Nuvens no livro que estou lendo =) – Mrs. Dalloway



Outro dia decidi que queria aprender sobre a escritora Virginia Woolf. Comecei lendo o livro Mrs. Dalloway. Falta 1/4 do livro para terminar a leitura, mas já posso dizer que achei a narrativa muito interessante. O foco da narração vai passando de um personagem para o outro. Alguns personagens estão relacionados entre si (são parentes, companheiro(as) ou colegas). Outros não tem relação nenhuma, são completos estranhos que dividem os mesmos lugares. É como se cada um dos personagens (os que tem nome ou não) fossem arrastados por uma maré narrativa.

Mrs. DallowayO Banzai disse que essa foto está muito inglesa…rs. Bom, tenho a graça e elegância do Mr. Bean, então faz sentido.

Nunca te ocorreu de estar em um ônibus e observar alguém? Um rapaz bonito, uma senhora simpática ou uma criança? E você nunca pensou como é a vida daquela pessoa, o que será que ela está pensando ou o que será que está fazendo? Acho que a proposta de Virginia Woolf era essa. O legal é que o livro todo se passa em um dia. Clarissa Dalloway está organizando uma festa noturna. Sai para comprar flores. Arruma o vestido. Sai com sua filha adolescente e com a governanta de sua casa. Seu marido tem um almoço profissional. Assuntos cotidianos, todos relacionados com a vida da classe média inglesa da década de 20. O pós-guerra é mencionado. Há um personagem que tem lutou na Primeira Guerra Mundial e sofre do que parece ser transtorno de stress pós-traumático.

Achei o livro muito interessante e muitos dizem que foi um livro muito inovador para a época, já que o tipo de narrativa e alguns dos assuntos abordados (homossexualidade feminina e ateísmo por exemplo) não eram comuns de serem discutidos na época e hoje mesmo algumas pessoas ainda consideram tabus.

Maaas, não sou nenhuma crítica literária. Há resenhas muito melhores que a descrição que fiz. O que me chamou a atenção no livro foi esse trecho:

Uma lufada de vento (apesar do calor, ventava bastante) soprou um véu fino e negro sobre o sol e por sobre Strand. Os rostos descoloriram; os ônibus de repente perderam o brilho. Pois embora as nuvens fossem de um branco montanhoso que a gente podia se imaginar com uma machadinha talhando em lascas sólidas, com largas vertentes douradas, gramados de jardins celestiais nos flancos e tivessem toda a aparência de um casario permanentemente ali reunido para a assembleia dos deuses por sobre o mundo, havia entre elas um movimento incessante. Trocavam-se de sinais, quando, como para executar algum plano já traçado, ora um topo se encolhia, ora um bloco inteiro de dimensões piramidais que se mantivera em posição inalterável avançava para o meio ou gravemente conduzia a procissão para um novo ancoradouro. Por fixas que parecessem em seus postos, descansando em perfeita unanimidade, nada podia ser mais fresco, mais livre, mais sensível à superfície do que a soperfície branca como a neve ou abraseada de ouro; era possível num átimo mudar, avançar, dissolver a solene reunião; e apesar da grave fixidez, da solidez e da robustez acumulada, enviavam à terra ora luz, ora sombra.

Não é lindo? Sempre que mencionam Meteorologia na literatura ou na música, fico toda boba e admirada. Ciência inspirando arte, tudo isso é lindo demais =). E isso é um timelapse. Isso fez com que eu me lembrasse de minha infância, quando eu deitava no capô do carro de meu pai e ficava assistindo as nuvens se mexerem.

Raios Crepusculares no Waterberg Plateau, Namíbia. Autor: Alchemist-hp, site.
Raios Crepusculares no Waterberg Plateau, Namíbia. Autor: Alchemist-hp, site.

A autora também menciona o dourado em torno das nuvens, quando elas cobrem o disco solar. E pela descrição, tudo leva a crer que ela está falando de raios crepusculares, como na da bela foto acima (feita na Namíbia, pelo Heinrich) e também como na linda imagem abaixo, feita pela Fê Abreu (leia mais aqui).

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Mrs. Dalloway está a venda na Livraria Cultura e existem diversas edições de diferentes editoras. É o que acontece com muitos livros famosos. Diversas traduções (algumas com notas e umas melhores que as outras), algumas com ilustração e outras não, papel diferente, capa dura, etc. Como compro o livro mais barato (eu gostaria que usassem mais daquele papel fininho e vagabundo – desculpem, não entendo nada de papel rs – usado pela Penguin Books), raramente me importo com esse tipo de detalhe (apenas procuro os com boas traduções se for o caso e com textos integrais). Estou lendo essa versão pocket da L&PM (que é odiada pela galera da Letras, com certeza). Essa mesma versão pocket, tem também no formato ePub (que acho que é o formato do kobo). A versão em inglês mais barata custa em torno de trinta e seis reais (aqui). E por todas as estações de metrô que frequento de vez enquando, ainda não vi esse livro a venda naquelas máquinas.

P.S.: Os links para a Livraria Cultura possuem estão vinculados ao programa “Espalhe Cultura”. Qualquer compra a partir desses links  gerará uma pequena comissão para quem vos fala =)