A baixa umidade relativa: compreendendo o conceito

Em breve o Meteorópole fará um ano. Isso significa que muitos temas começam a se repetir aqui no Meteorópole, já que o clima possui alguns ciclos de 1 ano. Quero dizer, sabemos o período em que as chuvas começam, o período mais frio e o período mais susceptível a baixa umidade relativa. E é disso que vou falar nesse post. E eu já falei sobre isso no ano passado, leiam aqui.

A umidade relativa é a relação entre a quantidade de vapor d’água que o ar tem e a quantidade de vapor d’água que o ar pode suportar.

A quantidade de vapor d’agua que o ar pode suportar depende da temperatura do ar. Quando a temperatura está maior, o ar suporta mais umidade.

Depende também da quantidade de vapor d’água que o ar já tem. Se o ar já está com muito vapor d’agua, significa que ele está próximo da saturação. Então quase não cabe mais vapor nele.

Uma analogia que gosto muito de usar é a de um cinema. Pense em um cinema com 100 lugares. Vamos supor que 70 desses lugares já estejam ocupados. Isso significa que temos apenas 30 lugares disponíveis. Quando 30 pessoas chegarem, o ambiente ficará cheio. Fazendo uma relação desse fato com o ar, podemos imaginar que quando a umidade relativa está próxima de 100%, falta muito pouco para que o ar fique saturado de ar.

Recomendo os slides abaixo, que preparei para uma aula que dei. Quem quiser tirar mais dúvidas, também pode usar os comentários para fazer perguntas.

A grande preocupação nessa época do ano (período que vai de julho até setembro, mais ou menos) é a baixa umidade relativa. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, quando a umidade está abaixo de 30%, começa a prejudicar criticamente a saúde humana. Aumentam alergias, crises de asma e bronquite, irritações nos olhos, pele e vias respiratórias superiores, etc. É por essa razão que os meios de comunicação tanto falam no assunto e se preocupam em esclarecer a população. Recomendo a leitura desse post, escrito por mim ano passado, em que falo de recomendações que podem ajudar as pessoas a melhorar sua qualidade de vida em dias com baixa umidade relativa.

Os dias com baixa umidade relativa também são dias propensos ao aumento da concentração de alguns poluentes. Como são dias sem chuva, ocorre pouca deposição de poluentes. Além disso, são dias bastante ensolarados e com poucas nuvens e em dias assim, a produção do poluente secundário ozônio (O3) aumenta. Nas reações químicas de produção do ozônio, a luz solar entra como catalisador da reação entre os oxidos de nitrogênio (NOx) e os compostos orgânicos voláteis (COV).

O O3 é uma substância muito importante lá no alto da atmosfera, na estratosfera. Ele absorve a radiação ultravioleta, que prejudica a vida na Terra. Mas aqui na troposfera, sua ação oxidante irrita nossos olhos, nossa pele e nossas vias respiratórias.  Por isso, na literatura, normalmente fala-se desse O3 poluente como ozônio troposférico, para diferenciá-lo.

Por essa razão, além dos cuidados para melhorar a qualidade de vida em dias secos, ainda há a questão da poluição do ar, pois a concentração dos poluentes atmosféricos pode aumentar em dias assim. E por isso, aproveito esse espaço no blog para fazer novamente o mesmo apelo: governantes, invistam no transporte coletivo. Uma boa rede de transporte coletivo pode melhorar a qualidade de vida em muitos aspectos (tempo no trânsito, melhoria na saúde, mais tempo com a família, mais tempo para esportes e lazer, mais tempo para cultura, etc).