Pico do Barbado



Durante essa longa ausência aqui no blog, fiz muitas atividades ao ar livre. Uma delas, foi subir o Pico do Barbado. Eu prometi para vocês que contaria tudo sobre as coisas que fiz e que a ausência seria totalmente compreendida :). Então vamos lá.

Semana passada (exatamente no dia 14/07) acordei por volta das 4h da manhã. Coloquei barras de cereal, uma garrafa com água, máquina fotográfica e protetor solar dentro da minha mochila. Meu marido carregava uma pochete grande com água, canivete e kit de primeiros socorros. Meus pais carregavam bolsas com itens similares. Um primo de meu avô, Zeca, foi nosso guia. Um querido guia, que explicava um pouco sobre as rochas e flores do sertão. Zeca é uma pessoa bastante experiente nesse tipo de aventura. Vários grupos de turistas acostumados com esse tipo de atividade o contratam. Aliás, se alguém quiser saber sobre a disponibilidade dele, deixe um comentário aqui no blog.

Para vestir, escolhi uma calça grossa, própria para esse tipo de atividade. Comprei em uma loja de produtos esportivos. Usei também um tênis anti-derrapante e confortável, também adequado para esse tipo de atividade. Blusa esportiva de moletom confortável de manga comprida e chapéu. Minha blusa tem capuz. Eu vestia o capuz e colocava o chapéu por cima. Isso ajuda a proteger do Sol, além de aquecer. Devido a altitude, a temperatura no Pico do Barbado é mais baixa. A sensação térmica é reduzida também pelo vento intenso. Protetor solar é FUNDAMENTAL. Muitas vezes, em locais com muito vento, as pessoas não se dão conta de que a pele está sendo agredida pelo Sol. Essa dica também vale para quem vai para cidades como Fortaleza-CE e Natal-RN, cidades com vento intenso. Bom, usem protetor solar SEMPRE 🙂

Começamos a trilha tão cedinho! Conseguimos registrar o lindo espetáculo do nascer do Sol. Foto de Joélia Novaes.
Detalhe do ‘meu look’. Meu marido está ao fundo e repare que ele usa aquele chapéu com protetor para o pescoço, totalmente indicado para este tipo de atividade. Foto de Joélia Novaes. Foto de Joélia Novaes.
Grupo no início da trilha, a parte 1). Foto de Joélia Novaes.

O Pico do Barbado é localizado na região da Chapada Diamantina. A cidade mais conhecida da Chapada Diamantina fica é Lençóis-BA, mas o Pico do Barbado fica localizado na cidade de Abaíra-BA, distante cerca de 300km da cidade de Lençóis-BA (a mais conhecida e a com mais infra-estrutura turística da região). Esse pico é o mais alto da Região Nordeste, com cerca de 2033m de altitude. E para provar que a zeladora deste blog realmente subiu até lá:

Essa sou eu, do lado do marco do IBGE. Foto de Joélia Novaes.

 

Um dos marcos do IBGE, em detalhes. O marco foi colocado na década de 60. Foto de Joélia Novaes.

Para chegar ao Pico do Barbado: deve-se ir de carro até a localidade de Catolés de Cima, a parte mais alta do distrito de Catolés. O distrito de Catolés faz parte da cidade de Abaíra-BA. O carro fica estacionado nas proximidades da última casa desta localidade. A partir de então, a subida ao Pico do Barbado segue em duas etapas:

1) Temos uma caminhada de cerca de 2h até um vale lindo. Essa caminhada é bem tranquila e a trilha é bem marcada. É um caminho feito por tropeiros e viajantes, que costumavam viajar de Catolés até a localidade de Contagem (distrito do município de Rio do Pires, do outro lado do pico). Sendo assim, também deve ser possível escalar o Pico do  Barbado a partir desta cidade.

Vale entre os dois picos. Subimos o pico da esquerda. No final do vale, temos a localidade de Contagem, distrito de Rio do Pires-BA. Foto de Joélia Novaes

Nessa primeira etapa, como eu disse, o trajeto é bem tranquilo. A trilha é bem marcada e até calçada por pedras em alguns pontos. Tropeiros costumavam passar por lá com seus animais. E acho que ainda costumam, já que vi bastante esterco pelo caminho. Não há grandes obstáculos. Pré-adolescentes acostumados com grandes caminhadas podem fazer este trajeto tranquilamente. Pessoas que praticam pouca atividade física também podem fazer. O vale é muito bonito, a flora da região é maravilhosa. Apesar da facilidade, recomendo um guia!

Detalhe de parte da trilha. Nesse trecho, passamos ao lado de uma pequena propriedade rural. Não reparem, meu pai estava bocejando bem na hora da foto…rs. Era bem cedinho :). Foto de Joélia Novaes.

Nesse vale, podemos ver 2 picos (veja a quarta foto). Um maior e outro um pouquinho menor. Os guias normalmente levam os turistas ao pico maior, pois é mais fácil de ser escalado. E agora entra a etapa 2).

2)  A segunda etapa é a mais difícil e pode levar até 2h também. Na segunda etapa, rochas devem ser escaladas cuidadosamente. O guia é fundamental nesse momento, pois ele vai indicar o melhor caminho. Nessa etapa é necessário ter preparo físico, paciência e um pouco de sangue frio. As rochas são escorregadias em alguns pontos, pois há muitas minas d’água. Portanto, um calçado anti-derrapante é fundamental. Repito: a paciência é fundamental. Qualquer movimento errado pode resultar em um acidente.

Rochas que serão escaladas. Foto de Joélia Novaes.
Zeca, um querido primo e amigo, que foi nosso guia! Ele é bastante experiente nesse tipo de atividade e conhece muito a região. Quem quiser mais informações, entre em contato comigo pelos comentários.
Detalhe das perigosas rochas que devem ser escaladas. Nenhum equipamento é necessário, embora imagino que escalar com algum equipamento de escalada pode tornar a aventura mais segura.

Não recomendo esta etapa para pessoas com pouco preparo físico. Não recomendo para crianças, por mais atlético que seja seu filho. Para crianças e pessoas desacostumadas com este tipo de atividade, recomendo o Morro do Pai Inácio, que fica bem próximo da cidade de Lençóis-BA e muitas agências da cidade realizam excursões para a região.Falarei sobre o Morro do Pai Inácio em outro post. 🙂

A vista de cima do Pico do Barbado é maravilhosa. É possível ver várias serras e picos da Chapada Diamantina, como a Serra da Tromba, Pico do Itobira e o Pico das Almas. E há aquela maravilhosa sensação de estar ‘perto das nuvens’, uma sensação que tanto amo 🙂

Meus companheiros de aventura apreciando a vista. Foto de Joélia Novaes.
Serra da Tromba, vista lá do alto do Pico do Barbado. Foto de Joélia Novaes.
Pico do Itobira. Foto de Joélia Novaes.
Pico do Itobira, em detalhe. Foto de Joélia Novaes.
Meu marido apreciando a vista. Foto de Joélia Novaes.
Essa sou eu, tentando alcançar uma nuvem no Pico do Barbado, o ponto mais alto da Região Nordeste, com aproximadamente 2033m. Essa foto vocês já tinham visto 🙂

Pelo caminho, vemos a maravilhosa vegetação típica da região. É possível ver as lindas flores do cerrado, cactus de diferentes espécies e rochas muito interessantes. É sem dúvida um passeio maravilhoso para aventureiros amantes da natureza.

Uma das flores vistas pela região. Foto de Joélia Novaes.
Não me lembro se era uma orquídea ou bromélia. Desculpem, leitores. Meus conhecimentos em botânica são praticamente nulos. Foto de Joélia Novaes.
Achei esta espécie de cacto bastante interessante. No topo dele, há uma parte bem macia, que lembra a textura de pelo de lebre. Foto de Joélia Novaes.

Curiosidade: segundo Zeca, o nome Pico do Barbado deve-se a um macaco que existia ali na região. Pela descrição que Zeca deu do bicho, deve-se tratar de um bugio. É um animal grande e que está em risco de extinção. Algumas pessoas dizem ter visto o macaco. Infelizmente, não vi. Os animais que consegui ver por ali foram mocó (um pequeno roedor),  jacu (uma ave mais ou menos do tamanho de uma galinha) e várias espécies de pássaros.

E para quem quiser saber mais sobre este pico, recomendo este excelente link. Também recomendo o site de Ruy Rezende, com lindas fotos da Chapada Diamantina.

E quem é Joélia Novaes? É minha querida mãe, uma amante de fotografia e que me incentiva muito na criação desse site. Ela nasceu na região e tem um profundo amor por essas serras. Amor que  transmitiu para mim 🙂

 

A linda fotógrafa sendo fotografada 🙂

E abaixo, um mapa com a localização do Pico do Barbado:


Visualizar Pico do Barbado em um mapa maior