Mudança do mapa político da Europa do ano 1000 até o presente



Eu adoro mapas! Quando tinha uns 11 anos, minha professora de geografia (que chamava-se Palmira, nunca me esqueço dela) sempre pedia para que nós fizéssemos mapas.  Parte de nosso material escolar era um Atlas Geográfico, livro fininho que continha apenas mapas. A Folha de São Paulo, durante certo tempo, vendeu fascículos de mapas para que juntássemos em um atlas, encadernando no final da coleção. Eu tenho esse atlas até hoje! Ele está na casa dos meus pais e eu preciso limpá-lo e colocá-lo junto aos meus outros livros. O bom desse atlas é que além dos mapas, ele vinha com muito texto explicativo e até com um guia de pronúncia de idiomas (agora vocês já sabem porque sou assim…rs).

Hoje encontramos mapas diversos com muita facilidade pela internet. Naquele tempo, o Atlas era um item essencial na casa de qualquer estudante. A gente pegava papel vegetal, colocava por cima do mapa e os copiava. Acredite: isso valia nota! A Prof. Palmira pedia muitos mapas. Tanto que no começo do ano meus pais tiveram que comprar um bloco de papel vegetal, pois saia mais barato comprar um bloco do que comprar individualmente nas papelarias da porta da escola.

Era esse o Atlas que eu usava!  Exatamente esse!
Era esse o Atlas que eu usava! Exatamente esse! Além desse, eu tinha o da Folha (que era mais um material de consulta para fazer trabalhos).

Para copiar o mapa, era necessário ter muito capricho. Usar uma lapiseira com grafite B ou 2B era recomendável. Por ser mais macio, caso fosse necessário apagar, não ficavam manchas horríveis no trabalho. A borracha tinha que ser boa também, muito macia, para não borrar.

Depois era necessário pintar o mapa. Os lápis de cor também precisavam ser macios. E ai daquele que esquecesse de colocar a escala ou as linhas de latitude e longitude! Esquecer o título do mapa então, jamais! Todas essas informações eram extremamente necessárias.

Em alguns casos, era necessário ampliar o mapa antes de fazer a cópia, para que os detalhes fossem melhor visualizados. Não tinha gráficas no meu bairro. Meu pai trabalhava no centro de São Paulo e frequentemente fazia essas ampliações para mim.

Isso tudo aconteceu durante a década de 90. Durante as décadas de 80 (principalmente) e 90, muitas mudanças ocorreram no mundo, alterando grandemente os mapas políticos (mapas com indicação dos limites dos países e suas capitais). Já ouviram falar da queda do Muro de Berlim? Fim da URSS? Pois é, são apenas dois exemplos que levaram a grandes mudanças no mapa. E essas mudanças ocorrem até hoje: várias disputas ainda ocorrem na Europa, com discussão para a criação de novos países.

Lembro que muitas crianças da minha sala tinham irmãos mais velhos e acabavam herdando parte do material escolar, incluindo o Atlas. Lembro de ter visto mapas com URSS no lugar de Rússia e com a ausência de vários países que surgiram com o fim da URSS. Vários mapas ainda tinham Tchecoslováquia, no lugar de Rep. Tcheca e Eslováquia. A professora costumava aceitar os trabalhos assim, porque era complicado exigir que as pessoas comprassem um Atlas novo (era caro, o país vivia no momento econômico péssimo e o bairro onde a escola fica é bem pobre).

Eu usei tanto esse Atlas e acho que ele deve estar em algum lugar nas minhas coisas. Saudades desse tempo :). Na mesma época, meu pai trouxe um Guia de Profissões e eu pensei em ser Engenheira Cartográfica!

Bom, o tempo passou e não virei engenheira cartográfica. Só que o link que meu amigo Vlamir compartilhou no Facebook me fez lembrar de todas essas coisas. Acontece que as mudanças no mapa político da Europa  não são tão recentes assim. Quem gosta de história, deve se lembrar da Primeira Guerra Mundial e do fim do Império Otomano, por exemplo. Se voltarmos mais no tempo, vamos ver que diversas guerras, casamentos de famílias reais, acordos e etc mudaram constantemente o mapa político europeu.

O vídeo abaixo mostra a evolução do mapa político europeu do ano 1000 até a atualidade:

Segundo este site, o timelapse é linear e 02:33 corresponde ao apogeu das Invasões Napoleônicas (1812) e a invasão de Hitler à Polônia (1939) ocorre em 03:04. Faz sentido, deve ser isso mesmo.

Simplesmente achei o timelapse genial! Reparem que a quantidade de países aumenta, embora até mesmo as distâncias culturais tenham diminuído (a tal globalização). Talvez após tantos conflitos, os povos apenas queiram preservar sua cultura e identidade.

Sem ter medo de ser saudosista, havia algo terapêutico em fazer mapas. Eu gostava muito e aprendia bastante também. Sempre acho que quando a gente copia, a informação é mais facilmente absorvida. Pelo menos funciona assim comigo. Não sei como os alunos do Fundamental II fazem atualmente. Creio que apenas pintam os mapas ou fazem atividades para completá-los e/ou discuti-los, algo assim.