A Meteorologia de: Vulcano



Na série “Meteorologia de: _______”, já falei de um outro mundo de Star Trek: Qon’os, mundo-capital dos Klingons. E usei um .gif bem bacana que vi aqui para ilustrar Qo’nos. Só que não vi o mesmo gif para Vulcano =(

Não tem problema, vou ilustrar com imagens que encontrei na internet. Muitas delas, vi no Memory Alpha. Ah sim, é importante dizer que estou seguindo a linha do tempo tradicional. Quem viu o filme de 2009 sabe do que estou falando =P

O planeta Vulcano tem uma atmosfera mais rarefeita que a nossa (me refiro aqui ao nível do mar, na Terra). A aceleração da gravidade no planeta também é maior do que na Terra. O que é bom, porque isso deve ajudar a manter os gases na atmosfera. Provavelmente se aceleração da gravidade em Vulcano fosse igual a da Terra, a atmosfera seria mais rarefeita ainda e talvez nem teríamos um planeta Classe M (planeta habitável).

Vulcano é um planeta com poucos oceanos. O que sugere evidentemente que haja poucas fontes de umidade. A maior parte do território de Vulcano consiste em áreas de desertos e montanhas. Nessa imagem de uma cidade de Vulcano (a imagem é de um episódio da série Star Trek: Enterprise), correspondente ao ano de 2154, é possível observar um céu avermelhado. É o por-do-Sol, mas ainda assim, o céu é bem mais avermelhado do que no pôr-do-Sol da Terra. Isso sugere que as partículas em suspensão na atmosfera Vulcana sejam em média  maiores que as partículas em suspensão na nossa atmosfera.

A panoramic view of the Vulcan capital city in 2154. (ENT: "Kir'Shara"). Fonte: Memory Alpha
A panoramic view of the Vulcan capital city in 2154. (ENT: “Kir’Shara”). Fonte: Memory Alpha

Nosso céu é azul devido ao Espalhamento Rayleigh. As moléculas dos gases que compõe nossa atmosfera são relativamente pequenas e favorecem o espalhamento de comprimentos de onda pequenos (azul, roxo). No poente, a luz solar atravessa uma camada maior de atmosfera e acaba favorecendo o espalhamento dos comprimento de onda maiores (azul, laranja). Esse último chama-se Espalhamento Mie.

O por-do-Sol em Vulcano me lembra muito o pôr-do-Sol em Marte:

Imagem feita de Marte em sua baixa órbita. É possível ver a tênue atmosfera com coloração avermelhada. Fonte: Wikimedia Commons. Imagem obtida através da Sonda Viking.
Imagem feita de Marte em sua baixa órbita. É possível ver a tênue atmosfera com coloração avermelhada. Fonte: Wikimedia Commons. Imagem obtida através de uma das Sondas Viking.

 

Inclusive alguns de meus leitores vão lembrar dessas imagens de Juiz de Fora, mandadas pelo queridíssimo leitor e amigo Renan Tristão, rs. Ele mesmo brincou que Juiz de Fora estava parecendo Marte.

A propósito, meus amigos mais próximos sabem que eu “xingo muito” o seriado Star Trek: Enterprise. Mas nesse post vou usar muitas imagens deste seriado. A explicação é simples: provavelmente devido ao sucesso eyecandystico da T’pol, o planeta foi bem explorado na série. Além disso, na cronologia Star Trek, a série é a temporalmente mais próxima do primeiro contato. Ah sim, para quem não está familiarizado com a franquia, os vulcanos foram os primeiros humanoides aliens a entrarem em contato oficial (as aventuras da jovem Guinan na Terra não contam rs) com os terráqueos, o que ocorreu em meados do século XXI (tá chegando rs).

Uma outra imagem de Vulcano (também da série Star Trek: Enterprise ), mostra uma coloração mais “amarelada”, mais “apagada”. Ou seja, também bem parecido com Marte:

The Vulcan capital city in 2154, as seen from T'Les's house. (ENT: "Home")
The Vulcan capital city in 2154, as seen from T’Les’s house. (ENT: “Home”). Fonte: Memory Alpha

 

Panorama da Cratera Gusev, em Marte. Imagem obtida pela Spirit (rover), um robozinho simpático que passeou por Marte e nos deixou com inveeeja rsrs. Fonte: Wikimedia Commons
Panorama da Cratera Gusev, em Marte. Imagem obtida pela Spirit (rover), um robozinho simpático que passeou por Marte e nos deixou com inveeeja rsrs. Fonte: Wikimedia Commons

A propósito, Spirit e Oppy (os robozinhos mais invejados do Sistema Solar) tem perfil no Twitter.

Estou para dizer que se Marte fosse um pouco maior, tivesse aceleração da gravidade maior, talvez tivesse uma atmosfera menos rarefeita e talvez com gás oxigênio. Se tivesse mais água em Marte (alguns pequenos oceanos, por exemplo), talvez teríamos Vulcano bem ao nosso lado.

A inspiração em Marte é muito clara até em imagens da série clássica.

The USS Enterprise enters orbit around Vulcan in 2267. (TOS: "Amok Time"). Fonte: Memory Alpha
The USS Enterprise enters orbit around Vulcan in 2267. (TOS: “Amok Time”). Fonte: Memory Alpha

 

Ou seja, a imagem é completamente vermelha, lembrando bastante nosso vizinho. Agora olhem só que legal: quando remasterizaram a série, a imagem acima ficou:

The USS Enterprise enters orbit around Vulcan in 2267. (TOS: "Amok Time" remastered). Fonte: Memory Alpha
The USS Enterprise enters orbit around Vulcan in 2267. (TOS: “Amok Time” remastered). Fonte: Memory Alpha

Calotas polares! Isso mesmo. É muito evidente que se inspiraram em uma imagem do nosso querido vizinho Marte. Vulcano possui montanhas elevadas (destacando-se o Monte Seleya), vulcões ativos e áreas com lava. Exatamente como Marte pode ter sido.

Ainda falando na presença de pouca água em Vulcano, o único “corpo d’água” mencionado em todas as séries é o Lago Yuron, que aparece no holodeck de um episódio de Star Trek: Voyager.

As condições climáticas de Vulcano são tão adversas que a expressão “Hot as Vulcan” é parte do ‘dicionário’ na série, sendo dita quando está realmente muito calor. Há um episódio da série clássica (não lembro qual) em que fica frio na nave, algo assim. Mas os humanos conseguem suportar bem. Para Spock, no entanto, é bastante difícil. Os nativos do planeta estão adaptados as condições adversas. Há inclusive modificações nas pálpebras para que entre menos areia nos olhos dos vulcanos, pois lembro de um episódio (acredito que foi do Star Trek: Enterprise) em que essa questão é mencionada e um humano tem dificuldades em Vulcano.

Sobre o calor intenso, confesso que não compro essa ideia muito bem. Em locais desérticos, é realmente muito quente durante o dia. Já de noite, o frio é bastante intenso. A ausência de nuvens faz com que toda a radiação infravermelha (calor) seja perdida para o espaço. Então eu continuo achando coerente que Vulcanos deveriam ser resistentes a variações de temperatura, ou seja, eles deveriam suportar temperaturas em uma grande amplitude térmica.

Por falar em humanos, a mãe de Spock, Amanda Grayson é uma vencedora rs. Lendo relatos de brasileiros que vão morar no Oriente Médio e reclamam do calor escaldante, do tempo seco e das tempestades de areia, imagino que Dona Amanda tenha enfrentado os mesmos problemas. E como Vulcanos não admitem mimimi, ela nem tinha com quem reclamar, coitada.

Um fato curioso sobre o ‘processo criativo’ em cima da invenção do planeta Vulcano é que primeiro existiu Spock e depois Vulcano. Isso mesmo! Para explicar a força e a audição sobre-humanas de Spock, os criadores da série decidiram que Vulcano teria a atmosfera mais rarefeita e teria condições mais adversas. Vivendo entre humanos (e nas condições atmosféricas ideais para os humanos), Spock teria as vantagens mencionadas.

A ideia também é representar um planeta mais “velho” que a Terra. Um planeta de paisagens muuuito velhas e que pouco variam com o tempo, já que a erosão é mínima em uma atmosfera tão rarefeita.

Eu não tenho muito mais para falar de Vulcano. Vocês devem ter notado que é um post bem menos apaixonado que o de Qon’os, mas é assim mesmo. Muitos fãs da franquia acabam se identificando mais com uma espécie de humanoide. No meu caso, os Klingons.

Outros posts da série “A Meteorologia de: _______”:

– Mundos da ficção:  Qon’os

– Mundos-reais: Júpiter (parte I e parte II).

Bibliografia

– Leia mais sobre Espalhamento Rayleigh e Espalhamento Mie nesse e nesse post.

– Verbete sobre Vulcan, na Memory Alpha.