Enchente em Moçambique: dá para ver direitinho com o satélite

Uma das coisas interessantes que os pesquisadores conseguem fazer com imagens de satélite é comparar uma região antes e depois de um desastre natural (como o Furacão Sandy) ou de uma construção (como os painéis solares em Dunhuang).

No exemplo de hoje, veremos uma enchente em Moçambique, África. A imagem abaixo foi obtida em 25 de janeiro deste ano. O Rio Limpopo estava muito cheio, inundando o vilarejo e as plantações ao seu redor.

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Imagem de 25 de janeiro de 2013: enchente

A enchente fica mais evidente quando comparamos a imagem acima com uma imagem antiga feita em 11 de fevereiro de 2005:

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Imagem de 11 de fevereiro de 2005

Em janeiro de 2013, chuvas torrenciais fizeram o Rio Limpopo, no sul de Moçambique,  transbordar. Várias casas e plantações foram inundadas. Em 29 de janeiro, a Associated Press informou que 38 pessoas morreram e cerca de 150 mil ficaram desabrigadas devido aos alagamentos.

Uma das cidades mais afetadas foi Chókwé, situada a oeste do Rio Limpopo (vocês podem ver a localização da cidade nas imagens acima). As duas imagens acima foram tiradas na estação chuvosa, em datas diferentes. São imagens do sensor ASTER ( sensor desenvolvido para medir emissão térmica e reflexão, o que significa que esse sensor capta emissões da região visível e da região infra-vermelho do espectro eletromagnético) , localizada no satélite Terra da NASA.

O sensor ASTER combina comprimentos de onda infra-vermelho, vermelho e verde. As imagens não são exatamente iguais as cores naturais, mas se aproximam bastante.  A cor verde indica vegetação. Azul-escuro indica água sem a presença de sedimento. Águas cheias de sedimento (a tal água barrenta) aparecem colorações que vão do lilás até um tom de rosa ‘apagado’.  Sou péssima para descrever cores!

Na segunda imagem de fevereiro de 2005, o Rio Limpopo estava confinado em seu canal, longe da cidade e das plantações. Na imagem de fevereiro de 2005, se olharmos algumas partes em azul escuro (parte inferior da direita da imagem), veremos alguns retângulos na cor azul-escura, indicando a presença de água represada de enchentes anteriores a 11 de fevereiro de 2005. Os meses de dezembro, janeiro e fevereiro são meses chuvosos na região, então é bem provável que esta suposição tenha fundamento.

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A imagem acima é do WeatherBase (leia sobre o site aqui). Como não encontrei a cidade de Chókwé, escolhi a cidade de Xai-Xai, que é próxima. Vejam que as chuvas por lá são mal distribuídas ao longo do ano. Há uma estação chuvosa bem marcada entre dezembro e fevereiro. A média acima foi obtida usando 30 anos de dados. Leia mais informações sobre o clima da região aqui.

Em janeiro de 2013 (primeira figura), a enchente cobriu a cidade de Chókwé, estendendo-se de sul a oeste da cidade, enchendo um canal vazio a oeste e inundando plantações.

As enchentes também afetaram outras cidades de Moçambique: a província de Gaza, Bilene, Xai-Xai (veja aqui um mapa maior) e também afetaram outros países, como Zimbábue, Botswana e África do Sul.

Informações de Earth Observatory, da NASA.