Mais uma vez na semana: a imprensa mal intencionada ataca as universidades públicas (e dessa vez foi bem bizarro)



Na segunda-feira falei de um texto de um jornal paulistano que criticava a gratuidade da USP e fomentava boatos de privatização. Eu até concordo que deveria haver um mecanismo que possibilitasse que pessoas ricas pudessem doar dinheiro para a universidade. E tenho certeza que deve haver uma grande reforma no sistema educacional para que o filho do pobre, estudante de escola pública, tenha condições de entrar na USP. Paralelamente a isso, políticas de inclusão social devem ser implantadas para facilitar o acesso e para ajudar os alunos a manterem-se na Universidade. Quem não estuda na USP não compreende isso, mas muitos cursos são integrais, impossibilitando que o aluno trabalhe fora. Além disso, existem várias atividades na Universidade que vão além das aulas. Alunos que precisam trabalhar fora acabam ficando de fora de muitas delas.  Já existe o INCLUSP, um departamento que trata da inclusão social. Mas não é o suficiente, na minha opinião, já que a instituição não aderiu ao sistema de cotas.

caricato reinaldo azevedo

Vi aqui.

Hoje muito cedo, meu marido tomava café em frente ao computador e morria de dar risada. Tratava-se de um texto de um colunista da Veja, que criticava uma performance artística de alunos da UFF. Ele poderia questionar a performance, tentar compreendê-la, fazer uma crítica ou sei lá. Mas como não dispõe de lastro intelectual para isso, preferiu dizer que “era tudo culpa do PT, já que essa Universidade em questão é Federal”. Eu não vou colocar o link desse texto aqui, mas o Google tá aí, quem quiser ler só fazer uma busca e dar boas risadas.

Eu não sei o que aconteceu nessa performance. Alguns grupos feministas disseram que foi uma crítica ao controle do corpo feminino, uma propaganda feminista, uma afirmação do empoderamento feminino, etc. Se foi isso, a motivação é mais do que boa, porque a sociedade inteira precisa entender o que é feminismo e precisa por o feminismo em prática, para que finalmente alcancemos a tão sonhada igualdade entre os indivíduos. Agora, se a performance foi bonita, daí eu já não sei. Eu teria que assistir para dar minha opinião. Vi algumas fotos, morri de rir com o nome da performance (Xereca Satânik, eu amo filmes de terror e foi a primeira associação que veio na minha cabeça), mas acho que não gostei muito da vibe. A verdade é que para definir se gostei ou não, eu precisaria assistir. E para entender melhor, eu teria que conversar com os artistas. Um colunista sério, um comunicador comprometido com a verdade, faria isso. Mas não parece ser o caso do nosso coleguinha.

Como o colunista da Veja, talvez eu não tenha conhecimento suficiente para entender a performance. A diferença entre nós é que eu reconheço essa ignorância. E também diferente dele, entendo que a  Universidade tem que ser um local livre, onde artistas e cientistas podem colocar em prática suas idéias.Essas idéias poderão ser bem recebidas ou não. Poderão ser alvo de críticas, o que é muito bom e muito saudável, já que o conhecimento é construído dessa maneira.

O que me fez rir é o quão tacanha é a ideia de um sujeito que critica algo que não viu apenas para criticar um partido político. A Dilma por acaso era uma das artistas da performance? Lula e José Dirceu também estavam envolvidos? Genoíno aplaudiu? Suplicy estava dançando nu com a galera? Eu queria entender o que um partido político tem a ver com uma performance artística que sequer tinha relação com esse partido. O mais impressionante é que tem gente que aplaude esse tipo de ideia e considera o colunista um grande intelectual. Inclusive fiquei surpresa ao notar que existe uma fanpage para o sujeito e há inclusive 3 parentes meus que apreciam a página.

Não consigo entender como um cara desonesto desse consegue notoriedade. Como ele consegue espaço para falar tanta abobrinha? Como ele consegue tanta influência? Isso deve ter a ver com a Teoria do Sport Fino.