Guestpost: João Hackerott, meteorologista e iatista, rumo às olimpíadas de 2016



Para o guestpost de hoje, falei com o colega de profissão João Hackerott. João, além de meteorologista é praticante de vela. João já é destaque dentre os praticantes deste esporte e é uma de nossas promessas para as Olimpíadas de 2016. Simpaticíssimo, ele respondeu meu e-mail e divide conosco um pouco de sua experiência como esportista e meteorologista. Deixo abaixo as palavras de João:

 

 

 

Antigamente chamavam de iatismo, mas de 2004 para cá, estão chamando de vela. A vela é um esporte olímpico onde, assim como atletismo e outros esportes, possui diversas categorias, etre elas as olímpicas são: Laser Standard (masc.), Laser Radial (fem.), 470 (masc), 470 (fem), Star, RSX (masc), RSX (fem), 49, Match Race (fem) e Finn (masc).
Eu disputo na categoria Laser Standard que é um barco para uma pessoa.

Velejo desde os 7 anos de idade e profissionalmente na categoria olímpica desde 20 anos. Hoje tenho 22. A vela sempre foi uma paixão para mim e o fato deu ter escolhido meteorologia como profissão está diretamente ligado. Numa competição de vela, ganha o atleta que, além de ter o melhor preparo físico, elaborou a melhor “previsão de tempo” antes da largada, já que a velocidade do barco está ligada a intensidade do vento, então temos que prever aonde do percurso o vento estará mais forte e favorável para se manter o máximo possível nestes lugares. A competição, chamada regata, ocorre num percurso, montado por boias, distantes umas das outras de aproximadamente 0.7 milhas. Neste percurso, trapezoidal, temos dois Contra-vento (onde se veleja contra o vento), dois Popas (onde se veleja a favor do vento) e dois través (onde se veleja com o vento vindo de lado).

Este ano eu quase me classifiquei para as Olimpíadas de 2012, disputando até a última regata com o atual #3 do Mundo, Bruno Fontes. O campeonato foi uma série de 10 regatas, onde os 13 melhores do brasil estavam disputando a vaga olímpica. No final eu obtive 4 vitórias e Bruno 6, o que levou ele a conquistar a vaga. este resultado foi bastante expressivo para mima, mesmo não tendo classificado, já que Bruno é 10 anos mais velho e possui muito mais experiência intenracional. Mesmo assim, fui páreo duro para ele e chamei muito mais atenção da mídia, como promessa para 2016.

João competindo em Búzios, no início deste ano.

Agora em 2012 encerro meu mestrado aqui na USP e pretendo me dedicar mais aos treinos de vela, já que com o mestrado e a graduação, me sobrava tempo para treinar apenas nos finais de semana e, dependendo do sempestre, apenas mais um dia da semana. Durante a semana eu sempre acordava cedo para chegar an USP às 8:00 e estudar até às 12:00, quando ia para a academia no CEPE e lá malhava até às 13:00. Depois ia bandeijar e voltava aos estudos até às 18:00, quando voltava ao CEPE novamente para praticar Ioga ou Pilates ou alongamento por mais uma hora e bandeijão novamente. Em 2011, sábado pela manhã viajava para Ilhabela, onde tenho uma base para treinamento e treinava lá sábado domingo e segunda, retornando para SP segunda a noite. Nas férias e feriados, vivia em Ilhabela.

Além dos treinos, tive que conciliar com os estudos várias viagens para campeonatos. Para você ter idéia, em 2011, passei 40 dias em Florianópolis, 15 dias na Espanha, 10 dias na Itália, 5 dias em Buzios, 10 dias no Equador, 8 dias no Uruguai. Foi bem puxado, e este ritmo só deve acelerar até 2016.

Os resultados que mais me destacaram em 2011 foram: Medalha de ouro nos II Jogos Sulamericanos de Praia (Equador), Campeão do Sudeste Brasileiro (Buzios), campeão Paulista (Guarapiranga), campeão do ranking 2011.

Obrigada pela contribuição, João! Tenho certeza que seu relato vai inspirar muita gente. É um exemplo de dedicação, disciplina e determinação.

Estou torcendo muito por você, desejo cada vez mais sucesso na vela e na meteorologia.