Guarda-chuva é estação meteorológica móvel



Já pensou andar com uma estação meteorológica móvel? O cientista Rolf Hut, da da Delft University of Technology , na Holanda, planeja transformar guarda-chuvas em pluviômetros. Li a notícia no Yahoo News.

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Essa notícia me fez lembrar da foto acima. O estilista indonésio Rusli Tjohnardi fez uma coleção toda baseada em dias de chuva. Essa notícia já tem algum tempo (veja outras fotos do desfile aqui). A Indonésia, país muito chuvoso (tão ou mais chuvoso quanto o norte da Região Norte brasileira), certamente foi uma inspiração forte para o estilista.

Quando falaram em transformar um guarda-chuva em um pluviômetro, logo pensei num guarda-chuva ao contrário (e por isso lembrei da foto acima). Porque o pluviômetro coleta a água da chuva. Depois, com uma proveta, medimos a quantidade de água. Esse procedimento pode também ser automatizado, e atualmente pluviômetros de estações meteorológicas automáticas são bem comuns. É possível inclusive fazer um pluviômetro caseiro, um interessante experimento que pode ser feito em uma feira de ciências, por exemplo.

A propósito, se for repetir a experiência do pluviômetro caseiro, para tornar a experiência didaticamente válida, é legal colocá-lo para funcionar. Coloque-o ao ar livre e verifique o total de chuva todos os dias (aconselho escolher sempre o mesmo horário diariamente, por exemplo, 7h da manhã). Anote esse valor ao longo de um período. Pode ser ao longo de um mês, inicialmente. Quanto mais tempo, melhor. Ao longo de um ano, é possível identificar o período seco e o período chuvoso.

Bom, como será que funciona então a ideia de Rolf Hut? Para isso, tive que ir ao site da BBC, site que o Yahoo News usou como fonte. A notícia original está aqui. A propósito, a BBC tem um correspondente só de ciências! Que invejinha, bem que as emissoras e portais de notícias brasileiros poderiam ter um profissional parecido (e eu adoraria ter o emprego!).

Na notícia da BBC, há até uma foto do protótipo: um fofíssimo guarda-chuva do Ursinho Pooh com um sensor instalado. Esse protótipo foi apresentado na Assembléia Geral da EGU (European Geosciences Union), em Viena. Um amigo foi apresentar um trabalho lá e espero que ele tenha visto essa fofura de perto :).

Um sensor piezoelétrico foi instalado nesse protótipo. Ele mede as vibrações causadas pelo impacto das gotas de chuva. Esse sensor é conectado, via Bluetooth, com o celular. As informações são então compartilhadas na rede. Dr. Hut fez algunz experimentos em laboratório e também testou o protótipo em uma chuva leve. E os resultados, segundo o pesquisador, foram encorajadores. Comparando com medidas obtidas em um pluviômetro convencional, ele disse ter obtido boas correlações.

Sensores piezoelétricos geram tensão elétrica quando uma pressão mecânica é aplicada sobre eles.  Não é uma tecnologia nova (e nem é uma tecnologia cara). Medidores de pressão arterial (os eletrônicos), por exemplo, utilizam essa tecnologia. Se calibrado em laboratório, a pressão gerada pelo impacto de uma gota pode ser relacionado a um valor de tensão. Dessa forma, podemos medir a quantidade de chuva, bem como o tamanho da gota.

Sendo assim, a ideia do Dr. Hut não é nada cara. Se funcionar bem, pode ajudar no monitoramento da chuva.  Ele acredita que no futuro essa tecnologia virá em todos os guarda-chuvas, especialmente nos guarda-chuvas mais sofisticados. Muito otimista, Dr. Hut ainda disse:

” Teríamos centenas de pluviômetros em movimento ao longo de uma paisagem urbana, o que poderia melhorar muito a nossa capacidade de compreender hidrologia urbana ,  o que iria melhorar muito a nossa capacidade de prever enchentes e tomar medidas quando as coisas vão mal. “

Outros grupos tem desenvolvido ideias muito parecidas. Como carros com para-brisas que ligam automaticamente quando começa a chover e ajustam sua velocidade de acordo com o tipo de chuva. Como atualmente muitas pessoas possuem celulares conectados a internet, seria maravilhoso aproveitar esse fato para monitorar o tempo enquanto se deslocam.