Incêndios florestais na Califórnia



Satélites científicos tem diversas aplicações no monitoramento ambiental. Em um post recente em que falei da tempestade de granizo da última segunda-feira (veja aqui), comentei que o satélite Metop-B conseguiu monitorar a tempestade formada sobre a RMSP, responsável pelo granizo. E na mesma postagem, recomendei esse vídeo educativo que explica como os satélites meteorológicos funcional.

No começo do ano, falei do monitoramento de incêndios florestais na Austrália. Esses incêndios também estavam sendo monitorados lá de cima, por satélites como o Aqua, da NASA. E recentemente, o mesmo satélite Aqua registrou incêndios florestais na Califórnia:

Imagem composta de 14 de maio de 2014. Fonte: NASA
Imagem composta de 14 de maio de 2014. Fonte: NASA

A imagem acima é uma composição de imagens de 14 de maio de 2014. Como eu assino a newsletter do Earth Observatory, recebi esse link por e-mail falando dos incêndios. A temporada de incêndios florestais começa em Maio, lá na Califórnia e no oeste do México. O tempo vai ficando seco e quente, facilitando o espalhamento de incêndio. Entre 14 e 16  de Maio, foram registrados 9 focos de incêndios e cerca de 7.700 hectares de terra já tinham sido queimados. Além disso, mais de 100.000 pessoas tiveram que deixar suas casas.

A imagem acima é obtida através do sensor MODIS, que está a bordo do satélite Aqua da NASA (leia mais aqui). Na imagem, a gente consegue perceber a pluma de fumaça, indicando que os ventos sopraram predominantemente do continente  para o oceano (de leste para oeste).

A seca tem sido persistente nas regiões sul e central da Califórnia nos últimos meses. Enquanto o frio estava assolando o nordeste dos EUA no começo do ano, a Califórnia enfrentava uma atípica onda de calor. De acordo com o U.S. Drought Monitor, para que a seca seja interrompida, é necessário que chova de 230mm a 380 mm no próximo mês, na região afetada. E isso é bastante chuva. É o que costuma chover em média em um mês de janeiro aqui em São Paulo, por exemplo.

Em uma segunda imagem dos incêndios florestais, capturada pelo mesmo satélite só que no dia 15 de Maio, temos uma pluma menor de fumaça. Provavelmente, o vento estava mais fraco nesse dia. Muitas indútrias usam dados de vento para melhor dimensionar suas chaminés (altura, largura, posicionamento, etc) e evitar pesadas multas aplicadas por órgãos de regulamentação e fiscalização ambiental. A direção e a intensidade do vento permitem ver para onde os poluentes estão se deslocando e se o espalhamento está sendo eficiente.

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Imagem composta de 15 de maio de 2014. Fonte: NASA