Calor intenso em São Paulo-SP



Desde o começo de janeiro, paulistas e paulistanos tem reclamado muito do calor. Bom, não é só por aqui. Em toda Região Sul praticamente toda Região Sudeste, as reclamações tem sido semelhantes. Mas parece que o pessoal da minha querida cidade (que falsidade rs), que é São Paulo-SP tem o dom de amplificar tudo.

Mas olha, não é exagero! Vamos falar sobre o destaque do último mês de janeiro, que foi o mês mais quente desde 1933 (segundo dados da Estação Meteorológica do IAG-USP – EM-IAG-USP). Sempre menciono essa estação aqui no blog pois tenho relação direta com o lugar e conheço os dados, mas os recordes tem sido comuns em estações meteorológicas de todo o Estado, de demais áreas da Região Sudeste e da Região Sul.

Bom, segundo os dados da EM-IAG-USP, a temperatura média máxima de janeiro/2014 foi 31,7°C. O que é a temperatura média máxima? É a média de todos os valores máximos diários de temperatura.

A temperatura máxima normalmente acontece no período da tarde, entre 13h e 19h. Existe um termômetro próprio para medir a maior temperatura do dia. Chama-se termômetro de máxima. Quem tem mais ou menos a minha idade ou é mais velho do que eu, deve-se lembrar que antes não existiam termômetros digitais para aferir a temperatura de uma pessoa (para verificar se ela está com febre). Os termômetros eram de mercúrio. O mercúrio expande-se quando a temperatura aumenta. Como o mercúrio está confinado dentro de um fino tubinho de vidro, sua expansão é sempre na mesma direção. Essa expansão é relacionada com uma escala de temperatura. Aqui no Brasil, utilizamos a escala Celsius (°C).

O que diferencia um termômetro de medir a temperatura corporal de um termômetro de mercúrio convencional é que o tubinho (ou o capilar) possui um estreitamento, que faz com que a coluna de mercúrio não desça quando a temperatura abaixa. O mercúrio apenas sobe.

Nos termômetros de medir a temperatura corporal, as mães ou as enfermeiras deixavam debaixo do braço do paciente por alguns minutos. Em seguida, tiravam e verificavam se havia quadro febril. Para fazer uma nova medida elas chacoalhavam o termômetro.

termômetro-654x234Tenho certeza que todos lembram-se dessa cena: após a medida, o termômetro era chacoalhado. Os mais desastrados derrubavam o termômetro no chão nessa hora rs. Esse “chacoalhar” tem um objetivo: fazer com que o mercúrio retorne pelo capilar e prepará-lo para uma nova medida.

Mas porque eu estou falando desses termômetros? Porque o termômetro de máxima é IGUALZINHO. A diferença é que a escala é modificada, para atender os valores típicos encontrados na atmosfera terrestre.

Termômetro de máxima temperatura (acima) e termômetro de mínima temperatura (abaixo). Fonte: Estação Meteorológica do IAG-USP
Termômetro de máxima temperatura (acima) e termômetro de mínima temperatura (abaixo). Fonte: Estação Meteorológica do IAG-USP

Quando falamos em calor, sempre consideramos a maior temperatura do dia. Em 03 de janeiro a EM-IAG-USP registrou temperatura máxima de 36,1°C. É o recorde absoluto, ou seja, a maior temperatura já observada desde 1933. Em 01 de fevereiro, o mesmo valor foi repetido.

Esse valor alto de 03 de janeiro colaborou para a média mensal de 31,7°C. Claro que não colaborou sozinho, uma vez que foram vários dias de janeiro/2014 com temperatura máxima acima dos 31°C.

Outra questão interessante sobre janeiro/2014 foram as chuvas abaixo da média. As chuvas foram irregulares (e continuam assim nos primeiros dias de fevereiro) e isso também favorece o calor extremo. Choveu abaixo da média no mês de dezembro e no mês de janeiro. Com menos chuvas, há menos nebulosidade. As nuvens “cobrem” o Sol, minimizando a incidência dos raios solares na superfície da Terra. Tanto que sentimos um alívio quando passa uma nuvem na frente do disco solar.

Na  última semana do mês de janeiro, boa parte do Estado esteve sob a influência de uma área de alta pressão. Uma área de alta pressão é caracterizada por movimento subsidente do ar (de cima pra baixo), que dificulta a formação de nuvens. As nuvens formam-se quando o ar sobre (ou seja, de baixo pra cima) e o vapor d’água contido no ar se condensa quando atinge uma certa altura na atmosfera. O verão é a estação mais chuvosa do ano, é a característica principal do clima nos trópicos. Mesmo com chuva abaixo da média, o verão continua sendo mais chuvoso que o inverno. No inverno as vezes experimentamos vários dias sem chuva e quando chove é apenas garoa ou chuva fraca. Mesmo com chuva abaixo da média, tivemos algumas tempestades típicas de verão no mês de janeiro. É que elas foram irregulares, não choveu tanto quanto se esperava.Dezembro/2013 por exemplo foi o mês de dezembro mais seco desde Dezembro/1963. Em Dezembro/2013, choveu apenas 72,1mm, quando a média é 201,7mm, de acordo com o comunicado na fanpage da EM-IAG-USP.

As chuvas irregulares já abriram uma discussão sobre racionamento de água e racionamento de energia elétrica.

Leia mais aqui em “Por que não está chovendo no Sudeste do Brasil?