Sonda da NASA chega pertinho do ‘hexágono’ de Saturno



Uma das coisas mais impressionantes e bizarras de nosso Sistema Solar é o hexágono de Saturno. Falei brevemente sobre esta interessante característica aqui. Inclusive postarei novamente a fotografia tirada pelo meu amigo Vlamir Júnior (@vlamirjr) e suas considerações:

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Confiram o Flickr do Vlamir aqui. Considerações do Vlamir sobre a foto.

Tive uma ótima sessão de fotografia de Saturno, foi na madrugada de 6 de abril. Eu consegui, como vocês podem ver em algumas fotos, notar o tal de Hexágono de Saturno, notem isto no norte de Saturno, pólo norte, toda aquela área escura forma um hexágono (uma parte não está visível, claro). Eu já tinha visto em imagens de outros astrofotógrafos, com telescópios maiores, tipo, de 14 polegadas ao invés de 8 polegadas como o meu.

Eu lembrei desta linda imagem feita pelo Vlamir porque esta semana o @ferrreira compartilhou uma notícia muito interessante. A nave Cassini fez o primeiro close do Hexágono de Saturno. Esse hexágono trata-se de um furacão localizado no pólo norte de Saturno. Sim, um furacão de dimensões colossais: o olho desse furacão tem 2000km de diâmetro, que é 20x maior que o olho de um furacão típico aqui da Terra. As nuvens das periferias deste furacão saturniano estão se deslocando a 150m/s. Um furacão típico aqui da Terra gira em velocidade em torno de 50m/s aproximadamente. Ou seja: a velocidade do furacão de Saturno é aproximadamente 3x maior que a velocidade de um furacão aqui da Terra.

Aqui na Terra, os furacões ganham força quando passam por águas quentes (temperaturas superiores a 27°C). Pode ser que pequeníssimas quantidades de vapor d’agua presentes na atmosfera de Saturno alimentem esse super furacão e os cientistas estão estudando esta possibilidade. Estudar o hexágono de Saturno também vai nos ajudar a entender os furacões que se formam aqui na Terra.

Uma semelhança interessante entre o furacão de Saturno e os furacões aqui da Terra é que o olho (o centro) do fenômeno não possui nenhuma nuvem ou pouquíssimas nuvens. Outras semelhanças incluem uma parede de nuvens no ‘olho’ e nuvens girando em torno desse olho, em movimento anti-horário no Hemisfério Norte (mais precisamente, no pólo norte) do planeta .

Se formos comparar os furacões com este fenômeno em Saturno, a grande diferença será o tamanho e a velocidade. Em Saturno,  os ventos do hexágono giram até quatro vezes mais rapidamente do que os ventos associados a um furacão aqui da Terra. E os furacões aqui tentem a se movimentar. A gente já falou sobre o assunto em diversos posts, mas nossos furacões deslocam-se por  alguns milhares de quilômetros. Os furacões do Atlântico começam a se formar na costa da África e se deslocam para as águas quentes do Golfo do México.

Lá em Saturno, o furacão (?) está preso no pólo norte daquele planeta.  Para dizer a verdade, comparar aquele fenômeno estranho com nossos furacões não é uma boa idéia. Nossos furacões são chamados de ciclones tropicais, pois formam-se nos trópicos. O hexágono de Saturno está no pólo! Estamos comparando com furacões porque é um fenômeno que gira e que possui um olho, mas aparentemente são coisas bem diferentes no que tange a sua formação.  O hexágono de Saturno (ou furacão? ou furacão polar? que nome podemos darpara isso?) parece estar preso no pólo norte.

Os cientistas acreditam que este furacão deve estar ali em Saturno há anos. Quando a Cassini se aproximou de Saturno em 2004, o pólo norte daquele planeta estava escuro porque era inverno no Hemisfério Norte daquele planeta e mesmo assim o sensor infravermelho da Cassini detectou alguma coisa no pólo norte do planeta. Entretanto, estavam só esperando o equinocio de Saturno em Agosto de 2009. É, as estações do ano são bem mais longas por lá, o que tem a ver com o tempo de rotação do planeta em torno do Sol e em torno do próprio eixo. Como o planeta é bem maior e está mais afastado do Sol, as coisas demoram bem mais do que aqui na Terra. Bom, daí chegou o Equinócio e o hemisfério norte começou a se iluminar. A Cassini se movimentou mais um pouco e recentemente tivera o ângulo ideal para confirmar a existência de um fenômeno no polo norte do planeta. Essas condições ideais também ajudaram meu amigo Vlamir a conseguir uma imagem tão boa com seu telescópio.

Se você está interessado em saber mais sobre a missão Cassini, visite:

– http://www.nasa.gov/mission_pages/cassini/main/index.html

– http://saturn.jpl.nasa.gov/