Novo curso de Bacharelado em Meteorologia – UNESP

Há algum tempo, escrevi este FAQ, falando das universidades que possuem curso de Bacharelado em Meteorologia.Já faz algum tempo que ouço um burburinho de que um novo curso de bacharelado em Meteorologia seria implantado no interior de São Paulo, mais especificamente na UNESP – Campus Bauru.

Universidades que contam com o curso de Bacharelado em Meteorologia

–  Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

– Universidade de São Paulo (USP)

– Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

– Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

– Universidade Federal do Pará (UFPA)

– Universidade Federal de Campina Grande (UFCM)

– Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

– Universidade do Estado do Amazonas (UEA)

– Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Câmpus Bauru [NOVO]

– Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – veja aqui.

Fontes: e-mec, UNESP

Tenho dois queridos colegas (Fernando Tavares e Eduardo Gonçalves) que trabalham lá em Bauru. Lá existe um Radar Meteorológico, pesquisadores da área de meteorologia, enfim, existe uma  infraestrutura de pesquisa e divulgação. Creio que a evolução para um curso de Bacharelado em Meteorologia foi mais que natural. Agora São Paulo-SP possui dois cursos de bacharelado, como o Rio Grande do Sul (UFSM e UFPel). Na minha opinião, que provavelmente é a opinião de muitos colegas, falta um curso no Centro-Oeste, que poderia ser bem focado em Meteorologia Agrícola.

Mas há vagas no mercado de trabalho para tantos formados? Há sim e o mercado tem potencial para criar novas vagas. O grande problema é o desconhecimento por parte de muitas empresas. Não esqueço de uma palestra que assisti no Dia Meteorológico Mundial, proferida pelo querido Márcio Gledson Oliveira, meteorologista que trabalha na área de enegia eólica. Ele mencionou que os engenheiros que o contrataram não conheciam o curso de Meteorologia. Eles tiveram a idéia de contratar um meteorologista depois de concluir que sua comodite era o vento. “E quem entende de vento?”, pensaram os engenheiros. Pesquisaram e concluiram que o profissional mais indicado era o meteorologista. Ou seja, não foi uma resposta imediata. E através do Meteorópole eu quero isso: quero que seja uma resposta imediata.

Sinceramente estou cansada de ver profissionais de outras áreas realizando atividades de meteorologistas, atividades para as quais meteorologistas são mais capacitados, dada a bagagem que adquiriram na Universidade.  Cansei de receber ligações de profissionais de outras áreas, proferindo pérolas como:

– “Você pode nos passar o Índice de Precpitação?”

– ” Você pode nos passar a média de precipitação para setembro/2012?”

– “Pode nos passar o índice do vento?”

– “O que são essas letras S, SE, SSE, NE, NNW nos arquivos de vento que você me mandou?” [1]

Essas perguntas são claramente feitas por profissionais que não são meteorologistas e pretendem usar nossos dados em diversos estudos, desde justificativa de atraso de obras até estudos de impacto ambiental e laudos de seguradora. Esses profissionais estão dizendo e escrevendo equívocos. Não posso permitir isso. Quero fazer minha pequena parte para que todos saibam que existem cursos de bacharelado em Meteorologia há pelo menos uns 30 anos. E existem diversos profissionais qualificados e muito competentes para trabalhar em diversas áreas do mercado em que um meteorologista é necessário.

Eu quero que crianças e adolescentes de todo Brasil respondam outras coisas,  quando lhes forem perguntado sobre a profissão que desejam seguir no futuro.Não quero mais saber de engenheiro-médico-advogado apenas. Existem inúmeras opções de cursos. Claro que sempre vou falar dos cursos de Ciências da Terra, principalmente da Meteorologia, mas há profissionais de outras áreas que escrevem blogs, produzem videologs, dão entrevistas, etc. Veja minha lista de links para mais detalhes.

Eu acredito muito no papel da divulgação científica para mostrar que outras áreas de atuação existem. Quando eu comecei a estudar meteorologia, em 2002, muitas pessoas me olhavam com surpresa. A ignorância gerava alguns comentários curiosos, confesso. Alguns diziam que eu estudava para ser apresentadora de TV. Outros diziam que eu nunca conseguiria emprego. Passei por tudo isso (assim como tantos colegas passaram) e estou aqui, feliz e bastante satisfeita.

Finalizo esse post (que era apenas para divulgar o curso novo na UNESP, mas acabou virando um desabafo) para pedir que a nova diretoria da SBMet trabalhe para a valorização do profissional.  Na nova diretoria, há profissionais que admiro muito e tenho esperança que isso aconteça.

P.S.: Agradeço ao colega Marcos Juseviscius por ter compartilhado o link da UNESP.

P.S2: Agradeço novamente ao colega Marcos Juseviscius por ter lembrado, nos comentários, que o IPMet/UNESP possui dois radares sob seus cuidados, um na sede do Instituto em Bauru e outro localizado no oeste do estado, na cidade de Presidente Prudente.

[1] Esses são alguns exemplos reais de coisas que ouço em meu trabalho. Não mencionei nomes e nem empresas, evidentemente. É claro que ninguém tem obrigação de saber das coisas. Para isso existem os livros, os sites, os blogs, os periódicos, os professores, etc. Só que quando você se propõe a trabalhar com um determinado tipo de dado, você precisa saber o que foi medido sim. Nesse caso, na minha opinião, você tem obrigação de saber. Se você não sabe, isso significa que a sua empresa deverá contratar a consultoria de um meteorologista.