O Iluminado – livro e filmes



Esse post começou a se desenhar na minha cabeça depois que conversei com um colega de trabalho (oi Pety) sobre o famoso filme de Kubrick, O Iluminado.  O filme tem muitas referências na cultura pop. A cena de Jack, interpretado por, Jack Nicholson, alucinado, destruindo as portas do Hotel Overlook  é famosíssima e muita gente já deve ter visto a cena (mesmo que nunca nem tenha visto o filme). Essa cena ficou tão famosa que na coleção de DVD’s do Kubrick (uma coleção que 90% daqueles que curtem o rótulo cult provavelmente tem em casa – fonte: Samanthabope), o título em questão possui a seguinte capa.

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No último fim de semana fui na exposição do David Bowie lá no MIS (recomendo!) e é mencionado que Kubrick influenciou Bowie. Isso é bem claro na música Space Oddity, que é uma alusão à Space Odissey. 2001: a Space Odissey (2001 – Uma Odisséia no Espaço) é um livro de Arthur C. Clarke adaptado por Kubrick. É aclamadíssimo pela crítica e Bowie escreveu Space Oddity (‘Estranheza’ no Espaço)  em que o Major Tom, um astronauta, fica embasbacado com o que vê no espaço.

Planet Earth is blue, and there’s nothing I can do….

E o Comandante Chris Hadfield gravou uma versão música na Estação Espacial Internacional! Nada mais apropriado.

O tal Blue Marble que encantou todos que viram. Quem sabe um dia o passeio pela órbita da Terra não fica acessível? Eu gostaria de ver :).

E Bowie também curtia muito Clockwork Orange (como estou hipster hoje, Jesus me ajuda rs). Clockwork Orange (Laranja Mecânica) é outro filme de Kubrick, é uma adaptação de uma obra homônima do escritor Anthony Burgess. É também ficção científica, como 2001, que fala de uma distopia em que o delinquente sociopata Alex De Large e seus brothers (que no filme são droogs) cometem vários crimes violentos. Esse filme também influenciou Bowie em um certo período de sua carreira, no álbum Diamond Dogs, nos figurinos, cabelo (tingiu de vermelho para lembrar De Large) e nas músicas.

Bom, tudo isso me fez querer escrever esse texto sobre  O Iluminado. O filme de Kubrick tornou-se conhecidíssimo mas poucas pessoas não sabem que o filme é completamente diferente do livro. E fiquem tranquilos, não vou dar spoilers de nenhum dos dois. Bom pelo menos vou tentar não fazer grandes revelações sobre o enredo [e acho que consegui].

The Shininning (O Iluminado) é baseado na obra homônima de Stephen King. O filme é de 1980 e o livro foi escrito em 1974. A principal diferença entre filme e livro é a motivação dos espíritos/assombrações/fantasmas/visagens. No livro, as visagens tem como objetivo inicial e principal tomar conta do espírito do garotinho Danny. No filme, elas querem Jack. No romance, Danny é um menino com habilidades especiais (premonição/mediunidade) e é por isso que as visagens querem a alma dele (em outras palavras, elas querem matá-lo). Então, no livro, as visagens usam Jack para matar Danny e assim os poderes de Danny podem ser absorvidos pelo coletivo das visagens (acho que elas atuam como borgs). No livro, se as visagens absorverem o poder de Danny, elas se tornam mais poderosas (o que evidentemente é um enorme clichê). No livro, Jack é um cara fragilizado pelo alcoolismo (está em recuperação e o trabalho de inverno no Hotel Overlook, pensa ele, pode ajudar nessa recuperação). Talvez essa fragilidade seja o canal por onde os espíritos malvados podem atuar em Jack para matar seu próprio filho e esposa (a esposa de Jack, Wendy, também é um pouco iluminada, no livro). Ao longo do romance, Danny percebe, através de suas habilidades psíquicas, os objetivos dos fantasmas. E através disso ele consegue recuperar a sanidade do pai. Então o amadurecimento de Danny e esse insight talvez sejam o foco principal do livro.

No filme (err, bem, tenho aqui alguma dificuldade em compreender Kubrick, então vou falar o que eu acho), Jack pode ser uma reencarnação do antigo zelador do hotel. Isso fica evidente quando mostram uma fotografia em um certo momento do filme. O filme é mais focado em Jack, tanto que foi interpretado por um grande astro do cinema, Jack Nicholson. Um ator talentoso e conhecido certamente dá mais vida e personalidade ao personagem central da trama.

Os fãs de Stephen King normalmente não gostam do filme de Kubrick porque é diferente do livro. Há cenas do livro que não estão no filme (como a do jardim com topiarias). Só que há uma minissérie em 3 episódios feita para a TV norte-americana sobre O Iluminado. Pouca gente conhece este trabalho. Essa minissérie, estrelada por Steven Weber (da série Wings),  Rebecca De Mornay (A Mão que Balança o Berço) e Courtland Mead (o Uh-huh d’Os Batutinhas), é super fiel ao livro. Não possui a genialidade de Kubrick e o talento de Nicholson, mas com certeza agrada fãs de Stephen King.

Eu li o livro, assisti o filme de Kubrick e a minissérie. Eu gostei das duas adaptações por razões diferentes. Talvez porque eu admire o trabalho de Stanley Kubrick e de Stephen King.

Acho que no fundo só escrevi esse texto para falar do Julius, pai do Chris (série Everybody Hates Chris – Todo mundo Odeia o Chris). Todo mundo sabe que Julius tem dois empregos porque Rochelle fala disso toda hora. Há um episódio em que ele larga esses dois empregos e vai trabalhar em uma peixaria, porque ganha mais. Ele acaba voltando aos dois empregos porque a família não aguenta mais o cheiro de peixe. Bom, com relação a esses dois empregos, sabemos que um deles é como entregador de jornais. Ele dirige um caminhão entregando jornais pela cidade (há um episódio em que Chris o ajuda nisso). Mas nunca é mencionado qual seria o segundo emprego. Os mais atentos já observaram:

Julius
Julius

Ele.trabalha.no.Hotel.Overlook.

Que medo!!! Cuidado com a caldeira, Julius.