Documentário fez previsão do Furacão Sandy

Acalmem-se, não estou falando de Mãe Dinah! Estou falando de ciência. Sempre que alguém trata a previsão do tempo com descrédito, percebo que há muito desconhecimento sobre meteorologia por parte do crítico.

Muitas pessoas desprezam as simulações numéricas exatamente por desconhecer que por traz delas há ciência. E sabemos que ciência infelizmente não é algo divulgado ou estimulado amplamente em nosso país. Felizmente há diversos esforços para melhorar esse quadro e percebo (sou bem otimista, vejam bem) que as pessoas estão lendo mais, buscando mais informação e rejeitando superstições.

Dentro dos computadores, há programas numéricos capazes de resolver diversas equações várias vezes por segundo. O computador, por ser mais rápido que o ser humano em cálculos complexos, é apenas uma ferramenta da ciência. Ele resolve equações que descrevem a atmosfera e a troca de energia entre a atmosfera e os oceanos, solos ou vegetação. Essas equações nada mais são do que as leis da física, que descrevem o funcionamento da natureza. Falei um pouco mais sobre esse assunto aqui.

Recentemente, vi um ótimo documentário do Discovery Channel chamado Terra 2100.Veja o documentário abaixo:

O documentário, gravado há uns 5 anos,  fala o que podemos esperar do clima daqui 100 anos. Segundo o time de especialistas ouvidos pelo programa (que inclui o meteorologista brasileiro Clovis Correa), podemos esperar:

  • Furacões mais intensos e atingindo áreas diferentes das costumeiras: nesse momento, Clovis Correa fala do furacão Catarina, que atingiu a costa de Santa Catarina em 2004. Além de Clovis, especialistas norte-americanos falam da possibilidade de furacões atingirem outras regiões além do Golfo do México e costa atlântica da Flórida. Eles cogitam a possibilidade de furacões atingirem a cidade de Nova York e advertem sobre os impactos globais que isso causaria. Essa é a parte mais fascinante do documentário, pois sem querer previu o Furacão Sandy. O documentário também menciona o furacão Katrina, responsável por 2000 mortes, bilhões de dólares em prejuízos e uma zona de devastação com área equivalente ao tamanho do Reino Unido da Grã-Bretanha;
  • Derretimento das calotas polares: o documentário menciona o problema do derretimento do permafrost, solo congelado. Diversas regiões do Alasca possuem vilarejos construídos sobre camada de permafrost. Com a elevação do nível do mar e com o aquecimento, o permafrost tem derretido. Até tirei um print do momento em que mostram como o litoral de uma região específica do Alasca tem sofrido com a degradação de seu litoral. Reparem nas linhas indicando o nível do mar em 1995 e em 2005. Muitos moradores tiveram que abandonar suas casas. Fala-se, por exemplo, do famoso caso da Ilha de Shishmaref.

permafrost_depois

  • Elevação do nível dos oceanos;
  • Epidemia de doenças transmitidas por vetores típicos de países tropicais, citando como exemplo a Dengue. Com o planeta, o mosquito Aedes Aegipt encontrará condições para viver também fora dos trópicos, vitimando mais pessoas;
  • Mais ondas de calor intenso: isso talvez não faça muito sentido no Brasil, um país com regiões em que o calor é presente o ano todo. No entanto, viver em regiões muito frias e com variações bruscas de temperatura com as quais as pessoas e o sistema de saúde não estão acostumados, pode vitimar muitas pessoas. O documentário fala da Onda de Calor de 2003 na Europa, responsável pela morte de muitas pessoas;
  • Destruição de ecossistemas: as simulações numéricas mostram que o aquecimento global pode transformar a região da Floresta Amazônica em cerrado ou deserto. As mudanças climáticas podem ser tão perigosas quanto o desmatamento causado pelo homem, então imagem os dois atuando em conjunto;
  • Problemas na produção de alimentos

Esse excelente documentário fala um pouco sobre cada um desses tópicos e faz uma breve explicação sobre o uso dos supercomputadores na previsão climática. Recomendo esse documentário para todos!