O que é o vento?



Parece uma rima boba mas é verdade: vento é o ar em movimento.

O vento, nada mais é do que o deslocamento do ar. Quando o ar está praticamente ‘parado’, ou seja, quando nem as folhas das plantas se movem, dizemos que estamos em uma situação de calmaria. Isso significa, que não podemos perceber a movimentação do ar.

Conseguimos perceber o ar se movimentando através dos movimento que ele provoca na vegetação, nas cortinas, nas roupas no varal, em bandeiras, etc. Uma parcela de ar em movimento pode carregar  pólen, bactérias, vírus, poeira, sal marinho, resíduos de produtos de combustão (fuligem, cinzas, etc.), poluentes, etc.

Figura 1: Essa é a chaminé mais alta do mundo, localizada no Casaquistão. Chaminés são construídas para expelir os poluentes em alturas bastante elevadas, numa tentativa de minimizar os efeitos nocivos dos poluentes nos seres humanos. Fonte: Wikimedia Commons

 

Se considerarmos o globo com um todo, o vento não é um fenômeno uniforme. Isso significa que se está ocorrendo uma ventania intensa na cidade de Natal-RN, não significa que na cidade de São Paulo-SP também está ocorrendo uma ventania. Na verdade, o vento nessas duas localidades que usei como exemplo pode ser causado por fenômenos meteorológicos completamente distintos.

O que quero dizer é que os ventos não possuem a mesma intensidade em todos os pontos do planeta. Também não possuem a mesma direção e sentido. Sim, aproveito este momento para dizer que o vento é um vetor, e provavelmente o vetor de mais fácil compreensão da natureza. Pois é muito fácil compreender a natureza vetorial do vento.

Figura 2: Biruta (ou manga de vento, em Portugal), é usada para determinar a direção dos ventos. Fonte: Wikimedia Commons

 

O instrumento meteorológico acima chama-se biruta. É um instrumento bastante conhecido, usado principalmente para determinar a direção do vento, mas também é possível determinar qualitativamente a intensidade do vento (se a biruta se agitar com mais vigor, significa que o vento está mais forte). É um instrumento usado principalmente em aeroclubes.

Por direção do vento, compreenda como de onde o vento vem. Sendo assim, quando digo que o vento em uma região é de 5m/s na direção SE, significa que ele está vindo da direção sudeste da rosa-dos-ventos.

Figura 3: Rosa-dos-ventos. Fonte: Wikimedia Commons

Essa convenção (considerar de onde o vento vem) é fundamental em meteorologia. Pois a região de onde o vento vem significa que uma massa de ar deslocou-se de uma região para outra, trazendo suas propriedades. Considerando qualquer localidade no Hemisfério Sul, um vento de sul costuma ser mais frio do que um vento de norte.

Os ventos podem ser originados pelas diferenças de pressão e de temperatura que existem na atmosfera. O ar mesmo sendo invisível, é uma mistura de gases como o Nitrogênio e Oxigênio em maiores quantidades, e outros como o vapor de água, o CO2,etc. Esse conjunto de moléculas que forma o ar tem uma massa, que tem portanto um peso e este peso exerce uma pressão denominada pressão atmosférica.

A pressão atmosférica pode variar horizontalmente e verticalmente. Além disso, depende de uma série de fatores. Eu tratarei esses fatores e as variações verticais em um outro post. Aqui, focaremos nas variações horizontais de pressão atmosférica, que originam o vento.

Como há diferenças de temperatura entre trechos diferentes da atmosfera , o ar fica com densidades diferentes, e como na natureza tenta se estabelecer um equilíbrio espontâneo, o movimento das parcelas de ar tendem sempre a igualar as diferenças de densidade e portanto de pressão, realizando um movimento sempre no sentido da região de maior para a menor pressão atmosférica, causando assim o vento. Esse movimento pode ocorrer em escalas diferentes. Por exemplo:

1) Na brisa marítima, o ar sobre o oceano está mais frio e o ar sobre o continente está mais quente. Temos então duas parcelas de ar com densidades diferentes. O ar frio é mais denso e desloca-se na direção do ar mais quente. É o que normalmente ocorre nas cidades litorâneas ou muito próximas do litoral. No final da tarde, sentimos um vento agradável, de intensidade leve ou moderada, muito bem-vindo em dias de muito calor.

Figura 4: Esquema de brisa marítima (ocorre no período da tarde, primeiro quadro)e brisa terrestre (ocorre a noite, segundo quadro). Esse tema será melhor explorado em posts futuros. Fonte: Wikimedia Commons

2) Nas frentes frias, o ar desloca-se da região de maior densidade (ar mais frio) para a região de menor densidade (ar mais quente).

Qual a essencial diferença entre 1) e 2)? A escala horizontal dos fenômenos. Enquanto a brisa marítima ocorre em distâncias de no máximo algumas dezenas de quilômetros (para se ter uma idéia, a brisa marítima chega até a cidade de São Paulo – SP, que está a uma distância de aproximadamente 55km em linha reta do litoral), a frente fria ocorre em dimensões muito maiores (de algumas centenas de quilômetros).

O que quero dizer: o vento pode ocorrer em escalas distintas. Desde escalas maiores (frentes frias) até menores (ventos canalizados por construções, por exemplo). Sobre ventos canalizados por construções: o vento pode ser mais intenso em uma rua estreita com prédios altos dos dois lados (pois o fluxo de ar é ‘canalizado’ pelas construções) e pode ser menos intenso, no mesmo instante, em um parque do mesmo bairro, localizado em outra rua. Falaremos sobre essas escalas e sobre outros aspectos e curiosidades envolvendo o vento nos próximos posts.