A novela ‘Meteoro Russo’

Daí que o meteoróide caiu lá na Rússia semana passada e o assunto ainda está rendendo. No Facebook, estão surgindo imagens de supostas aparições do ‘meteoro’, como se o tal ‘meteoro’ fosse uma espécie de santo. Cheguei a ver imagens totalmente fora de contexto, com recortes de imagens de satélite sem especificar data ou tipo de satélite. Em alguns casos, fica evidente a desconfiança de que pegaram um contrail qualquer de qualquer dia e disseram que era rastro do meteoróide russo.

As pessoas gostam de shares, de likes, de números. E as vezes apelam para a desonestidade para conseguir atingir tais números.

Como o objetivo do Meteorópole é informar, separei aqui algumas informações adicionais que encontrei no site do Earth Observatory, da NASA.

Por volta das 9h20min (horário local) do dia 15 de fevereiro de 2013, um meteoróide (fragmento de asteróide que vagava por aí) cruzou o céu sobre os Montes Urais, na região de Chelyabinsk, na Rússia. Quando entrou na nossa atmosfera com grande velocidade, esse meteoróide entrou em atrito com as moléculas dos gases que compõe nossa atmosfera. O atrito provocou luz intensa, um brilho impressionante no céu. A esse brilho, damos o nome de meteoro.

Além do brilho, um som muito forte foi escutado. O rápido deslocamento do ar, provocado pela intensa velocidade do meteoro, foi responsável por tal som. Esse rápido e intenso deslocamento de ar ainda fez com que várias vidraças  fossem quebradas por toda a região. Os noticiários russos estão divulgando números impressionantes: centenas de feridos, a maioria deles sem gravidade.

Essas notícias de feridos causaram muita comoção e algum desespero. Percebi nas redes sociais que algumas pessoas acreditavam que os feridos foram atingidos por pedaços do meteoróide. Na verdade, muitos desses feridos foram atingidos por estilhaços de vidro, por exemplo.

Bill Cooke, chefe do Meteoroid Environment Office no Marshal Flight Center disse que o meteoróide veio provavelmente do Cinturão de Asteróides e tinha um diâmetro de aproximadamente 15m e pesava aproximadamente 7 mil toneladas. Ou seja, tinha um diâmetro equivalente ao de uns 4-5 veículos de passeio e o peso de uns oito desses veículos.

Quando chegou no topo da atmosfera terrestre, o meteoróide movia-se a 18km/s, com uma cauda de aproximadamente 480km de comprimento. Ficou na atmosfera terrestre por aproximadamente 30s antes de se romper em pedaços menores. Essa ‘explosão’, de acordo com Cooke, 25km acima da atmosfera!

Ou seja: aquele enorme monstro de 7 toneladas e 15m de diâmetro não chegou aqui inteiro. Ele rompeu-se em milhares de pedacinhos, pois não pode suportar o atrito com a atmosfera. A maioria desses pedacinhos foi  totalmente queimada pela atmosfera. Outros pedacinhos, um pouco maiores, conseguiram atingir a superfície da Terra, e então passamos a chamá-los de meteoritos.  Um desses meteoritos deixou uma cratera de 6m de diâmetro.

O brilho no céu e o forte ruído fez com que algumas pessoas acreditassem ser OVNI’s (Objetos Voadores Não Identificados). E nesse momento deve ter algum site maluco por aí dzendo que foram OVNI’s, que os EUA estão escondendo tudo, etc. Olha, eu sou fã da série Arquivo X, mas não deixo de me impressionar com a capacidade que as pessoas têm de bolarem teorias da conspiração. Talvez já tenha gente dizendo que foi coisa do HAARP também. Aqui no Meteorópole a gente gosta de rir dessas invencionices e eu sinceramente acho que tem gente que ganharia muito dinheiro escrevendo livros de ficção.

Para vocês terem uma ideia, semana passada eu estava na padaria e ouvi uma pessoa dizer que a queda do meteoro e a renúncia do Papa representam um prelúdio do fim do mundo. Mas aqui seguimos o princípo de Ockham.  🙂

No satélite geoestacionário Meteosat-10, da Agência Espacial Européia, há um sensor chamado SEVIRI. Esse dispositivo é sensível a radiação visível e infravermelha, possibilitando a aquisição de imagens, como a que veremos abaixo:

uralmeteor_sev_2013046

A imagem acima consiste na trilha de detritos deixada pelo meteoróide enquanto entrava em nossa atmosfera. Além de imagens de satélite, vários vídeos amadores circularam pela internet (como o que postei anteriormente).

É importantíssimo ressaltar (e eu queria ter escrito antes sobre isso, mas não tive tempo) que este meteoróide não tem nenhuma relação com o asteróide classificado como DA14, que tem 45 m de diâmetro e que se aproximou da Terra por volta das 17h25min (horário de brasília) do dia 15 de fevereiro de 2013. A trajetória do meteoróide russo é bem diferente da do asteróide DA14.

E por falar em asteróide, meteoróide, meteoro e meteorito (falei um pouco no outro post), o @guilundgren   me mandou um link para uma arte linda e muito didática, explicando as diferenças entre cada um desses fenômenos. Veja abaixo.

meteoro_asteroide

O artista responsável por esta belezinha gráfica e didática é Tim Lillis e você pode ver mais trabalhos dele em seu Flickr e em seu site.