O que é um pluviômetro?

Esse post é um complemento do post anterior (leia aqui). Percebi que mais imagens poderiam ser acrescentadas para falar um pouco mais sobre como o registro de chuvas é feito. Pluviômetro é o nome que se dá ao instrumento que mede a quantidade de chuva. Consiste normalmente em um tubo cilíndrico, com uma abertura no topo.

Figura 1: Um dos pluviômetros da Estação Meteorológica do IAG-USP. Foto tirada por mim. Pode ser utilizada e distribuída para fins não comerciais, sempre citando a fonte.

Visualizando o pluviometro pelo topo, verificamos que ele tem uma abertura com um formato afunilado, deixando a água entrar e armazenando a água em seu interior.

Figura 2: Vista do topo de um pluviômetro. Fonte: Wikimedia Commons

Abaixo (Figura 3), um esquema simplificado do pluviômetro. Seja qual for o modelo do pluviômetro, o esquema sempre será muito semelhante, já que o objetivo é sempre o mesmo: captar a água da chuva.

Figura 3: Esquema simplificado de um pluviômetro. Fonte: InfoPlease

No caso do pluviômetro apresentado na Figura 1, ele não possui um medidor interno, como o esquema simplificado da Figura 3. O pluviômetro da Figura 1 possui uma torneirinha. Toda a água de seu interior é coletada por uma proveta graduada em mm e então a medida é feita.

Figura 4: Proveta graduada em mm. Fonte: CQA/Química

Existem vários modelos de pluviômetros. O modelo em primeiro plano na Figura 1 corresponde a um dos pluviômetros em operação na Estação Meteorológica do IAG-USP. Em primeiro plano, um pluviômetro modelo Ville de Paris. Logo atrás, um pluviômetro modelo Paulista e ao fundo, um pluviógrafo (visto em detalhe na Figura 4), que faz o registro da chuva em um diagrama:

Figura 5: Um dos pluviógrafos da Estação Meteorológica do IAG-USP. Foto tirada por mim. Pode ser utilizada e distribuída para fins não comerciais, sempre citando a fonte.

Todo instrumento terminado em -grafo faz um registro em papel: higrógrafo (faz o registro da umidade relativa), termógrafo (faz o registro da temperatura), anemógrafo (faz o registro do vento – direção, intensidade e rajadas), sismógrafo (faz o registro dos sismos, instrumento utilizado na área de geofísica).

Na figura 6, vemos um  pluviógrafo com a portinhola aberta. Diferente do pluviômetro, que precisa de uma proveta graduada em mm, no pluviógrafo o registro é marcado em um diagrama chamado pluviograma. Conforme o reservatório vai sendo preenchido com água da chuva, uma haste com tinta na ponta sobe e faz o registro no papel afixado no tambor (destacado na figura 6).

Figura 6: Pluviógrafo. Em destaque, o tambor do pluviógrafo, onde fica o pluviograma. Fonte: PortalSaoFrancisco.com.br

O pluviograma afixado no tambor no pluviógrafo deve ser trocado diariamente. Na figura 7, um exemplo de um pluviograma. A chuva também é medida em mm (assim como no pluviômetro).

Figura 7: Parte de um pluviograma. O eixo vertical corresponde aos mm de chuva e o eixo horizontal, as horas (marcadas na marte superior do gráfico).

Por falar em mm, é muito provável que você já tenha ouvido ou visto por aí artigos como:

Figura 8: Manchete do portal CZN, ilustrando o uso da unidade mm (milímetros) pela imprensa.

Mas o que esses mm significam? Não é estranho medir volume em mm? Vamos imaginar um tanque de 1m x 1m. Se eu despejar 1l de chuva em seu interior, eu terei uma lâmina de água de 1mm.

Figura 9: Cubo ilustrando um tanque hipotético de 1m² de área de base. Se jogarmos 1l de água dentro desse cubo, teríamos uma lâmina de 1mm. Figura feita por Emerson R. Almeida, especialmente para o Meteorópole. Por favor, se for reutilizá-la cite sua origem.

Sendo assim, 1 mm de chuva corresponde a 1l de chuva em 1m² de área. A utilização da unidade mm é para simplificar a comunicação e facilitar a divulgação. Agora que sabemos dessas coisas, aguardem o próximo post: nele traremos uma experiência para você fazer em casa ou para você, professor, propor para seus alunos. Que tal construir um pluviômetro facilmente, com materiais relativamente fáceis de encontrar? Aguardem =)

P.S.: Existem sensores eletrônicos que também fazem o registro das chuvas. Um dos mais conhecidos é o pluviômetro de ‘caçamba’ basculante. Quando uma pequena caçamba no interior do pluviômetro se enche, um sistema eletrônico manda um pulso para o computador que armazena esta quantidade. Após encher, ela esvazia e inicia o processo novamente. Esse instrumento é mais caro que os pluviômetros e pluviógrafos convencionais.

Figura 9: Pluviômetro de caçamba – Esquema

Figura 10: Pluviômetro de Caçamba – Foto.

Bibliografia:

Measuring the Rain, Infoplease.

As figuras 9 e 10 foram retiradas do Trabalho de Graduação de Paulo Cesar de Melo Hanaoka (aluno do ITA): Variabilidade Espacial e Temporal da Chuva Durante os Experimentos LBA/TRMM 1999 e LBA/RACCI 2002 na Amazônia.O trabalho pode ser consultado aqui.