Mulheres na ciência – Myra Adele Logan



Decidi criar uma série no meu blog, chamada ‘Mulheres na Ciência’. O primeiro episódio da série tratará de Myra Adele Logan, a primeira médica a realizar uma cirurgia cardíaca.

Myra nasceu em em 1908, no Estado do Alabama, nos Estados Unidos. Encorajada pelos pais, sempre estudou fora de casa desde muito pequena. Para uma mulher nascida em 1908, isso já não era algo comum (e sua mãe tinha diploma universitário, o que era raríssimo para a época). As mulheres eram educadas em casa mesmo, não iam para a escola. Não era comum para uma mulher e menos comum ainda para uma mulher negra [1].

myralogan

Ela estudou na Universidade  de Atlanta, onde se formou como primeira da classe. Em seguida, ela fez um mestrado na Columbia University. Recebeu uma bolsa de estudos do New York Medical College e começou sua residência no Hospital do Harlem, onde ela trabalhou na ala de emergência.

As cirurgias cardíacas estavam apenas engatinhando na época. Era um procedimento muito arriscado. Myra foi a primeira profissional a realizar tal procedimento.

Myra também foi a primeira mulher a entrar para o American College of Surgeons, instituição respeitada que existe até hoje e reúne os melhores cirurgiões norte-americanos. Ao longo de sua carreira, Myra estudou os efeitos de novos antibióticos e também realizou estudos sobre a detecção precoce do câncer de mama. Ela também trabalhou em instituições que visavam criar políticas para que negros tivessem acesso à educação de qualidade. Foi casada com o muralista Charles Alston, que cresceu no Harlem, onde também fez muitos de seus trabalhos (inclusive há um mural dele exposto no Hospital do Harlem, onde Myra trabalhou). Myra também era muito ligada às artes: gostava de ler e tocava piano.

Myra faleceu em 1977, em decorrência de um câncer pulmonar. Seu marido faleceu meses depois. Eles não tiveram filhos.

Uma famosa frase atribuída a Myra é:

“The world would not be dictated by one race or gender.”

 “O mundo não deveria ser ditado por uma única raça ou por um único gênero”.

—————-

[1] Ok, vocês vão dizer que a foto não está boa (encontrei poucas fotos de Myra pela internet) e que ela não é negra. Não encontrei muitas informações, mas provavelmente ela era filha de pai ou mãe negro e nos EUA da primeira metade do século passado isso era o suficiente para considerar a pessoa negra. E considerar alguém negro naquele tempo significava excluí-lo, marginalizá-lo. Infelizmente, a marginalização é algo que ainda acontece nos dias de hoje.

————-

P.S.: Eu estava fazendo uma pesquisa e encontrei isso:

A palavra “preto” aparece no século X e designa uma pessoa de pele escura, mais particularmente originária da África subsariana. A palavra “negro” passa a ser adotada no século XV com a escravização de africanos por portugueses. Os espanhóis, porém, foram os primeiros europeus a usar “negros” como escravos na América. Por conseguinte, um dos primitivos sentidos da palavra negro era “escravo”. Por este motivo, a palavra é considerada ofensiva em diversos países africanos e da Diáspora, como no Senegal e nos Estados Unidos, onde é empregada a palavra black que literalmente corresponde à palavra preto, ao invés de niger (negro).

Então não encontrei a fonte original. Então continuei com minhas pesquisas e encontrei esse artigo da Raça:

Bruno Dallari, professor de lingüística da PUC de São Paulo, discorda. “A carga está na boca e na palavra de quem fala”, diz ele. “Preto, por exemplo, é parte da linguagem coloquial e muitas vezes não é pejorativo. Já a palavra negro, quase sempre está relacionada à raça. A palavra pardo é a mais aceita, a que sofre menos rejeição pelo povo, é o status intermediário. Pretos e pardos não podem ser classificados do mesmo jeito porque, no olhar das pessoas, não são os mesmos”, diz.

Bom, as mulheres de um blog que adoro, o Blogueiras Negras inclusive usam a palavra “negras” no título do blog. No Brasil, a palavra negro é mais comum (nos EUA, o termo nigger é completamente ofensivo, lá o correto é black). Há ainda um termo que é bastante datado, que é colored (seria o equivalente ao estúpido termo ‘de cor’, que infelizmente algumas avós e avôs soltam eventualmente para nossa vergolha alheia – só a paciência e o amor mesmo).

Para arrematar,  li esse texto fantástico do Acid Black Nerd (e ele colocou a trilha sonora do grupo Raça Negra!!!), em que ele fala dos termos preto, negro, moreno, afrodescendente e etc.

E eu não sei nada disso. Quem sabe de verdade são as Blogueiras Negras  e foi com elas que aprendi muita coisa!

——

Leia mais sobre Myra aqui e aqui.