Reportagem da Globo sobre nevoeiro/neblina.

Ontem, uma equipe do SPTV Segunda Edição esteve na Estação Meteorológica do IAG-USP. O objetivo era fazer uma reportagem sobre nevoeiros (falei sobre esse assunto no post anterior). O Prof. Mario Festa deu algumas explicações à equipe de reportagem. Assista a reportagem aqui.

A observação do nevoeiro é feita visualmente. Na Estação Meteorológica do IAG-USP, há uma metodologia científica. Os observadores saem de seu escritório a cada meia hora para fazer observações do céu. Quando ocorre nevoeiro, o observador faz uma anotação na caderneta. O olho humano também é um instrumento meteorológico. Costumo dizer aos meus alunos que o olho humano é o primeiro instrumento meteorológico e astronômico. Foram com observações simples, sem usar nenhum tipo de instrumento óptico, que se observou pela primeira vez as nuvens, o Sol, a Lua e as estrelas.

Além disso, o nevoeiro é um fenômeno facilmente identificável, mesmo por alguém que não é da área de meteorologia. O único cuidado que os observadores tem é em fazer a anotação sobre o horário e o dia da ocorrência deste fenômeno. E é desta maneira que os registros são feitos. Não há nenhum mistério!

A reportagem também menciona a classificação dos nevoeiros de acordo com a visibilidade:

– Nevoeiro tipo 0 ocorre quando a visibilidade horizontal é inferior a 50m. Ou seja, obstáculos que estejam a 50m de distância do observador ficam escondidos em meio a nuvem.

– Nevoeiro tipo 1 ocorre quando a visibilidade está entre 50m e 200m.

– Nevoeiro tipo 2 ocorre quando a visibilidade está entre 200m e 500m

– Nevoeiro tipo 3 ocorre quando a visibilidade está entre 500m e 1000m

– Nevoeiro tipo 4 ocorre quando a visibilidade está entre 1000m e 2000m.

Quando a visibilidade está acima de 4000m, não há nevoeiro! Esses são os critérios adotados pela Estação Meteorológica do IAG-USP, e que certamente podem ser diferentes dos critérios adotados por outras estações meteorológicas. Como vocês podem ver, na reportagem são utilizados referenciais visuais (construções, árvores e outros pontos fixos), que estão a determinadas distâncias conhecidas pelo observador.

Existem instrumentos sofisticados que medem a visibilidade de maneira indireta, medindo por exemplo a intensidade da luz. Eles podem ser utilizados também para a medição da visibilidade. O principal deles é o fotômetro, mas na maioria das Estações Meteorológicas é empregado o método visual, que é simples, barato e eficaz.

Nota: um leitor mais atento deve ter observado que os códigos mencionados pela reportagem são diferentes dos que mencionei em meu texto. Os códigos do texto estão corretos e aqueles mencionados na reportagem estão errados. Confirmei essa informação com os observadores da Estação Meteorológica do IAG-USP. Provavelmente os repórteres se enganaram durante a edição.