Poema de Valéria Fagundes – Intertextualidade com Canção do Exílio



“Minha terra porventura merece tal descrição
Lá a vida é menos dura, qualquer um lhe estende a mão
O céu é menos cinzento, lá não tem poluição
Só existe um argumento que me parte o coração
Ver o povo madrugar e seguir para o roçado
Mas se a chuva não chegar perde o que se foi plantado.

Eu agora exilada, só me resta descrever
Aqui não encontro nada que me motive a viver
Mas falar da minha terra, ah, isso me dá prazer
E mesmo aqui tão distante tenho algo para pedir
Quero agora neste instante voltar para Manari.
Pois não quero morrer sem antes lá me despedir.”

Esse poema foi escrito pela jovem Valéria, uma das estudantes ouvidas no documentário Pro Dia Nascer Feliz (falei dele aqui).

Lindo!

Ela declama o poema no documentário:

Li uma notícia sobre a jovem. Graças a repercussão do documentário, ela conseguiu um emprego e em 2009 estudava jornalismo. Veja aqui a entevista com Valéria. Ela se formou e  recentemente, Valéria foi notícia novamente: ela idealizou um documentário sobre a história de Manari sob o ponto de vista de seus antigos moradores. Em seu documentário, ela resgata as tradições populares e a cultura da região. Leia mais sobre o documentário aqui.

O interessante é que recentemente vi uma matéria na TV Globo falando sobre o documentário.  Adoro quando as coisas que aprendo e vejo se encontram :).Os moradores da cidade assistem a premier do documentário de Valéria. Eles se emocionam. Muitos provavelmente nunca nem tinham ido ao cinema. Um documentário lindo, que resgata a auto-estima dos moradores de uma cidade com  uma infra-estrutura ruim, poucos recursos, baixo IDH (considerada uma das mais pobres do Brasil), mas com uma cultura muito rica.

Lindo trabalho de Valéria :).