Arsênico no rosto???

Enquanto eu não termino a continuação deste post (estou aguardando a liberação do material das aulas para refrescar minha memória), vou falar de algumas curiosidades que ouvi durante o curso.

O médico oncologista infantil Reynaldo Sant’Anna foi um dos palestrantes. Ele é o idealizador do programa Sol Amigo. Muito simpático, nos contou uma curiosidade impressionante durante o curso.

Ter ou não ter a pele bronzeada teve uma série de significados ao longo da história da humanidade. Por muito tempo e em várias civilizações, considerou-se o bronzeado como um divisor de classes sociais. Os pobres, que precisavam trabalhar nas lavouras, tinham a pele bronzeada. Os ricos, tinham a pele branca. Para reforçar essa divisão, as pessoas usavam artifícios cosméticos para deixar a pele ainda mais branca.

Esses artifícios cosméticos eram os mais curiosos e absurdos (para nós, nos dias de hoje) possíveis. Um produto que foi muito usado como maquiagem para deixar a pele mais clara foi o arsênico. Esse produto que hoje sabemos que é altamente tóxico e cancerígeno foi usado na Idade Média para deixar a pele mais clara. Ao que parece, foi usado na Antiguidade também, na forma de sulfeto. Fiquei tão boquiaberta com essa história que fiz uma pesquisa e encontrei esse ótimo link do CRQ (Conselho Regional de Química), que relata a história dos cosméticos.

Gente, as mulheres usaram todo tipo de porcaria em seus rostos para parecerem mais brancos (lembrando que pele mais clara, além de associada com classe social em algumas épocas de nossa história, também está associada com juventude). Encontrei mais alguns exemplos:

Maquiagem com cerusita:as tintas usadas para pintar o rosto eram feitas à base de chumbo e vinagre. O chumbo foi responsável por envenenar populações inteiras, contribuindo até mesmo para o declínio do Império Romano.

Iluminador de mercúrio: do século XIII ao XIX, o mercúrio foi utilizado para dar brilho à pele. Prateado, o metal refletia a luz. Porém, se absorvido pela pele, poderia envenenar

Sanguessugas para palidez: na Idade Média, pele perfeitamente branca e pálida era esteticamente bonito. Para isso, os europeus usavam técnicas de sangria, feitas com sanguessugas.

Comer giz e beber iodo: para obter uma pele ainda mais branca, algumas mulheres comiam giz e iodo. Acreditava-se que essas substâncias clareavam a tez.

Lash Lure: na década de 1930, mulheres utilizavam uma máscara chamada Lash Lure, extretamente perigosa. Os produtos químicos escorriam nos olhos e causavam cegueira.

Aqua Tofana: criada no século XVII, a Aqua Tofana é uma mistura que inclui arsênio e chumbo. As mulheres aplicavam no rosto para deixar a pele mais viçosa. Porém, qualquer contato da solução com a boca poderia causar a morte.

Ouvi uma história de gente que ainda nos dias de hoje, que segue o estilo de vida gótico e bebe VINAGRE para supostamente afinar o sangue e deixar a pele mais branca. Além da imbecilidade e ineficiência desta atitude, ela é arriscada, já que o vinagre é um ácido e pode prejudicar o sistema digestório se consumido desta maneira.

Será que alguns dos cosméticos que são livremente utilizados hoje também serão condenados no futuro?