Resenha de Pacto Sinistro – Patricia Highsmith



Talvez você odeie alguém. Eu sei que o termo ‘ódio’ é muito forte e tenho certeza que poucas pessoas realmente odeiem alguém. Muitas vezes usamos a palavra ódio de maneira errada, exagerada, tomados por algum sentimento negativo que brota em um momento de fúria.

Mas vamos imaginar que talvez você de fato odeie alguém. E talvez você queira que essa pessoa desapareça, que é um termo delicado para dizer que você QUER QUE ELA MORRA, pois você é uma pessoa equilibrada e não vai sair por aí matando pessoas. E também porque esse alguém um dia já teve seu amor, de certo modo você tem uma certa afeição por ela. Dizem por aí que há uma linha tênue entre o amor e o ódio.

Agora imagine que você casualmente comece a conversar com alguém. Sabe aquelas conversas que começam no metrô, normalmente sobre amenidades? Algumas pessoas ultrapassam as amenidades. Uma vez embarquei na Barra-Funda e desembarquei em Itaquera, ouvindo a história da vida de uma senhora. Para quem não é de São Paulo, os nomes que mencionei são estações de metrô que compreendem as extremidades da Linha Vermelha.

Então vamos supor que essa pessoa com quem você começou a conversar casualmente consiga de alguma forma, arrancar uma confissão sua. E essa confissão trata-se de seu ódio por alguém. A pessoa então admite que também odeia alguém e diz que identifica-se com seu problema e  propõe um pacto de troca: você mata o desafeto dela e ela mata o seu desafeto.

O cenário de  Pacto Sinistro é bem parecido com este que mencionei. Guy Haines é um cara inteligente e muito idôneo, natural de uma pequena cidade do Texas. Formado em arquitetura, tem 29 anos e está no início de uma carreira que será promissora, ao que tudo indica. Guy Haines casou-se com apenas 20 anos, provavelmente com a primeira namorada. Uma moça chamada Miriam. Devido a carreira de Guy, vão para Nova York. Lá Miriam, talvez entendiada com a vida de casada, trai Guy. Ele separa-se de Miriam, supera o trauma da traição e conhece uma encantadora mulher de família tradicional com quem pretende casar-se novamente. Mas, para o novo casamento acontecer, o divórcio entre Guy e Miriam precisa ocorrer. E aparentemente Miriam está enrolando Guy, tornando o processo do divórcio mais controlado.

Do outro lado, Charles Bruno. Um pouco mais novo que Guy, porém aparenta ser fisicamente mais velho. É um playboy boêmio, irresponsável e mimado. É a antítese de Guy.  Os dois encontram-se em um trem e iniciam uma conversa. Charles odeia o pai e está interessado em sua herança. Durante aconversa, Guy acaba revelando os problemas que tem com a ex-mulher e a dificuldade de obter separação.

O que será que acontece?

Claro que não vou revelar o final do livro :). O que posso dizer é que ler esta obra é como se você estivesse dentro de uma prensa. Eu me coloquei no lugar dos personagens, queria que a história tivesse outro rumo, que as coisas fossem de outra forma… Em outras palavras, é uma trama que envolve e que mexe com quem lê. A autora, Patricia Highsmith, consegue sufocar o leitor com as palavras. Recomendo o livro.

O romance foi lançado em 1950 com o título original de “Strangers on a train” e foi adaptado para o cinema em 1951, em um filme de Hitchcock. Sei que este post é para recomendar um livro, mas quem puder, veja o filme também! Eu vi o filme primeiro e depois li o livro. Eu recomendo o caminho contrário. E o poster de divulgação do livro é muito bonito. Quem gosta de filmes da década de 50 e 60, vai reconhecer a arte típica do período no cartaz:

P.S.: Post baseado em resenha que eu tinha escrito aqui. Eu preciso atualizar meu perfil do Skoob, mas não sei se isso vai acontecer. rs

P.S.2: Livro recomendado para adolescentes e adultos.

Número de stephenkingzinhos:

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