Chuva de sangue!

Meu amigo Roger me mandou uma notícia muito interessante e decidi comentá-la aqui. Obrigada, Roger 🙂

O título da notícia é: Meteorologista preveem “chuva de sangue” no Reino Unido. O título é bem proposital e garante cliques. Escrever um bom título para sua matéria sempre foi uma grande preocupação dos jornalistas, desde a época em que só havia jornal impresso. Com a internet, escrever um bom título garante clique, garante que a notícia estará na lista das mais lidas e talvez até das mais comentadas. Na maioria dos portais, a notícia só aparece na íntegra após clicar no link e o link normalmente é o título da notícia.

O que seria a tal chuva de sangue?

Sabemos que a chuva é composta basicamente por água, que quando disposta em pequenas quantidades (como gotas) é incolor. No entanto, as gotas de chuva interceptam todo material em suspensão na atmosfera (poluição gasosa, fuligem, poeira, etc) antes de atingirem o solo.  Os meteorologistas britânicos preveem que poeira vermelha proveniente do deserto do Saara poderá chegar até o sudeste do Reino Unido por esses dias (a notícia é de ontem, dia 24 de  outubro).

Apesar da enorme distância entre o deserto do Saara e o Reino Unido (mais de 2000km de distância), a poeira é tão fininha que em algumas situações pode ser carregada pelo vento em longas distâncias. A chuva então intercepta essa poeira que tem tonalidade avermelhada e as gotas d’água ficam ‘tingidas’ de vermelho.

 

Imagem obtida pelo sensor Sea-viewing Wide Field-of-view (SeaWiFS) que está abordo do satélite OrbView-2. A imagem mostra uma enorme quantidade de poeira do deserto do Saara se deslocando para o sul da Europa, mais especificamente para a direçãoda Itália e Grécia. (NOAA/orbimage HO)

O fenômeno é bastante raro no Reino Unido e é relativamente mais comum em países do sul da Europa, como Espanha, Itália, Portugal e sul da França, que estão mais próximos do Saara.

Um incidente bem documentado desse fenômeno aconteceu em 2001, no sul do Estado indiano de Kerala, chegando inclusive a manchar as roupas dos moradores. Como a Índia está distante do deserto do Saara, certamente a poeira avermelhada veio de um dos desertos asiáticos.

Há também relatos de “chuvas de sangue” em textos históricos. O fenômeno é mencionado na Ilíada, de Homero, escrita no século 8 a.C., e em textos do século 12 do escritor Geoffrey de Monmouth, que popularizou a lenda do Rei Arthur. Antigamente, muitos acreditavam que a chuva era realmente de sangue e o fenômeno era considerado um mau presságio. Inclusive, a primeira das 10 pragas do Egito teria sido a água sendo transformada em sangue. Além do fenômeno da maré vermelha (crescimento descontrolado de uma espécie de microalga com coloração vermelha), o fenômeno da chuva de sangue poderia também estar associado a esta praga.