Tornado causa destruição em Taquarituba, no interior do Estado de São Paulo



Na tarde de domingo (ontem), a cidade de Taquarituba foi atingida por um tornado.
Num momento “Rosana Hermann” de curiosidade, percebi que no momento, se você pesquisa Taquarituba no Google, as primeiras ocorrências será sobre notícias a respeito do tornado.

Soube do tornado pela minha amiga Camila, que também é meteorologista. Ela compartilhou um link com diversas imagens, compartilhadas pelos moradores dessa cidade.

Taquarituba é uma cidade com cerca de 24 mil habitantes, localizada próxima de Itapetininga. As informações apontam que 3 pessoas morreram e mais de 40 ficaram feridas, além de algumas dezenas de desabrigados. Cada portal de notícia dá uma informação diferente, mas isso é muito comum nas primeiras 48h de uma tragédia como essa, pois os danos ainda estão sendo contabilizados.

Localização do município de Taquarituba. Fonte: Wikimedia Commons
Localização do município de Taquarituba. Fonte: Wikimedia Commons

O vídeo que abre essa postagem foi gravado por um morador da cidade. Nele, conseguimos ver a nuvem em formato de funil, caractetística típica de um tornado. Percebam que parte da nuvem de tempestade vai “descendo”, ganhando o típico formado espiralado.

Muito provavelmente, antes da formação do tornado, as nuvens tinham uma aparência bem próxima a esta:

Foto feita por Rafael Toshio e que já foi publicada em outro post. Aqui, vemos a base de uma nuvem Cb. Essa formação ondulada recebe o nome de mammatus. Normalmente, quando a base de uma nuvem Cb está assim, podemos esperar uma tempestade bastante severa, com possibilidade de tornados ou downburst.
Foto feita por Rafael Toshio e que já foi publicada em outro post. Aqui, vemos a base de uma nuvem Cb. Essa formação ondulada recebe o nome de mammatus. Normalmente, quando a base de uma nuvem Cb está assim, podemos esperar uma tempestade bastante severa, com possibilidade de tornados ou downburst.

A foto acima foi tirada pelo querido Rafael Toshio (que aliás, agora é pai pela segunda vez, parabéns!) e foi publicada aqui. Essas protuberâncias na base das nuvens são muito típicas de situações de tempestades severas. A essas protuberâncias, damos o nome de mammatus. No caso da situação acima documentada pelo Toshio, não houve tornado. Houve uma chuva muito intensa, com granizo e atividade elétrica, mas felizmente não houve tornado.

Em Taquarituba, além do granizo e da atividade elétrica, foi registrado um tornado. Nem há o que questionar, as imagens do cinegrafista amador mostram muito bem que foi de um tornado. Postos de gasolina, casas e galpões foram destruídos pela força dos ventos. Não tenho informações sobre a velocidade máxima do vento, mas em um tornado intenso podem facilmente superar os 300km/h.

Não há uma estação meteorológica na região, infelizmente. Se tivesse, poderíamos saber a velocidade dos ventos. Sabe-se que foi um tornado pois, além da filmagem, percebe-se que foi um incidente bem localizado. Algumas áreas de Taquarituba, bem como cidades vizinhas, não foram afetadas. Há alguns meses, o G1 traduziu um ótimo infográfico da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration):

Fonte: NOAA/G1
Fonte: NOAA/G1

Minha única ressalva sobre a figura acima é que tornados também podem ocorrer sobre a água. Nesse caso, damos o nome de tromba d’água e não de tornado. Normalmente, a tromba d’água é um fenômeno bem menos destrutivo que um tornado.

Falamos sobre a formação de tornados nesse post. Basicamente, para que ocorra tornado, precisamos ter o encontro de duas massas de ar bem contrastantes: uma bem seca e a outra, bem úmida. A estação chuvosa começou essa semana, podemos dizer assim. Até o começo do mês, o padrão dominante era de tempo muito seco. Uma região dominada por uma massa de ar bastante seca então recebe uma massa de ar úmida e fria (que veio com a frente fria que estava atuando na Região Sul do Brasil e chegou até a Região Sudeste). Essa configuração possibilita a formação de tornados. A maior parte dos tornados que acontecem no Brasil ocorrem mais ou menos no início da estação chuvosa. Ano passado, um tornado atingiu Santa Bárbara do Sul – RS em agosto.

Ah, uma outra coisa: já vi alguns portais de notícia confundindo tornado com furacão. Todas as vezes que um desses fenômenos ocorre, a confusão também ocorre! Escrevi dois textos explicando a diferença entre os dois fenômenos (veja aqui e aqui).

Como os tornados sempre são um assunto que chamam a atenção das pessoas, percebi que já escrevi diversos posts sobre o assunto aqui no Meteorópole. Leia todos nesse link.

Notícias:

G1;

O Globo;

Jovem Pan.