Mito: O inverno ocorre porque a Terra está mais distante do Sol



Eu já elogiei o trabalho da Flávia Freire algumas vezes aqui no blog. Se não me engano, foram em pelo menos 2 ocasiões.  Nessas ocasiões, achei que ela explicou com  simplicidade e competência alguns fenômenos meteorológicos:

 – Flávia Freire falando sobre o furacão Sandy;

Flávia Freire falando sobre nevoeiro.

Então hoje de manhã o Emerson me mostrou o vídeo abaixo. Espero que vocês consigam vê-lo. A Globo é campeã em pedir para que vídeos sejam tirados do Youtube:

 Em outras palavras  (e usando uma linda animação) a Flávia Freire disse que o inverno ocorre porque a Terra está mais distante do Sol, o que é um tremendo absurdo. Infelizmente, esse absurdo era comum inclusive em alguns livros didáticos há algum tempo atrás e algumas professoras de ensino fundamental ensinaram isso errado. Meu pai, por exemplo, ficou surpreso quando expliquei para ele que a inclinação do eixo da Terra era responsável pelas estações do ano. Ele aprendeu errado, quando criança.

Falei sobre as estações do ano em alguns posts aqui no Meteorópole. Nesse post, por exemplo, discuto principalmente esse mito da variação da proximidade entre a Terra e o Sol ser responsável pelas estações do ano. E no mesmo post, vocês podem observar outra ocasião em que esse mito foi divulgado como verdade em uma emissora de TV.

Não fiquei sabendo se houve uma retratação por parte do Jornal Nacional. Não soube de falarem sobre isso em um outro programa. Todos estão sujeitos a erros, mas o tal padrão Globo de qualidade deveria minimizar esses erros, não? Até porque, o caso trata-se de um erro muito primário. Não há um consultor científico no telejornal? Pois deveria haver.

Sei que a culpa não é inteiramente da Flávia Freire. Um telejornal é feito com uma equipe e seria necessário, como disse acima, um consultor científico (ou vários, dependendo da área tratada).  No entanto, mesmo com a ausência de um consultor científico, é lamentável saber que a ignorância científica é tão grande, sobre um evento que ocorre anualmente, que é Solstício de Inverno.

Esse vídeo me parece ser de 2012. Não sei se ele foi ao ar em 2012. Creio que sim, deve ter ido ao ar mais ou menos na data do Solstício de Inverno. Além do grotesco erro científico em Astronomia, há um recorrente equívoco meteorológico: aqui nos trópicos, não faz muito sentido falar em ‘estações do ano didáticas’ (primavera, verão, outono e inverno). A variação de temperatura entre uma estação e outra não é tão grande assim, como ocorre em latitudes médias e altas. O que dita o clima na maior parte do Brasil é a chuva. Temos estação seca e estação chuvosa. Falei sobre isso aqui também.

Se há erros em Astronomia e Meteorologia, fico apavorada em pensar nos erros que não percebo, pois não conheço a área. Erros em reportagens sobre medicina, biologia, economia, etc. Não dá para aprender nada com os telejornais da Globo. Tem que ouvir, pensar, ler em outras fontes e procurar material de pessoas especializadas na área. Infelizmente, a TV ainda é a atividade mais comum para durante e depois do jantar aqui no Brasil. Muitas pessoas usam o Jornal Nacional como fonte de conhecimento, já que a Globo pode ser sintonizada em praticamente qualquer ponto do território brasileiro.

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Recomendo: Muito Além do Cidadão Kane,  documentário televisivo britânico de Simon Hartog que foi exibido em 1993 pelo Channel 4, emissora pública do Reino Unido. Esse documentário explora, dentre outras coisas, o poder de manipulação da Rede Globo.

Essa manipulação vai desde coisas banais (a marca do esmalte da atriz da novela) até formação de opinião nas áreas de economia e política. Os temas discutidos em grupos de colegas de trabalho invariavelmente tem relação com algo da novela das 8 ou com alguma coisa que saiu no Fantástico.

O documentário é da década de 90 e noto que atualmente a Record e outras emissoras ganharam algum fôlego na disputa por audiência. Os tais programas policiais, com jornalistas que fazem comentários contrários aos direitos humanos, com viés violento e recheados de preconceito e ignorância ficaram extremamente populares.