Experiência 8: Russo faz experiência jogando água quente do oitavo andar

Ah, essa internet…

Com uma câmera digital, as pessoas fazem maravilhas e podem mostrá-las ao mundo. Ontem assisti um vídeo que me deixou intrigada, uma situação que como moradora do Brasil nunca teria a oportunidade de testar.

Num belo dia quente na Rússia (-41°C rs), um cara decidiu que seria uma boa idéia fazer um experimento científico para nosso deleite. Eleo resolveu ir até a sacada da sua casa e jogar uma panela de água quente, só para mostrar o que acontece.

Bom, eu estou questionando se a temperatura estava realmente -41°C. Não que isso seja impossível (estamos falando da Rússia, tudo é possível), mas reparem que bem no começo do vídeo ele mostra a temperatura a partir do celular. Pode ser um dado de previsão, com um valor de temperatura mínima que ocorreu no final da madrugada. Não me pareceu ser um dado medido em um termômetro (a não ser que o celular dele tenha um sensor de temperatura, não sei se existe um modelo de celular com este sensor). O que quero dizer é que a temperatura que marca em seu celular ou é uma informação de previsão (como a da Climatempo) ou uma informação medida em uma estação oficial em sua cidade (aqui em São Paulo, pode ser a da USP ou a do Mirante de Santana). No celular de nosso amigo russo, me pareceu uma informação de previsão.

Mas ok, a gente nem precisa de termômetro para perceber que estava horrivelmente frio. Só observar a vista da janela do nosso herói. É bastante óbvio que a temperatura é negativa, só não sei se é -41°C. Mas tá, vamos imaginar que é verdade (e na Rússia tudo é possível) e a temperatura está bem próximo de -41°C.

[Podia ser -42°C, porque 42°C é um número bem mais legal, né @melts10?? rs]

Quando ele joga a panela de água quase a 100°C (estou deduzindo isso porque acho que vi indícios de ebulição na panela) pela janela, com o exterior a uma temperatura de -41°C (é o que o gadget de nosso herói diz), a temperatura d’água cai rapidamente, passando do estado líquido para o sólido. Aquela ‘nuvenzinha’ sobre a panela de água fervente (que não é vapor d’água ou ‘fumacinha’, como muita gente fala) é formada por minúsculas gotículas d’água, por isso chamo de ‘nuvenzinha sobre a panela’. Essas minúsculas gotículas congelam-se mais rapidamente do que o líquido de dentro da panela, criando uma interessante cortina de nuvem. Eu diria que nosso colega russo criou uma nuvem Nimbustratus da janela de seu apartamento.

Eu fiquei me perguntando se é assim mesmo que acontece. Será que ele fez algum truque? Como não posso reproduzir o experimento no Brasil, vou acreditar no experimento do russo. Perceberam como ele fez a gravação em dois diferentes ângulos: um de cima do apartamento e o outro do lado de fora. Será que ele convenceu um amigo maluco a ajudá-lo? Será que é um tripé com uma câmera? De qualquer maneira, um corajoso teve que ir lá fora.

P.S.: Fiquei pensando se o controverso Efeito Mpemba se aplica aí no caso. Esse efeito, batizado assim em homenagem ao estudante tanzaniano que o observou, diz que água morna congela-se mais rapidamente que água fria. O que vocês acham?