Resenha de Serial Killers Made in Brazil



Um assunto que gosto bastante é perícia policial e histórias sobre crimes. Em um cenário ideal em que não existisse desigualdade social, muitos crimes deixariam de existir. No entanto, crimes cometidos por psicopatas infelizmente continuariam existindo. Tenho muito interesse por perícia criminal e gosto de llivros e programas de TV que mostram os bastidores das investigações. Também gosto de livros de psicólogos e psiquiatras que tentam compreender a mente e a história dos assassinos, provavelmente com o intuito de evitar que tragédias aconteçam.

Falando em evitar tragédias causadas por psicopatas (ou por assassinos passionais), acabo de lembrar de um conto de Philip K. Dick, chamado Minority Report, adaptado ao cinema por Steven Spielberg e protagonizado por Tom Cruise. No conto, os precogs sabiam com atecedência da ocorrência de um assasinato. Na adaptação para o cinema, a impressão que tenho é que o “mundo” onde ocorre a trama é um local bastante organizado e estou supondo, não ocorrem crimes motivados pela miséria e pela desigualdade social. Portanto, os precogs fazem a previsão de crimes passionais e crimes motivados pela psicopatia. Ressalto no filme, porque Phillip K. Dick não costuma criar cenários de futuro perfeito, o que também podemos ver em Do android dream of eletric sheep?, adaptado ao cinema em Blade Runner. Até porque um filme chamado Andróides sonham com ovelhas elétricas? seria um tanto esquisito. Bom na verdade o filme e o livro são bem diferentes entre si, mas isso é assunto para outro post, estou divagando demais…rs

Há algum tempo li um livro muito interessante, chamado Serial Killers Made in Brasil, de Ilana Casoy. Nunca tinha lido nenhum livro deste tema que relatasse fatos ocorridos no Brasil. No livro, Ilana fala sobre alguns assassinos em série brasileiros, dentre eles Franciso Costa Rocha (conhecido como Chico Picadinho) e Marcelo de Andrade (conhecido como Vampiro de Niterói). Citei especificamente esses dois porque a Ilana Casoy entrevista os dois. Acompanhada da equipe das penitenciárias e de especialistas, ela faz perguntas aos criminosos.

Serial Killers Made in Brazil, de Ilana Casoy, Ediouro

A entrevista que Ilana fez com Franscisco Costa Rocha é surpreendente. Ele é um homem muito esclarecido e culto, que já leu vários livros e tem interesse especial por literatura russa. Aliás, dizem que o primeiro crime dele teve um pouco de influência do personagem Raskólnikov de Crime e Castigo. Francisco é lúcido, cita escritores ao longo da conversa. Ele ainda está preso, em Taubaté.

Porém a parte que mais me impressionou foi a entrevista com Marcelo de Andrade. Foi abandonado pela família muito pequeno e cresceu nas ruas. Ao ler a entrevista dele, não obedeci ao conselho da autora (de ler apenas a primeira parte), pois fui motivada pela minha curiosidade e fiquei muito assustada. Ele fala dos crimes normalmente, fala o que fez com as crianças sem o menor pudor, sem se importar com as vítimas e sem se preocupar com quem está ouvindo. Ele aliciava crianças de rua, pagava lanche para elas e assim as atraía para serem suas vítimas.

Um outro caso que o livro relata e que também me impressionou bastante foi o de Febrônio Ìndio do Brasil, que também atacava crianças. Os ataques deste criminoso ocorreram nas décadas de 20 e 30. Ele criou uma filosofia/religião, que de certo modo motivavam os crimes. Inclusive, devido a esta inclinação religiosa, acabou escrevendo um livro chamado Revelações do Príncipe do Fogo. Pelo que pesquisei, existe apenas um exemplar deste livro, e está no IEB (Instituto de Estudos Brasileiros).

O livro é bem documentado. A autora anexa depoimentos da época dos crimes, documentos e fotografias. Há notas de rodapé explicando detalhes das investigações. Não recomendo o livro para crianças e nem para adolescentes, é um livro que deve ser lido apenas por adultos. No entanto, eu acredito que os pais e os professores devem sempre ensinar para as crianças que há pessoas muito más neste mundo. É um assunto que precisa ser discutido dentro de casa.

Outra coisa que devo acrescentar é que embora Ilana tenha feito um ótimo trabalho documental, reunindo material da época dos crimes e contando suas histórias, a autora não é psicóloga. Portanto, não trata-se de um livro que pretende traçar o perfil psicológico do criminoso ou alguma coisa nesse sentido. É um livro que narra alguns casos famosos no Brasil, escrito para interessados no assunto.

Sigam a autora no twitter: @icasoy

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