Espécies do espaço fluidico e divagações mil: sobre como não consigo manter o foco em um texto



Semana passada eu estava revendo alguns episódios e reviews sobre a série Star Trek: Voyager. É uma série da franquia Star Trek que particularmente gosto muito, pois a capitã da nave é  Kathryn Janeway. Não é sempre, na ficção científica, que temos a oportunidade de ver um filme ou série em que a protagonista é uma mulher. Além disso, Janeway não é jovem e nem veste roupas extravagantes. Ela veste o uniforme da Star Fleet e é mais madura. Bom, a gente espera mesmo que uma capitã (ou capitão) seja mais velho que os demais membros da tripulação, já que é um posto que exige experiência.

Capitã Janeway, interpretada pela atriz Kate Mulgrew
Capitã Janeway, interpretada por Kate Mulgrew

A gente sabe como é: em filmes/séries de ficção científica, sempre dão um jeitinho para que a mulher tenha os padrões de beleza vigentes. Sempre tentam introduzir um eyecandy, uma personagem interpretada por uma mulher atraente, que normalmente usa roupas provocantes.  Em nossa sociedade, isso implica em ser jovem e ter pele clara. Um padrão totalmente excludente, que não valoriza a diversidade.

"Roubei" da fanpage do Momentum Saga.
“Roubei” da fanpage do Momentum Saga.

Dispersando um pouco, recentemente assisti o filme Oblivion. Não gostei muito do filme porque eu tenho total antipatia por Tom Cruise, personagem principal. Ok, a história é boa (vou ver se resenho um dia desses). O problema é que nem Tom Cruise e nem Andrea Riseborough deveriam estar lá, na minha opinião. Eu gostaria que o papel principal fosse de Will Smith, porque esse tipo de filme é a cara dele e ele é infinitamente mais interessante que Tom Cruise.

O que me impressionou no filme (além da falta de tempero dos atores rs) foi a diferença de idade entre Tom Cruise e seus interesses românticos no filme (Andrea Riseborough e Olga Kurylenko): ele tem 50 anos e as duas mulheres tem 31 e 33 anos respectivamente. Tom Cruise é considerado galã desde que eu era criança (e faz tempo…rs). As mulheres que fizeram par romântico com ele em filmes dos anos 80/90 já não são mais consideradas sex symbols. No entanto, um homem de 50 anos ainda é considerado. Ok, talvez vocês me digam que há mulheres com mais de 40 anos que são consideradas sexies. Bom, mas o que dizem sobre uma mulher dessas? Ah, ela não aparenta a idade que tem.  Percebem?

Esse não é o primeiro filme em que essa grande diferença de idade acontece. Isso parece regra, para dizer a verdade. Na verdade, a Lola já escreveu sobre isso um tempo atrás e ela mencionou o caso Tom Cruise:

Fonte: Vulture
Fonte: Vulture

Reparem que no começo da carreira, Cruise contracenava com mulheres mais velhas do que ele. Certamente essas mulheres tinham mais experiência em Hollywood e ele era apenas um ator em ascensão. Com o passar dos anos,  o quadro se inverteu: ele continuou com o status de galã, mas começou a contracenar com mulheres cada vez mais jovens. No texto da Lola, ela comenta um artigo da Vulture (de onde veio o gráfico acima). O artigo da Vulture compara casos de outros atores também.

Nada contra casais em que a diferença de idade é grande: sendo duas pessoas adultas, está tudo certo. O que está em discussão aqui é a associação entre beleza e juventude principalmente no caso das mulheres. Parece que para os homens, as coisas são mais flexíveis.

Por isso, me surpreende muito ver um trabalho como Star Trek: Voyager em que a personagem principal é uma mulher madura, com personalidade forte e sem a necessidade de uma figura masculina ao seu lado.

Fim da dispersão.

Bom, a Voyager é uma nave que está perdida por aí, depois de uma perseguição mal sucedida. E na série Star Trek tem o temido Borg, que se reproduz assimilando outros humanóides, inserindo implantes eletrônicos neles. Claro que a Federação teme o Borg. A nave Voyager inclusive tem alguns problemas com o Borg.

O Borg é um coletivo. Ou seja, não existe “indivíduo da espécie borg”, tecnicamente. O coletivo assimila indivíduos de outras espécies e implanta componentes eletrônicos neles. Esses indivíduos perdem sua essência, sua individualidade e passam a integrar o coletivo. Vivem como computadores em rede. Eles nunca falam na primeira pessoa do singular e sim na primeira pessoa do plural. Aposto que você conhece gente assim no mundo real rs.

O Borg vive em uma nave em formato de cubo, que funciona exatamente como uma colmeia de abelhas. Há uma ‘rainha’ e diversos servos, todos integrados.

Se a gente fosse fazer analogias do Borg com a vida real, poderíamos ficar horas discorrendo a respeito. Sabe aquele amigo que se converte a uma nova religião e só sabe falar dela? E diz que todo mundo um dia vai se render àquela religião, porque ela é a verdade? Então, o Borg  também sai por aí dizendo que resistir é inútil. Sabe aquele seu amigo que entrou para um coletivo e só sabe dizer que isso é o futuro? Então, é muito parecido com isso.

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O cubo Borg é enorme, realmente muito assustador. Aparentemente, existem vários cubos Borg assim como existem várias colmeias de abelhas. Esses cubos podem estar interligados entre si. Cada um desses cubos é composto por diversos ex-indivíduos, que foram assimilados e fazem parte do coletivo. Recentemente o Emerson me mandou esse link com imagens comparando o tamanho de todas as naves de todos (ou quase todos) seriados e filmes de ficção científica. Dá para comparar o tamanho da Enterprise (starship da Classe Galaxy) com o tamanho de um assombroso cubo Borg.

Lá pelas tantas, o Borg descobre que pode invadir o Espaço Fluídico. Lá, vive uma espécie que eles consideram altamente desenvolvida organicamente, o que contribuiria demais no desenvolvimento do coletivo. Eles catalogaram essa espécie como Espécie 8472 em seu banco de dados.

Species8472
Espécie 8472: Predador e Jar Jar Binks precisam fazer testes de paternidade.

O Borg ‘rasga’ o espaço normal (= universo que a gente vive) para invadir esse Espaço Fluídico. E lá é um lugar meio estranho: não há estrelas e nem planetas. O fluido em questão é orgânico e preenche todo esse universo. Abrindo essa porta, a  espécie 8472  passa a ter acesso ao nosso universo também.

Quando a gente lê e assiste muita ficção científica, acaba fazendo umas relações sem muita lógica, mas que são engraçadas. Por exemplo, quando fala em monstros multidimensionais, claro que penso n’O Nevoeiro:

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Quando falo em abrir porta para outro universo, claro que penso n’A Torre Negra e nos monstros do todash. Desculpem, é inevitável rs. O Stephen King faz isso também, óbvio. Mas num nível muito mais elevado, impossível e  incompreensível para qualquer nerd fanboy frequentador da geek.etc.br.

A propósito, o blog Todash Space é escrito por mim. E há algum tempo eu tentei registrar Fluidic Space mas já tinha dono :(.

O fato é que essa galera da espécie 8472 não é  gente boa. Na verdade, eles são uma ameaça inclusive para o Borg. Eles resolvem tocar o terror em nosso universo, porque o Borg quis destruir o deles. Quando o Borg chega em um lugar para assimilar, ele deixa um rastro de morte e destruição. Guinan que o diga! A simpática bartender de Strar Trek TNG (interpretada pela m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a Whoopi Goldberg) também veio do Quadrante Delta, mesma região da galáxia em que os Borgs são vistos pela primeira vez. Seu povo foi quase dizimado por essas criaturas. Resistir não é inútil. Melhor morrer do que perder a individualidade.  Sabe aquelas pessoas que cometem absurdos em nome de uma religião? A mesma coisa.

O Borg encontrou uma espécie mais ameaçadora que a deles, coisa que até então não tinha acontecido em nenhuma série da franquia Star Trek (exceto na TOS, porque o Borg não havia sido descoberto, até então na cronologia oficial da franquia). Essa relação Borg x Espécie 8472 me faz pensar em algumas coisas.

Nós, humanos, também somos uma espécie ameaçadora. Sendo totalmente cliché: nós poluímos nossa própria casa, cometemos genocídios, criamos máquinas de destruição em massa, fazemos guerras, etc. E grupos humanos assimilaram outras culturas também. Não no sentido positivo, de troca de experiências. Nós roubamos a identidade de diversos povos ao longo da história.

Os desgranhentos vivem no espaço e destroem espaçonaves.
Os desgranhentos vivem no espaço e destroem espaçonaves.

Os vírus poderiam ser nosso equivalente da espécie 8472 . Mas estamos aprendendo a controlá-los ou matá-los. Imaginem que há uns 25 anos a AIDS era sentença de morte. Atualmente, com diversos medicamentos, o vírus pode ser controlado, embora a epidemia ainda exista em diversas regiões do planeta. A pobreza e a exclusão são como vírus, criados por nós mesmos.

Temos caractterísticas Borg. E também somos 8472. Na verdade, as espécies de Star Trek (todas elas) exageram em um traço da característica humana. E os humanos da série representam um ideal utópico: um futuro sem guerras, sem fome, sem desigualdades sociais e outras sortes de injustiças.

Será que um dia vai aparecer uma espécie que vai substituir nosso lugar no topo?

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Pathetic Earthlings