A planta que parece rocha: llareta



Planta llareta. Fonte: Wikimedia Commons
Planta llareta. Fonte: Wikimedia Commons

Importante: esse texto foi postado originalmente no blog Jornal de Serviços. Para conferir a versão original, clique aqui.

Outro dia estava folheando uma dessas revistas de curiosidades e vi então uma foto muito semelhante a que abre essa postagem. Fiquei bastante intrigada, porque parecia uma “rocha verde”. No entanto, tratava-se de uma planta: a llareta ou yareta.

Bom, já aviso para vocês que sou meteorologista e não bióloga. Mas plantas em geral chamam muito minha atneção, principalmente aquelas que ao longo dos anos e anos de evolução adaptaram-se magistralmente a condições climáticas aparentemente adversas. E esse é o caso da llareta.

A planta, que é uma parente bem distante da salsa, cresce em solos arenosos, com boa drenagem e nutricionalmente pobres. Ela é endêmica de partes da Puna, ecorregião que se estende até o deserto do Atacama. É uma região onde chove muito pouco. Há regiões no Atacama com total anual de chuva da ordem de 1,0mm. Como comparação, em São Paulo-SP chove em torno de 1200mm/ano.

Apesar de viver sob condições de escassez de água, há llaretas com quase 3000 anos! Elas são bastante duráveis. O que chamou minha atenção também foi a estrutura da planta: ela é super compacta, com seus pequenos galhos bem aglomerados. Essa características faz com que a perda de calor pela planta seja reduzida, característica muito importante, já que nos desertos a temperatura cai bastante a noite.

Ou seja, não trata-se de uma rocha coberta por musgos, como pode parecer a primeira vista. A estrutura inteira consiste em uma planta.

Além de reduzir a perda de calor, a robustez da planta faz com que ela seja tão forte que é possível ficar em pé em cima do arbusto, exatamente como se ele fosse uma rocha. Mas tudo isso tem um preço: a planta cresce apenas 1,5cm por ano.

P.S.: a Revista BBC FOCUS, em sua edição de setembro/2014,  publicou uma rápida reportagem sobre a llareta. Eles entrevistaram a pesquisadora Catherine Kleier, da Regis University, Colorado. Segundo a pesquisadora, a llareta provavelmente tornou-se forte através de uma combinação entre fatores ambientais (stress causado pela elevada amplitude térmica dos desertos) e pressões de pastejo. Como a planta é super compacta, ela não se torna uma fonte de alimento interessante para pequenos roedores, como a viscacha, também endêmica da região.

Oi!
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