Resenha do livro: Diga meu nome e Eu Viverei

Antes de falar sobre o livro, vou recomendar uma ótima fanpage do Facebook: Encontros Literários. Na página, compartilham informações, notícias e resenhas de diversos autores de terror e ficção científica. Os gerentes da página adoram Stephen King e sempre estão falando sobre o autor. É por essa razão que curti a página e sempre comento nas postagens.

Recentemente, eles compartilharam esse link, com dicas de livros de autores brasileiros com a temática de zumbi. Mencionaram inclusive o ótimo Incidente em Antares, de Érico Veríssimo e que foi minissérie na Globo nos anos 90.

Infelizmente, eles não mencionaram Diga Meu Nome e Eu Viverei.  O livro foi escrito pela Sybylla, do Momentum Saga e pode ser baixado GRATUITAMENTE com formato adequado para Kindle, Kobo ou em pdf.

Diga meu nome e eu viverei

O livro narra a vida de Júlia, uma moça típica da classe média baixa de São Paulo, estudante universitária pela manhã e funcionária de uma loja durante a tarde/noite. Julia tem sua vida completamente mudada após uma nova forma de raiva ter afetado os moradores de São Paulo. Essa nova forma da doença transforma as pessoas em zumbis. E a essa altura todo mundo já sabe o que os zumbis fazem: eles comem carne humana. O indivíduo é contaminado pela mordida de um outro zumbi. Se consegue escapar antes de ser completamente devorado por uma horda, transforma-se em um deles.

A história da Sybylla tem alguns clichês típicos do gênero: o herói; o caos e a decadência do ser humano (capaz de cometer crimes horríveis pela sobrevivência); pânico inicial; a sede pelo poder; grupos rebeldes; etc. No entanto, me chamou muito a atenção como ela conseguiu explorar o espaço urbano de São Paulo-SP. Ela aproveita-se muito bem das avenidas, as pontes sobre os rios e dos pontos de interesse para tecer sua narrativa. O Pacaembu, por exemplo, torna-se um centro de refugiados. Há cenas de ação no Terminal Barra Funda.

Numa sequência de fuga, ela narra um carro indo em direção ao Sul, só que evitando as rodovias principais, pois estão tomadas por milícias ou militares. Ela narra o carro fazendo seu trajeto pelas vicinais, fala dos nomes das cidades por onde passa e tudo é deliciosamente familiar. Como moradora de São Paulo-SP, é muito interessante (e um pouco assustador, confesso) ver uma história de zumbis ser ambientada na capital.

O cinema e a literatura já impuseram as regras faz tempo: se quer vencer zumbis, precisa ter armas. E sabemos que é muito difícil para a população civil brasileira ter acesso a armas, já que nossa política é bem restrita nesse ponto (no que concordo!). Portanto, vilões e mocinhos do livro são policiais ou militares. A Sybylla menciona diversos grupamentos da Polícia Militar e da Polícia Civil. Inclusive um dos heróis da trama é um policial civil.

O caos não está instaurado apenas em São Paulo-SP. Na verdade, a epidemia veio da Ásia e chegou até nosso país pelos portos. As primeiras cidades a serem atingidas e a entrarem em total caos foram as cidades costeiras. O mundo está tomado pela praga.

Bom, mas vamos a parte mais bacana do livro: temos uma protagonista! Uma mulher! Não é o máximo? Não é sempre que vemos um livro em que a protagonista é uma mulher e não apenas isso, ela comanda seu próprio destino, luta pela sobrevivência. Reparem na maioria dos livros: a mulher é um ser passivo, esperando o salvamento (um grande amor). Sempre esperando que façam algo por ela. E isso não é algo típico de livros do século XIX. Grandes fenômenos literários recentes contam histórias de mulheres que são dominadas, que não são senhoras de seu próprio destino. Eu diria que nesse ponto, Júlia é uma heroína feminista.

A história mostra a evolução dessa mulher. Quando falo evolução, não falo necessariamente algo bom. Normalmente empregamos o termo “evolução pessoal” como melhoria. Mas na natureza, evolução está mais relacionado com adaptação. Sim, Júlia precisa se adaptar a nova realidade de sua vida. Ela passa por tanta coisa terrível que seu caráter e sua aparência física modifica-se para poder sobreviver no mundo pós-apocalipse. Ou seja, ela fica boa na habilidade de sobreviver.

Além de Júlia, uma outra mulher forte surge na trama, Sâmela. A autora não fala tanto sobre a personalidade dessa mulher. Mas a presença dela, proporciona uma linda cena de sisterhood. Não vou dar detalhes pois sinceramente recomendo que vocês leiam o livro.

Acho que Sybylla deveria publicá-lo em ‘papel’, em uma editora grande. Fiquei imaginando diversas cenas como quadrinhos. É inevitável não comparar com os quadrinhos de Walking Dead.

Recomendo.

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