Já somos 7 bilhões no mundo!



Já somos 7 bilhões de pessoas no mundo. O que isso significa?

Significa que enfrentaremos um grande desafio pela frente. Como prover alimentos, roupas e conforto para tanta gente? Os habitantes do planeta Terra vivem de forma bastante desigual: alguns são muito ricos e consomem mais do que necessitam para viver, enquanto outros mal tem para a subsistência.

Claro que todos merecem viver com conforto e boa alimentação. Mas imagine sustentar o conforto de tanta gente! Imagine se todos os 7 bilhões de habitantes de nosso planeta vivessem com o conforto e com o grau de consumo de um norte-americano de classe média!

Creio que este é o momento para pensarmos na maneira que consumimos. A classe média brasileira está virando uma grande escrava dos supérfluos. As pessoas compram demais, muitas vezes coisas desnecessárias. Usam o carro para ir em locais onde era perfeitamente possível ir a pé ou de transporte coletivo. Creio que está na hora das pessoas pensarem em uma vida mais sustentável. Esse artigo da Adriana Setti é muito interessante, aborda exatamente essa questão dos excessos da classe média, e na minha opinião é uma ótima crítica.

Voltando a questão dos 7 bilhões, recentemente a BBC publicou um artigo muito completo sobre este tema, com opiniões de diversos especialistas. Os especialistas concordam que é bem provável que este número assustador seja o ápice da curva de crescimento de habitantes no planeta Terra. Muitas nações já tem taxas muito baixas e até negativas de crescimento populacional. Um outro ponto em que os especialistas consultados pela BBC convergem é de que não adianta propor medidas de esterilização da população, como foi feito por muito tempo na Índia. Esse tipo de medida não reduz a pobreza. A melhor alternativa, segundo os especialistas, é dar as mulheres as mesmas condições que os homens: educação formal e trabalho. Nas nações pobres, as taxas de crescimento populacional são as maiores. Se as mulheres tiverem condições de estudar e construirem uma carreira, em outras palavras, se o machismo for combatido, as mulheres poderão escolher e certamente ao conciliarem carreira e maternidade, optarão em ter menos filhos.

E qual a relação do crescimento populacional com meteorologia? De acordo com a Hipótese Gaia, formulada por James Lovelock e Lynn Margulis, que propõe que a biosfera e todos os componentes físicos da Terra (atmosfera, criosfera, hidrosfera e litosfera)  estão intimamente interligados. Assim, de acordo com esta hipótese, todas as formas de vida interferem na composição da atmosfera do planeta. Os cientistas que propuseram a hipótese,  analisaram pesquisas que comparavam a atmosfera da Terra com a de outros planetas, e propuseram que é a vida da Terra que cria as condições para a sua própria sobrevivência, e não o contrário, como as teorias tradicionais sugerem.

A hipótese Gaia tem ganhado bastante destaque recentemente, pois ajuda a explicar a crise climática do mundo e o aquecimento global. Evidentemente, como trata-se apenas de uma hipótese, a comunidade científica ainda diverge. Alguns cientistas apresentam resultados favoráveis a hipótese e outros não. O importante é que as pesquisas e as discussões continuem, para no futuro chegarmos a uma conclusão .

A mudança na cobertura do solo (troca de vegetação nativa por pasto, plantações ou por asfalto e concreto), modifica a transferência de calor entre a superfície da Terra e a atmosfera. Esse fato é até bastante empírico: certamente você já deve ter notado que a temperatura é mais amena em um parque do que no centro da cidade, por exemplo. Imagine ter que suprir as necessidades de sete bilhões de pessoas: áreas são diariamente desmatadas para dar lugar a pastagens, plantações, conjuntos residenciais e empresariais. Só a mudança na cobertura do solo já é suficiente para alterar a temperatura local. Agora imagine várias cidades, várias plantações, várias pastagens…

Além disso, evidências apontam que alguns gases podem aumentar a temperatura da atmosfera: CO2 e CH4 são os principais. O CO2 é emitido durante a queima de combustíveis fósseis e o CH4 está associado a criação de gado confinado, duas atividades amplamente realizadas pelos humanos.

Se a hipótese Gaia estiver correta, estamos caminhando para um futuro com temperaturas médias globais mais elevadas e não há muito o que fazer, além de pensar na minimização dos danos, com programas para reduzir as emissões e melhorar a qualidade de vida das pessoas. O grande problema é que os países desenvolvidos são os que mais poluem, como resultado de suas atividades econômicas. Os países muito pobres, como a maioria dos países da África, mal possuem parque industrial. Ou seja, políticas que visam limitar as emissões podem prejudicar o desenvolvimento de países ainda em desenvolvimento.

O problema é bastante complicado, pois envolve questões políticas e interesses de grandes corporações. Apesar desta complexidade, mudanças climáticas é uma pauta que deve ser discutida sob diversos tipos de abordagem: científica, política e econômica. O problema é quase nunca aquilo que a ciência determina é posto em prática. Uma grande companhia evidentemente visa o lucro, e dificilmente abrirá mão de parte do lucro para mudar o planeta. Assim, os governos costuma dar incentivos fiscais, por exemplo, para que as empresas realizem medidas que reduzam seu impacto ambiental. O governo então deixaria de receber impostos, que poderiam ser empregados em benefícios a população. É uma conta difícil, por isso as pesquisas devem continuar e melhores soluções devem ser discutidas.

Danica, bebê filipina que representa o habitante número 7 bilhões. Fonte: AP/G1