Feriado com chuvas em São Paulo-SP



Uma das características mais marcantes das chuvas de verão é a grande variação espacial. Isso quer dizer que pode estar caindo uma chuva muito intensa, com direito a granizo e raios, em um bairro da cidade, enquanto outro bairro está completamente seco ou com chuva bem mais fraca.

Isso aconteceu ontem (20/11) aqui em São Paulo, dia do feriado de Consciência Negra. Eu estava indo ao supermercado, quando olhei para o céu e vi um tempo de chuva se formar. O interessante é que de um lado estava bem escuro com nuvens carregadas e o outro tinha céu limpo e completamente azul. A repórter que estava fazendo a cobertura dos preparativos do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 fez a mesma observação[1].

Cheguei com pressa em casa, com medo de ser surpreendida por uma chuva no meio do caminho. Apenas algumas gotas grandes cairam em meu bairro e a duração da chuva foi muito curta. Já em alguns bairros da Zona Sul, caiu até granizo. Várias pessoas registraram a queda de granizo. Em alguns pontos, a quantidade foi tão grande que chegou a acumular-se:

Foto de Silvia Lima Rosa, publicada no portal Terra.

Além do granizo, o vento forte derrubou árvores e provocou alguns destelhamentos. A enchente deixou alguns carros submersos e o trânsito só não ficou tão ruim porque era feriado. Foram 12 pontos de alagamento no total, a maioria na Zona Sul, incluindo por exemplo o bairro da Vila Mariana, que é razoavelmente próximo da Estação Meteorológica do IAG-USP. O curioso é que os pluviômetros da Estação Meteorológia do IAG-USP não registraram nenhuma chuva! Não, os instrumentos não estão com defeito é que realmente nenhuma chuva foi registrada. E tem relação com o que mencionei no início: as chuvas de verão tem essa característica de alta variabilidade espacial. A convecção é bem localizada e as nuvens formam-se apenas em algumas regiões. Talvez porque essas regiões aqueceram-se mais do que as outras (formando mais termas). Talvez porque os ventos tenham transportado mais umidade para essas regiões. Não se sabe ao certo, pois são tantos fatores interligados que fica difícil dizer o que aconteceu exatamente. E esse é um dos maiores desafios na previsão do tempo. O radar meteorológico tem grande importância em casos assim, pois através dele é possível monitorar as nuvens de chuva. Certa vez li que as  equipes de Fórmula 1 (esporte que movimenta muito dinheiro) investem em radares meteorológicos móveis, que são montados em caminhões. Esses radares são caríssimos, mas como a F1 é um esporte milionário, a aquisição é possível e vale a pena, pois ajuda as equipes a tomar decisões quanto ao momento da troca de pneus, por exemplo.

Além do radar (que permite o monitoramento das tempestades), boletins de previsões meteorológicas feitos exclusivamente para a organização da F1 também são divulgados. Um site chamado F1 Weather, criado por Emlyn Hughes comenta exclusivamente a previsão do tempo nos locais onde ocorrem os grandes prêmios.

 

[1] Vi uma reportagem sobre isso hoje pela manhã, no Bom Dia São Paulo. Entrei no site do noticiário por volta das 8h da manhã e a reportagem ainda não estava disponível.