Sumiço

Fonte: Free Digital Photos

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Pessoal, desculpe pelo sumiço. Eu estava trabalhando no evento USP e as Profissões, que ocorreu entre os dias 7 e 9 de agosto. Trabalhei nos dias 7 e 8. Eu estava chegando em casa tão moída que não conseguia escrever nada! Muitos posts que comecei a escrever estão parados e preciso dar continuidade aos trabalhos por aqui.

Bom, vou falar brevemente sobre minha experiência no evento e serei otimista e pessimista ao mesmo tempo. Parece que os extremos estão se distanciando, as amplitudes aumentando e não estou falando de mudanças climáticas. Quero dizer que de um lado temos jovens muito comprometidos e focados, que já têm ideia de qual área gostam e de qual carreira desejam seguir. Esses jovens são mais focados do que eu era no passado, talvez porque tem acesso a muito mais conhecimento do que eu tinha.

Quando estava prestando vestibular, entre 2000 e 2001, não existia tanta informação quanto hoje. A Internet já existia, viu? rs. Mas os mecanismos de busca não eram tão eficientes e na verdade nem havia tantos sites e informações disponíveis como o que temos hoje. Os adolescentes de hoje tem muito mais informações e podem conhecer carreiras e profissionais de qualquer área sem sair de casa. Por exemplo, se algum adolescente pretende prestar meteorologia e fizer uma busca na internet, é possível que chegue em meu blog, onde poderá conhecer mais o trabalho do profissional e onde poderá tirar dúvidas. Isso é fantástico! Eu nem pensava nisso quando tinha 17 anos.

E do outro lado, há jovens completamente desligados da vida, sem ambições, sem o mínimo de auto-conhecimento. Muitos inclusive pensam em “vida fácil” e acham que não vão precisar trabalhar duro para conquistar seus objetivos (muitos sequer têm objetivos). Tenho a sensação de que quando eu tinha uns 17 anos, não existiam pessoas tão desligadas assim. É por isso que tenho a sensação que a distância entre os extremos (focados x não focados) aumentou substancialmente.

Talvez a distância entre extremos tenha aumentado na sociedade como um todo e em diversos compartimentos. Vejo por exemplo muita discussão entre “esquerda” e “direita”, o que é positivo. Mas para alguns, quem é de esquerda não pode concordar com alguns pontos da direita ou vice-versa. Além disso, a assustadora extrema direita tem crescido. Infelizmente tem se tornado comum ouvir discursos com cunho muito fascista por aí. Sem querer banalizar o adjetivo, mas eu tenho percebido isso inclusive em pessoas muito próximas. Bom, reflexão longa e pesada demais para esse post =).

Conversei com muita gente ao longo do evento. Muitos tinham dúvidas sobre o vestibular, além de não saberem qual carreira seguir. Para alguns, falei de minha experiência como ex-aluna de escola pública que conseguiu entrar em uma das melhores universidades do Brasil. Uma mãe veio me agradecer por falar isso. Ela disse que “falei como mãe”. Definitivamente, meus 30 e poucos anos “nas costas” estão começando a aparecer, embora minha aparência talvez não dê essa indicação.

Quando trabalhamos em eventos assim ficamos esgotados mentalmente e fisicamente. Mas é muito recompensador! Na sexta-feira ouvi pelo sistema de som do evento que minha antiga escola estava no evento. Pena que eles já estavam indo embora quando ouvi pelo sistema de som. Gosto da oportunidade de falar um pouco de minha carreira e de falar também sobre o vestibular, para motivar adolescentes de escolas públicas. Claro que as coisas são muito injustas no país e que o ensino público deixa a desejar, mas podemos sonhar e nos esforçar para conquistar os sonhos. Muitos adolescentes precisam de um empurrãozinho, de palavras de motivação de professores, familiares e amigos.

Mudando de assunto, adquiri os três primeiros livros da série Descent. Já li boa parte do primeiro livro e ainda estou conhecendo os personagens. Estou começando a gostar de Elise, ex-caçadora de demônios/exorcista que agora exerce a função de contadora (mas ainda continua tendo problemas com o mundo oculto – não tão oculto assim). Gosto desses romances que urban fantasy, que misturam o sobrenatural com o mundo que conhecemos. Na minha mira também está O Homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick. Olha, depois que reli Do Androids Dream of Eletric Sheep?, do mesmo autor (fiz resenha aqui), estamos com uma febre PKD lá em casa rsrs. Meu marido comprou O Homem do Castelo Alto e já começou a ler. A propósito, adoro fazer compras em lojas físicas de algumas livrarias porque os vendedores são ótimos, muito queridos. O simpático moço que nos atendeu no caixa recomendou o conto A Formiga Elétrica, também do PKD. Eu o encontrei aqui e já vou colocar no meu Kindle ;).

Ah sim, e dois livros da Clara Averbuck vão chegar em casa em breve. Eu apoiei o Toureando o Diabo e pedi também o Máquina de Pinball, que inspirou o ótimo filme Nome Próprio.

Ou seja: terei milhões (exagerada rs) de resenhas para escrever por aqui. Estou me lembrando do meu priminho de 10 anos, “reclamando” que tinha muitos gibis e livros para ler, quando me fez uma pergunta retórica:

– Tia Samantha, você acha que minha vida é fácil?

Acho que estou na mesma situação rs.