Dúvidas dos leitores – Formato das nuvens

O José Aurélio me mandou uma pergunta muito interessante:

Por que a base ( parte inferior) das nuvens são de certa forma niveladas ao passo que a parte de cima (superior ) paresse não ter limites de altura?

Nem todas as nuvens são niveladas na base, embora a maioria delas seja. Geralmente, as nuvens que possuem essa característica são as nuvens tipo Cumulonimbus, Cumulus, Altocumulus, Cirrocumulus e Stratocumulus. São vários nomes né? Eu falo um pouquinho sobre classificação de nuvens aqui, se vocês quiserem ler mais a respeito deste assunto 🙂

Bases de nuvens Cumulus em São José do Rio Preto – SP Foto: Silvio Gois

A nuvem forma-se quando o ar é forçado a subir. Esses tipos de nuvens que mencionei, normalmente formam-se por convecção. Isso significa que a radiação solar aqueceu a superfície da Terra. A superfície da Terra, agora aquecida, aqueceu o ar que está localizado acima dela. O ar mais quente é menos denso e portanto sobe. Enquanto essa parcela de ar mais quente sobre, ela vai encontrando temperaturas cada vez menores, até atingir um momento em as temperaturas estão tão baixas que o vapor d’água contido nessa parcela de ar não consegue mais permanecer neste estado e então condensa-se.

Esta condensação ocorre sobre a superfície de minúsculas partículas (solo, pólen, poeira, sal marinho, etc). São os núcleos de condensação. As minúsculas gotículas que formam a nuvem forma-se desta maneira.

Como as parcelas de ar que formam as nuvens em um determinado local sobem ao mesmo tempo, possuem aproximadamente a mesma temperatura inicial e sobem com a mesma velocidade, as gotículas de água vão se formar aproximadamente na mesma altura. Isso fará com que a base das nuvens apresente aproximadamente a mesma altura em um mesmo local.

Há situações em que nuvens tipo Cumulonimbus (Cb) não possuem a base nivelada. Em certas situações as gotículas ficam muito pesadas para permanecerem suspensas no ar e começam a cair vagarosamente. Quando isso ocorre, podemos ter nuvens virga ou nuvens mammatus. Tecnicamente, essas gotas que estão caindo podem ser chamadas de precipitação, mas devido seu formato incomum e sua proximidade da nuvem, são ainda consideras partes dela.

Foto feita por Rafael Toshio e que já foi publicada em outro post. Aqui, vemos a base de uma nuvem Cb. Essa formação ondulada recebe o nome de mammatus. Normalmente, quando a base de uma nuvem Cb está assim, podemos esperar uma tempestade bastante severa, com possibilidade de tornados ou downburst.

Fonte: MPRNews. Esses ‘rabinhos’ que vemos nas nuvens são precipitação aparente que não atingem o solo. São chamados de virga.

A base da nuvem tem um nome técnico dado pelos meteorologistas: Nível de Condensação por Levantamento (NCL). Esse nome técnico sintetiza toda a explicação dada 🙂

Acima do NCL, as nuvens continuam crescendo em altura. Como ar em torno da nuvem, nessa altura, é mais seco, as gotículas da nuvem começam a evaporar. Essa evaporação é mais acentuada nos limites laterais das nuvens, pois é região da nuvem que possui mais contato com o ar ao seu redor. Essa evaporação faz com que a nuvem se desfaça lentamente, dando um aspecto irregular à nuvem. Como velocidade de ascensão das parcelas de ar é relativamente grande, mesmo com a evaporação das gotículas, as nuvens podem continuar crescendo.

Acho que já respondi a dúvida de José Aurélio, mas enquanto escrevia pensei em mais algumas coisas.  Chega uma determinada altura na atmosfera em que as parcelas de ar não conseguem mais crescer. Essa altura é chamada de nível de equilíbrio (NE ou EL, em inglês). Nessa altura, a temperatura da parcela de ar que saiu lá da superfície da Terra é igual à temperatura da atmosfera. Com temperaturas iguais, a parcela não tem como subir mais. Essa altura coincide com o topo liso das nuvens de tempestade Cumulonimbus.

Fonte da imagem. Nuvens Cumulonimbus são nuvens de tempestade, nuvens responsáveis pelas chuvas intensas no verão brasileiro. Ela tem um formato característico que lembra uma bigorna. Não conseguimos ver este formato durante uma tempestade pois nos encontramos exatamente abaixo da nuvem.