400ppm!



O grande destaque desta semana é que o total de CO2 presente na atmosfera ultrapassou os 400ppm (400 partes por milhão). Para vocês terem uma ideia, os registros paleoclimatológicos mostram que a última vez que isso aconteceu foi há 15 milhões de anos! Nessa época, o planeta era de 3 a 6°C mais quente que hoje, era mais úmido e o mar estava de 25 a 40m mais alto que atualmente.

O CO2 é o principal gás de efeito estufa e está associado a queimadas, queima de combustíveis fósseis eatividades industriais. O CO2 e outros gases estufa absorvem a radiação infravermelha (calor) emitido pelo planeta Terra, aquecendo o planeta mais do que o necessário. Os gases de efeito estufa são essenciais para a manutenção da vida na Terra. Sem eles, o planeta seria bem mais frio e a vida em abundância seria possível apenas numa faixa muito menor do planeta. No entanto, quando estes gases estão presentes em excesso na atmosfera, a quantidade de calor fica maior, desequilibrando o ecossistema.

Na quinta-feira (9), a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration, órgão norte-americano) detectou uma concentração de 400,3 partes por milhão (ppm) de CO2 na atmosfera. Na sexta, o tradicional observatório de Mauna Loa, no Havaí, que faz o monitoramento da concentração de CO2 desde a década de 50, confirmou este valor, detectando 400,08 ppm de carbono na atmosfera.

O gráfico abaixo mostra os resultados deste monitoramento do CO2 lá no Havaí. O gráfico ficou conhecido como Curva de Keeling, dando nome ao cientista que iniciou estes trabalhos na região. O gráfico é todo “serrilhado”, pois em um único ano temos um ciclo de máximo e mínimo de CO2 devido ao aumento/diminuição da vegetação da região, que é uma consequência das estações do ano. A vegetação absorve parte do CO2 no processo de fotossíntese. Na primavera e no verão da região, as folhas das plantas ficam mais abundantes, e elas passam a consumir mais CO2. Entrentanto, percebam que apesar deste ciclo anual, a tendência é de aumento na concentração de CO2, desde o início das medições na década de 50.

keeling-curve

Agora é oficial: o planeta Terra ultrapassou a emblemática marca de 400 ppm de gás carbônico no planeta, o limite que cientistas e ambientalistas consideram “seguro” para evitar mudanças climáticas extremas. Se o valor anual se manter em 400ppm, a temperatura média do planeta poderá aumentar pelo menos 2,4°C,  segundo o relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). E as perspectivas são pessimistas: as emissões de CO2 na atmosfera não param de aumentar e, caso a tendência persista, a temperatura pode aumentar entre 3 e 5 graus.

Para finalizar, um apelo: cuidado com formadores de opinião desonestos e arrogantes, que escrevem textos como este. Ao invés de entrevistar um especialista, ele prefere dar a opinião dele baseada em ‘achismos’. Um jornalista deve investigar e não especular. Pra variar, esse é o estilo de Reinaldo Azevedo, um desserviço de informação.

Bibliografia

Leia também o excelente artigo do Prof. Alexandre Araújo.

Já falei sobre aquecimento global e curva de Keeling neste outro post.