A ciência que ninguém deu bola



Uma importante demonstração de mais de 10 anos de pesquisa pasou desapercebida na abertura da Copa de 2014. Miguel Nicolelis, neurocientista brasileiro, tem desenvolvido desde 2001 com sua equipe um exoesqueleto.

O aparato, que lembra muito a ficção científica, trata-se de uma interface cérebro-máquina. O objetivo é fazer com que pessoas que perderam os movimentos dos membros superiores e inferiores possam movimentá-los, comandando uma espécie de armadura ligada aos membros.

A primeira demonstração pública do funcionamento do aparelho seria feita durante a abertura da Copa de 2014. Bom, ela foi feita. Infelizmente pouca gente viu, já que apareceu por poquíssimos segundos na TV, em meio a uma cerimônia caótica e nada esplendorosa. E olha que sabemos fazer festas bem bonitas no Brasil:

10389466_754218454635468_90378946692809152_nA imagem acima, muito didática, foi compartilhada pela Jaque. Acontece que a festa da FIFA não foi organizada pelos brasileiros. Veio um comitê da FIFA fazer tudo. Se tivessem deixado as alegorias e fantasias a cargo de um carnavalesco, teríamos a festa mais linda de todas as copas.

Mas enfim, além da festa ter sido caótica, estranha e muito criticada (todo mundo esperava muito mais), o esperado momento da demonstração do BRA-SANTOS DUMONT I (nome do exoesqueleto desenvolvido por Nicolelis e sua equipe), foi muito frustrante para quem esperava com ansiedade.

Segundo o pesoal do Gizmodo Brasil, foram DOIS SEGUNDOS  de demonstração. E tudo ofuscado por uma narração delirante e câmeras  mal posicionadas.

nicolelis-copa-exoesqueleto

No portal Terra, há uma matéria muito boa explicando o funcionamento do Exoesqueleto e dando a cobertura que um projeto maravilhoso como esse merece (clique aqui). Andei lendo sobre o assunto em diversos portais e essa reportagem foi a mais completa na minha opinião. Completa porque permitiu que uma pessoa leiga no assunto, como é meu caso, conseguisse compreender um pouco do projeto.

Li muitas críticas ao trabalho de Nicolelis, principalmente vinda de comentaristas de notícias (não leiam os comentários das noticias, nunca!). As críticas eram feitas por pessoas ignorantes e que conseguem andar sem dificuldade. O trabalho do cientista é pouco reconhecido e muito desvalorizado aqui no Brasil (infelizmente não estou falando nenhuma novidade).

Parabéns ao trabalho de Nicolelis e equipe. E uma pena que a imprensa não valorize aquilo que realmente importa.