Pessimismo e mudanças climáticas



Uma análise dos resumos de 11.944 artigos científicos revistos por pares, publicados entre 1991 e 2011 e redigidos por 29.083 autores, conclui que 98,4% dos autores que adotaram uma posição confirmaram o aquecimento global provocado pelo homem (antropogênico), 1,2% o rejeitaram e 0,4% se disseram incertos. Análises alternativas dos dados renderam proporções semelhantes.

Uma resposta possível consiste em insistir que todos esses cientistas se equivocaram. Isso é concebível, é claro. Cientistas já se equivocaram no passado. Mas rejeitar este ramo da ciência unicamente porque suas conclusões são tão incômodas é irracional, embora seja compreensível.

Isto nos conduz a uma segunda linha de ataque: insistir que esses cientistas foram corrompidos pelo dinheiro e a fama. A este argumento eu respondo: será mesmo? É plausível que uma geração inteira de cientistas tenha inventado e defendido um logro evidente para obter ganhos materiais (modestos), ciente de que a fraude será descoberta?

Esse é um fragmento do  texto de Martin Wolf, entitulado “Os céticos do clima já ganharam“. Não gostei do título. Na verdade, eu detesto a expressão “céticos do clima”. Cética é a pessoa que questiona tudo o que é apresentado, mas que aceita evidências. Os tais negacionistas não são céticos, uma vez que rejeitam evidências científicas. O texto chama a atenção para o maior entrave nas políticas de redução de emissão de gases estufa: desenvolvimento x redução de emissões. Países emergentes, como a China e o Brasil, emitem bastante porque estão em crescimento.  O comentarista ainda propõe soluções, mas que de acordo com o ponto de vista pessimista do texto, não serão suficientes.