Livro recomendado: “Star Trek”

Quando escrevi “Star Trek” no título dessa postagem, acabei criando múltiplas ambiguidades. A franquia Star Trek foi criada na década de 60 por Gene Roddenberry, quado a emissora norte-americana NBC passou a transmitir o seriado com este nome e que hoje é conhecido pelos fãs como Star Trek TOS (The Original Series). Após o final da série, vários filmes foram feitos com o elenco original.

No final dos anos 80 e anos 90, novas séries que aproveitaram a idéia original foram criadas. Star Trek – A Nova Geração, com Patrick Stewart (o Charles Xavier dos filmes do X-men) como um novo capitão da frota estelar chamado Jean-Luc Picard. Também foram criadas as séries Star Trek – Deep Space Nine, cujo cenário principal era uma estação espacial e não uma nave, como as outras duas séries. Também foi criada a série Star Trek – Voyager, com a capitã Kathryn Janeway no papel principal. Todas essas séries tiveram relativo sucesso. Nova Geração, Deep Space Nine e Voyager relatam acontecimentos posteriores a série original, sendo assim a tecnologia empregada pela Federação Unidade de Planetas (órgão máximo que presta principalmente apoio diplomático, como se fosse a ONU, porém envolvendo outros planetas com vida inteligente).

Ah sim, nos anos 2000 foi criada a série Star Trek: Entreprise, que relata acontecimentos anteriores aos de Star Trek TOS, quando a Federação Unida de Planetas ainda não tinha sido criada. Eu particularmente achei essa série um fiasco e os garotos nerds gostaram da série por que nela há uma vulcana muito bonita chamada T’Pol. 

Vou escrever um breve resumo sobre a ambientação de Star Trek, caso você tenha vivido esses últimos anos na Lua em uma prisão norte-coreana. Star Trek é uma série de ficção científica ambientada no futuro (2100-2400, dependendo da série). Nesse futuro, nosso planeta alcançou uma paz invejável. Todos os povos vivem em perfeita união. Os seres humanos são um modelo de comportamento no universo e são participantes ativos da Federação Unida de Planetas, que busca promover avanços científicos e diplomáticos.

Como a história criada por Roddenberry permite infinita diversidade  em infinitas combinações, os produtores perceberam que ainda era possível extrair novas histórias a partir daquilo que Roddenberry criou. Então em 2009, Roberto Orci e Alex Kurtzman (que também escreveram os roteiros das séries Xena e Hercules) decidiram escrever um roteiro para um novo filme, dirigido por J.J Abrams. O filme foi lançado em 2009, dividindo fãs da franquia: alguns ficaram super desconfiados e outros ansiosos. Eu fui do time de ansiosos e logo que o filme foi distribuído para os cinemas brasileiros, foi assistir.

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Estou contando todas essas coisas para dizer que além de grande fã do filme (eu realmente adorei), sou grande fã da franquia. Meu marido estava passando por uma loja de livros usados quando viu o romance Star Trek . Trata-se da história escrita por Roberto Orci e Alex Kurtzman e que deu origem ao filme. Normalmente, esses livros são lançados no mercado editorial em datas muito próximas ao lançamento do filme no cinema. Porque aqui é um caso claro de roteiro escrito para o cinema. É diferente da adaptação de um livro que foi escrito bem antes e em algum momento foi adaptado para o cinema.

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Como eu vi o filme e li o livro, vou acabar contaminando minhas impressões sobre o livro com minhas impressões sobre o filme. Além disso, sou fã da franquia e é claro que veremos uma certa tendência por aqui.

Esse novo filme conta como James T. Kirk, Spock, Uhura, Sulu, Chekov, McCoy e Scott (personagens de Star Trek TOS) se conheceram. Alguns deles conheceram-se Academia da Federação Unida de Planetas. Eram jovens estudantes (Spock era um jovem instrutor da academia) com o sonho de transformarem-se em grandes exploradores espaciais. Eu sei que aqueles que já leram o livro ou viram o filme, nesse momento dirão que não estou sendo muito precisa com relação a como eles se conheceram e que nem todos foram colegas de Academia…

Ah gente, dá um tempo! rs

Não sou especialista em resenhas. Além disso, se eu falar demais posso soltar spoilers. Sim, estamos no ano de 2013 e tenho certeza que muita gente ainda não viu o filme Star trek (2009). Eu gosto de Arquivo X e vi o filme de X-Files – I want to believe (2008)  anteontem e eu achei uma porcaria, muito provavelmente estaria na lista dos 10 piores filmes que já vi.

Mas vamos voltar para a resenha: o filme fala da juventude dos personagens de TOS e sobre como eles começaram a carreira deles. Pela versão novelizada (o romance)*, nota-se que o enredo fala muito em destino. O destino queria que todos eles se conhecessem. E isso aconteceria de qualquer maneira, era como se já tivesse escrito que todos se conheceriam e serviriam a Federação na mesma nave, a Enterprise. Há fatos no romance que não fazem parte do filme, o que é absolutamente normal. Muita coisa precisa ser ‘cortada’, já que o filme tem um ritmo mais rápido e precisa agradar toda a audiência, até aqueles que nunca viram nada sobre a série.

Quando digo que o destino queria que eles se conhecessem e isso aconteceria de qualquer maneira, eu realmente falo sério. Acontece que os escritores foram muito espertos. Fizeram com que um determinado acontecimento trágico mudasse a história como a conhecíamos na série original da década de 60. O responsável por este acontecimento é o vilão Nero, que culpa Spock pela morte de seus familiares.

Alterando toda a história como nós (nós = fãs que acompanharam as outras séries, principalmente a TOS) conhecíamos. Dessa maneira, os roteiristas deixaram os fãs antigos curiosos com relação aos desdobramentos dessas mudanças de plano (Star Trek – Into Darkness será lançado em 2013) e fizeram com que novos fãs surgissem, já que não é necessário conhecer as séries antigas para ver os novos filmes (o filme de 2009 e esse de 2013).

Recomendo a versão em romance mesmo se você já viu o filme. Há novos e sutis detalhes sobre a trama que não foram apresentados no filme. Infelizmente, não tenha informação sobre a distribuição do livro em português. Minha versão é em inglês, um pocket book naquele tamanho ótimo de 17cm x 10cm. O que gosto muito no mercado editorial americano e inglês é que os pocket books (ou livros de bolso) são feitos naquele papel mais barato. Além disso, não há desperdício de papel, com várias folhas nas primeiras páginas. Isso certamente faz com que o livro seja mais barato. Gostaria muito que as editoras brasileiras seguissem esse exemplo e criassem versões de custo reduzido. Tenho a impressão que o público geral brasileiro ainda vê o livro como um objeto. Como objeto, pode ter a função decorativa, deve ser bonito. O livro é muito mais do que isso.

Para finalizar (e como sempre, acabei me desviando ligeiramente do assunto original da postagem), apresento um texto da Enciclopédia Abril, de 1972, que tem tudo a ver com meu último parágrafo:

Nas sociedades modernas, em que a classe média tende a considerar o livro como sinal de status e cultura (erudição), os compradores utilizam-no como símbolo mesmo, desvirtuando suas funções ao transformá-lo em livro-objeto.

* Em português, costuma-se empregar o termo romantização para quando ocorre essa transposição literária, ou seja, um filme que virou um romance. Só que em inglês, emprega-se o termo novelization e a gente acabou aportuguesando o termo.

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