Neblina em Curitiba

[testimonial company=”Curitiba-PR” author=”Rafael Toshio “] Com alguns dias de atraso, mas lá vai duas fotos de uma neblina bem forte que deu em Curitiba no 13/06 por volta das 20h e durou até quase 10h do dia 14. Esta neblina fechou o aeroporto de S. José dos Pinhais (o que é bem comum por aqui, mas dizem que até a copa dão um jeito nisso). [/testimonial]

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O Toshio me mandou as fotos acima na terça-feira, mas como ele disse, foram tiradas dia 13/06. Esse nevoeiro denso ganhou destaque na imprensa, pois foi muito denso e bastante generalizado: afetou toda Região Metropolitana de Curitiba. A neblina inclusive fechou o aeroporto de Curitiba (que fica em São José dos Pinhais, cidade da região metropolitana). Toshio brincou, dizendo que vão dar um jeito nisso quando chegar a Copa. Acho que ignoraram totalmente algumas questões meteorológicas em alguns aeroportos brasileiros. Vou dar um outro exemplo: sabem o que significa Cumbica em tupi guarani?

Nuvem baixa.

Isso mesmo. Embora haja alguma controvérsia sobre o significado de Cumbica (alguns dizem que Cumbica na verdade significa mata da criança), é fato que a regiõ é muito propícia a nevoeiros. Pode até ser que os pilotos tenham criado essa brincadeira de que o significado seria nuvem baixa, mas eu não duvido. Os povos indígenas tem um vasto conhecimento prático e observacional da natureza.

Mas voltando ao nevoeiro de 13/06 fotografado pelo Toshio, segundo Reinaldo Kneib, meteorologista do SIMEPAR:

 “Essa medição é feita por meio da visibilidade. O fenômeno ocorreu em toda a região metropolitana e ocorreu porque ontem [quinta, dia 13] tivemos um dia sem vento, com aquecimento à tarde e resfriamento à noite”.

Ele deu essa breve explicação ao Gazeta do Povo. O nevoeiro na verdade começou na noite do dia 13 e durou até a manhã do dia 14.

A identificação visual do nevoeiro é muito simples. Qualquer pessoa pode fazer essa identificação, porque dá para perceber nitidamente a presença de uma nuvem baixa (Stratus), que caracteriza o nevoeiro. Ano passado, durante esta reportagem, lembro dos repórteres ficarem surpresos sobre a forma que identificamos a ocorrência de nevoeiro. Ora, é um fenômeno tão simples de identificar! A questão é que os observadores anotam o dia e o horário de ocorrência, informação que vai para um banco de dados para futura consulta ou para elaboração de estatísticas, como a figura abaixo, fornecida pela Estação Meteorológica do IAG-USP:

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Através da figura acima, notamos que em São Paulo-SP, os nevoeiros são mais frequentes no mês de junho e menos frequentes nos meses de dezembro e janeiro. Nevoeiros são fenômenos bem típicos de inverno. Essas conclusões foram tiradas a partir de médias, calculadas com dados de 1933-2012. A observação e anotação constantes deste fenômeno são fundamentais.

Nevoeiros costumam formar-se durante a madrugada, em dias frios, com céu limpo (sem nebulosidade) e com pouco ou nenhum vento. O calor é rapidamente perdido pela superfície. Leia mais sobre a formação desses fenômenos aqui. Confira também este excelente vídeo sobre o assunto.

Gostaria de agradecer ao Toshio por mais uma colaboração. Ele sempre me manda fotos, direto de Curitiba (ou de outras cidades paranaenses, quando ele vai viajar). Ele foi um querido colega de faculdade e hoje é uma das pessoas que apoiam o Meteorópole. Obrigada 🙂