Dúvida do leitor: meteorologistas de antigamente



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A Cecília mandou uma dúvida bem interessante:

Como esse profissional (meteorologista) trabalhava antigamente?

Bom, o termo antigamente abre margem para muitas interpretações. Há quanto tempo? Há 50 anos atrás? Há 100 anos atrás? Antes disso?

Acho que antes de mais nada é bom ler um post muito bom que o Vinícius escreveu, de tópicos da História da Meteorologia. Até a primeira metade do século XX, não havia radares e satélites sendo utilizados para fins científicos. O previsor do tempo trabalhava apenas com observações de superfície ou de altitude, com balões e aviões, mas de um modo bem geral o trabalho era feito através de observações em superfície mesmo.

As Estações Meteorológicas de Superfície eram mais do que fundamentais antes do satélite e do radar. Ainda hoje são muito importantes, já que as informações observadas auxiliam na calibração desses instrumentos mais novos. Há alguns meses escrevi um post falando que nada substituiu os pluviômetros (leia aqui).

E mesmo sem o uso dos instrumentos meteorológicas, a própria observação visual era importante. Observar os tipos e a quantidade de nuvens era uma tarefa rotineira. Ainda hoje muitas observações meteorológicas fazem isso. O tipo de nuvem pode indicar o tipo de tempo das próximas horas ou dos próximos dias.

Para saber se uma frente fria está se aproximando, por exemplo, além de observar o tipo de nuvem no céu também era importante ter contatos com outros observadores que estão localizados mais ao sul (como o caso aqui da América do Sul). Uma vez li que o Narciso Vernizzi  tinha contatos na Argentina, que conversavam com ele por telefone. Esses observadores passavam informações sobre as condições do tempo na Argentina. Ele sabia que se estava frio por lá, era provável que uma frente fria poderia chegar até a Região Sul e Sudeste nos dias seguintes.

A comunicação, claro, era de outra forma. Hoje estamos habituados a procurar informações na Internet. E grandes centros de meteorologia divulgam seus dados pela internet, facilitando o trabalho do previsor. Antes da Internet, o telefone e mais anteriormente ainda, o telégrafo, eram essenciais no escritório de um meteorologista. Cartas sinóticas eram feitas a partir de informações obtidas dessas maneiras.

Como em praticamente todas as profissões, a experiência do meteorologista também conta muito. Além da experiência, ajuda muito se o meteorologista que trabalha com previsão tiver familiaridade com aquela região. Pessoas que trabalham no campo, por exemplo, sabem que quando o vento vem de um determinado local o tempo está para mudar. Meteorologistas que moram no mesmo local há muito tempo e observam o céu com frequência também usufruem dessa experiência em seu trabalho.

Acredito que de forma geral é isso. Se alguém tiver alguma dúvida específica sobre o assunto (ou sobre qualquer tema relacionado à meteorologia), basta mandar através do formulário da página.