Resenha de Meu Vizinho é um Psicopata



Estou tentando publicar resenhas de livros que li pelo menos uma vez por semana. O livro que recomendo esta semana é Meu Vizinho é um Psicopata, de autoria de Martha Stout. O título é extremamente alarmista, mas trata de um assunto seríssimo: sociopatas, pessoas que não conseguem sentir compaixão ou empatia.

Martha Stout é uma psicóloga com muitos anos de experiência e nesse livro descreve o que são sociopatas e como tentar identificá-los. Stout esclarece que nem todos os sociopatas são assassinos em série ou pessoas violenta. Um sociopata pode ser o chefe que desrespeita os funcionários, o marido que agride a mulher, pais que agridem os filhos, etc. Um dado estarrecedor: 4% da população mundial pode ser sociopata, segundo a autora. Então a chance de você topar com alguém assim é enorme. Hoje em dia, há pessoas com mais de 300 amigos em redes sociais. Pelo menos 16 deles poderiam ser psicopatas, de acordo com os estudos citados pela autora.

Apesar da estatística ser alarmista e do próprio título do livro também ser, o livro nos ensina que não devemos confiar cegamente nas pessoas. Todos nós precisamos ter um pequeno escudo ao nosso redor, para minimizar as chances de sermos presa de alguém com características de sociopata.

De acordo com o título, um sociopata é alguém desprovido de consciência. Por exemplo, quando você é rude com alguém gratuitamente, ou seja, sem que aja uma ameaça anterior, você sente-se mal com sua atitude, não? Claro, considerando que você não seja um sociopata…rs. Então, um sociopata não sente-se mal com o que fez. A consciência não o acusa, simplesmente porque ele é desprovido de consciência, segundo Martha Stout.

O sociopata é um artista. Ele sabe aproveitar de nossa presença de consciência para que sintamos dó dele. Ele faz jogos psicológicos. Martha dá um exemplo de uma mulher muito bem sucedida que envolve-se com um homem. Eles casam-se. Ele abandona o trabalho, sob o pretexto de que está deprimido. Ele vive na piscina, tomando sol, saindo com amigos, etc. A mulher então passa a sustentá-lo (e ele exige luxos e muitas regalias), não tem ajuda de nenhum tipo por parte dele nem durante a gravidez ou nos primeiros meses da criança. E o cidadão ainda consegue fazer com que ela e outras pessoas sintam pena dele. Ela deixa claro que algumas pessoas podem de fato sofrer de depressão, que é uma doença séria e exige cuidados. E deprimidos, muitas vezes não tem ânimo para trabalhar, cumprir suas atividades diárias ou divertir-se. Mas no caso citado no livro, o cidadão dizia não ter vontade de trabalhar, mas tinha vontade de se divertir e ter uma vida de luxos. Stout deixava bem claro que o caso dele era de uma pessoa que queria aproveitar-se do amor e do carinho de sua companheira.

Na ficção, temos vários exemplos de psicopatas. Desde os caricatos vilões de novela até personagens densos, que provocam desagrado físico em quem lê. Um exemplo que lembrei muito enquanto lia o livro foi o de Charles Bruno, do livro Pacto Sinistro de Patricia Highsmith (preciso falar sobre este livro, é ótimo).  Charles é um sujeito inconveniente  sem limites morais e muito desagradável. Como o intervalo entre a leitura de Pacto Sinistro e Meu Vizinho é um Psicopata foi curto, era inevitável lembrar do vilão.

Recomendo o livro, mas deve ser lido com critério e reflexão. Algumas pessoas podem tornar-se muito fechadas após lerem este livro, com medo de todos a sua volta. E não é este o objetivo. O objetivo é alertar o leitor para evitar pessoas que abusam da nossa boa vontade e se aproveitam de nossa consideração.

P.S.: Livro recomendado para adolescentes e adultos.

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