Palestras que assisti no Dia Meteorológico Mundial

Fui comemorar o Dia Meteorológico Mundial (último dia 23) no IAG-USP. O tema era A Meteorologia e as Energias Renováveis. Infelizmente, minha semana foi bastante complicada e só consegui falar das palestras agora. Assisti três palestras muito interessantes:

1) “Energia Solar” – Dr. Marcio Maia Vilela – Instituto de Energia e Eletrotécnica da USP

Num dos primeiros slides da palestra,  Dr. Marcio Vilela ressaltou o quanto a Meteorologia é importante em diversas formas de se gerar energia:

– Nas hidrelétricas, é necessário conhecer a vazão dos rios, que é afetada pelo regime de chuvas

– Na energia eólica, é necessário conhecer o regime de ventos da região

– Na energia obtida através das ondas do mar, é importante conhecer o deslocamento dos sistemas meteorológicos, já que eles causam as ondas

– Na energia solar, conhecer o comportamento da irradiação solar na região é importante para determinar a viabilidade.

E finalmente, como o tema da palestra era Energia Solar, o palestrante afirmou que é uma energia alternativa muito viável para a maior parte do território brasileiro, principalmente para o oeste de Minas Gerais, Sertão Nordestino e litoral do Ceará, Maranhão e Piauí. A grande vantagem dessa forma de obtenção de energia é que ela exclui a necessidade de torres de transmissão, já que é consumida no próprio local em que é gerada. A energia solar pode ser utilizada de duas formas:

– para aquecer a água de chuveiros ou aquecer a água de caldeiras.

– em painéis fotovoltaicos, uma tecnologia relativamente cara, em que a energia solar é convertida em energia elétrica através do efeito fotovoltaico.

Achei bastante interessante que o palestrante ressaltou que a energia elétrica, independentemente da forma que é produzida, é um recurso caro e de difícil obtenção, por isso deve ser usado com racionalidade. Após assistir a palestra, concluí que a energia solar é uma excelente alternativa para boa parte do Brasil, principalmente para o sertão nordestino.

A energia elétrica gerada a partir de células fotovoltaicas pode ser gerada no próprio local onde será consumida, excluindo a necessidade de linhas de transmissão. Por isso, na minha opinião, é uma excelente alternativa para locais mais distantes de grandes centros consumidores (grandes cidades).

2) “Aproveitamento das energias oceânicas: Ondas, marés e correntes” – Dr. Rafael Malheiro do Laboratório de Tecnologia Submarina da COPPE-UFRJ

O potencial instalado no Brasil é de 100MW. Nos EUA e na China, o potencial instalado é de 1TW (1 TeraWatt, ou seja, 1000000000000W). Ou seja, o potencial instalado no Brasil é muito menor, e o palestrante mostrou que as usinas geradoras de energia elétrica a partir de ondas e marés ainda são bastante experimentais, normalmente ligadas a pesquisas de universidades.

O palestrante mostrou um mapa interessantíssimo, onde podíamos ver que o potencial para gerar energia elétrica através de marés é mais interessante nos litorais da Região Norte e Nordeste, pois a amplitude da maré (quantidade que água que ‘sobe’) é maior do que no litoral da Região Sul e Sudeste.

Na Região Sul e Região Sudeste, as ondas possuem mais potencial para gerar energia elétrica, pois elas são maiores que nas demais áreas do litoral brasileiro.

Há idéias em se usar o potencial das marés para gerar energia elétrica em Fernando de Noronha. Minha opinião? Enquanto o visual dos geradores for este:

Fonte: Aepet.org

Não vale a pena. Eu acho que estragaria muito a belíssima paisagem do arquipélago. Eu não acho que ‘vale tudo’ quando o assunto é energia elétrica. Tudo precisa ser pensado, para não atrapalhar as atividades da região. Uma ideia bacana para Fernando de Noronha, seria o uso de sistemas de aquecimento de chuveiros a partir da energia solar. Já ajudaria a econominzar energia. Atualmente, a energia do arquipélago vem de geradores tocados a diesel.

Sinceramente, acredito que a energia elétrica a partir de ondas e marés pode ser uma ótima alternativa complementar. Mas a tecnologia ainda precisa evoluir bastante, para que os equipamentos tenham um maior rendimento e sejam mais compactos.

3) “Energia Eólica” – MsC. Marcio Gledson Oliveira, Doutorando IAG-USP

Achei a palestra do Marcio bastante interessante, pois além de falar da energia eólica, também esclareceu muitos jovens estudantes de meteorologia, sobre um novo mercado de trabalho. Todo equipamento para montar um aerogerador é bastante caro, portanto um mapeamento dos ventos da região precisa ser feito para evitar perdas financeiras. O mapeamento dos ventos pode ser feito por meteorologistas, pois estudamos o vento sob muitos pontos de vista nas disciplinas da faculdade:

– aprendemos como ele é gerado;

– aprendemos as principais características do vento em diferentes regiões do Brasil e do mundo;

– aprendemos que o vento pode variar bastante conforme a época do ano.

– aprendemos a medir o vento, usando instrumentos como o anemômetro.

– aprendemos as principais equações que descrevem o vento. E através dessas equações, podemos simular o vento.

O trabalho do Márcio e dos demais meteorologistas que trabalham com ele é medir e simular o vento nas áreas de interesse, onde uma empresa pretende instalar os aerogeradores. Através do trabalho do Márcio e de sua equipe, a melhor decisão pode ser tomada, evitando gastos desnecessários.

Aerogeradores no interior do Paraná. Foto de Rafael Toshio

 

Depois da palestra, tivemos um breve coquetel. Revi antigos professores e colegas e amigos muito queridos. Ainda conversei um pouco com o Márcio Gledson (que apresentou a terceira palestra) e ele contou um pouco mais sobre seu trabalho. A demanda de meteorologistas para a área de Energia Eólica tem aumentado. Fico feliz em saber que estamos sendo reconhecidos em mais um campo de trabalho. Márcio também falou dos desafios estruturais para instalar um gerador eólico. Os preços são muito elevados, mas certamente com o aumento da utilização dessa fonte alternativa de energia os preços podem diminuir.