Coincidências que não existem

O ser humano é louco por coincidências, adora encontrar padrão nas coisas e principalmente: adora encontrar um motivo para as coisas.

Isso tem um lado bom, claro. Procurar uma explicação para as coisas é uma das partes do trabalho de um cientista. Mas isso de querer encontrar um motivo tem um lado meio sombrio: na ânsia,  a gente acaba encontrando correlações que não existem!

pirates

meu exemplo favorito rs

A única forma de evitar que falsas correlações sejam encontradas é armando-se de conhecimento. O conhecimento faz com que a gente pense antes de aceitar verdades.

Agora vamos ao que me motivou a escrever este post. Hoje eu li que no dia em que o Papa Bento XVI renunciou o cargo, um raio atingiu a Basílica de São Pedro. Os jornalistas esotéricos realmente não perdoam. Eles precisam encontrar uma explicação para o raio – e é perfeitamente lindo e saudável querer compreender como um raio se forma. Mas não querem uma explicação científica. Querem uma explicação metafísica.

Aparentemente, Zeus Deus quis mostrar o quanto estava triste e chateado com o Papa e por isso resolveu mostrar toda sua ira. Acho que foi isso o que o jornalistão pensou. “Poxa, isso rende uma boa pauta”.

O Vaticano é um pequeno Estado incrustado na Itália. Se você buscar qualquer imagem do Vaticano, verá que os edifícios desse Estado não são muito altos. E uma construção sempre está em destaque, por ser mais alta que as demais:

vaticano

E adivinhem qual construção é a que destaca-se por ser mais alta? A Basílica de São Pedro. Touché.

Descargas atmosféricas costumam ocorrer nos pontos mais altos da área com tempestade. A nuvem quer livrar-se de sua carga elétrica excedente e para isso precisa atingir um outro ponto. Se esse ponto for uma região mais alta, terá maiores chances de ser atingido.

As pessoas adoram construir templos em locais de destaque. No passado, esses locais de destaque normalmente eram altos de morros ou montanhas. Certamente isso tem uma influência que veio lá da cultura grego-romana. Os gregos antigos adoravam construir os templos dedicados aos seus deuses no alto de montanhas. Tenho certeza que quando o Império Romano adotou o Cristianismo como religião oficial continuou seguindo esta diretriz.

Reparem como as igrejas católicas sempre são pontos de destaque, principalmente em cidades de pequeno e médio porte. Normalmente ficam no ponto mais alto da cidade.

Aqui no Brasil o Catolicismo perdeu força. Basta consultar dados do IBGE. Tem aumentado muito o número de fiéis de igrejas pentecostais que seguem a linha da Teologia da Prosperidade. E essas igrejas costumam ficar em local de grande circulação de pessoas para conseguirem mais fiéis. São como McDonald’s ou qualquer outro fast food.

São outros tempos…

Por falar em Vaticano, estou lendo um livro chamado Vaticano S/A, de Gianluigi Nuzzi. Para dizer a verdade, não estou gostando do ritmo do livro. Achei muito cansativo, muito documentado. Eu realmente prefiro o estilo de prosa, contando uma história. Sem contar que tenho muita dificuldade em compreender algumas partes do livro. Explico: o livro divulga informações que antes eram confidenciais sobre os malabarismos financeiros realizados pelo Banco do Vaticano. São ligações muito estranhas com a máfia italiana e com fundações que não existem. São acusações sérias de que esta instituição, com sede no Vaticano (não possui agências), faça lavagem de dinheiro.Como meu conhecimento sobre esses esquemas é praticamente nulo, tenho dificuldade em compreender algumas partes, então a leitura não flui muito bem. No entanto, o livro mostra uma uma série de coincidências… coincidências estranhas e que são pouco abordadas pela imprensa brasileira.

Andam falando das coincidências erradas.