Resenha de Mamãe é de Morte (Serial Mom)



Aqui no Meteorópole não espere muitas resenhas de lançamentos. Eu assisto o que quero e quando quero rs.

Mamãe é de Morte  (1994) é um filme que eu já tinha assistido antes, há muitos anos atrás. No último fim de semana, vi esse filme no menu do Netflix. Perguntei ao marido se ele tinha visto e ele disse que não. Eu fiz uma cara de COMO ASSIM??? e então perguntei se ele queria ver. Fiz a mesma cara de COMO ASSIM??? quando ele disse que nunca tinha visto Elvira, a Rainha das Trevas (inaceitável).

Serial_Mom

Há alguns anos, criançada, antes da internet existir (ok, ela já existia, mas não para o público geral), não era muito fácil obter informação. Então a gente era bem ingênua, acreditava em qualquer coisa. Se na abertura de um filme dissessem que ele tinha sido baseado em fatos reais, a gente realmente levava isso a sério. Foi assim que engodos como A Bruxa de Blair (1999) e Mamãe é de Morte aterrorizaram muita gente. Ah, sem esquecer de O Retorno dos Mortos Vivos (que é de 1985) , que encaixa-se na mesma categoria.

Mamãe é de Morte é uma crítica a vida suburbana dos Estados Unidos. Pessoas brancas, donas de casa perfeitas e protestantes, casas impecáveis, ruas limpas e casas magníficas. Aquela mesma vida que a gente tentava reproduzir no The Sims, convidávamos todos os vizinhos para uma festa de aniversário e soltávamos fogos no interior de casa, botando fogo em todos (alguns preferiam arrancar a escada da piscininha).

Kathleen Turner faz o papel de Beverly Sutphin, dona de casa perfeita e puritana, que esconde um bizarro passatempo: aplicar trotes em uma vizinha divorciada. Nos trotes, ela fala muitos palavrões, incompatíveis com sua persona pública.

Lembrem-se, amiguinhos: anos 90. Ninguém tinha bina (sua mãe tambem chama o identificador de chamadas de bina, com certeza) nos anos 90. Descobrir quem aplicava trote em sua residência era algo bem dificil ou impossível e se fosse realmente possível, tinha que necessariamente envolver a polícia.Então trotes eram crimes sem punição na maioria dos casos.

Esses trotes são a porta de entrada para uma sequência de crimes bizarros. Era só os filhos desejarem a morte de alguém em um momento de ira adolescente, que o desejo logo era atendido pela solícita mamãe. O killing spree logo é descoberto e a mulher vira uma espécie de ídolo cult. Nos anos 90 adolescentes tinham um hábito bizarro de cultuar serial killers e filmes de terror faziam muito sucesso.

Considero Mamãe é de morte um clássico da comédia de terror, e como eu disse acima, também critica a vida suburbana dos EUA. Pessoas que querem mostrar uma vida “perfeita”, talvez estejam passando um verniz para encobrir seus podres. É o mesmo tipo de crítica que vejo na série Desperate Housewives, por exemplo. O filme é de 1994, na época em que a gente rebobinava a fita de vídeo para devolvê-la à locadora (melhor fazer isso). E melhor evitar sapatos brancos depois do dia do trabalho.

Trívia: em Portugal, foi lançado como Mãe Galinha. Amei o título!