Conheça os principais reservatórios do Sistema Cantareira e como eles estão interligados



No post que escrevi sobre a Chuva e os reservatórios, o Sistema Cantarareira foi mencionado várias vezes. É o mais importante da RMSP, pois é o que abastace o maior número de pessoas (cerca de 9 milhões). O sistema é composto por seis barragens interligadas por um complexo sistema de túneis, canais, além de uma estação de bombeamento para ultrapassar a barreira física da Serra da Cantareira.

A imagem abaixo foi obtida no site da Águas do Brasil. No link, há um histórico completo sobre o Sistema Cantareira. Na figura abaixo, a parte amarela mostra o ponto em que ocorre o bombeamento da água.

Fonte: Águas do Brasil
Fonte: Águas do Brasil

Na figura acima, temos:

• Cinco reservatórios de regularização de vazões: Jaguari e Jacareí (interligados), Cachoeira, Atibainha e Juquery (ou Paiva Castro).
• Túneis e canais de interligação para transferência de água de uma represa para outra mais à jusante.
• Uma estação elevatória de água (Santa Inês), responsável por recalcar a água dos cincos reservatórios captada no último deles.
• Um reservatório (Águas Claras), que, pela capacidade e a vazão por ele veiculada, pode ser considerado “tipo pulmão”, com a
finalidade de manter o fluxo contínuo de água para ETA Guaraú.
• Uma estação de tratamento de água: a ETA do Guaraú.

A ETA Guaraú é uma das maiores do mundo. No site do DAE (Departamento de Água e Esgoto de São Caetano do Sul) há uma descrição completa de como a água  do Sistema Cantateira é tratada nesse local:

Pré-cloração – Primeiro, o cloro é adicionado assim que a água chega à estação. Isso facilita a retirada de matéria orgânica e metais.

Pré-alcalinização – Depois do cloro, a água recebe cal ou soda, que servem para ajustar o pH* aos valores exigidos nas fases seguintes do tratamento.

*Fator pH – O índice pH refere-se à água ser um ácido, uma base, ou nenhum deles (neutra). Um pH de 7 é neutro; um pH abaixo de 7 é ácido e um pH acima de 7 é básico ou alcalino. Para o consumo humano, recomenda-se um pH entre 6,0 e 9,5.

Coagulação – Nesta fase, é adicionado sulfato de alumínio, cloreto férrico ou outro coagulante, seguido de uma agitação violenta da água. Assim, as partículas de sujeira ficam eletricamente desestabilizadas e mais fáceis de agregar.

Floculação – Após a coagulação, há uma mistura lenta da água, que serve para provocar a formação de flocos com as partículas.

Decantação – Neste processo, a água passa por grandes tanques para separar os flocos de sujeira formados na etapa anterior.

Filtração – Logo depois, a água atravessa tanques formados por pedras, areia e carvão antracito. Eles são responsáveis por reter a sujeira que restou da fase de decantação.

Pós-alcalinização – Em seguida, é feita a correção final do pH da água, para evitar a corrosão ou incrustação das tubulações.

Desinfecção – É feita uma última adição de cloro no líquido antes de sua saída da Estação de Tratamento. Ela garante que a água fornecida chegue isenta de bactérias e vírus até a casa do consumidor.

Fluoretação – O flúor também é adicionado à agua. O flúor está na lista dos elementos que trazem efeitos fisiológicos benéficos. A fluoretação previne a perda de minerais do esmalte dos dentes, deixando-os mais resistentes à ação de agentes nocivos. Uma das principais finalidades do tratamento da água de um sistema público de abastecimento é evitar a proliferação de doenças entre a população. E, entre elas, está a cárie.

Chegada da água do Sistema Cantareira na ETA Guarau. Fonte: DAE
Chegada da água do Sistema Cantareira na ETA Guarau. Fonte: DAE – São Caetano do Sul

Para finalizar esse post, sugiro a matéria do Jornal da Record em que mostram os níveis críticos do Sistema Cantareira e as obras que estão feitas para interligar a água de reservatórios do Vale do Paraíba com o Sistema Cantareira. O interessante é que eles fazem um passeio de barco com um funcionário de uma marina, mostrando um pouco das Represas Jaguari e Jacareí: