John de Lancie em Breaking Bad

Eu tenho uma nova série na minha lista de favoritas: Breaking Bad. Comecei a assistir há cerca de 2 semanas e estou extremamente fascinada. Acabei de ver a segunda temporada e adorei. Muito bem produzida, um enredo espetacular (nenhum clichê!) e um cenário muito interessante: Albuquerque, Novo México.

Gostei da escolha dos cenários porque as regiões desérticas dos Estados Unidos me interessam bastante. Talvez o livro Desperation tenha me influenciado nesse interesse, mas eu lembro que quando ainda acompanhava CSI Las Vegas, eu gostava dos episódios em que os investigadores precisavam ir até o deserto de Nevada. Não conheço os EUA, mas se um dia eu tiver a oportunidade de conhecer esse país, gostaria de começar pelo deserto.

Não gosto de estragar o enredo da série, por isso vou omitir várias coisas (embora eu tenha certeza que a maioria da população da internet já passou da segunda temporada há tempos rsrs). Só vou falar de um personagem que apareceu na trama e é interpretado pelo super talentoso (e ídolo de muitos trekkers rs): John de Lancie.

John de Lancie como Donald Margolis, em Breaking Bad.

John de Lancie como Donald Margolis, em Breaking Bad.

No final da segunda temporada, Donald Margolis é um controlador de tráfego aéreo que fica algumas semanas afastado de sua função, pois acaba de passar por um drama pessoal. Quando ele volta, diz aos colegas que está bem e sugere que trabalhar vai fazer bem para ele.

Os controladores de tráfego aéreo trabalham sob muita pressão e precisam ser muito ágeis conseguir executar suas tarefas. Precisam ser pessoas multitarefa. Não posso imaginar como a mente de alguém que acaba de passar por uma tragédia pessoal reage diante de tanta pressão. Em Breaking Bad, isso teve consequências terríveis. Donald Margolis me fez lembrar de um texto de Eliane Brum que li há algum tempo. Nele, a escritora fala sobre a pressão que as pessoas sofrem para voltar às suas atividades normais após uma tragédia pessoal. Ela cita o caso de Pedro, um homem adulto que estava em luto. Pressionado para voltar ao trabalho, consultou-se com o psiquiatra e passou a tomar remédios para controlar a ansiedade, a tristeza e para ajudá-lo a dormir. Talvez nossa sociedade não dê espaço ao luto. Penso que somos muito intolerantes e impacientes com relação ao nosso tempo de cura (e com relação ao tempo de cura dos outros).

John de Lancie é um ótimo ator. Ultimamente, ele tem feito muitos trabalhos em desenhos animados e videogames, emprestando sua voz aos personagens. Adorei vê-lo em Braking Bad, mas como trekker assumida, sempre vou lembrar dele como Q, o irritante ser onipotente e onipresente (e provavelmente um pouco onisciente…rs) de Star Trek: TNG. Uma criatura que tem uma especial obsessão pelo Capitão Picard, a quem ele chama de mon capitaine.

É

Q (John de Lancie), atormentando o Capitão Picard (Patrick Stewart)

Vou falar algo como mera telespectadora de séries (ou seja, posso estar enganada): eu reparo que são poucos os atores que trabalham em séries e que depois deslancham uma carreira de sucesso em filmes. Por que será? Há atores de séries que eu adoro. Outro exemplo em Star Trek é Brent Spiner (o androide Data). Quem assistiu a série percebeu que ele podia mudar a entonação da voz, o sotaque, os trejeitos, etc. Um exemplo que na minha opinião é hilariante é quando ele decide ter aulas de dança com a Dr. Beverly Crusher:

Espero que o mesmo não aconteça com Bryan Cranston, personagem principal de Breaking Bad. Recentemente, sua atuação foi elogiada por Anthony Hopkins (ou melhor, Sir Philip Anthony Hopkins). Hopkins de declarou fã de Cranston. Ninguém pode questionar 🙂