mundial (WMO, the World Meteorological Organization) mantém as listas de nomes para os furacões do Atlântico. Eles mantém 6 listas, que são reutilizadas a cada 6 anos.

Lista de nomes para os furacões do Atlântico para os próximos 6 anos. Em destaque, o furacão Rina, o mais recente. Fonte: NHC

Mais sobre o Furacão Rina.

 

Furacões como o Rita e o Katrina, que causaram muitos prejuízos e mortes, nunca mais terão seus nomes utilizados para designar furacões. Quando isso ocorre, diz-se que o nome foi aposentado.

Os furacões que ocorrem no Atlântico são mais famosos aqui no Brasil, porque normalmente atingem áreas mais conhecidas pela maioria de nós, como o litoral da Flórida de de outros estados norte-americanos, costa atlântica do México, ilhas do Caribe, etc. Porém, furacões ocorrem também no oceano Pacífico e no Oceano Índico (em alguns lugares, os furacões são até chamados de tufões, como falamos aqui), e os nomes dados a eles seguem regras muito semelhantes as dos furacões do Atlântico.

Sendo assim, a pergunta “Por que furacões tem nomes de mulheres?” não faz sentido, já que atualmente utiliza-se nomes de mulheres ou de homens. Furacões intensos como Rita e Katrina, com nomes de mulheres, foram apenas coincidências recentes.

 

Furacão Andrew. 23 de agosto de 1992. Foi um furacão com nome masculino, que atingiu categoria 5. Matou cerca de 70 pessoas e provocou danos materiais estimados em 26 bilhões de dólares. Fonte: NOAA / Satellite and Information Service

 

Fontes:

Hurricane naming system. Wikipedia, the free encyclopedia.

– WMO, Tropical Ciclone Programme.

– Atlantic Oceanographic and Meteorological Laboratory, NOAA. FAQ.

National Hurricane Center.

How are hurricanes named?  Geology.com

Hurricane Andrew. Wikipedia, the free encyclopedia.

Hurricane Rita. Wikipedia, the free encyclopedia.

Hurricane Katrina. Wikipedia, the free encyclopedia.