Guestpost: Por que escolhi a Geografia?, por Sybylla



SamanthaPedi para a Sybylla escrever um guestpost sobre sua jornada para a Geografia. A história dela certamente vai ajudar na escolha profissional de muitos leitores que vão prestar vestibular, como quando pedi ao Isaque que escrevesse um post contando porque ele escolheu meteorologia.

Além disso, sempre é bom ler histórias inspiradoras, que nos motivam a seguir em frente mesmo diante dos problemas e a trajetória da Sybylla tem essa característica. E como outro propósito, espero que esse texto inspire moças de todo o Brasil. Precisamos de mais mulheres cientistas. Sonho com o dia em que as meninas sejam livres, possam sonhar com qualquer carreira sem a desculpa de que “isso é coisa de menino”. 

No texto abaixo, a Sybylla conta como se interessou por Geografia e como venceu circunstâncias difíceis. 

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Por que escolhi a Geografia?

A Sam me convidou para este guest post e narrar minha aventura na Geografia. O mais engraçado é que eu escolhi este curso, justamente, por um fator geográfico!

Voltando no túnel do tempo, minha vida escolar foi bastante estável e num ótimo colégio até 1997. Minha mãe perdeu o emprego, tive que sair do colégio e fui para a suplência terminar o ensino médio. Como meus dois últimos anos do ensino médio foram muito ruins, eu nem pensei em prestar vestibular, pois sabia que não tinha condições de passar numa universidade pública e por isso adiei os planos de cursar o nível superior, o que me deixava muito pra baixo.

Quando foi em 2004, eu tinha sido mandada embora da loja em que trabalhava e minha mãe assistia TV quando viu um comercial da Universidade Cruzeiro do Sul, anunciando seus curso gratuitos da época: Economia, Geografia e História. E ela falou pra mim “Filha, presta. Tenho certeza que você passa”.

Fiz a inscrição numa lan house e meu alvo era o curso de História. Só que História, na época, ficava no campus de São Miguel Paulista, zona leste e muito longe da minha casa. Economia era no campus Liberdade, mas este curso eu não queria. Logo, peguei Geografia, porque ficava mais perto e tinha acesso mais fácil de ônibus e metrô.

Eu quase não consegui fazer a matrícula, pois mesmo sendo gratuito, eu tinha que pagar uma mensalidade para me matricular. Eu tinha só a metade, um amigo meu me deu o restante sem nem pestanejar. Foi uma época muito difícil, pois um pouco antes de começar a cursar, minha mãe e eu fomos despejadas de casa e fomos morar em uma casa abandonada, onde a vizinha emprestava luz por meio de uma extensão que passava pelo muro do quintal. O dinheiro da condução eu conseguia emprestado com amigos. Até minha carteirinha de estudante para pagar meia no ônibus foi um amigo que pagou.

No final de 2004 entrei como temporária de Natal na FNAC, onde trabalhei por 2 anos. O trabalho era muito puxado e eu quase larguei, se não fossem meus professores, que me impediram. No meio de 2005, fomos todos convocados a prestar o ENADE – já que éramos uma turma pequena de 27 alunos.

Quando o resultado saiu no ano seguinte, fomos o melhor curso de Geografia do país, desbancando universidades federais e estaduais no processo. Como prêmio para todos os estudantes que fizeram a prova, nós ganhamos o curso completo, com bacharelado, de graça. Inicialmente, somente a licenciatura era gratuita.

Eu já saí da Geografia empregada. Em 2008 eu ingressei na rede estadual de ensino de SP, enquanto ainda cursava o 4º ano de faculdade. Estudava de manhã e saía correndo da faculdade pra entrar na escola à tarde. Era muito cansativo e desgastante, mas eu não reclamava. Eu sabia que minha chance de mudar de vida era com aquele curso e com meu emprego e não me arrependo. Tive bons amigos que me ajudaram muito e, claro, minha mãe foi meu braço direito durante este tempo. Sempre do meu lado, me ajudando no que podia, me amparando em todos os momentos.

Lembro que, no começo, fiquei com muito medo de não gostar do curso. Acho que é um medo comum em todo mundo que entra em um curso, o de não gostar dele. Mas antes do final do primeiro ano, eu já sabia que estava no lugar certo. Me mantive nas geociências ao entrar no mestrado em paleontologia e estou muito feliz por ter escolhido o curso que era, geograficamente, mais acessível!

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Muito Obrigada, Sybylla. Ah sim, ela escreve no Momentum Saga, mas disso vocês todos já sabem :P. No blog, ela fala sobre ciência, ficção científica sob o ponto de vista feminista e outros assuntos relacionados. Ela faz ótimas resenhas de livros e filmes, discute clichês da ficção científica e faz um diálogo ótimo entre ciência e ficção científica. Precisa de mais razões para dizer que o blog dela é um de meus favoritos?